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quarta-feira, 18 de julho de 2012

O MEC meteu os pés pelas mãos


As recentes medidas do MEC são de um perfeito desgoverno. Não há maneira de pôr em ordem uma casa nestes moldes. Mesmo depois de todos os países onde as experiências de agrupar escolas e criar turmas grandes já terem recuado, o MEC persiste nestes erros. A consequência direta destas medidas é o despedimento de milhares de docentes, a que apareceram estranhas (mas expectáveis) comunicações de horário zero.
Eu gosto de chamar os bois pelos nomes, deve ter-me ficado esta mania dos tempos de sindicalista: a isto chama-se despedimento em massa. E não venha o Sr. Ministro dizer que não é, porque ninguém acredita. 
No meu Grupo Disciplinar houve duas colegas a quem já foram dados os patins, ambas na casa dos quarenta anos e com 18 a 20 e tal anos de serviço, cada uma com dois filhos para acabar de criar. Uma talvez seja "repescada", a outra não.
Já se me acabou há muito tempo a paciência para tanta incompetência junta. Começou  em 2006 com a arrogância prepotente de Maria de Lurdes Rodrigues, prosseguiu com o sorriso pateta de Isabel Alçada e continua (acreditem que tenho mesmo pena de escrever isto), com Nuno Crato. Estaremos presos de alguma maldição?
Deixo aqui um texto que vale a pena ser lido, sobretudo pelas pessoas não ligadas ao ensino. 
Um Caso Inédito de Engenharia Profissional: Os Docentes
Paulo Guinote *
Há poucos dias terminou o prazo para que as direcções dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas indicassem os docentes que consideram não terem componente lectiva a partir de Setembro.
Esta indicação aconteceu num contexto diferente em relação a anos anteriores, tanto devido à reorganização da estrutura curricular como por causa de outras mudanças relacionadas com a gestão escolar. Em complemento, surgiu a indicação formal de responsabilização disciplinar por indicações incorrectas e a recomendação informal para que, na dúvida, indicassem todos os docentes em que tal possibilidade existisse. Que depois, a meio de Agosto poderiam retirar os docentes para os quais fosse possível encontrar componente lectiva, na sequência da evolução das matrículas. Isto significa que a quantidade de professores indicada para mobilidade interna foi, em muitas situações, bastante sobredimensionada.
O processo que está em decurso de empurrão de muitos milhares de docentes para uma dança de cadeiras sem cadeiras é do foro do obsceno e eu nem costumo colorir muito a adjectivação. E tanto maior é a obscenidade quanto se sabe ser uma dança inútil e desnecessária. Que apenas visa assustar as pessoas e prepará-las para eventuais medidas a implementar nos próximos meses relacionadas com a mobilidade especial ou a aposentação antecipada.
Os números relativos aos horários-zero são certamente muito acima das piores perspectivas, sendo também difíceis de calcular em relação aos contratados que deixarão de ter emprego em Setembro. São vários os agrupamentos e escolas em que 30, 40, 50 docentes receberam indicação para concorrer, sendo alguns grupos disciplinares particularmente dizimados. O que é ridículo a vários níveis. Desde logo porque – em especial porque os horários para contratados vão diminuir radicalmente – não é credível que existam tantos docentes sem horário na rede pública de ensino, mesmo com as medidas tomadas por este Governo. Por outro porque, se em quase todo o lado há (alegadamente) professores a mais, não existirão vagas para este tipo de mobilidade e os professores voltarão em Setembro para as escolas de origem, depois de um processo a roçar o kafkiano em plena pausa lectiva de Verão.
Percebe-se que está a ser feita uma experiência inédita e com contornos vergonhosos de engenharia profissional, sem respeito alguma pelas pessoas e famílias dos envolvidos, colocados numa situação de vulnerabilidade e fragilidade, em grande parte só para satisfazer o ego de alguns teóricos do Estado Gordo e do ir-além-da-troika.
Também em relação aos professores contratados há anos a insensibilidade é total, bem como a aparente falta de previsão dos efeitos secundários do lançamento de pelo menos uns 10-15.000 trabalhadores qualificados para o desemprego ou sub-emprego, atingindo quase tantos milhares de famílias e agravando uma situação de ruptura social, indecorosa quando comparada com a forma leve e descontraída como continuam a mover-se a maioria dos interesses instalados na órbita do Orçamento de Estado.
Infelizmente não existem entre nós mecanismos eficazes de responsabilização dos políticos por medidas erradas tomadas após repetidos avisos sobre as suas péssimas consequências. É mais certo ver um péssimo ministro acabar como comendador ou administrador de um grande grupo empresarial do que encontrá-lo num tribunal a responder pelos seus actos lesivos para o interesse nacional.  Até porque as instituições formais para defesa da legalidade e dos interesses dos cidadãos são pasto para os jogos políticos, sendo os seus ocupantes de topo escolhidos por aqueles cujos excessos devem controlar.
Repito: o que se está a passar com a definição de horários-zero neste final de ano lectivo é algo vergonhoso e obsceno, um exercício espúrio, moral e eticamente inaceitável, de engenharia profissional em que um MEC sem capacidades de planeamento anda a brincar com a vida profissional, pessoal e familiar, daqueles que deveria saber mobilizar para uma melhoria da Educação, não para o objectivo mesquinho da Educação possível com o preço mais baixo.
* – Professor do Ensino Básico, ainda com horário.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Licenciaturas fast-food

Desenho de Pedro Domingues, meu ex-aluno.


Já devo ter alguma idade, pois continuo a indignar-me com certos facilitismos, para não lhe chamar baldas e falta de vergonha. Sou de uma era pré-Bolonha e a minha licenciatura foi feita com trabalho a sério, mesmo daquele pré-Internet, sem copianços nem fraudes. Era queimar pestana, após ano, a doer, atrás dos calhamaços, e, muitas vezes vendo a primavera e o verão lá fora, do lado de dentro da vidraça da imponente Biblioteca da Faculdade de Letras. 
Tenho a honra de ter frequentado uma Faculdade de gente séria e de ter feito uma licenciatura "limpinha", à custa de leitura, discussão, escrita e muitas noites em branco. 
Marcou-me pela positiva. Ficou-me o jeito e o gosto. Ainda hoje gosto de passar noites inteiras a escrever e a pensar. Sozinha com o meu candeeiro, como há 30 e tal anos. A mesa não é a mesma e troquei a velha máquina de escrever por um portátil. Já não encho o chão de folhas inutilizadas, pois esta coisa permite-me emendar as gralhas sem estragar o documento, como acontecia nessa época. 
Licenciei-me de cabeça cheia e alma lavada. Fui muito feliz na Faculdade e recordo cada passo daqueles quatro anos como se fosse ontem. 
Oito anos mais tarde, já a trabalhar como professora do Secundário, resolvi fazer outro curso superior, mais quatro anos, desta vez em Língua e Cultura Italiana. 
Acumulei portanto dois diplomas, o que me equivaleu a oito anos de estudo aplicado e muitas cadeiras feitas, a começar em Filosofia Antiga, com 18 anos e a acabar em Tradução, aos 35.
Pelo meio, Lógica, Antropologia, Estética, Ética, Epistemologia, Psicanálise, Ontologia e mais não sei quantas Histórias da Filosofia, Filosofia do Conhecimento, das Ideias e da Cultura, da Linguagem...
Mais tarde doses maciças de Gramática, de Literatura, de História e Cultura Italianas, eu sei lá, no total dos dois cursos, umas boas dezenas de disciplinas, todas anuais.
Pelo meio das aulas e do estudo havia as dissertações, as discussões, os testes e os trabalhos, cujo ponto crítico era a defesa oral; escrever nunca me custou. Lembro-me mais das náuseas matinais do que propriamente de ter medo de encarar o professor, mas frequentemente o suor aflorava na palma das mãos quando ia ao quadro apresentar os meus trabalhos virada para a turma. 
Mesmo sendo já professora quando estudei Italiano, o facto de ali ser aluna, fazia toda a diferença. E a tensão era proporcional à responsabilidade e ao empenhamento.
Orgulho-me dos meus estudos e não os trocaria por nada. Prezo muito as Instituições de prestígio que frequentei e posso dizer que honro os meus diplomas.
Talvez por isso, vejo com dificuldade a mixórdia de cursos superiores que hoje se concedem a troco de equivalências (ou pior do que isso). Os casos de Sócrates ou Relvas devem ser apenas a ponta do icebergue de muitos casos de cursos comprados. 
Não sei se a Universidade em questão é ou não uma casa respeitável, mas todo o ruído à volta destes casos deixa-me francamente mal impressionada. 
Se por uma trágica reviravolta do destino, um dia perder a vergonha, vou lá bater à porta. Com muitos anos de serviço e já tendo feito uma enorme diversidade de tarefas na minha experiência profissional, pode ser que saia de lá com um doutoramento pret-à-porter.
Nessa altura estarei pronta para ingressar numa carreira política.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Para onde foi a Cultura Clássica?



Em questão o declínio ou mesmo desaparecimento das línguas clássicas e também dos cursos técnicos e profissionalizantes. Reformas "eduquesas" debatidas por Maria do Carmo Vieira e Medina Carreira.

domingo, 20 de maio de 2012

Sobre os mega-agrupamentos escolares



Em Portugal, no que respeita à Educação, às vezes tenho a sensação de que os órgãos que tomam as decisões devem pensar que por cá a Terra gira ao contrário. 
É muito estranho, bastaria ler os sinais do que vai pelo mundo para evitar a tempo o tsunami.
Todos os que experimentaram já se arrependeram deste disparate dos mega-agrupamentos e estão a voltar a unidades de ensino mais pequenas, 300, 400, 600 alunos no máximo. São muitas as experiências a respeito da inversão desta tendência. Mas, por cá, como sempre, temos de bater no fundo para a seguir acordar. Entretanto, sofrer os altos custos dos erros sucessivos. 
O que fazer? Parece que só os cifrões importam, pouco ou nada as pessoas.


Notícia aqui.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pingo muito pouco Doce

As imagens da afluência às lojas da cadeia Pingo Doce difundidas hoje pela televisão, são bastante inquietantes. Tendo em conta os níveis crescentes de desemprego e endividamento excessivo de um grande número de famílias portuguesas, fiquei perplexa por ver a enorme massa de gente que se precipitou para as compras para adquirir toneladas de géneros, como se vivesse em pleno desafogo económico.
Consideremos que 50% de desconto é dinheiro. Mas a poupança só poderia funcionar em despesas superiores a 100 euros. Analisemos então por partes a questão.
Primeiro de tudo, é preciso ter mais de 100 euros disponíveis para gastar num só dia, sem que isso vá colocar em cheque o equilíbrio dos dias seguintes; segundo, um grande número de famílias gastou quantias acima dos 400 euros, algumas mais de 800 euros; terceiro, esgotou um grande número de bebidas alcoólicas, o que está muito longe de ser um bem de primeira necessidade e ainda mais para um povo com tantos desempregados e endividados. 
Felizmente (ainda!) não é o meu caso, mas sinto-me empobrecer gradualmente desde o ano passado e embora não precise de passar fome, também não me passa pela cabeça atafulhar a despensa da casa, como se viesse aí a guerra ou um qualquer cataclismo amanhã.
Pergunto-me: terão essas compras sido maioritariamente em débito direto ou a crédito? Como terão ficado os plafonds?
A minha avó costumava dizer um provérbio engraçado e que aqui serve como uma luva: "de tanto que te queres benzer, ainda partes a cara!" 
Como farão os açambarcadores que, soberba e egoisticamente, limparam tudo quanto havia nas prateleiras, (rompendo stocks e deixando à míngua quem só lá foi à procura de pão ou leite), para gerir os cartões de crédito?
De duas uma: ou têm muito dinheiro e não há problemas de plafond, e, nesse caso, também não precisam de ir aos saldos de comida; ou não têm, e se endividaram, o que é manifestamente um disparate, ainda mais na presente situação.
Sou frontalmente contra que haja supermercados e quejandos abertos aos feriados, ainda por cima no dia 1º de maio, em que os trabalhadores de todo o mundo reivindicam o direito a descansar. 
Por outro lado, a empresa em questão está a incorrer numa concorrência desleal para com as suas congéneres que eventualmente tenham encerrado. 
Por fim, penso que não se deve comprar a não ser aquilo de que se precisa. Só porque há desconto, vamos atafulhar o carrinho de compras de tudo e mais alguma coisa? Para quê? É o espetro da fome ou um consumismo desenfreado? Em qualquer dos casos é grave e sério e deve deixar-nos a pensar.
Haverá ainda resquícios de outras épocas, em que as populações se viram forçadas ao racionamento dos géneros alimentares mais básicos? Ou, pelo contrário, estes comportamentos decorrem de anos mais recentes em que algum desafogo económico instalou maus hábitos de consumo nos portugueses?
Por todas as razões e mais algumas, o que se passou hoje deixa-me preocupada e inquieta, também pelos sinais que deixa transparecer: histeria, descontrole, falta de auto-regulação, falta de educação e de civismo, tendo chegado nalguns casos à violência física. Uns comiam tudo o que podiam sem pagar, outros partiam garrafas de bebidas, outros saqueavam: o Caos!
Já não vou aos estádios de futebol há muitos anos. Não me obriguem a começar a ir aos hipermercados de capacete e joelheiras. Ou passarei a fazer compras apenas nos mercados tradicionais, pois estas cenas não me assistem!


(Imagens do FB, cuja autoria não foi possível identificar)

Ver a notícia do Público: "Parece o fim do mundo"

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Quero turmas como esta...

(c) Charles Schulz

... e garanto-vos um ensino personalizado e com muita qualidade!

O que muda?


1. Número mínimo de alunos para constituição de turma, do 5º ao 12º ano, é de 26. Número máximo: 30. Há um acréscimo de 2 alunos. Em agrupamentos de grande dimensão provoca redução de turmas.
2. Número mínimo de alunos para funcionamento de disciplinas de opção, ofertas de escola, nos 7º e 8º anos: 20 alunos.
3. Número mínimo de alunos para abertura de turma de ensino recorrente: 30 alunos. Caso se verifiquem mais de 5 abandonos a turma é dissolvida, sendo os restantes alunos transferidos para outra turma ou outra escola.
4. Mantém o critério da heterogeneidade na formação de turmas mas permite que os diretores usem outros critérios para constituição de turmas. A utilização de outros critérios carece de aprovação em conselho pedagógico.

A melhor "festa" ainda está para chegar


Os governantes devem estar loucos!

"Provavelmente face ao reconhecimento pela OCDE de que se mantêm em níveis muito elevados os índices de insucesso dos alunos portugueses, o MEC acaba de decretar o aumento do número de alunos por turma nos ensinos básico e secundário (mínimo de 26 e máximo de 30). 

Nuno Crato dá assim cumprimento ao seu axioma de que a qualidade das aprendizagens dos alunos é diretamente proporcional à grandeza numérica da turma em que se inserem. Vitor Gaspar vê assim cumprida a norma orçamental que impõe esta medida.
A FENPROF discorda de mais este atentado à qualidade do ensino e reafirma a exigência de redução do número de alunos por turma."
O Secretariado Nacional da FENPROF
12/04/2012

Este cartoon faz-me lembrar do meu primeiro ano, em que eu, caloira, sem praxes nem padrinhos, mas muita vontade de estudar, encontrei ao entrar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa uma turma de 263 alunos. 
Tratava-se da cadeira de Filosofia do Conhecimento, lecionada pelo Professor José Barata-Moura, homem de muito bom trato e voz de cantor, bem colocada e auxiliada pelo respetivo microfone, que tinha de ser ministrada no Grande Anfiteatro. 
Cada aula era uma espécie de conferência e nós, os caloiros, um atento auditório que tudo sorvia com evidente prazer. Corria o ano de 1978 e o que menos importava era o tamanho da turma. 
Depois de ter havido anos em que não entrou ninguém nas Universidades, anos de serviço cívico, anos propedêuticos e outras "coisas", que, por estranhas que parecessem, se enquadravam compreensivelmente num país em convulsão e à procura de um rumo, o tamanho das turmas não importava mesmo nada.
Contei-vos a história enquanto aluna: as condições não eram boas, mas os alunos eram todos maiores de 18 anos e tinham escolhido um curso superior, o qual frequentavam por livre vontade.
Hoje os argumentos são bem outros: reina uma ditadura de economicismo a todo o custo. Nem que para reduzir os gastos se pervertam as mais elementares condições de trabalho dos docentes.
Nada do que vivi em 78 é comparável àquilo que vai ser imposto a docentes e alunos, do 5º ao 12º ano, sendo que todos esses anos de ensino são de frequência obrigatória. Com alunos com Necessidades Educativas Especiais e turmas enormes, como se faz um ensino personalizado, diferenciado, etc.? Com os encarregados de educação a exigirem uma atenção individualizada aos problemas específicos de cada criança...
Como, senhores governantes??? 
Não se pode fazer omeletes sem ovos, nem o milagre da multiplicação dos saberes, quando as variáveis concretas em jogo o impossibilitam.
Não poderei contar ainda a história do que isto vai ser enquanto professora; contar-vos-ei quando as mais básicas competências físicas se tiverem já arruinado, perante a degradação de todas as condições de trabalho que eu considero expectáveis para um ensino de qualidade. 
Ou então, dêem-me um anfiteatro com microfone, um auditório com população discente maior de 18 anos e com uma opção de curso conscientemente escolhida. 
Depois sim, poderemos falar de qualidade, ok?

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Desfaçatez



Um aluno do 5º ano, com 10 anos de idade é apanhado a copiar num teste via sms.
Do outro lado do telemóvel estava... a mãe da criança!

É caso para dizer: quem será a mãe da criança, que ainda nem sequer compareceu no agrupamento!

O petiz, a continuar assim, instruído por tão zelosa educadora, tem assegurado um belo futuro no mundo das fraudes académicas e vai, quem sabe, licenciar-se a um domingo.

E depois dizem que a Escola é que não educa!!??

Ver aqui a notícia.