sexta-feira, 30 de abril de 2010

Função do apóstrofo


A pergunta foi: qual a função do apóstrofo?
Para quem não se lembra, apóstrofo é aquele "risquinho" que serve para suprimir vogais entre duas palavras.... Ex: caixa d'água.

E a resposta (imperdível) merece um troféu:


(Clique sobre esta imagem para ampliar)

Enviado por L.A.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Paulo Guinote no Plano Inclinado

Foto de Pérola de Cultura.

Participação de Paulo Guinote no programa "Plano Inclinado" com Medina Carreira e Nuno Crato.

Falou por todos nós e disse verdades fundamentais sem medo, que é algo que nos vem assolando com evidentes prejuízos.
Vale a pena seguir com atenção cada um dos 50 minutos.


Dia Mundial da Dança



A sublime obra de arte do russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky, composta entre 1875–1876, estreou no Teatro Bolshoi em Moscovo como o nome "O Lago dos Cisnes".
Baseado em lendas populares russas e numa antiga lenda germânica, o bailado conta a história de Odette, uma princesa transformada num cisne por uma bruxa malvada. Embora existam coreografias de vários autores, a maior parte da Companhias de Bailado inspiram-se ainda hoje na versão de Marius Petipa, inicialmente produzida em 1895.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cara redonda, bolachuda

Petição pela redução do número máximo de alunos por turma e por professor

"O Movimento Escola Pública promove o lançamento da Petição Pública pela redução do número máximo de alunos por turma, esta quinta-feira, 29 de Abril, pelas 16h, na Livraria Ler Devagar (LXFactory – Rua Rodrigues de Faria, 103, Lisboa). A Petição contém uma lista de primeiros subscritores de várias áreas da educação (ver em baixo) e será apresentada, em conferência de imprensa, por Miguel Reis (Professor, Movimento Escola Pública), Helena Dias (exPresidente da Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais, Movimento Escola Pública) e Paulo Guinote (Professor, Autor do blogue “A Educação do Meu Umbigo”).

Com turmas mais pequenas é possível melhorar o combate ao insucesso escolar, ajudando igualmente a prevenir fenómenos de indisciplina. Trata-se de uma medida que reúne um consenso social alargado e que urge pôr em prática.

Pelo Movimento Escola Pública

Miguel Reis"


TEXTO DA PETIÇÃO:

Dirigida à sociedade portuguesa, à Assembleia da República e ao Governo

A igualdade de oportunidades no acesso e no sucesso para todos os alunos e alunas não é uma realidade. Muitos factores contribuem para o facto de Portugal possuir um dos mais selectivos sistemas de ensino na Europa, e o elevado número de alunos por turma e por professor/a, em tantas escolas do país, é um deles.

Não se pode falar de diferenciação e de individualização do ensino-aprendizagem com 28 alunos por turma. Não se pode falar do direito ao sucesso para todos com professores com 7 e 8 turmas. Não se pode falar com verdade sobre planos de recuperação, ou quaisquer estratégias individualizadas, com turmas sobrelotadas e professores/as com 160 ou 170 alunos.

A presente petição é para mudar esta realidade. Ela é subscrita por encarregados de educação, mães e pais, por professores e professoras, por alunos e alunas, por cidadãos e cidadãs para quem a qualidade do ensino na escola pública e o direito ao sucesso para todos/as é uma prioridade.

Assim sendo, os cidadãos e as cidadãs abaixo identificados/as defendem a alteração dos limites em vigor para a constituição de turmas, bem como critérios de relação docente/número de turmas, propondo que:

1 - No Jardim-de-infância e no 1.º ciclo do ensino básico, a relação seja de 19 crianças para 1 docente, alterando-se para 15 quando condições especiais - como a existência de crianças com necessidades educativas especiais ou outros critérios pedagógicos julgados pertinentes, no quadro da autonomia das instituições - assim o exijam. Deve ainda ser colocado/a um/a assistente operacional em cada sala de JI.

2- Do 5.º ano ao 12.º ano, o número máximo de alunos e alunas por turma seja de 22, descendo para 18 sempre que se verifiquem as condições acima enunciadas.

3 - Do 5.º ao 12.º ano, cada professor e professora não poderá leccionar, anualmente, mais de cinco turmas, num limite de 110 alunos.


Petição a assinar aqui. Eu já assinei. Assina também. Só se formos muitos nos faremos ouvir.

terça-feira, 27 de abril de 2010

As portas que Abril abriu




"Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

(...)

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

(...)

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

(...)

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.

(...)

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.

(...)

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.

(...)

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer."



José Carlos Ary dos Santos

Lisboa, Julho-Agosto de 1975

Vídeo e poema enviado por L.A.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Dia da Liberdade - uma carta aos sub-36


Recebi por e-mail este texto fantástico do Kroniketas, que não posso deixar de publicar, pela sua pertinência e actualidade:

"Camaradas, amigos ou companheiros (ou na versão Herman José, camarigueiros)

Gozem este Dia da Liberdade, porque é um bem precioso que devemos ao Movimento dos Capitães.

Para aqueles que há 36 anos ainda não tinham nascido, ou que ainda não tinham idade para perceber como era o país antes, e que sempre viveram em liberdade, convém terem consciência de que até há 36 anos nada daquilo que agora tomamos por adquirido existia. Não eram só os telemóveis, a Internet ou a televisão a cores e com telecomando que não existiam: acima de tudo não existia este bem precioso a que chamamos LIBERDADE e que nos permite falar mal do Sócrates em frente a 52 pessoas e não corrermos o risco de termos um bufo que nos denuncia para sermos presos; que nos permite saber notícias do país e do mundo ou ver filmes no cinema sem serem truncados pela censura; que nos permite participar em comícios, reuniões ou manifestações de rua ou fazer greve sem sermos perseguidos pela guarda a cavalo ou baleados, como aconteceu com o estudante Ribeiro Santos; que nos permite receber o correio em casa sem ser aberto; que nos garante que não temos o nosso domicílio invadido de madrugada pela PIDE e não somos levados para sermos torturados nos interrogatórios nem somos levados para parte incerta para nunca mais voltar; que não somos deportados para o Tarrafal e colocados na "frigideira"; que nos garante o direito de votar livremente em quem quisermos e não termos os resultados das eleições falseados.

Temos uma democracia imperfeita? Temos um regime mau? Temos insegurança e corrupção? Temos tudo isso, mas o que é isso comparado com a falta da LIBERDADE? É verdade que muito se perdeu do espírito original de Abril, e é verdade que cada governo enterra mais um bocadinho o que ainda resta desse espírito. Mas é melhor ter uma democracia imperfeita do que não ter nenhuma. Creio que foi Winston Churchill que disse qualquer coisa parecida com "a democracia é o pior dos regimes, excluídos todos os outros". Por isso me arrepio todo quando ainda ouço alguém dizer que o que fazia falta era o Salazar. Esse é o legado de atraso e subdesenvolvimento que o ditador nos deixou, e quem o diz não merece a liberdade que lhe caiu no colo.

Por isso, gozem bem esta liberdade porque é a única que temos.

25 de Abril sempre!"

Polémicas e melindres, ou questões de justiça?


"Se no regime autoritário do professor António O. Salazar já era uma classe simpática, respeitada e dignificada – lembremo-nos nas aldeias a ‘importância’ do sr. Cura, do médico e do professor primário, com o 25 de Abril ainda se tornaram mais simpáticos, mais respeitados (e ladinos) ao alcançarem a proeza de ingressar na Carreira Única, igualando (nalguns casos ultrapassando) e colocando-se ao nível do designado professor do liceu de outrora, que, nestes tempos ensandecidos, desceu de ‘importância’ e é um Zé-ninguém. Efectivamente, hoje, um professor primário aufere, sem grande maçada, um vencimento igual a um professor do 2.º e 3.º ciclos e secundário. Ou seja, um professor que ensine s primeiras letras, mais a adição e a subtracção às criancinhas na escola primária – depois é vê-los transitar para o 2.º ciclo e aí os professores verificam que as irrequietas, engraçadinhas e inocentes criancinhas não sabem nada de nada – tem o mesmo vencimento de um professor com as turmas do 10.º, 11.º e 12.º anos, que leccione disciplinas como Matemática, Língua Portuguesa e Filosofia. Dir-me-ão que ‘a trabalho igual, salário igual’. Mas…será? Poder-se-ão equiparar os supostos conhecimentos, a agilidade e a destreza mental, a capacidade de intelecção, o ritmo de trabalho e o ‘background’ de uma criatura que ensina (e entretém) criancinhas, e uma outra que discorre sobre ‘A crítica da razão pura’ de Kant, a ‘Incomensurabilidade dos paradigmas’, de Thomas Kuhn, a ‘Factorização de polinómios com 3 termos do tipo Ax^2 + Bx + C, o ‘Existencialismo’ na ‘Aparição’ de Vergílio Ferreira ou aborda as características da poesia do ortónimo em Fernando Pessoa?

Por estas e por outras é que Platão, há muitos anos atrás, já questionava certas incongruências do sistema democrático ao afirmar que ‘a democracia é um regime que confere uma espécie de igualdade tanto para os iguais como para os desiguais’… Teria razão ou já era, ao tempo, um vil reaccionário? “

(...) E que melhor companhia podíamos nós desejar que a de Platão, e quem, porventura, comungue de igual desencanto por este estado de coisas: “A pior forma de desigualdade é tentar fazer de duas coisas diferentes duas iguais”.


In DE RERUM NATURA. Para reflectir e discutir.

Festival Indie Lisboa


IndieLisboa 2010

Iniciou-se a 22 de Abril e vai até dia 2 de Maio a 7ª edição do Festival Internacional de Cinema Independente de Lisboa, o Indie Lisboa.

Indie Lisboa 2010 - Prémio Amnistia Internacional

O Prémio Amnistia Internacional, pretende distinguir o filme, independentemente do seu género ou metragem, que contribua para alargar a capacidade de compreensão do espectador relativamente a determinado aspecto relacionado com a dignidade humana.

Na sexta edição do Prémio Amnistia Internacional o júri é composto pela actriz Dalila Carmo, pelo escritor e crítico literário Pedro Mexia e pela jornalista Sofia Branco. Mais uma vez o patrocínio do prémio é da Fundação Serra Henriques.

Saiba tudo sobre os filmes a concurso aqui.



Nas imagens: Dalila Carmo, Pedro Mexia e Sofia Branco

Situação grave de indisciplina


Uma professora devidamente identificada relata a ocorrência que a seguir se transcreve. Cabe fazer uma reflexão por todos os que estão ligados à Educação e desejam uma Escola melhor e mais justa. Professores e alunos têm definitivamente de ter direito ao respeito e à dignidade.

PARTICIPAÇÃO DISCIPLINAR MUITO GRAVE:

Professora agredida: ---------------

Grupo Disciplinar: 10º B - Filosofia

Agressor: ********

Contextualização:

Dia vinte e seis de Março de 2010. Último dia de aulas. Às 14 horas dirigi-me à sala 15 no Pavilhão A para dar a aula de Área de Integração à turma 10º DG do Curso Profissional de Design Gráfico. Propus aos alunos a ida à exposição no Polivalente e à Feira do Livro, actividades a decorrer no âmbito dos dias da ESE. A grande maioria dos elementos da turma concordou, com excepção de três ou quatro elementos que queriam permanecer dentro da sala de aula sozinhos. Deixar que os alunos fiquem sozinhos na sala de aula sem a presença do professor é algo que não está previsto no Regulamento Interno da Escola pelo que, perante a resistência dos alunos que não manifestavam qualquer interesse nas actividades supracitadas decidi que ficaríamos todos na sala com a seguinte tarefa: cada aluno deveria produzir um texto subordinado ao tema "A socialização" o qual me deveria ser entregue no final da aula. Será preciso dizer qual a reacção dos alunos? Apenas poderei afirmar que os alunos desta turma resistem sempre pela negativa a qualquer trabalho porque a escola é, na sua perspectiva, um espaço de divertimento mais do que um espaço de trabalho. Digamos que é uma Escola a fingir onde TUDO É PERMITIDO!

É muito fácil não ter problemas com os alunos. Basta concordar com eles e obedecer aos seus caprichos. Esta não é, para mim, uma solução apaziguadora do meu estado de espírito. Antes pelo contrário. A seriedade é uma bússola que sempre me orientou mas tenho que confessar, não raras vezes, sinto imensas dificuldades em estimular o apetite pelo saber a alunos que têm por este um desprezo absoluto. As generalizações são abusivas. Neste caso, não se trata de uma generalização abusiva mas de uma verdade inquestionável. Permitam-me um desabafo: os Cursos Profissionais são o maior embuste da actual Política Educativa. Acabar com estes cursos? Não me parece a solução. Alterem-se as regras.

Factos ocorridos na sala de aula:

Primeiro Facto: Dei início à aula não sem antes solicitar aos alunos que se acomodassem nos seus lugares. Todos o fizeram exceptuando o aluno ***********, que fez questão de se sentar em cima da mesa com a intenção manifesta de boicotar a aula e de desafiar a autoridade da professora.

Dei ordem ao aluno para que se sentasse devidamente e este fez questão de que eu o olhasse com atenção para verificar que ele, ***********, já estava efectivamente sentado e ainda que eu não concordasse com a sua forma peculiar de se sentar no contexto de sala de aula, seria assim que ele continuaria: sentado em cima da mesa. Por três vezes insisti para que o aluno se acomodasse correctamente e por três vezes o aluno resistiu a esta ordem.

Reacção da maioria dos elementos da turma: Risada geral.

Reacção do aluno *********: Olhar de agradecimento dirigido aos colegas porque afinal a sua "ousadia" foi reconhecida e aplaudida.

Reacção da professora: sensação de impotência e quebra súbita da auto-estima.

Senti este primeiro momento de desautorização como uma forma que o aluno, instalado na sua arrogância, encontrou de me tentar humilhar para não se sentir humilhado.

Como diria Gandhi, "O que mais me impressiona nos fracos, é que eles precisam de humilhar os outros, para se sentirem fortes..."

Saliento que neste primeiro momento da aula a humilhação não me atingiu a alma embora essa fosse manifestamente a intenção do aluno.

Segundo Facto: Dei ordem de expulsão da sala de aula ao aluno **********, com falta disciplinar. O aluno recusou sair da sala e manteve-se sentado em cima da mesa com uma postura de "herói" que nenhum professor tem o direito de derrubar sob pena de ter que assumir as consequências físicas que a imposição da sua autoridade poderá acarretar.

Nem sempre um professor age ou reage da forma mais correcta quando é confrontado com situações de indisciplina na sala de aula. Deveria eu saber fazê-lo? Talvez! Afinal, a normalização da indisciplina é um facto que ninguém poderá negar. Deveria ter chamado o Director da Escola para expulsar o aluno da sala de aula? Talvez...mas não o fiz. Tenho a certeza de que se tivesse sido essa a minha opção a minha fragilidade ficaria mais exposta e doravante a minha autoridade ficaria arruinada.

Dirigi-me ao aluno e conduzi-o eu própria, pelo braço, até à porta para que abandonasse a sala. O aluno afastou-me com violência e fez questão de se despedir de uma forma tremendamente singular: colocou os seus dedos na boca e em jeito de despedida absolutamente desprezível, atirou-me um beijo que fez questão de me acertar na face com a palma da mão. Dito de uma forma muito simples e SEM VERGONHA: Fui vítima de agressão. Pela primeira vez em aproximadamente vinte anos de serviço.

Intensidade Física da agressão: Média (sem marcas).

Intensidade Psicológica e Moral da agressão: Muito Forte.

Reacção dos alunos: Riso Nervoso.

Reacção do aluno **********: Ódio visível no olhar.

Reacção da professora: Humilhação.

Ainda que eu saiba que a humilhação é fruto da arrogância e que os arrogantes nada mais são do que pessoas com complexos de inferioridade que usam a humilhação para não serem humilhados, o que eu senti no momento da agressão foi uma espécie de visita tão incómoda quanto desesperante. Acreditem: a visita da humilhação não é nada agradável e só quem já a sentiu na alma pode compreender a minha linguagem.

Terceiro Facto: O aluno preparava-se para fugir da sala depois de me ter agredido e, conforme o Regulamento Interno determina, todos os alunos que são expulsos da sala de aula terão que ser conduzidos até ao GAAF, Gabinete de Apoio ao Aluno e à Família. Para o efeito, chamei, sem êxito, a funcionária do Pavilhão A, que não me conseguiu ouvir por se encontrar no rés-do-chão. Enquanto tal, não larguei o aluno para que ele não fugisse da escola (embora lhe fosse difícil fazê-lo porque os portões da escola estão fechados).

Mais uma vez, o aluno agrediu-me, desta vez, com maior violência, sacudindo-me os braços para se libertar e depois de conseguir o seu objectivo, começou a imitar os movimentos típicos de um pugilista para me intimidar. Esta situação ocorreu já fora da sala de aula, no corredor do último piso do Pavilhão A.

Reacção dos alunos (que entretanto saíram da sala para assistir à cena lamentável de humilhação de uma professora no exercício das suas funções): Risada geral.

Reacção do aluno ********: Entregou-se à funcionária que entretanto se apercebeu da ocorrência.

Reacção da Professora: Revolta e Dor contidas que só o olhar de um aluno mais atento ou mais sensível conseguiria descodificar. Porque, acreditem: dei a aula no tempo que me restou com uma máscara de coragem que só caiu quando a aula terminou e sem que nenhum aluno se apercebesse. Entretanto, a funcionária bateu à porta para me informar que o aluno queria entrar na aula para me pedir desculpa pelo seu comportamento "exemplar".

Diz-se que um pedido de desculpas engrandece as partes: quem o pede e quem o aceita. Não aceitei este pedido por considerar que, fazendo-o, estaria a pactuar com um sistema em que os professores são constantemente diabolizados, desprestigiados e ameaçados na sua integridade física e moral. Em última análise, a liberdade não se aliena. O aluno escolheu o seu comportamento. O aluno deverá assumir as consequências do comportamento que escolheu e deverá responder por ele. É preciso PUNIR quem deve ser punido. E punir em conformidade com a gravidade de cada situação. A situação relatada é muito grave e deverá ser punida severamente. Sou suspeita por estar a propor uma pena severa? Não! Estou simplesmente a pedir que se faça justiça.

Vamos ser sérios. Vamos ser solidários. Vamos lutar por uma Escola Decente.

Ps: Este caso já foi participado na Polícia e seguirá para Tribunal.

Localidade, 30 de Março de 2010

A Professora _________________________

domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril


"Começa a ser cansativo comemorar o 25 de Abril. Não por causa dos acontecimentos evocados, mas por causa das comemorações, que se transformaram numa galeria de lugares-comuns, na maioria das vezes rituais reivindicativos de um heroísmo pessoal que, sabe-se, em muitos casos nem existiu.

Por isso mesmo as comemorações estão a envelhecer. Tal como aconteceu com as comemorações da República, que das grandes manifestações fundadoras foi caindo em desuso para hoje ser um feriado em que meia dúzia de discursos oficiais e umas paradas de bombeiros resolvem a coisa. Povo, o povo republicano está na praia e o ritual cumpre-se mais por obrigação do que por afeição.

Para aqui caminham as comemorações do 25 de Abril. Para o saudosismo melancólico, para a proclamação nada revolucionária, embora revoltada, de que é preciso outro 25 de Abril, coisa tão tonta que só a saudade da idade dos sonhos justifica, de que se perverteu o 25 de Abril, de que não 'era isto que queríamos', que foi contra 'isto' que se fez o 25 de Abril e mais um sem-número de disparates que a fadistice lacrimosa desculpabiliza. E tudo isto ao som do maior trovador português que nos ensina que 'povo é quem mais ordena'. O paradoxo está a transformar-se num caso demencial. Incapazes de ensinar o caminho da esperança, do combate, da alegria que em 25 de Abril renasceu. A verdade é que a Revolução foi feita por jovens que pensavam como jovens.

O maior dos seus comandantes, o capitão Salgueiro Maia, tinha 29 anos. Na sua coluna militar saída de Santarém os camaradas que o acompanhavam eram ainda mais novos e o movimento de capitães dirigia-se directamente aos jovens com um objectivo essencial: acabar com a guerra; acabar com o garrote da censura; abrir as portas da liberdade; o fim da prisão política, o fim dos tribunais plenários e de condenações por delito de pensar, falar, escrever e cantar conforme a liberdade e as opções de cada um. Foi uma Revolução de jovens para jovens que adivinhavam um mundo mais aberto do que as paredes e grades onde o país vivia encerrado, esgotado, depauperado, minado pela corrupção, pelo caciquismo, pela ignorância mais absoluta, gravemente analfabeto.

Só uma profunda desonestidade intelectual, moral e sectária pode defender que 'isto está pior do que antigamente'. Não está bem, não senhor. Mas é por isso mesmo que o 25 de Abril faz sentido: porque abriu as portas da não-desistência, da inquietação, da construção e da crítica, sem medo, sem Tarrafais ou Aljubes. Só os vencidos reclamam a choraminguice. E somos mais fortes que quaisquer Velhos do Restelo. Camões já tinha avisado."


Francisco Moita Flores, in Correio da Manhã- 25/4

(Texto recebido por e-mail)

Evocar Abril


Mais do que tudo o que eu possa escrever sobre o profundo significado da Liberdade conquistada e o quanto é preciso cuidar dela, como quem rega uma planta para que não murche, são os poetas e os músicos quem melhor exprime aquilo que nos permite hoje comunicar e ser autênticos.








sábado, 24 de abril de 2010

Paixões da Alma com arrepio no corpo

A propósito dos Dias da Música no CCB, cujo tema é "As Paixões da Alma", inspirado no Tratado de Descartes com o mesmo nome, deixo aqui exemplos de pequenas peças que, pela sua força e beleza, me inspiram uma espécie de emoção que só as paixões são capazes de produzir. Encantamento produzido por maravilhas intemporais.

Liebetraum de Franz Lizst.




Morgenstimmung de Edvard Grieg.



Schwanensee de Tchaikovsky.



Toccata & Fugue de Johann Sebastian Bach

Paixões orquestradas no CCB


O Centro Cultural de Belém escolheu este ano o “Tratado das Paixões da Alma” de René Descartes como tema para os Dias da Música.

Em 1649, a residir na Suécia, onde foi convidado pela Rainha Cristina a dar-lhe aulas, Descartes acaba por publicar aquela que viria a ser, afinal, a sua última obra.

A admiração, o amor, o ódio, o desejo, a alegria ou a tristeza, são paixões que todos de uma forma ou de outra experienciamos, e que Descartes afirmou no seu Tratado que não residiam, como se pensava, no coração, mas no cérebro, o que foi uma autêntica inovação no século XVII.

Será ao sabor dessas paixões da alma que os Dias da Música irão decorrer no CCB durante todo o fim de semana, esperando-se a habitual enchente para os 76 concertos desta festa que já é um must em Lisboa.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do Livro


O dia 23 de Abril foi escolhido pela UNESCO como o Dia Mundial do Livro por se tratar de um dia emblemático para a literatura mundial. Foi a 23 de Abril que, em 1616, morreu Miguel de Cervantes e que, em 1899, nasceu Vladimir Nabokov. William Shakespeare nasceu e morreu também, ironicamente, neste mesmo dia.

Maravilhas cá de dentro



Dia de S. Jorge


S. Jorge (275/281 – 303) de acordo com a tradição, foi um soldado romano e sacerdote da guarda de Diocleciano.
É venerado como mártir no mundo cristão e dá o seu nome ao Castelo de Lisboa.


Imagem: S. Jorge numa pintura de Rafael

Eyjafjallajökull - o antes e o depois


quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia da Terra


Hoje é o Dia da Terra. Desde 1970 que se convencionou comemorá-lo quando é Primavera no hemisfério norte e outono no hemisfério sul. Marca a renovação de mais um ciclo de vida no planeta que é a nossa casa, e que, como tal, devemos preservar e respeitar.

Os rios, os mares, o céu, a terra, as plantas e os animais são feitos todos da mesma matéria-prima que nós. Os budistas dizem que todas as coisas que existem na Natureza devem ser entendidas como entidades iguais a nós, e, com tal, merecendo o mesmo respeito. Carl Sagan costumava dizer "We are the sons of the stars!" Lembram-se?

Há um network group mobilizado neste sentido. Para saber mais clique aqui.


Os antigos gregos criaram o mito de GAIA, uma deusa que simbolizava a Terra, mãe de todos os seres. Hoje a Teoria de Gaia entende que a Terra é viva, um organismo igual a nós, que deve ser cuidado e respeitado.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Brasília - 50 anos



A capital federal do Brasil, a cidade de Brasília, foi fundada há 50 anos, a cerca de 1000 Km do litoral, numa região onde não havia literalmente nada.

Óscar Niemeyer, o genial arquitecto, foi suficientemente visionário para projectar uma cidade "do futuro", bonita e agradável para viver, onde não faltam espelhos de água e áreas verdes.

Niemeyer, da mesma idade de Manoel de Oliveira, 102 anos, não pôde comparecer hoje às cerimónias em Brasília por razões de saúde e acompanhou as comemorações a partir do Rio de Janeiro, onde reside.

Desde sempre tido por comunista e referido pelos seus detractores como vaidoso, Niemeyer ficou na história como sendo um pioneiro nos trabalhos com betão armado, o que veio permitir projectos de arquitectura mais arrojados, sobretudo nas formas curvas, que tanto aprecia.

Para mim, Niemeyer é essencialmente um poeta das formas. Vejam as suas palavras eloquentes:


"Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein."

Daqui envio parabéns ao Brasil e a Óscar Niemeyer, "pai" da sua capital.

(Na imagem o Palácio do Planalto em Brasília.)

Amizade


"Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
Amigo vai ser, é já uma grande festa!"

Alexandre O'Neill

(Carinho da L.A.)

Pintura de Gustave Courbet.

A todos os que, ao seu modo, me têm ajudado nestes dias difíceis.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nota de imprensa da Fenprof


FENPROF entrega no ME abaixo-assinado com mais de 16 mil assinaturas

"Uma delegação da FENPROF, dirigida pelo Secretário Geral, Mário Nogueira, entregou no Ministério da Educação o abaixo-assinado que a partir desta página recolheu, em poucos dias, 16 000 assinaturas, exigindo que avaliação do desempenho não seja considerada no actual concurso de professores." Retirado do site da Fenprof.

Segundo o secretário de Estado afirma, «Nunca existiu nenhum compromisso da parte do Ministério da Educação no sentido de que a avaliação do desempenho docente não fosse um dos critérios a tomar em consideração para a graduação profissional para efeitos do concurso."

Resta então perguntar: e assim, em que é que ficamos?
Mário Nogueira diz:
"Se o Governo quer guerra, é guerra que vai ter".

Para ler no Público.

Filme Contraluz


A ver, com Joaquim de Almeida.
(Para ver o trailer, clique aqui e depois no centro desta imagem, que lhe aparece em grande formato.)

Cortesia da nossa colaboradora L.A.

domingo, 18 de abril de 2010

Madeira - festa da flor

















(Cortesia da amiga Luísa Arraiol, professora madeirense e leitora deste Blogue)

Para ver mais fotos clique aqui.

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios


Forte de S. Julião da Barra, Oeiras. Foto de Pérola de Cultura.

Este monumento, dos mais emblemáticos e bem conservados da costa portuguesa, marca o sítio onde oficialmente termina o Tejo e começa o Oceano Atlântico. Diz-se que cruzava fogo com o Farol do Bugio, mesmo em frente do estuário.


Farol do Bugio. Foto de Arpels (c)

Frases que vale a pena ler


(Na imagem Ricardo Pereira, actor)

sábado, 17 de abril de 2010

O outro lado do sorriso


Diz o jornal que a Ministra da Educação pode ter comprado a primeira guerra com a classe docente ao reafirmar a exigência de que o resultado da mais do que arbitrária Avaliação de Desempenho conte para a graduação no concurso que está aberto para os contratados. Tanta simpatia nunca me convenceu nem tantas boas intenções, que até agora não viram correspondência real nos papéis, me enganaram.

Para ler no Público.

Fenprof convoca manifestações para 2ª feira


A Fenprof convocou os professores para várias manifestações, na próxima segunda-feira, dia 19, junto das Direcções Regionais nalgumas cidades sedes de distrito, contra a consideração das classificações do 1º ciclo de Avaliação de Desempenho para efeitos da graduação profissional dos candidatos aos concursos.

As concentrações terão lugar às 5 da tarde em Lisboa frente ao ME da Avenida 5 de Outubro, em Coimbra, frente à DREC, no Porto, frente à DREN, em Évora, frente à DRE do Alentejo e em Faro, frente à DRE do Algarve, simultaneamente.

A APEDE apela à participação dos seus associados nesta iniciativa, embora sem deixar de criticar a Fenprof e a Fne por terem feito demasiadas cedências ao Ministério da Educação aquando da assinatura do Acordo de Princípios no passado mês de Dezembro.

Grace Kelly - exposição em Londres


Inaugura-se hoje no Museu Victoria & Albert em Londres uma exposição sobre Grace Kelly, onde estarão presentes além do seu guarda-roupa, posters, fotografias e outras curiosidades da belíssima actriz e princesa, que desapareceu no dia fatídico em que o seu descapotável se despenhou numa curva do Mónaco.


A exposição é patrocinada pela Van Cleef & Arpels e pretende revelar a evolução do seu estilo a partir dos anos 50 e durante as décadas de 60 e 70, especialmente com os fatos criados pelos seus costureiros favoritos Dior, Balenciaga, Givenchy e Yves St. Laurent.



Estão expostas cerca de 50 toilettes da actriz favorita de Alfred Hitchcock, incluindo os fatos do seu casamento com o príncipe Rainier, assim como chapéus, óculos, jóias e malas. Há ainda vídeos à disposição dos visitantes e a estatueta do Óscar ganho por Grace em 1955.







A exposição tem o título de "Grace Kelly: style icon" e estará patente entre os dias 17 de Abril e 26 de Setembro.