quarta-feira, 30 de maio de 2012

Terramoto de valores em Itália



Enquanto o Dalai Lama fez uma doação de 50 mil Euros para as vítimas do terramoto em Itália, a estadia de 3 dias do Papa em Milão custará cerca de 3 milhões! 
Sem comentários.

Imagens da guerra colonial no CNBDI


Amanhã no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem, na Amadora, às 21 horas.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dia internacional das doenças da tiróide

"Depressão, cansaço, ritmo cardíaco mais lento, aumento de peso são alguns dos sintomas que podem estar associados ao hipotiroidismo, uma das doenças da tiróide mais frequentes, pouco conhecida e valorizada, mas das mais fáceis de tratar. O Dia Mundial da Tiróide, este ano, teve como objectivo alertar a população para os segredos da doença."
Mais informação sobre as patologias associadas à tiróide e instituições de apoio aos doentes: aqui, aquiaqui e aqui.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

VIII Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja


 Entre os dias 26 de Maio e 10 de Junho Beja volta a fazer uma grande festa em torno da Banda Desenhada, reunindo autores do Mundo inteiro. O Festival, que se estende por toda a Casa da Cultura de Beja, inaugura dia 26, sábado, às 15h00 (o primeiro dia encerra às 04h00 da manhã). O fim-de-semana da inauguração será preenchido com apresentações, lançamento de livros, sessões de autógrafos, debates, cinema, música, visitas guiadas, etc. Mas a programação estender-se-á até dia 10 de Junho, com destaque para o Mercado do Livro. Durante os 15 dias do Festival estarão patentes ao público 10 exposições e 2 mostras. Com pranchas e desenhos de autores tão conceituados como Alberto Breccia, Dave McKean ou Harold Foster (o desenhador de Tarzan), mas também com trabalhos de autores que começam agora a emergir na área da banda desenhada, como Carla Rodrigues ou Diogo Carvalho.
Também podem seguir-nos em http://festivalbdbeja.net/ onde encontrará toda a informação sobre as exposições, os nomes dos artistas participantes, os locais, os horários, etc .

Buranovskiye Babushki, as avozinhas dançantes



Todos os anos costumo ver pelo canto do olho o Festival da Eurovisão. Serve de ambiente de trabalho para fazer o jantar ou arrumar a cozinha. Desde que no ano passado os "Homens da Luta" quebraram completamente o "protocolo" ao apresentar uma canção que mais parecia saída dos anos revolucionários do PREC, "A Luta é Alegria", outras coisas igualmente "folclóricas" e imprevisíveis tornaram a aparecer. 



Por exemplo as avozinhas russas, que, tal como os "Homens da Luta" têm uma motivação social e de protesto. Não deixa contudo de ser engraçado o seu objetivo. O grupo de senhoras, cujas idades somam mais de 500 anos, quer ganhar o prémio para com ele construir uma igreja na sua aldeia. Assim, deixariam de ter de ir à missa à igreja mais próxima, a 40 km das suas casas. 




O Festival obedece quase sempre aos mesmos  figurinos: os grupos de jovens roqueiros, mais ou menos ruidosos, as esculturais cantoras de baladas, as coreografias e os trajes flamejantes e outros recursos, efeitos especiais e fogos de artifício, sempre no intuito de captar as atenções e ganhar a maior votação. 
As senhoras do grupo Buranovskiye Babushki, como a sua "Party for everybody" podem ser só a fachada presumivelmente "inocente" de uma bela jogada da indústria musical russa, ou mesmo servir fins de propanganda do regime, não sei. Mas que têm imensa graça, têm. Por mim, levavam já o prémio, pela coragem de competir e de se apresentarem com os seus trajes regionais no meio de todas aquelas beldades.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Crime repugnante sobre crianças

Escola no Afeganistão 
"O ataque ocorreu na província de Takhar, Afeganistão, e, segundo a polícia, pertence a um grupo de radicais islâmicos que se opõe à educação de raparigas.
As alunas foram contaminadas com um pó tóxico que não foi identificado.
Mais de 120 alunas e três professores da escola morreram. Muitas crianças ficaram inconscientes.
Este já é o segundo ataque semelhante este ano, há um mês, 150 alunas foram envenenadas através da água.
Lutfullah Mashal, porta-voz do National Directorate of Security, acredita que, em 2014, após a retirada das forças estrangeiras do Afeganistão, os talibãs vão fechar as escolas. “Com o envenenamento das raparigas, os talibãs querem provocar o medo. Estão a tentar que as famílias não enviem os filhos para a escola”, acrescentou.
O Ministro da Educação do Afeganistão afirmou que os rebeldes conseguiram fechar 550 escolas em onze províncias."
(Daqui) 

Parecem não ter fim os atentados contra os direitos humanos, sejam eles a educação, a liberdade ou até a própria vida. Para estas pessoas, ditas "talibans", estes, que são valores universais e consensuais parecem não fazer sentido. O respeito pelos direitos humanos fundamentais, como a vida, e das crianças em particular, como a educação, são sistemática e selvaticamente desrespeitados. Isto é a simples destruição civilizacional e a total perversão da vida em sociedade. Não há argumentos de índole cultural, religiosa ou outra, que me convençam a aceitar estas e outras barbaridades!

Para onde foi a Cultura Clássica?



Em questão o declínio ou mesmo desaparecimento das línguas clássicas e também dos cursos técnicos e profissionalizantes. Reformas "eduquesas" debatidas por Maria do Carmo Vieira e Medina Carreira.

terça-feira, 22 de maio de 2012

À memória incontornável de Robin Gibb

The Bee Gees; Robin Gibb ao centro.

Robin Gibb com a esposa há pouco tempo

Faleceu há dois dias Robin Gibb, o terceiro irmão dos Bee Gees, vítima de cancro. O seu gémeo Maurice Gibb já tinha morrido em 2003; o irmão mais novo, Andy Gibb, também já falecera, ainda jovem, pelo que, da irmandade resta apenas Barry Gibb, agora com 65 anos (que assegurava a conhecida voz de falsete no trio), além de uma irmã.
Este grupo de disco, muitas vezes premiado, ficou para sempre associado ao êxito mundial de Saturday Night Fever, o filme em que  John Travolta dança do princípio ao fim, e cuja banda sonora vendeu milhões. 
Pelo muito que marcaram as gerações do final dos anos 70 e 80 com as suas canções, estes músicos ingleses são merecedores de uma honrosa lembrança e uma homenagem à memória de Robin Gibb. Deixo aqui aquela que para mim é a sua mais bela canção de sempre.


Notícia e vídeo aqui.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Carta de Alexis Tsipras a Durão Barroso

10 de Maio de 2012
Caro Sr. Presidente,
Envio esta carta depois de devolver o mandato exploratório que o presidente da República Helénica me deu para tentar formar um governo que conseguisse a maioria no Parlamento, de acordo com a nossa Constituição. Esta carta segue a de 21 de Fevereiro.
O voto do povo grego no domingo, dia 6, retira legitimidade política ao Memorando da Troika (MoU/MEFP), que foi co-assinado pelo anterior governo de Lucas Papademos e os dois partidos políticos que constituíram uma maioria parlamentar para esse governo. Esses dois partidos registaram perdas, aproximadamente 3,5 milhões de votos e 33,5 por cento da votação total.
De notar que, antes disso, o Memorando da Troika já perdera a legitimidade em termos de efectividade económica. Não apenas porque o Memorando falhou nos seus próprios objectivos. Falhou igualmente em resolver os desequilíbrios estruturais da economia grega e agudizou as desigualdades sociais. Durante os últimos anos, Syriza tem alertado para essas falhas endógenas. As nossas propostas para reformas concretas foram ignoradas por todos os governos com os quais a União Europeia colaborou intimamente.
De notar ainda que por causa do Memorando da Troika a Grécia é o único país europeu em tempo de paz que até 2012 viveu cinco anos consecutivos de recessão. Além disso, falhou em assegurar com credibilidade a sustentabilidade da crescente percentagem de dívida pública grega em relação ao PIB. A austeridade não pode ser a cura para a recessão. É imperativa e socialmente justa, no imediato, uma inversão dos caminhos da nossa economia.
Necessitamos urgentemente de assegurar a estabilidade económica e social no nosso país. Com este objectivo temos que tomar todas as medidas necessárias para reverter a austeridade e a recessão. Porque, além de carecer de legitimidade democrática a aplicação deste programa de "desvalorização interna" está a dirigir a nossa economia para um caminho catastrófico, o qual anulará, ao mesmo tempo, todos os pré-requisitos para a recuperação. A desvalorização interna provocou uma crise humanitária.
Além disso, necessitamos de reexaminar globalmente a estratégia actual na perspectiva de saber se representa uma ameaça para a coesão e a estabilidade social da Grécia e de toda a Zona Euro.
O futuro comum dos povos da Europa está a ser ameaçado por estas escolhas catastróficas e, por isso, a solução está a um nível Europeu.
Com os melhores cumprimentos,
Alexis Tsipras*
(Daqui)  
*Alexis Tsipras, líder da coligação Syriza. 

Resolvi transcrever esta carta só porque sim, para ser do contra. Há alturas em que me apetece ser contra a corrente. E neste caso fartei-me de assistir boquiaberta ao chorrilho de nomes e rótulos que colocaram a esta figura de um político grego, de 37 anos, engenheiro civil e pai de filhos. Desde radical, a extremista, passando por inconsciente, irresponsável, kamikase e suicida, de tudo vi e li. Repito, boquiaberta.
Tendo em conta que ainda não decidi fechar este Blogue, acho que me assiste o direito de discordar dessa torrente de insultos e dar o benefício da dúvida a quem escreve com correção e fala civilizadamente e com elegância. Não me importo que simpatize com o Panathinaikos e goste de andar de bicicleta como qualquer cidadão normal. Não tem cara, modos ou escrita de um perigoso extremista. E o facto de ser um rapazola, não constitui, pelo que se vê atualmente, óbice algum para ser primeiro-ministro. Ou constitui? 

domingo, 20 de maio de 2012

Sobre os mega-agrupamentos escolares



Em Portugal, no que respeita à Educação, às vezes tenho a sensação de que os órgãos que tomam as decisões devem pensar que por cá a Terra gira ao contrário. 
É muito estranho, bastaria ler os sinais do que vai pelo mundo para evitar a tempo o tsunami.
Todos os que experimentaram já se arrependeram deste disparate dos mega-agrupamentos e estão a voltar a unidades de ensino mais pequenas, 300, 400, 600 alunos no máximo. São muitas as experiências a respeito da inversão desta tendência. Mas, por cá, como sempre, temos de bater no fundo para a seguir acordar. Entretanto, sofrer os altos custos dos erros sucessivos. 
O que fazer? Parece que só os cifrões importam, pouco ou nada as pessoas.


Notícia aqui.

sábado, 19 de maio de 2012

A chama olímpica chegou a Inglaterra








A princesa Ana deslocou-se a Atenas acompanhada de David Beckham (entre outros membros da comitiva) para receber a tocha olímpica. A julgar pelas notícias que ouvi na televisão, a princesa de Inglaterra transportou-a de avião até à Grã-Bretanha. 


Já tínhamos assinalado aqui a cerimónia de abertura no dia 10 de maio, em Olympia, onde se acendeu a chama inicial, em honra aos deuses. 


Convém recordar que no início dos tempos, Prometeu tinha roubado o fogo aos deuses para dá-lo aos homens; desde então estes têm de pagar-lhes tributo periodicamente, para aplacar a sua ira e pedir a sua proteção. Para tudo em geral e para os Jogos em particular.


Talvez fosse agora ocasião de pedir ao Olimpo alguma inspiração para as próximas eleições na Grécia, já que os deuses dos mercados parecem ter mais força nos dias que correm para dar cabo da vida aos mortais.


(Post atualizado a 20-05-2012)

A arte de Waterhouse: belíssima!



As pinturas de John William Waterhouse com música de Nino Rota (tema de "Romeu e Julieta")

Adele, uma força da natureza




Assim um misto de Janis Joplin com Joss Stone, com o charme da sofisticação Chanel... Adoro!


sexta-feira, 18 de maio de 2012

A última dança de Donna Summer


A cantora Donna Summer, de 63 anos, conhecida a partir dos anos 70 na área do disco sound, faleceu na Florida, presumivelmente de um cancro que terá contraído pela inalação de poeiras tóxicas no atentado de 11 de setembro.

Notícia aqui.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Narciso e Leonardo na perspetiva de Freud


Ein Kindheitserinnerung des Leonard da Vinci (1910) é a obra de Freud em que a ciência, a literatura, a psicanálise e a mitologia se encontram .
A recordação da infância, que Freud encontra nos Cadernos de Leonardo irá ser submetida a uma análise psicanalítica. O pintor refere:
 “Parece-me que já estava predestinado para me interessar fundamentalmente pelo abutre, pois ocorre-me como primeiríssima recordação que, quando, ainda estava no berço, um abutre desceu até mim, abriu-me a boca com a cauda e bateu várias vezes nos meus lábios com essa mesma cauda[1].
Leonardo remeteu para os anos em que foi amamentado a recordação da experiência pretensamente vivida com o abutre. E, Freud interpretou a recordação como uma reminiscência em perfeita concordância com as suas perspetivas teóricas desenvolvidas em 1905 na obra Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade.
 A partir da versão do Mito de Narciso em Metamorfoses de Ovídeo encontramos a relação entre a pulsão epistemofílica e o narcisismo na primeira biografia psicanalítica.


[1] “It seems that I was always destined to be do deeply concerned with vultures; for I recall as one of my very earliest memories that while I was in my cradle a vulture came down to me, and opened my mouth with its tail, and struck me many times with its tail against my lips”. In Freud, Leonardo da Vinci and a Memory of His Childhood, p. 82.


Isabel Castro Lopes
(Colóquio Internacional "Revisitar o Mito" Universidade de Lisboa, maio 2012)

Eduardo Lourenço premiado

Professor Eduardo Lourenço na feira do Livro 
"Não tenho qualidades da Sibila e também não quero ser Cassandra, num  momento como o nosso". Eduardo Lourenço referiu essa "espécie de iluminação", que foi para si a "descoberta da galáxia (Fernando Pessoa)". "Ainda não sabia que era uma galáxia, e uma galáxia de extensão infinita". 
(Daqui
Foi assim que o Professor Eduardo Lourenço, eminente pensador e ensaísta de 88 anos, comentou a atribuição do Prémio Pessoa, que lhe foi entregue há dois dias no auditório da Culturgest. Com a modéstia típica dos verdadeiros filósofos. 
O Professor já tinha sido distinguido com o Prémio Universidade de Lisboa 2012, no valor de 25 mil euros, em março passado. O Prémio Pessoa foi instituído há 25 anos e Eduardo Lourenço sentiu-se honrado com esta atribuição e confessou "a sua dificuldade em estar à altura da circunstância". 
O que posso dizer de Eduardo Lourenço é que este Professor foi sempre para mim, enquanto estudante de Filosofia, uma referência de qualidade nos pensadores portugueses; as suas obras eram para nós como uma espécie de 'chão', que nos dava confiança e reflexões profundas. A sua personalidade, sempre afável e disponível; a sua humildade, digna de admiração. Parabéns, Professor!


Lembro aqui algumas das obras de Eduardo Lourenço:


- Tempo da Música, Música do Tempo
- Esquerda na Encruzilhada ou Fora da História?
- Sentido e forma da Poesia Neo-Realista
- Fernando Pessoa, Rei da Nossa Baviera
- O Esplendor do Caos
- Portugal Como Destino
- Mitologia da Saudade
- A Nau de Ícaro
- Imagem e Miragem da Lusofonia 
- Pessoa Revisitado
- O Labirinto da Saudade
- A Europa Desencantada
- Poesia e Metafísica
- Tempo e Poesia
- Destroços
- O Gibão de Mestre Gil e Outros Ensaios
- O Lugar do Anjo
- Ensaios Pessoanos
- Heterodoxia I e II
- A Morte de Colombo
- Metamorfose e Fim do Ocidente Como Mito
- Escrita e Morte
- As Saias de Elvira e Outros Ensaios
- Antero ou a Noite Intacta

terça-feira, 15 de maio de 2012

Humberto Delgado, o general sem medo

(c) José Ruy 
Hoje é dia de recordar Humberto Delgado, um dos grandes opositores do regime de Salazar, que perdeu as eleições num ato eleitoral fraudulento. Nasceu a 15 de Maio. Capa do livro em BD de José Ruy, sobre o General Sem Medo.
Tita Fan

Dia Internacional das Famílias


Isto dos dias internacionais traz a vantagem ou o pretexto para se refletir sobre as coisas. 
Hoje é uma boa ocasião para pensar sobre o papel da família na sociedade. Sobre os modelos de famílias, desde as convencionais, às monoparentais, às homossexuais, às pequenas, grandes, felizes e infelizes. As disfuncionais, que vivem por vezes no silêncio sufocado dos segredos inconfessáveis, como o incesto ou a pedofilia. 
A minha maior preocupação no que se refere a Portugal vai para as situações de violência doméstica, calada ou pública, pois não posso evitar lembrar-me, especialmente nestas datas, do número incrivelmente elevado de mulheres (sobretudo) que morrem por ano neste país, vítimas deste flagelo. Se ele é assunto de sociólogos, técnicos de saúde mental ou polícia, não sei, tudo deverá depender do caso em concreto, mas deve ser analisado e tratado de acordo com as leis.

Os assuntos da família não se podem dissociar dos modelos de relação homem-mulher e dos seus papéis e estatutos. Neste âmbito, devo confessar que me causa bastante apreensão a condição feminina que vigora nos países árabes, no Médio Oriente, em África e na Ásia. Ainda existem sociedades em que as mulheres vivem em haréns, escravizadas e presas, outras em que, embora teoricamente livres, não têm autonomia para estudar, ter emprego, conduzir um automóvel, ir ao médico ou ao café, etc. Para já não falar nas aberrações a que temos assistido, de apedrejamentos por adultérios ou namoros, espancamentos e mutilações, a quem, aparentemente, apesar de ser esposa ou filha, goza de menos direitos do que o cão ou o papagaio.  Por fim, preocupam-me as situações relacionadas com o papel das mulheres mais velhas que, em certas famílias, representam o que há de mais retrógrado. Essas matriarcas da família são por vezes as piores aliadas no perpetuar de situações de repressão e violência, como por exemplo no Irão, ou nos países onde se continua a sujeitar as meninas ao crime de mutilação genital.

Neste dia internacional, há que repensar que famílias queremos ter e deixar como herança para os nossos descendentes.

O fenómeno de Fátima



No tempo de Salazar, havia a célebre sigla dos 3 'f': futebol, fado e Fátima. Afinal, parece que não mudámos assim tanto. O fado tem vindo a ganhar novos valores e roupagens de uma estética mais moderna, o futebol tornou-se numa indústria milionária e o fenómeno de Fátima parece estar a recrudescer, se é que alguma vez esmoreceu. Segundo rezam as notícias, este ano, a 13 de maio, compareceram cerca de 300.000 peregrinos ao santuário, uma das maiores enchentes de sempre.


Não certamente por acaso, isto acontece numa altura de agudização da pobreza, do aumento crescente do desemprego e da impossibilidade de muitas famílias continuarem a honrar os seus compromissos com a Banca. Não obstante, queimaram 19 toneladas de velas de cera, incluindo promessas, pedidos e iluminação de uma das maiores procissões das velas de que há memória.  Mas, não ficando por aqui, há quem diga que os donativos em dinheiro ao santuário foram muito avultados e até houve oferendas em ouro.


Dá que pensar. Não tenho nada contra a fé, mas o recrudescimento deste excessivo fervor religioso não deixa de ser preocupante, dado que muitas das pessoas que fizeram donativos, talvez nem para si tenham; e o santuário nunca devia aproveitar, por um lado a devoção dos fiéis, e por outro, a sua situação de fragilidade para incentivar doações de quem é infinitamente mais pobre do que a estrutura da Igreja!

domingo, 13 de maio de 2012

Bernardo Sassetti, o último aplauso

(Foto de Beatriz Batarda, mulher de Bernardo Sassetti)


A Basílica da Estrela foi pequena para todos os que quiseram despedir-se de Bernardo Sassetti. 
Vazio só ficou um corredor imenso, atapetado a vermelho, que a custo os muitos amigos deixaram, para o caixão passar, transportado em ombros até junto à nave central.
A atmosfera da Basílica, já de si muito pacificadora, ganhou um silêncio reverencial, só quebrado pelos primeiros acordes do piano, onde Mário Laginha e Pedro Burmester fizeram questão de tocar algumas das mais belas composições de Bernardo Sassetti. Um coro angelical entoou Hossanas e Ave Marias em latim; o saxofone e os violinos fizeram o resto daquela hora sublime. 
Se Bernardo pudesse ouvir, ficaria certamente deliciado com o magnífico concerto ali tocado e sorriria, como tantas vezes o vi fazer, em alturas em que parecia arrancar do piano sons vindos do infinito.
Ontem à noite Bernardo não subiu ao palco, não tocou o seu piano, era apenas um possível ouvinte, a quem muitas pessoas honraram com o mais forte e mais longo aplauso em pé a que alguma vez assisti. Esta foi provavelmente a maior ovação de toda a carreira do Bernardo. É que este era o último e definitivo aplauso. Pelo muito que deu à Arte e à Cultura portuguesa. Pelo muito que ficou ainda por dar. Pela inevitabilidade revoltante desta despedida tão contrariada, tão repentina e tão brutal.
No seu derradeiro voo em busca do azul, Bernardo sobe ao céu, pois esse é o único lugar onde podem viver as estrelas.

sábado, 12 de maio de 2012

Annus horribilis para Portugal

(Foto de Bernardo Sassetti cuja autoria não foi possível identificar)

Pedro Osório, Miguel Portas, Fernando Lopes, agora Bernardo Sassetti ...
... e mais o resto que, quando não são mortes, é a agonia lenta de um país.

Em memória de Bernardo Sassetti



Enviado por Carmela

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Bernardo Sassetti (1970 - 2012)

(Foto de Bernardo Sassetti cuja autoria não foi possível identificar)

Ainda não estou em mim, com a notícia da morte trágica de Bernardo Sassetti aos 41 anos... Ainda há poucos dias ele esteve no velório do cineasta Fernando Lopes.

(Foto de Mike Sargeant - Mário Laginha, Pedro Busmester e Bernardo Sassetti no CCB)


Há meia dúzia de meses deu um concerto de piano a seis mãos no CCB com os seus amigos Mário Laginha e Pedro Burmester, numa  recriação de uma experiência idêntica que vi anos antes. 
Pude vê-lo tocar com os irmãos Moreira do jazztet com o mesmo nome e... sei lá, tantas outras vezes. 
A sua mestria e criatividade, o seu talento enquanto compositor e exímio pianista, eram consensuais. 
Ainda ontem tinha visto na televisão a sua mulher, a atriz Beatriz Batarda, numa sessão de cinema português frente às escadarias da Assembleia da República, a propósito do corte de 100% nos subsídios, que os profissionais desta área sofreram.
Esta para mim é mais uma morte brutal, tão inesperada quanto revoltante. 
Estou a ficar entorpecida com estas mortes, e assustada, por ver partir de sopetão pessoas da minha idade e com quem tinha afinidades estéticas e ideológicas. Estamos a registar perdas irreparáveis na Cultura portuguesa neste ano horrível!


Notícia aqui e foto daqui.
Biografia de Bernardo Sassetti aqui.

Bernardo Sassetti - há pianos no Céu

(Foto de Bernardo Sassetti cuja autoria não foi possível identificar)

 ‎'Pareceu-te um dia bom para nos deixares, Bernardo. O sol apetecia e as fotos, que tanto amavas, chamavam.te para a beira da falésia. Como viveste, também foi no precipício que derradeiramete te apeteceram os imensos dons com que brilhaste. Há vinte e cinco anos que te conhecia e nunca julguei dizer.te Adeus, sem ser no final de um dos muitos concertos feitos juntos. Trocámos notas, riso, pensamentos, vitorias e fracassos. Sempre te achei um pequeno génio escondido num corpo grande e numa bondade estonteante. Diferente de tudo, de todos, da Música que eras por dentro. Foste Diferente ao nos deixares tão sós, tão perto do medo, tão frágeis. Diferente foste ao partir tão cedo, Bernardo. Esperar-te-ei sempre, a romperes pela porta do estúdio, a ocupares com as tuas imensas mãos o piano que nunca soou tão bem, a inundares de Vida e ruptura este mundo que tanto necessitava agora de ti. Descansa enfim, meu Amigo. Há pianos onde estás, tenho a certeza.'
Pedro Abrunhosa

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Hoje acendeu-se a chama Olímpica


Sempre que há Jogos Olímpicos, seja em que parte do mundo for, a chama olímpica é acesa numa cerimónia própria, na cidade-berço dos Jogos, Olympia, na Península do Peloponeso, Grécia, como acontecia na Antiguidade e em honra aos deuses.
aqui referimos este assunto e a sua história.
Ainda hoje se repetiu este ritual, que se tem mantido ao longo do último século, e a chama será transportada por muitos estafetas, ao longo de milhares de km, até Londres, onde chegará a 27 de julho, data do início dos Jogos de 2012. 
Nessa altura, no estádio olímpico em Londres, um atleta subirá, como é tradição, até um local onde se encontra uma pira, e com a tocha que transporta, irá incendiá-la, num dos momentos simbólicos mais bonitos de toda a competição. A pira permanecerá acesa até ao final dos Jogos.




A actriz Ino Menegaky teve a honra de acender a tocha olímpica
"A Chama Olímpica é um dos símbolos dos Jogos Olímpicos, e evoca a lenda de Prometeu que teria roubado o fogo a Zeus para o entregar aos mortais. Durante a celebração dos Jogos Olímpicos antigos, em Olímpia, mantinha-se aceso um fogo que ardia enquanto durassem as competições. Esta tradição foi reintroduzida nos Jogos Olímpicos de Verão de 1928." (Wikipédia) 
Spyros Gianniotis, nadador olímpico grego, nascido na Inglaterra 


Notícia aqui. Vídeo aqui.

Miguel Portas homenageado no Parlamento Europeu

Miguel Portas, eurodeputado falecido a 24 de abril, com 53 anos, foi hoje homenageado em Bruxelas por várias personalidades da vida política europeia, numa sessão onde intervieram os seus dois filhos, o irmão Paulo Portas, Marisa Matias e outros amigos. 
Pode ver aqui o vídeo da sessão evocativa.


Abaixo pode ver o discurso de homenagem a Miguel Portas proferido por Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu. (Com tradução simultânea)


A Pérola de Cultura publicou diversos posts (123) por ocasião da morte de Miguel Portas e também sobre a sessão evocativa em sua homenagem no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, no domingo, após o funeral.

São animais destes que D. Juan Carlos gosta de matar

Shanti é uma fêmea de 36 anos e foi uma oferta do Sri Lanka ao Zoo de Washington, onde vive com a sua filha de 10 anos. Adora tocar harmónica e consegue tocar vários tons melódicos. Parece ter uma excelente interação com os humanos, garante a sua tratadora.
Veja o vídeo aqui.

O caso do Pingo Doce em visões divergentes


O Pingo Doce e o pingo amargo por Santana Castilho, Público, 8 de maio de 2012 


Humilhação por José Pacheco Pereira, Público, 5 de maio de 2012 e SIC Notícias


Ou como a realidade tem tantas facetas quantos os olhos que a observam...

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ter filhos: os melhores e os piores países



Pela segunda vez comento o relatório do estudo anual sobre as condições da maternidade em alguns países do mundo. Portugal ocupa um honroso 15º lugar; embora no ano passado estivesse em 14º lugar, em 2012 estava em 19º. 
Efetivamente, desde há algumas décadas, sobretudo com a criação do Serviço Nacional de Saúde (que devemos, entre outros, ao Dr. António Arnauld), a mortalidade infantil decresceu enormemente. Com o acesso aos cuidados de saúde primários nos Centros de Saúde da área da residência (dos quais, em teoria, todos os cidadãos devem poder usufruir), monitoriza-se a gravidez, ensina-se a contraceção e acompanha-se o crescimento das famílias.


Embora as taxas de natalidade só se mantenham neste momento à custa das famílias de imigrantes residentes em Portugal, as crianças que nascem dispõem de bons cuidados de neonatologia e as mães podem contar com um acompanhamento com uma razoável eficácia de meios durante o período da gestação.


Também a educação ocupa um papel importante neste ranking, pelo que é expectável que as raparigas portuguesas, antes de serem mães, tenham frequentado a Escola pelo menos até aos 16 anos e sejam portanto alfabetizadas. 

Segundo o State of the World's Mothers 2012, a lista está assim ordenada:


1. Noruega 
2. Islândia
3. Suécia
4. Nova Zelândia
5. Dinamarca
6. Finlândia
7. Austrália
8. Bélgica
9. Irlanda
10. Holanda
11. Reino Unido
12. Alemanha
13. Eslovénia
14. França
15. Portugal
16. Espanha
17. Estónia
18. Suiça
19. Canadá
20. Grécia
21. Itália
25. EUA
27. Áustria


Nas posições finais surgem países como:
- Afeganistão
- Iémen
- Guiné-Bissau
- Mali
- Eritreia
- Chade
- Sudão
- Sudão do Sul 
- República Democrática do Congo 
- Níger


O documento de estudo que serve de suporte a este ranking assenta em diversos critérios: 
1. as condições imediatas, como a nutrição e o estado de saúde das mães; 
2. as condições intermédias, como a facilidade de acesso aos bens alimentares, aos cuidados de saúde materno-infantil e as condições de higiene e de serviços de saúde em geral;
3. as causas subjacentes à maternidade, como as instituições, o enquadramento político e ideológico, a estrutura económica e os recursos humanos, tecnológicos e ambientais.


Não admira pois que a Noruega seja o melhor país para ter filhos e o Níger o pior do mundo. Olhando para as classificações melhores e para as piores, o que se constata, é o de sempre: as melhores condições encontram-se nos países ricos, com predomínio para o Norte da Europa e Oceania e os piores em África. Este continente cheio de assimetrias, tem ainda regiões onde a pobreza e a fome continuam a ser os campeões, aliados de excelência das condições de higiene deficitárias, a doença, a falta de escolaridade e de instituições de apoio em todas estas áreas de intervenção prioritárias.


Notícia aqui.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Jogos de letras


Só a língua portuguesa consegue isso

 A letra "P"
Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. Povo previdente! Pensava Pedro Paulo...
Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses. - Paris! Paris! Proferiu Pedro Paulo.
Parto, porém penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Porque pintas porcarias? Papai - proferiu Pedro Paulo - pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal.
Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando.
Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus.   Partindo pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro. Pisando por pedras pontudas, papai Procópio procurou Péricles, primo próximo, pedreiro profissional perfeito.
Poucas palavras proferiram, porém prometeu pagar pequena parcela para Péricles profissionalizar Pedro Paulo.
Primeiramente Pedro Paulo pegava pedras, porém, Péricles pediu-lhe para pintar prédios, pois precisava pagar pintores práticos. Particularmente Pedro Paulo preferia pintar prédios. Pereceu pintando prédios para Péricles, pois precipitou-se pelas paredes pintadas. Pobre Pedro Paulo pereceu pintando...  Permita-me, pois, pedir perdão pela paciência, pois pretendo parar para pensar... Para parar preciso pensar.
Pensei. Portanto, pronto parei.
E você ainda se acha o máximo quando consegue dizer:
"O Rato Roeu a Rolha da Garrafa do Rei de Roma" Valha-te Deus...
(Daqui )

Que vive la France! 2

"La liberté guidant le peuple" - Eugène Delacroix - Louvre

Aos valores da Revolução Francesa - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - o vencedor das eleições em França, François Hollande, veio hoje no seu discurso afirmar ainda outras bandeiras que, esperemos, sejam para para pôr em prática: Solidariedade, Dignidade, Igualdade de Género, Justiça e Educação, afirmando ainda que os problemas da Juventude são uma das suas prioridades.

O Partido rosa teve quase 52% dos votos, apenas mais (cerca de) 4% do que Sarkozy e afirma-se presidente de todos os franceses. A "unidade na diversidade" é uma das suas palavras de ordem, fazendo lembrar alguns dos chavões utilizados por Mário Soares, ao afirmar o pluralismo.

Este ex-assessor de François Miterrand e ex-marido de Segolène Royale, é formado em Direito e Ciência Política e traz de novo o socialismo democrático para a França, 17 anos depois. Espero que Hollande não me desiluda muito, como fizeram Sócrates e Zapatero abaixo dos Pirinéus. E, já agora, que não ajude a França a tornar-se uma nova Grécia e a mandar ao fundo a Europa toda.

Daqui a algum tempo começaremos a perceber a nova correlação de forças na Europa, depois desta eleição e do novo mosaico parlamentar - complicadíssimo - da Grécia, onde vão sentar-se deputados de extrema-direita pró-nazi, o que é francamente assustador, e, para mim, inédito. Felizmente Marine Le Pen não conseguiu passar à segunda volta nas presidenciais francesas...

A melhor notícia da noite foi a impossibilidade de continuar a perpetuar-se a "santa aliança" Merkel-Sarkozy. Oxalá este novo presidente não venha a tornar-se um novo lacaio da "Frau-Chancelerina". Sempre lhe achei um aspeto de dona-de-casa da RDA, com a mania de mandar cortar rente a relva daquilo que ela pensa ser  o perímetro do seu quintal.

sábado, 5 de maio de 2012

Guia islâmico para bater na mulher

(Foto e artigo daqui
"Puxa a tua mulher pelas orelhas e bate-lhe com a mão. Ou com um siwak [espécie de escova de dentes em madeira]." É um dos conselhos de A Gift for Muslim Couple (Prenda para casal muçulmano), guia matrimonial islâmico escrito pelo académico Maulavi Ashraf Ali Thanvi. Disponível em várias lojas muçulmanas online, e até há poucos dias no eBay, o livro esgotou numa livraria canadiana pouco depois de um jornalista do Toronto Sun o ter encontrado à venda.
De acordo com algumas interpretações radicais do Corão, a violência doméstica sobre as mulheres é permitida e até incentivada pela sharia, lei religiosa islâmica. Mas um livro de conselhos maritais é uma novidade.
Tudo depende da forma como os académicos e juristas muçulmanos interpretam o verso 4.34 de uma das 114 suras (espécie de capítulos) do Corão. Nele, afirma-se que quando a mulher provoca problemas maritais, deve ser advertida, afastada da cama e, em última instância, “idribu”. É esta última palavra que gera a polémica. Onde os moderados lêem evitada ou afastada (eles acreditam que Alá condena a violência), os radicais interpretam espancada.
Publicado pela Idara Impex, editora indiana de Nova Deli, o livro sugere que não se bata na cara e não se deixe marcas nas mulheres. A Gift for Muslim Couple tem 160 páginas e destina-se a ajudar a “gerir com sucesso a instituição do casamento”. A noção de “sucesso” é explicada logo no início: “O marido deve tratar a sua mulher com carinho e amor, mesmo que ela tenha tendência a ser por vezes lenta e estúpida.” Se insistir nessa atitude, “pode ser necessário refreá-la à força, e ameaçá-la”. Entre os deveres da mulher citados no livro estão a necessidade de pedir “autorização” ao marido sempre que sai e a obrigação de “se pôr bonita para ele”.Relativamente aos castigos físicos, há algumas regras: não se deve bater na cara ou de forma a deixar marcas no corpo. E a agressão “não deve ser muito violenta”.
Segundo o Daily Mail, o guia tem causado indignação entre os muçulmanos moderados, que protestam contra o “incitamento à violência” que ele contém.Em 2011, o UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) revelou que há mais vítimas femininas de violência doméstica na Turquia do que em qualquer outro país europeu. Um levantamento do próprio Governo turco admite que 41,9% das mulheres são submetidas a violência física e sexual. 

Comentem, pois eu, depois de ler isto, já fiquei quase sem palavras... É simplesmente intolerável e nem sequer parece que estamos a falar no século XXI... Não há Allah, Jeová ou qualquer outro deus que possa legitimar semelhante estupidez e violência.