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sexta-feira, 8 de março de 2019

We can do it!

«Até à década de 70, na classe social a que eu pertencia, era escasso o número de mulheres que faziam uma escolha de vida idêntica à minha, ou que alinhavam nas iniciativas da Oposição Democrática. Havia uma espécie de cerco social, familiar e religioso, a entrincheirá-las – mesmo nas hostes oposicionistas da geração dos mais velhos, reféns de uma moral social, mais ou menos assumida, em que “a política era para os homens, e à mulher cabia um papel estabilizador da família, o amparo dos filhos e pais e o repouso do guerreiro”. 

Talvez por isso, são bastante conhecidas as mulheres que, durante o fascismo, se destacaram publicamente, e a sua memória individual tem sido, de algum modo, preservada. Se, hoje em dia, falamos de mulheres na oposição ao regime – ligadas a diferentes sectores ideológicos – há, de facto, dezenas de nomes de dirigentes estudantis, de prestigiadas figuras políticas e de intelectuais que nos vêm à cabeça: já desaparecidas ou ainda vivas, integram o património humano da Resistência urbana contra a ditadura. E, no entanto, desde a década de 40, era bem mais expressiva a representação das mulheres trabalhadoras em muitas regiões do país, nas lutas económicas e nas greves, quer operárias, quer na agricultura. 

Durante a ditadura fascista, a ala das mulheres do Forte de Caxias espelhava frequentemente essa realidade. Mulheres sem nome escrito na memória da oposição democrática. A Catarina Eufémia cedo se tornou um exemplo dessas outras combatentes. Assassinada a tiro pela GNR, quando reclamava um mísero aumento para as ceifeiras do latifúndio em que era assalariada, surgiu, ainda sob o fascismo, como ícone dos duros combates travados por elas, pelo direito ao trabalho e por um salário minimamente condigno. Porém, haverá centenas e centenas de mulheres que não foram nunca homenageadas; a quem o estado democrático não deu nunca voz na comunicação social; e que, só pontualmente, testemunharam publicamente as suas vivências. São a face feminina de um sem número de participantes activos nas lutas contra a ditadura - obreiros, eles e elas, das condições para a implantação da democracia. Ao longo de 48 anos, houve milhares de pessoas que foram detidas, que foram presas e torturadas, que morreram, que foram barbaramente espancadas, que sofreram o exílio, que foram expulsas do ensino, que perderam o trabalho, que se recusaram a partir para a guerra contra os povos das colónias. São batalhões de mulheres e homens abnegados, devotados a uma causa, sem anseio de heroicidade. Pagaram o custo da repressão por darem passos em frente, arriscando tudo, empenhando-se em lutas por melhores condições de vida e de ensino e por direitos de cidadania, na perspectiva de virem a alcançar um estado de direito, em paz, em democracia e com liberdade. Lutas que foram fragilizando o regime. A Revolução de Abril não nasceu do nada.
Mas a repressão e a brutalidade das polícias políticas e afins abatiam-se ferozmente sobre as mulheres, qualquer que fosse a sua origem social, sempre que se atreviam a enfrentar a ditadura. Com especificidades que faziam delas vítimas de violência acrescida, pela sua condição de mães, pela sua maior fragilidade física, pela sua maior vulnerabilidade. A condição feminina e a maternidade tornavam-nas alvos de um tratamento especial. No momento da prisão, nos interrogatórios e na tortura, muitas mulheres eram ameaçadas, chantageadas e humilhadas. Eles ajustavam, criteriosamente, a cada estrato social, as ameaças que faziam, os espancamentos, as palavras que usavam, as ordens que davam. Mas as torturas eram psicologicamente estudadas para nos provocarem na nossa fragilidade física e nos violarem no nosso pudor feminino, com o objectivo de verem a primeira cedência na firmeza que os desesperava. Depois, era a escalada da violência. Se é sinistro todo historial repressivo da PIDE, é aterradora a narrativa que nos chega de mulheres vítimas das atrocidades a que foram submetidas. Sobressaem como particularmente maquiavélicas.

O encarceramento de companheiras com os seus filhos tornava extraordinariamente doloroso o tempo de prisão a que eram submetidas. Vivi durante meses numa cela com a Maria, uma trabalhadora rural que tinha consigo uma criança de cerca de um ano e meio. Quatro metros quadrados, se tanto, que mãe e filho partilhavam com mais duas presas. Eram já perturbantes os sinais de transtorno psicológico da criança e continuava sem poder ir ao recreio e privada de espaço e de sol.

Parecendo condenadas a permanecerem ocultas na História recente do nosso país, estas mulheres vêm, aos poucos, saindo do anonimato. Acontece pela escrita de memórias de antifascistas, ou em documentos cinematográficos como o de Susana Sousa Dias, mas é sobretudo pela mão de historiadores (nomeadamente de Irene Pimentel, uma mulher que não pára na sua investigação apontada ao fascismo) que vemos nomes e factos a emergirem para níveis de divulgação.

Estou certa de que as crianças e os jovens precisam deste género de testemunhos, e de narrativas que ultrapassem as “frases feitas”, que pouco lhes dizem, para se abrirem ao conhecimento da realidade da ditadura de Salazar e Marcelo Caetano. Só assim os parágrafos frios e secos dos manuais escolares - em que se aborda este período negro da História de Portugal - ganham, aos seus olhos, vida e emoção. Há uma História viva ainda ao alcance destes jovens, o que é meio caminho andado para a motivação que, no futuro, pode fazer deles os ativistas que hão-de render-nos num movimento que não deixe apagar a memória.»
(Excerto de uma intervenção na UMAR, em Novembro de 2012)

A verdade sobre o Dia Internacional da Mulher


Durante séculos, o papel da mulher incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa. Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar. Com o incremento da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX, muitas mulheres passaram a exercer uma atividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta na Europa e nos EUA.
A lenda do Dia Internacional da Mulher como tendo surgido na sequência de uma greve, realizada em 8 de Março de 1857, por trabalhadoras de uma fábrica de fiação ou por costureiras de calçado - e que tem sido veiculada por muitos órgãos de informação - não tem qualquer rigor histórico, embora seja uma história de sacrifício e morte que cai bem como mito.
Em 1982, duas investigadoras, Liliane Kandel e Françoise Picq, demonstraram que a famosa greve feminina de 1857, que estaria na origem do 8 de Março, pura e simplesmente não aconteceu, não vem noticiada nem mencionada em qualquer jornal norte-americano, mas todos os anos milhares de órgãos de comunicação social contam a história como sendo verdadeira («Uma mentira constantemente repetida acaba por se tornar verdade»).
Verdade é que em 1909, um grupo de mulheres socialistas norte-americanas se reuniu num "party’, numa jornada pela igualdade dos direitos cívicos, que estabeleceu criar um dia especial para a mulher, que nesse ano aconteceu a 28 de Fevereiro. Ficou então acordado comemorar-se este dia no último domingo de Fevereiro de cada ano, o que nem sempre foi cumprido.
A fixação do dia 8 de Março apenas ocorreu depois da 3ª Internacional Comunista, com mulheres como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin. A data escolhida foi a do dia da manifestação das mulheres de São Petersburgo, que reclamaram pão e o regresso dos soldados. Esta manifestação ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 1917, que, no Calendário Gregoriano (o nosso), é o dia 8 de Março. Só a partir daqui, se pode falar em 8 de Março, embora apenas depois da II Guerra Mundial esse dia tenha tomado a dimensão que foi crescendo até à importância que hoje lhe damos.
A partir de 1960, essa tradição recomeçou como grande acontecimento internacional, desprovido, pouco e pouco, da sua origem socialista.
Se consultarmos o calendário perpétuo e digitarmos o ano de 1857, poderemos verificar que o 8 de Março calhou a um domingo, dia de descanso semanal, pelo que, em princípio, nunca ocorreria uma greve nesse dia. Há quem argumente, no entanto, que, durante o século XIX, a situação da mulher nas fábricas dos Estados Unidos era de tal modo dramática que trabalharia 7 dias por semana.
Desde 1975, em sinal de apreço pela luta então encetada, as Nações Unidas decidiram consagrar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.

Fonte: www.leme.pt
- Pesquisa efectuada por Maria Luísa V. Paiva Boléo

Cortesia de Tita Fan

Direitos das Mulheres


Soube do e-mail do ministro da Educação para que todos os funcionários da Av. 24 de Julho se concentrassem na esquina com a Av. Infante Santo às 12 horas para honrar o dia de luto nacional pelas vítimas da violência doméstica, que, infelizmente, continua a registar números absolutamente alarmantes.
Não só hoje mas em todos os restantes dias do ano, é mais do que tempo de encarar as mulheres como parceiras, com direitos iguais e não mais como seres inferiores e sacos de pancada.

Em honra do Dia Internacional da Mulher


Vamos celebrar as contribuições das mulheres que mudam o nosso mundo e o nosso futuro. 
"Não esperem que outra pessoa venha falar por vocês. As vossas ações é que mudam o mundo."
Malala Yousafzai

Às Mulheres


“A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher – cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama
E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração
Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha
Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são
A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade
Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher”
(José Carlos Ary dos Santos)

Dia Internacional da Mulher


"Merece uma pequena homenagem: a republicação de uma ilustração de PEARL, a musa do blogue PÉROLA DE CULTURA, que produzi há anos para o 2º aniversário deste blogue."

Luís Diferr

A todas as mulheres do mundo.

(Pintura de autor que não foi possível identificar)
Agora que sinto amor
Tenho interesse no que cheira.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia. 
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.
Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"

À memória de Maria João Seco, que partiu a 27 de Fevereiro de 2018.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Recordar Marie Curie em homenagem ao Dia da Mulher




Em resposta ao deputado polaco do Parlamento Europeu, que defendeu que as mulheres, "por serem inferiores, mais pequenas, mais fracas e menos inteligentes, devem ganhar menos", só me apetece recordar ao senhor e a todos os machistas e retrógrados da Polónia que foi uma polaca a única mulher da História a ganhar dois prémios Nobel da Física, Marie Curie.
Foi Maria Sklodosvska Curie quem descobriu a radioatividade.
E era uma mulher pequenina! Mas uma grande cientista.
Tome lá, senhor deputado Korwin-Mikke, para lhe avivar a memória.
E tenha vergonha e juízo, que já tem idade suficiente para isso.

Dia Internacional da Mulher 2017

Carolina Beatriz Ângelo e Ana de Castro Osório - 1911

Enquanto uma em cada três mulheres no mundo sofrer violência doméstica;
enquanto por cada Euro ganho por um homem, a mulher receber apenas 0,83 cêntimos;
enquanto para a mulher ganhar o mesmo que um homem, tenha de trabalhar mais 61 dias por ano;
enquanto todos os anos morrerem milhares de mulheres vítimas de mutilação genital feminina;
enquanto houver discriminação no acesso aos postos superiores no trabalho e na política;
enquanto houver muitos milhares de mulheres que perdem o emprego por estarem grávidas;
continua a fazer todo o sentido assinalar o Dia Internacional da Mulher.

É bom ter em mente estes dados quando ouvirmos dizer que não se justifica continuar a comemorar este dia.
Muitas morreram para que hoje nós possamos gozar de alguns direitos adquiridos.
Por isso não se trata apenas de festejar, mas de continuar a lutar pela igualdade de direitos e oportunidades.
Feliz Dia da Mulher!

Daniel Craig, como 007, em apoio à Igualdade das mulheres





Traduzi, o mais fielmente possível, o pronunciamento de Judi Dench questionando Daniel Craig, que se vestiu com roupas femininas, numa campanha pela Igualdade das Mulheres:

“Are we equals, 007?


O homem ainda ganha mais do que a mulher pelo desempenho da mesma tarefa.
Ela tem 1 em 100 chances de ter uma carreira política ou tornar-se diretora de uma empresa.
Como homem tens muito menos chances de ser julgado por comportamento promíscuo e praticamente nenhuma chance de sofrer assédio sexual no teu local de trabalho.
30.000 mulheres no Reino Unido perdem os seus empregos por estarem grávidas, enquanto é praticamente impossível um homem ser prejudicado na sua carreira por tornar-se pai.
O mundo mudou, mas em 2011 os números persistem:
2/3 do trabalho bem feito é ainda desempenhado pelas mulheres no mundo, mas apenas 10% recebem proventos dele e apenas 1% detêm a sua propriedade.
Mas isto não diz respeito apenas a questões de poder ou dinheiro.
Em cada ano 70 milhões de raparigas no mundo são privadas de escolaridade básica e estima-se que outros 60 milhões são sexualmente molestadas no seu caminho para a escola.    
Nós temos medo de andar nas ruas à noite sozinhas e algumas de nós ainda temos mais medo de regressar sozinhas a casa.
Uma em cada quatro são vítimas de violência doméstica no Reino Unido e todas as semanas duas mulheres são mortas pelos atuais ou ex-companheiros.

Então 007 somos nós iguais?
Nós dois, sim. Mas nunca deixemos de o perguntar.”

Judi Dench, adjunta de James Bond, o agente secreto 007

8 de Março de 2011, pelo Dia Internacional da Mulher

sexta-feira, 8 de março de 2013

Pelas Mulheres, no seu Dia Internacional

(Imagem cuja autoria não foi possível identificar)

Há que valorizar algumas das coisas boas que ainda temos: por exemplo, a liberdade de nos vestirmos, maquilharmos e pentearmos como queremos, seja pela moda, pelo gosto, ou para agradar aos nossos companheiros. Temos a liberdade de ter amigos do sexo oposto sem que isso seja obsceno ou criticável. Podemos ir ao café e estar com amigos e grupos, sem que isso seja socialmente condenado. Podemos escrever, falar, comunicar e ir a manifestações. Para chegar até aqui, houve atrás de nós gerações e gerações de mulheres e homens sem esses direitos que lutaram para que nós deles pudéssemos vir a usufruir. Temos a liberdade de escolher uma carreira e tentar encontrar um emprego compatível com as nossas aptidões. Temos a liberdade de poder tirar carta de condução e ir onde queremos; as mulheres em Portugal conquistaram, a poder de muitas lutas o direito ao voto e outras formas de paridade. Hoje há mulheres taxistas, para-quedistas, condutoras de camião, pilotos de aviação, polícias, atletas de alta competição, juízas... Valorizemos aquilo que ainda temos e que conseguimos; lutemos para vir a conseguir ainda maior paridade e não permitamos que ninguém nos retire aquilo que é e será nosso por direito próprio. 
Bom Dia das Mulheres!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher, uma história mal contada - 2


No post publicado no dia 9 de março com o título "Dia Internacional da Mulher, uma história mal contada?", lancei honestamente algumas dúvidas de pessoa leiga em História, procurando na sequência esclarecê-las junto de fontes credíveis nesta área.

Obtive entretanto um esclarecimento cabal, que assenta num critério que me satisfaz, que é o das provas. Estou habituada, na Filosofia, às ideias, não aos factos, mas em História não se trabalha desse modo.
Então, partindo daquilo que são as provas factuais, a associação do Dia Internacional da Mulher aos acontecimentos de meados do século XIX (referi nomeadamente o incêndio da fábrica em 1857, onde terão morrido queimadas 129 operárias têxteis, que estariam em greve) já está posta de parte há alguns anos, na medida em que não há comprovação documental dos mesmos. 
Esse acontecimento foi e continua a ser ainda hoje amplamente difundido e associado ao "início" do Dia das Mulheres, como se tivesse sido a sua "pedra fundadora". Efetivamente, parece não haver registo documental que prove este facto, pelo que ele não tem valor científico. 
Assim, e com base nesse critério, considero esclarecida e ultrapassada a controvérsia a propósito da instituição do Dia Internacional das Mulheres, que antecedeu a decisão da data 8 de março, devendo a sua adoção cingir-se aos factos dos quais há provas, excluindo-se todos os dados duvidosos.
Aceita-se hoje associar a instituição do Dia Internacional da Mulher à 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em  Copenhaga em 1910, sob proposta de Clara Zetkin*, embora ainda sem uma data definitiva.


(Agradecimento à Profª Drª Teresa Pinto, investigadora em História Contemporânea e presidente da Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres)


* Clara Zetkin era professora, jornalista e ativista dos direitos das mulheres; viria a ser deputada pelo Partido Comunista da Alemanha, no Reichstag, de 1920 a 1933, durante a República de Weimar. O seu nome ficou como um marco na história do feminismo. (Fonte: Wikipédia)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher, história mal contada?


Está muito difundida uma informação que situa a origem do Dia da Mulher como estando relacionada com uma greve no dia 8 de março de 1857 numa fábrica de New York. 
As operárias têxteis teriam ocupado a fábrica para reivindicar a redução do horário de trabalho de 16 para 10 horas diárias. Essas mulheres recebiam menos de um terço do salário dos homens e teriam sido fechadas dentro da fábrica onde, entretanto, deflagrou um incêndio, tendo ali morrido queimadas 129 delas.

Esta tese é contestada por estudiosos do assunto, que dizem que esse relato é um mito e que nada tem a ver com o que se conhece hoje como o Dia da Mulher; afirma-se então que a tal greve de 1857 nunca existiu. Atribuem sim a origem desta comemoração ao Movimento das Sufragistas, entre 1900 e 1907, que lutaram pelo direito ao voto das mulheres nos EUA e na Inglaterra.

Em 1908 e 1909, em Chicago, nos EUA, é celebrado pela primeira vez o Woman's Day; ele é dinamizado respetivamente pela Federação Autónoma de Mulheres e pelo Partido Socialista Americano, que torna a convocá-lo em 1010, desta vez também em New York.

Nesta cidade a participação no Woman's Day foi grande, sobretudo por parte de operárias têxteis que estavam em greve. Dos 30.000 grevistas, 80% eram mulheres e essa greve, com a duração de três meses, haveria de terminar na véspera do Woman's Day

Em 1911 houve uma nova greve de operários têxteis em New York, tendo-se registado um incêndio por falta de condições de segurança e do qual resultou a morte de 134 grevistas. Nesse ano na Alemanha, comemorava-se o Dia da Mulher a 19 de março, data que foi seguida na Dinamarca e na Suécia; na Rússia foi comemorado pela primeira vez em 1913.

Em 1921 a Conferência das Mulheres Comunistas aprova, na 3ª Internacional, a comemoração do Dia Internacional da Mulher, celebrado a partir de 1922 a 8 de março, em homenagem a todas as mulheres que lutaram por melhores condições de trabalho e pela igualdade de direitos. 

Em 1975-85 é decretada pela ONU a "Década da Mulher" e a data de 8 de março foi oficialmente estabelecida para a comemoração do "Dia Internacional da Mulher". 
Em 1977 a UNESCO torna a publicar a versão das 129 grevistas têxteis fechadas na fábrica e queimadas vivas em 1857. 

E assim se fecha o círculo que nos faz voltar ao início desta história. Qual a verdade?
E depois ainda dizem que os filósofos é que não se entendem uns com os outros! 

Mais detalhes aqui, num documento divulgado pela UMAR.

Cada palavra com sua andorinha

Damas com crisântemos, Seiki Kuroda 
Cada palavra com sua andorinha
para te trazer a Primavera no Verão» disse
E muitas oliveiras
para que peneirem com as mãos a luz
e esta leve se derrame sobre o teu sono
e muitas cigarras
para que não as sintas
tal como não sentes o pulso no teu punho
mas pouca água
para que que a tenhas por divina e entendas o que significa a sua fala
e a árvore só consigo
sem rebanho
para que a faças amiga
e conheças o seu verdadeiro nome
rala sob os teus pés a terra
para que não tenhas onde alargar raízes
e não pares de buscar um pouco de fundo
e vasto por cima o céu
para que por ti sozinho leias a infinidade
ESTE
o mundo, o pequeno, o grande!  
Odisséas Elytis, tradução de Manuel Resende 
(Enviado por Carmela, 8 de Março de 2012)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mensagem importante para o Dia da Mulher

A Mulher na pintura II



O tema do espelho na pintura, um "companheiro" muito presente na vida das mulheres.
Aqui acompanhado pela canção Mirrors, por Sally Oldfield, no ano de 1980. Quem se lembra?
Lindíssimo presente do Dia da Mulher, enviado pela amiga Carmela. Obrigada!

Dia Internacional da Mulher

(c) Thomas J. Abercrombie-March 2011
(National Geographic Photos)

Contrariamente ao que seria de esperar, não me apetece escrever muitas considerações neste Dia Internacional da Mulher.
Acho que há um tempo para as palavras e outro para os silêncios. 
Os olhos vêem e a alma entende.
Há ainda tanto por fazer...

De qualquer modo, no post anterior fica alguma informação histórica e mais abaixo deixo também algumas imagens de pinturas, que considero de uma grande beleza. 
São para todas vós, mulheres, que por aqui passarem. São também para os homens poderem apreciar e se recordarem dos rostos de outros tempos.
Um Feliz Dia Internacional da Mulher para todas as leitoras do Blogue.

O Dia Internacional da Mulher no mundo

 ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ 
"International Women's Day (IWD), originally called International Working Women’s Day, is marked on March 8 every year. In different regions the focus of the celebrations ranges from general celebration of respect, appreciation and love towards women to a celebration for women's economic, political and social achievements. Started as a Socialist political event, the holiday blended in the culture of many countries, primarily Eastern Europe, Russia, and the former Soviet bloc. In many regions, the day lost its political flavour, and became simply an occasion for men to express their love for women in a way somewhat similar to a mixture of Mother's Day and St. Valentine's Day. In other regions, however, the original political and human rights theme designated by the United Nations runs strong, and political and social awareness of the struggles of women worldwide are brought out and examined in a hopeful manner." (Wikipedia)

A Mulher na pintura

Young Woman Before a Mirror, Giovani Bellini, 1515

Nude Woman Riding a White Horse Through The Town /Lady Godiva, John Collier, 1897

The Woman in the Waves - Gustave Courbet

Woman Combing Her Hair, Edgar Degas

A Mulher, segundo Da Vinci e Raffaello

La Donna Velata, Raffaello Sanzio, 1516

Ritratto di Donna, Leonardo Da Vinci

Ritratto di Donna, atribuído a Raffaello Sanzio,1518-20

Ritratto di Giovane atribuído a Leonardo Da Vinci