sexta-feira, 29 de junho de 2012

Dia de S. Pedro


Desejo um feliz dia de S. Pedro a todos os que por aqui passarem.


As sardinhas assadas são o meu prato preferido nesta época. Tive um belo almoço,  digno de Pedro, O Pescador, em companhia de bons e queridos colegas.

Crepes, a magia da culinária



Considero os crepes, uma invenção de origem francesa, uma das ideias mais geniais para fazer render a comida e também um prodígio de versatilidade. Quando tenho alguma paciência e inspiração, gosto do exercício de tecer aquela finura, qual tecido, que depois enrolo com carinho, dobro em quatro ou franzo, tentando fazer habilidades culinárias.
Hoje tive a ideia de fazer crepes e aproveitá-los para "desenrascar" um jantar e um lanche.
Para a massa usei apenas 150 gr de farinha, 1 ovo, 1 chávena de leite, 1 colher de sopa de azeite e 1 pitada (mínima) de sal de cozinha. Deu para fazer 10 crepes finos, numa frigideira pequena. É necessário que o fundo seja mesmo anti-aderente. 
O resto vem de acordo com a inspiração do momento e os ingredientes que na altura existirem em casa. Deixo aqui as "fases" do procedimento, que não pode ser mais simples; até uma criança faz.



Uma parte dos crepes foi recheada com queijo creme com ervas e 200 gr de salmão fumado em fatias finas, que temperei previamente com sumo de limão e endro. 


Deu para enrolar 7 crepes, o que rende uma boa refeição para três pessoas.


Cobri com molho bechamel e levei ao forno a gratinar um pouco (10 minutos). 
É importante não juntar sal ao molho porque o salmão fumado e o queijo creme já têm sal mais do que suficiente. Senão corre-se o risco de que o prato resulte salgado, o que não faz nada bem à saúde. Para acompanhar preparei entretanto uma salada de alface, pepino e tomate, com coentros. 


O sumo de laranja ou a limonada combinam muito bem com este prato. Mas quem preferir, pode acompanhar com vinho branco ou rosé, cerveja ou até sangria.


Aos crepes que sobraram juntei morangos cortados em quartos e gelado caseiro de banana, maçã e kiwi sem açúcar (foto do topo).
Fotos (c) Pérola de Cultura 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Culinária fresca para os dias quentes de Verão



Às vezes tenho poucas condições físicas ou apetência para me pôr ao fogão a fazer refeições muito elaboradas. Nessas ocasiões, a solução é optar pela confeção de pratos simples e rápidos. Este ano, por vários condicionalismos, comi mais em casa do que fora dela. Percebi como isso se traduz em poupança de dinheiro, o que neste momento, faz mais falta do que nunca.
Agora, que chegaram os dias quentes, as saladas, as sopas frias e as frutas (na foto de cima são cerejas do Fundão) são sempre boas opções a considerar. A carne continua a fazer visitas cada vez mais esporádicas cá a casa. 
Hoje partilho convosco uma salada, duas sopas e duas sobremesas, que também podem servir de lanche. Com estas opções também se poupa tempo e ganha-se em termos de saúde.

Salada de abacate, camarão, tomate-cereja e duas alfaces. 
Temperada com um fio de azeite e umas gotas de limão.

 Broscht: sopa fria de beterraba e vegetais com iogurte.
Ameixas pretas.

Gaspacho, cebolinho e torrada em pão de sementes.

Maçãs reinetas cozidas em vapor com pau de canela.

Framboesas com iogurte grego de limão e tangerina.

Fotos (c) Pérola de Cultura

terça-feira, 26 de junho de 2012

"Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar"

Ilustração e projecto de capa (c) Luís Diferr


Decorreu hoje no Museu da Música em Lisboa o lançamento do livro "Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar" da autoria da Dra. Isabel Ribeiro Monteiro, uma conceituada poetisa, cronista e blogger. 
Esta querida amiga e colega é professora de Língua e Literatura Portuguesas  na Universidade de Lisboa para a 3ª idade e esta é a sua sétima obra literária publicada.
Este livro contou com uma ilustração inédita de autoria de Luís Diferr*, concebida especialmente para se harmonizar com a temática dos afectos, que este conjunto de poemas retrata.
É sempre com enorme prazer e honra que partilho os momentos em que os livros da Isabel Ribeiro Monteiro vêem a luz do dia; e hoje foi mais um belíssimo momento em que os mais chegados puderam ouvir alguns dos seus poemas recitados e peças de música a envolver este lançamento.
Obrigada Isabel por continuares a oferecer-nos tanta beleza e sentimento. Esperamos que o faças muitas mais vezes e durante muitos anos. Cá estaremos para te apoiar e ajudar a difundir o teu talento e a força telúrica da tua poesia, tão humanamente sensível e tão profundamente feminina.
"A poesia é para ler, dizer, cantar", dizia hoje uma das representantes das Edições Esgotadas
Eu acrescentaria: a poesia é para mastigar, digerir, sentir, embriagar-nos e encantar-nos. Até às entranhas, como a Isabel sabe tão bem fazer!


* Ver aqui a homenagem do ilustrador à autora do livro.


Foto (c) Pérola de Cultura
Luís Diferr com Isabel Ribeiro Monteiro no lançamento do livro "Poemas com sabor a Sol, a Sal e A-mar"  publicado por "Edições Esgotadas", Museu da Música, em Lisboa. (26 de Junho de 2012)

sábado, 23 de junho de 2012

Wenceslau de Moraes - tributos do Japão



Wenceslau de Moraes, apesar de ter adotado os costumes japoneses, ao contrário do que muitos afirmaram nunca deixou de se considerar português. Conhecedor da literatura e da alma do povo japonês, sabia ser impossível essa transformação.
Por outro lado, os japoneses, que acolhem com agrado a ideia de alguém não japonês amar o seu país e gostam de quem admira a sua cultura, desconsideram quem não respeita a sua própria identidade e as suas origens, pelo que nunca poderiam considerar Wenceslau de Morais um dos seus.

“Kaymiô”, o nome budista atribuído após a sua morte, que se encontra gravado no seu túmulo em Tokushima, significa:" o homem que abriu a janela do Japão para o exterior através dos livros".
As traduções japonesas, das suas obras, têm tido uma grande aceitação. A sua capacidade de abertura humana, a sua intimidade com o povo nipónico, seus símbolos, lendas e mitos, amando os seus costumes e venerando os seus deuses, revelando ao mundo um Japão real, é muito apreciado, nomeadamente, pelos críticos literários japoneses.
Os Japoneses estão-lhe gratos. Ergueram-lhe um monumento na principal praça de Kobe, outro em Tokushima, na principal avenida, que tem uma inscrição: "Aquele que trocou a sua alma pela japonesa". Em Tokushima há também o Museu Wenceslau de Moraes, onde estão reunidos todos os seus livros, objetos de arte e muitas das suas recordações íntimas, uma Sociedade de Amigos e outros memoriais.
É o único português a quem se rezam sutras e que recebe no aniversário da sua morte um serviço budista.

Na festa dos mortos “Bon-Odori”, que ele tão bem descreveu no livro com o mesmo nome, considerado, a par de “Dai Nippon”, das suas melhores obras, raparigas e rapazes vão cantar e dançar alegremente em roda do seu monumento em Tokushima.
Não pode haver consagração mais viva.
Nos livros elementares das escolas do Japão figuram o retrato e duas páginas sobre Wenceslau de Moraes.
Os seus grandes amores, infelizmente bastante dramáticos, foram japoneses; por isso não surpreende que ele escreva como nenhum outro estrangeiro sobre o fascínio da mulher japonesa:
Mas também o Japão deu muito a Wenceslau, tanto, que ele não se cansou de o enaltecer nas suas obras. Beleza, gentileza, calma, serenidade…
Tokushima está geminada com Leiria desde 5 de Setembro de 1969.


FONTES:
Filme de Paulo Rocha “A Ilha de Moraes”
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses Vol. II
Dicionário Ilustrado da História de Portugal Vol. II
Livros de Wenceslau de Moraes – biblioteca pessoal
Fotos:
Associação Wenceslau de Moraes
Sites das cidades de Kobe e Tokushima
Wikipédia

Pesquisa, organização e texto:
Tita Fan

Escolaridade obrigatória até ao 12º

cartoon - (c) Henrique Monteiro

O jogo Alemanha - Grécia em versão Monty Python



Genial o humor dos Monty Python! Reparem bem nos nomes dos jogadores e nos termos do jogo.

Milan Kundera premiado


Kundera, Premio Bibliothèque Nationale de France 2012

O autor do inesquecível romance "A insustentável leveza do ser" recebeu a 11 de junho um prémio da instituição francesa. 



Ler aqui.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Isto é muito grave!


(imagem do jornal Sol)

O mais grave de tudo é que não se trata de uma medida pontual, mas algo para durar anos, quem sabe, para sempre. Mas ninguém do governo parece muito preocupado com o empobrecimento real das pessoas. A bem dizer, ninguém está preocupado com as pessoas. Só com os números.
Isto é um roubo legal. É o roubo institucionalizado. O Estado rouba àqueles a quem pode roubar e que não lhe podem roubar a ele; os funcionários públicos são aqueles que justamente não fogem ao fisco, têm sempre os seus impostos em dia, retidos a tempo e horas, quase sempre a mais. 
Os funcionários públicos não têm participações nos lucros, não entram nas empresas por cunhas, sujeitaram-se a concursos, em muitos casos têm décadas de tempo de serviço prestado ao Estado, que agora se torna um rigoroso e castigador padrasto.
Foi apresentada uma queixa sobre estes cortes ao Provedor de Justiça, que entretanto já revelou que a análise pode demorar muito tempo...
Sorry, mas hoje estou mesmo muito amarga!

Mulheres gladiadoras?


Tudo leva a crer, segundo dizem os estudiosos, que esta estátua feminina pode representar uma mulher gladiadora, a julgar pela forma com está vestida e o tipo de espada que empunha (sica), em atitude de saudação, após uma situação vitoriosa.


Há um artigo muito interessante para ler aqui.

Roubo sem precedentes



Pela primeira vez na minha vida profissional, que já soma 30 anos, vejo-me na situação inusitada de não receber o subsídio de férias, sem o qual as mesmas dificilmente se realizarão. 
Sempre tive direito a ele e nada fiz para perdê-lo. Não esbanjei, não me endividei, não gastei mais do que podia e, no entanto, dizem que devo, assim como todos os cidadãos, não sei quanto...
A função pública vê-se, deste modo, espoliada de um direito conquistado há muitos anos; e em muitos casos esta falta é mesmo vital para as famílias, tal como o subsídio de Natal. E não me refiro só às férias, a que todo o trabalhador deve ter direito, mas a despesas a cujo rendimento mensal (normal) não consegue fazer face, como por exemplo seguros, gastos de saúde e outros.  
Mais valia dizerem logo de uma vez "a bolsa ou a vida". 
Por pouco esta situação não leva a bolsa e a vida. Até ver.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Solstício de Verão



Dia 21 de junho, às 00:09, entramos no Verão. 
Será Verão até às 15:49 do dia 22 de setembro.
Nublado e ventoso, além de pobre e roubado.

Wenceslau de Moraes e o Japão




Wenceslau de Moraes, encantou-se pela cultura exótica e delicada do Japão, logo nas primeiras visitas. Em “Saudades do Japão” fala das saudades que sente…


"……país atraente entre todos, pela sua paisagem ameníssima, pelo puro azul do céu privilegiado, pelo seu povo interessante, pela tradição lendária..."…”Já vos falaram do asseio japonês? Um cúmulo!....as notinhas nipónicas tão gentis de impressão, com anos de uso…conservam sempre a mesma frescura primitiva… sem uma mancha,,,,,com vago perfume a não sei quê…
Em 1896 instala-se definitivamente no Japão, vindo a ocupar em 1899, o lugar de cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka e posteriormente em Kobe e Osaka.
A sua grande admiração pela mulher asiática, em particular pela japonesa, livre mas submissa e gentil, de quem exaltava sempre as mãos pequeninas e delicadas, leva-o a casar-se em 1900, segundo os ritos shintoístas, com O-Yoné Fukumoto.

Na sua obra, de escrita sobretudo impressionista, documenta as paisagens, a história, a tradição e a alma Japonesas. Durante trinta anos Wenceslau de Moraes tornou-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o Oriente.
Amargurado com a morte, por doença cardíaca, de Ó-Yoné em 1913, e também desiludido e desgostoso com a política em Portugal, Wenceslau de Moraes rompe todas as ligações que mantinha com o Estado português (era na altura Cônsul de Portugal em Kobe e Osaka e ainda oficial da Marinha Portuguesa, graduado em Tenente-coronel/Capitão de fragata), e muda-se para Tokushima, terra de Ó-Yoné.
Em Tokushima converte-se ao Budismo e apesar da sua idade respeitável ainda tem um último amor, a Japonesa Ko-Haru, sobrinha de Ó-Yoné, que lhe foi infiel, mas a quem perdoou e que faleceu 3 anos depois, tuberculosa, deixando Wenceslau de Moraes nos últimos anos de sua vida, ainda mais amargurado e só, entregue à saudade, à contemplação da natureza e aos seus gatos.

Na verdade, Tokushima nunca o aceitou nem compreendeu, dada a sua vida solitária, aparência pouco cuidada e algumas atitudes mal aceites no oriente, como por exemplo a suas idas frequentes ao cemitério e beijar os túmulos das amadas, que eles chamavam de “lambuzar”. As crianças tinham medo dele e fugiam, apesar de ele lhes distribuir doces.
"...este bom povo de Tokushima, arisco, conservativo, detestando cordialmente o europeu...". 

Contudo, uma Bonza a quem ele legou por morte 500 iénes, bastante dinheiro na época, rezava uma vez por mês, em sua casa, no altar de Yoné e Ko-Haru.
Morreu a 1 de julho de 1929 e foi, conforme o seu desejo, cremado e enterrado segundo os ritos budistas, e as suas cinzas colocadas junto das de Ko-Haru. 
Fontes:


Filme de Paulo Rocha “ A Ilha de Moraes”
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses – Vol. II
Dicionário Ilustrado da História de Portugal – Vol. II
Livros de Wenceslau de Moraes- biblioteca pessoal



Texto de Tita Fan
Fotos digitalizadas por José Ruy

terça-feira, 19 de junho de 2012

Joana Vasconcelos em Versailles

(c) Joana Vasconcelos-Versailles

(c) Joana Vasconcelos-Versailles

"A Noiva" (c) Joana Vasconcelos - censurada

Sapato de Marilyn (c) Joana Vasconcelos

"Coração Independente" (c) Joana Vasconcelos

Joana Vasconcelos com o chef José Avilez

De 19 de junho a 30 de setembro, a exposição de Joana Vasconcelos estará patente ao público no Palácio de Versailles, próximo de Paris. 
Não deixa de ser motivo de orgulho para Portugal e para as mulheres portuguesas; porém, há uma nota desagradável, que não posso deixar de referir: a peça "A Noiva" (na foto do meio), que representa um lustre construído com tampões, foi censurada e Joana impedida de a expor. 
A direção do Palácio considerou a peça inapropriada, até porque Joana desejava colocá-la no quarto da rainha. 
Desde há muito tempo que Joana Vasconcelos gosta de usar materiais de uso comum nas suas instalações, como por exemplo, garfos de plástico, panelas, fios, garrafas, lâmpadas, plumas, etc. Segundo a própria artista referiu o universo das suas criações gira em torno de objetos femininos.
Ninguém parece ter reclamado por Joana ter construído os sapatos de Marilyn Monroe com tachos e tampas. Mas o lustre foi proibido; não por ser um lustre, mas por ser feito de tampões. Isto demonstra que os preconceitos dos franceses ainda estão mais firmes do que os nossos em Portugal, a respeito de certas coisas. Mas não de outras, pois já vi instalações feitas com lixo no Centre Pompidou e todos pareceram achar muito natural aquele montão de porcarias estar exposto numa galeria de arte, como se fosse realmente uma escultura, numa sala ao lado de desenhos de Picasso. Barafustei imenso junto dos que me acompanhavam, dizendo que se quisesse ver pneus velhos, sapatos rotos, cafeteiras furadas, trapos a desfazer-se, pratos partidos, chaves ferrugentas e toda a sorte de desperdícios inúteis, iria a uma lixeira e não a um Centro de Exposições de Arte. Achei horrível e de mau gosto. Senti-me quase insultada e apeteceu-me reclamar de volta o dinheiro do bilhete, que ainda era em francos. Não é por acaso que ainda hoje me lembro disto. Aquela foi a primeira vez que visitei o Centre Pompidou e fiz questão de com ele me reconciliar anos mais tarde com uma exposição sobre a obra de Hergé.
Pelo menos os tampões do lustre da Joana estavam limpinhos! Não são mais do que rolinhos de algodão branco com um fio na ponta; nada mais! Qual a diferença para tachos, rendas ou sedas, escovas de cabelo, enfim, coisas em que as mulheres mexem no seu dia-a-dia? 
Ela não gostou nada da proibição e disse às televisões que no conjunto da sua coleção, "A Noiva" não era apenas mais uma obra, era "a obra".

Notícias sobre a exposição aquiaquiaqui e aqui.

Aung San Suu Kyi recebeu o Nobel em Oslo


(Clique para ampliar)

Convém lembrar que esta ativista dos Direitos Humanos, birmanesa, de 66 anos, esteve sob prisão domiciliária durante décadas por lutar pela Liberdade ; só recentemente pôde ir a Oslo receber o Prémio Nobel da Paz com que foi agraciada em 1991, há 21 anos!!!
A mesma sorte não teve Liu Xiaobo, que continua preso na China e impedido de receber o mesmo prémio, referente a 2009.

Notícia daqui.

Pode ler o discurso de Aung San Suu Kyi em Oslo quando foi receber o prémio Nobel aqui

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Wenceslau de Moraes e o Oriente



A mania de escrever acarreta por si só muitos enfados, muitos desgostos, e até muitas desgraças. Eu tenho passado a vida a rabiscar coisas. Que tenho ganho com isso? Nada!”
W.M.

Estas linhas podem ler-se antes do prefácio à 2ª edição -1946, de “Traços do Extremo Oriente”, o primeiro livro de Wenceslau de Moraes a ser publicado. Alguns dos textos já tinham saído anteriormente no Correio da Manhã, sob o pseudónimo de A. Da Silva.
No prefácio à 1ª edição – 1895, escreve Vicente Almeida d’Eça:
“…merecendo o qualificativo de bom oficial é ao mesmo tempo um coração de ouro e um cavalheiro da mais alta distinção. É um triste, magro, loiro, de olhos azuis e cismadores, retraído na mais concentrada modéstia. A publicação do seu nome à frente dos Traços foi uma luta…”.
Continuou a escrever para jornais e a publicar livros, numa escrita elegante e impressionista, onde transparece a sua grande paixão pelo Oriente. É, sem dúvida, o grande orientalista da literatura portuguesa, dos finais do Séc. XIX - princípios de XX.

Wenceslau José de Sousa de Moraes nasceu em Lisboa, a 30 de Maio de 1854, filho de pais cultos e com gostos literários. Existem provas da sua precocidade para a escrita: um diário infantil de poucas páginas, que escreveu aos 11 anos; uma peça de teatro e uma coleção de poemas, ambas breves, que escreveu aos 15 anos.
Completou o curso da Escola Naval em 1875. A bordo de diversos navios da Marinha de Guerra Portuguesa, visitou a América, a África, e vários países asiáticos. Os primeiros escritos da China datam de 1888.
Em 1891 em Macau, desempenha as funções de imediato do capitão do porto, e, em 1894, logo após a sua fundação, começa a lecionar matemática no liceu, onde foi colega de Camilo Pessanha com quem manteve uma forte e duradoura amizade.
Casou à maneira legal da China com Atchan, jovem chinesa propriedade de outra chinesa, mais tarde Sra. Mo Wong Shi Moraes de quem teve os seus dois únicos filhos: José Moraes, que viria a ser negociante na Califórnia e João Mores, engenheiro civil.

Wenceslau de Moraes sempre se interessou por tudo o que se passava em Portugal, tendo mantido sempre uma grande ligação com sua irmã mais nova, Francisca, a quem enviava presentes e recordações e até sementes de plantas para o jardim. Existe muita correspondência, entre a qual mais de 400 postais, o que permite acompanhar as suas múltiplas viagens.
Durante a sua estadia em Macau, visitou, em serviço, por diversas ocasiões a China. Deslocou-se, também, várias vezes ao Japão, entre 1893 e 1896. Na sua opinião, entre estes dois países existiam diferenças profundas. Descreve a China referindo-se "à imundície dos seus povoados, onde chafurda um cardume de gente feia por excelência...".

Também não é muito benevolente com Macau, que tardou em perdoar-lhe. Aceitam que, na sua permanência na China, prevaleceu a saudade de Portugal e da família, pelo que não se teria deixado tocar pela cultura.
Mas, segundo ele, é o Japão que o fascina desde logo: "esse país atraente entre todos, pela sua paisagem ameníssima, pelo puro azul do céu privilegiado, pelo seu povo interessante...".
Esta preferência e também o ter sido preterido na sua carreira, em Macau, leva-o, em 1896, a deixar mulher e filhos (o sentido de paternidade não se fazia sentir muito naquela época), e a partir para o Japão, onde viverá perto de 31 anos. 

Fontes:
Filme de Paulo Rocha, “A Ilha de Moraes”
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. II
Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Vol. II
Livros de Wenceslau de Moraes – biblioteca pessoal

Texto de Tita Fan
Fotos de José Ruy e Associação Wenceslau de Moraes

domingo, 17 de junho de 2012

Grécia, uma canção de amor



Simbólica a posição das bandeiras, não é?...



Pela Grécia



Neste dia de eleições legislativas na Grécia, aquilo que espero e desejo do fundo do coração é que este país encontre o seu caminho de salvação, junto do resto da Europa e não longe dela, já que foi o seu berço político e cultural. 

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Versos sem título


É o verão que chega a quem não deve.
Um aroma que se exala com doçura...
Manjerico redondo, fofo e leve
Que na janela virada a sul
Da terra húmida e escura
Se espraia para o céu azul.

Assim é botão Matilde, que eu amo,
Em cujo peito descanso a cabeça,
Em cujo ser descanso a alma.
Pelo mar afora vai o barco que eu chamo,
Na viagem que em cada dia recomeça.
Nele vamos nós, para além donde cresce a palma!
Texto e desenho (c) Luís Diferr

Teolinda Gersão

Redacção "Declaração de Amor à Língua Portuguesa"
Da escritora Teolinda Gersão; assim mesmo, com dois "c", que isto do Acordo Ortográfico tem os dias contados. Terá?
A Língua Portuguesa é muito traiçoeira!
Quem já se esqueceu da famosa TLEBS?
Leiam aqui.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Dia de lembrar António Variações



António Variações (1944-1984) partiu para o Além a 13 de junho, em Lisboa.

Dia de Santo António


Fernando Martins de Bulhões (Lisboa-1191- Pádua-1231), ficou conhecido entre nós como Santo António de Lisboa, um dos Santos Populares, festejado a 13 de junho, dia da sua morte. Este frade Agostiniano, internacionalmente é chamado Santo António de Pádua, cidade onde faleceu.

Aniversário de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa por Júlio Pomar

Fernando António Nogueira Pessoa, Lisboa, 13/06/1888 - Lisboa, 30/11/1935 



Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus. 

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem sentimento nenhum.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o unico poeta da Natureza. 


Fernando Pessoa/Alberto Caeiro, Poemas Inconjuntos; escrito entre 1913-15; 
publicado em Atena nº 5 de Fevereiro de 1925.

Fernando Pessoa em chinês


Fernando Pessoa é universal e é do conhecimento geral que se encontra traduzido em várias línguas.
Em língua chinesa a primeira versão feita de uma obra de Pessoa, foi de “A Mensagem”, embora não completa.
O tradutor foi o macaense Luís Gonzaga Gomes (11-07-1907/20-03-1976), que, de entre outros, foi aluno de Camilo Pessanha. Durante os seus estudos liceais foi colaborador do jornal estudantil “A Academia”, que lhe proporcionou a oportunidade de conhecer alguns escritores portugueses.
Exerceu vários e diversificados cargos, além de tradutor, pelo que tinha um profundo conhecimento da língua chinesa. Autor de vasta bibliografia, a tradução parcial de “A Mensagem” (os poemas na íntegra são poucos), destinou-se a uma edição comemorativa do 24º aniversário da morte do poeta e destinava-se à divulgação aos alunos do Liceu onde na altura lecionava.
Posteriormente, por altura do quinquagésimo aniversário da morte de Fernando Pessoa, e com o patrocínio do Instituto Cultural de Macau, foi publicada a “Antologia Poética de Fernando Pessoa”, resultado da colaboração do Dr. Jin Guo Ping com o do Dr. Gonçalo Xavier (na altura estudante macaense na Universidade de Pequim), e a versão integral de “A Mensagem” em chinês, de autoria de Jin Guo Ping (Lic. em português pela Universidade de, Estudos Estrangeiros de Pequim; bolseiro da Gulbenkian e do Instituto Cultural de Macau; tradutor e autor de vários temas de Literatura portuguesa.
A abertura de Pessoa ao povo chinês iniciou-se, na verdade, com o trabalho pioneiro de Luís Gonzaga Gomes, mas, o movimento pró Pessoa tem tido um grande desenvolvimento nos últimos anos. As edições bilingues na china têm tido grande sucesso e a genial criação dos heterónimos tem sido motivo de grande interesse por parte dos chineses.
Além destas obras o Instituto Cultural de Macau lançou em junho de 1988, uma “Antologia de Fernando Pessoa”, edição bilingue de autoria de Zhang Weimin.

FERNANDO PESSOA 
POEMAS TRADUZIDOS PARA O CHINÊS


AUTOPSICOGRAFIA


O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

28.02.1929




Fontes:
-Comunicação do Dr. Jin Guo Ping ao III Congresso Internacional de Estudos Pessoanos - Universidade de S. Paulo 1988, publicada no Número Especial da “Revista Cultura”, edição do ICM, Dedicado à Memória Portuguesa na Índia.
-Wikipédia.
Tita Fan