domingo, 25 de novembro de 2012

Aniversário de Eça de Queirós



José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845
(mas podia ter sido 100 anos mais tarde; não está desatualizado)

Violência sobre as mulheres


(c) Luís Diferr, in "O Homem de Neanderthal", Edições ASA, 1991

Numa casa perto de si.
Não finja que não ouve.
Não finja que não vê.
Denuncie.

APAV - apoio às vítimas



Não é demais alertar contra a violência doméstica. Em Portugal continuam a morrer dezenas de mulheres e homens todos os anos por causa desta disfunção familiar. Problema sociológico ou de saúde mental?

Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra Mulheres


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A capacidade de adaptação dos portugueses


A Capacidade de Adaptação dos PortuguesesOs observadores estrangeiros maravilham-se de que Portugal resista à crise política e económica com tal poder de adaptação. Há nos Portugueses uma sinceridade para com o imediato que desconcerta o panorama que transcende o imediato. O infinito é o que eu situo - dizem. E assim vivem. Protegidos talvez por essa condição de afecto pelas coisas, pelos seus próprios delitos, que não consideram dramáticos, só ao jeito das necessidades. De resto — quem se apresenta a salvar-nos que não esteja suspeitamente indignado? Os que muito se formalizam muito escondem; os que acusam demasiado privam-se de ser leais consigo próprios. O país não precisa de quem diga o que está errado; precisa de quem saiba o que está certo. 

Agustina Bessa-Luís, in 'Dicionário Imperfeito'
Agustina Bessa-Luís, fotografia de Francisco Rodrigues

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A “Comunicação” até Gutenberg – (apontamentos)



Os homens sentiram sempre uma grande necessidade de comunicação, (as pinturas rupestres são disso os primeiros exemplos), e através dos tempos,  foram vários os suportes e meios utilizados, que têm sido uma importante fonte de informação para o estudo da história das civilizações.

A escrita pictográfica, base da escrita cuneiforme e dos hieróglifos é a origem de todas as formas de escrita e continua a ser utilizada. A escrita ideográfica surge como evolução da escrita pictográfica e os seus símbolos já representam objetos, ideias ou palavras completas associadas aos sons nas diversas línguas.
Verifica-se, assim, na evolução da escrita duas fases essenciais a ideográfica e a fonética.
Os sumérios que com os semitas formaram a Mesopotâmia no 4º. Milénio AC, considerados os inventores da escrita, mais de 20000 ideogramas, importante feito pela sua precisão e detalhe na fixação dos factos e pensamentos, começaram com um sistema pictográfico. Os símbolos sumérios eram desenhados na argila com um caniço afiado chamado estilete. Com o passar dos tempos em vez de traçar riscos passaram a imprimir com uma lâmina talhada em bisel, dando na argila a aparência de pregos ou cunhas, de onde derivou o nome cuneiforme.
Têm sido descobertas milhares de tabuinhas de argila de todos os tamanhos e épocas, não só com registos de negócios mas até cartas pessoais.
A escrita cuneiforme só foi possível ser decifrada através da “Inscrição de Behistun” (Monte Behistun-Irão), descoberta em 1598, texto escrito em três línguas e alfabetos diferentes. Foi uma investigação longa em que se destacaram o alemão Georg Grotefend que, em 1802, descobriu a chave para a decifração da escrita cuneiforme e o inglês Henry Rawlinson que desenvolveu um trabalho difícil e intenso, até que o sistema de escrita fosse totalmente descrito em 1847. A sua importância é comparável à “Pedra de Rosetta”, chave principal da decifração dos hieróglifos, descoberta em 1799, um decreto grafado em hieróglifos e em grego. Foi estudando e comparando esses escritos com outra inscrição bilingue de um obelisco, que Jean-François Champollion conseguiu em 1822 o grande mérito da completa decifração da escrita egípcia.

Uma nova escrita surgiu com o alfabeto fenício composto de 22 letras/sinais, só consoantes, que os gregos aperfeiçoaram e a partir do qual se formou de entre outros o alfabeto latino, que os romanos disseminaram. Na Idade Média iniciou-se uma atividade de reprodução manual de vários textos, sendo exercida principalmente nos mosteiros por grupos de monges. Livros começaram, então, a ser artesanalmente fabricados. Contudo, aumentada a procura, começou a ser utilizada a xilogravura que permitia produzir mais exemplares, mas nem mesmo as técnicas artesanais de gravura conseguiam atender ao aumento da procura de livros.
 A grande revolução aconteceu quando o gráfico alemão Gutenberg, por volta de 1439, introduziu a forma moderna de impressão, passando a utilizar "Tipos Móveis", em liga de metal, na sua prensa, possibilitando a produção e divulgação alargada do livro e, também, uma grande economia de custos para as gráficas e para os leitores. A sua maior obra foi a "Bíblia de Gutenberg", de grande qualidade técnica e estética.
Em 1899, o A&E Network classificou Gutenberg como o nº 1 na sua relação das "Pessoas do Milénio". Em 1997, a revista Time-Life escolheu a invenção de Gutenberg como a mais importante do segundo milénio. O verbete Johann Gutenberg da Catholic Encyclopedia descreve a sua invenção como tendo um impacto cultural praticamente sem paralelo na Era Cristã.

Outras fontes:
Documentário da RTP2-Notícias da Mesopotâmia, por Jean Bottero-1995
tipógrafos.net-História  da tipografia;
amaury.pro.br/textos/Escrita-História;
Wikipédia
Alfabetos-www.multimedia.pt/musevirtpress/

Tita Fan


(c) José Ruy, Gutenberg

Nos próximos dias publicaremos uma série de pranchas dedicadas a Gutenberg desenhadas por José Ruy em 1945.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Política Adequada da Educação


Sou Professora em Portugal desde 1986 numa vivência muito existencial. Sou de um tempo em que havia estrados, modos respeitosos de lidar com os outros, cumplicidade e um contexto colaborativo. Sou de um tempo em que o estrado dividia o meu espaço pessoal, me dava uma amplitude de visão. Sou de um tempo em que os alunos e os professores se relacionavam respeitosamente. Sou de um tempo em que os colegas partilhavam as suas experiências num contexto colaborativo.
Penso, muitas vezes, numa política adequada da Educação. Penso que deve ser aquela em que os conhecimentos acerca do mundo e das ciências ajudem as crianças e os jovens a aprenderem. Mas, também, lhes permitam saber do mundo dos sentimentos, pensamentos e projetos de vida. Quanto melhor os indivíduos conseguirem lidar com o seu mundo interno, mais capazes estarão de se envolver em atividades produtivas e adaptadas às exigências da sociedade.
Os Professores são, portanto, os agentes únicos e fundamentais que sabem resgatar as crianças e os jovens, resgatar a infância perdida, retribuindo-lhes a magia, a oportunidade de conhecer e gerir o seu mundo  interno.
Talvez com essa política pudéssemos dar novamente valor aos professores.
Afinal, sem eles não existiriam advogados, médicos, enfermeiros, ministros e tudo mais.
Becas

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Obama - parte II

Barack Obama reeleito Presidente dos EUA
Que há promessas não cumpridas, há. Que há aspetos importantes não conseguidos há. Que há das piores crises de desemprego e pobreza de sempre, há. 
Mas, apesar de todos os nins, antes este presidente do que um bispo mormon, numa estranhíssima mistura com político republicano. 
Quando me recordo dos trajes das mulheres mormons, que vi em grupos na Suiça há poucos anos, até me dá um arrepio. Não queria acreditar. Os vestidos, largos, compridos e rodados, as toucas, as golas subidas, as meias opacas e os sapatos fechados, sob o calor insuportável de agosto... só vendo! Inacreditável! Todas juntinhas, rodeadas pelos maridos, olhando a medo para tudo, como se tudo fosse profano e sacrílego! 
Parecia coisa de cenário de filme de épocas passadas.
Tive a sensação de ter entrado numa máquina do tempo e ter descido no século XIX, no meio de uma América rural, repressiva e poligâmica. Argh! Não! 
Antes mais uns anos de benefício da dúvida a Obama. 
Gostava de ver o sistema de Saúde Pública implementado e a Base de Guantanamo retirada de Cuba. E mais umas tantas coisas, como a redução drástica das emissões poluentes para a atmosfera e o fim das negociatas pouco claras, etc.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Amadora BD 2012

O Salão Internacional de Banda Desenhada da Amadora, este ano tem como tema a Autobiografia. 
Além de muitas iniciativas, espalhadas por vários pontos do concelho, o certame procedeu a uma entrega de prémios para as melhores obras em BD. É obrigatória a visita ao Forum Luís de Camões, na Brandoa, onde decorre a feira e as exposições  principais por temas, autores e géneros, além das sessões de autógrafos com os autores das obras mais recentes (por exemplo João Amaral) e outros convidados, portugueses e estrangeiros.
Além deste núcleo principal, recomendo a visita da exposição de José Ruy sobre a "Peregrinação" de Fernão Mendes Pinto no CNBDI, na Venda Nova e a exposição de pintura de Victor Mesquita na Galeria Artur Bual, na Câmara Municipal da Amadora. 
O festival termina já neste próximo fim de semana.


As duas capas que aqui deixo são respetivamente do melhor álbum de BD nacional e da melhor BD em tiras.
Em cima trata-se de um álbum de Ricardo Cabral "Pontas Soltas-Cidades ", das Edições ASA e ao lado a obra "Blankets" de Craig Thomson, das Edições Devir.
Aprecio o género Banda Desenhada e sempre que posso, vou a estes festivais. Já lá vi exposições absolutamente fabulosas, com originais de autores de grande talento e criatividade, difíceis de esquecer. 
Foi também no Amadora BD que ao longo dos últimos vinte anos conheci pessoalmente e tive o prazer de falar com alguns dos que considero génios da 9ª Arte contemporânea, como por exemplo Vittorio Giardino, Milo Manara, Cosey, François Schuiten ou Gilles Chaillet.
Adoro histórias de quadradinhos e só tenho pena de não ter mais tempo e dinheiro para consumi-las na medida da minha paixão.

domingo, 4 de novembro de 2012

Blog for Peace



Já vem sendo tradição: desde o seu início que este Blogue se junta numa corrente a favor da Paz, todos os anos a 4 de novembro, com milhares de outros bloggers a nível mundial. São os muitos os  aderentes e de países muito diversificados. Não custa nada e soma vozes e vontades. Se és blogger e queres Paz, junta-te a nós. Cada vez seremos mais. Podes saber mais aqui.

sábado, 3 de novembro de 2012

A refundação do Estado português

A fundação do reino de Portugal foi feita por D. Afonso Henriques lá para as bandas de 1143, depois de ter andado à pancada com a mãe e o primo, rei de Castela. 
Pode dizer-se que a vontade de fundar uma nação devia ser mesmo grande para justificar tais demandas, pelo que o seu cognome é "O Fundador".
Depois, ainda veio por aí abaixo à espadeirada, contra tudo o que cheirava a mouro, justificando o seu segundo cognome "O Conquistador".
Agora estamos a assistir estupefactos à segunda fundação, ou seja, à "refundação".
Passados quase 900 anos, refunda-se Portugal pela mão de estrangeiros, vindos de sabe-se lá onde e por que espúrios motivos e extravagantes vontades!
Ainda por cima pessoas com nomes estranhos, como Selassie...
Podia ser Joaquim, Silva ou Pires. Mas não, é Selassie; podia ser Kroger ou Ruffer . Mas não, é Selassie. Podia ser Costa, Ferreira ou até Barroso, mas não: é Selassie! 
Portanto, em 1143 tivemos o Fundador, D. Afonso Henriques, filho do Conde D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa de Leão, nascido em Viseu (embora as versões oficiais digam que foi em Guimarães). Em 2012 temos o Refundador, de nome Abebe Aemro Selassie, nascido na Etiópia, que não deixa o caminho criar erva, como chefe da troyka, a dar sentenças sobre o que é melhor para "salvar o estado português". Ora esta!
Este nome só pode ser de ascendência moura. Ai, se D. Afonso Henriques o apanhasse a jeito aqui em Lisboa, não escaparia por certo aos presumíveis 60 Kg da sua espada! 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Capela Sistina faz 500 anos


O artista italiano Michelangelo Buonarrotti não estava muito convencido a pintar o teto da capela. Considerava-se mais um escultor do que um pintor. São mundialmente conhecidas as suas esculturas, como a "Pietà" que está na Basílica de S. Pedro em Roma, ou a "Madonna" com o menino ao colo, em Brugges. Mas há quem afirme que o fresco da Capela Sistina é a sua obra-prima. 
É imperativo visitar o Vaticano, não só pela Basílica e pelo Museu, onde se encontram verdadeiros tesouros artísticos como a "Escola de Atenas" de Rafael Sanzio, mas também pela Capela onde Michelangelo pintou, quase de mãos dadas, Deus e o Homem. 
Não faz mal nenhum que nos deliciemos de vez em quando com uma ilusão, pois não? 
E vale a pena o torcicolo pela mestria deste fresco de 1100 m2. 

O Expresso propõe aqui uma visita virtual e esta obra-prima da pintura europeia.