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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Sabedoria de cão velho


Uma velha senhora foi para um safari em África e levou o seu velho rafeiro com ela.

Um dia andava a velha senhora a caçar borboletas, quando o velho cão, de repente, se deu conta que estava perdido.
Vagueando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebeu que um jovem leopardo o vira e caminhava em sua direcção, com a firme intenção de conseguir um bom e farto almoço.
O velho cão pensou depressa (pois os velhos pensam depressa):
- Oh, oh! Estou mesmo enrascado!
Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão muito próximo de si. Em vez de se apavorar mais ainda, o velho cão, ajeitou-se junto do osso mais próximo e começou a roê-lo, virando as costas ao predador, fingindo que não o tinha visto.
Quando o leopardo estava a ponto de dar o salto a fim de o abocanhar, o velho cão exclamou bem alto:
- Este leopardo estava delicioso! Será que há outros por aí?
Ouvindo isso, o jovem leopardo, com um terrível arrepio na espinha, suspendeu o seu ataque já quase começado, esgueirou-se na direcção das árvores e pensou:
- Caramba! Essa foi por pouco! O velho rafeiro quase me apanhava!
Um macaco, numa árvore ali perto, viu a cena toda e logo imaginou como fazer bom uso do que vira. Em troca de protecção para si, informaria o predador que o cão não havia comido leopardo algum...
E assim, foi rápido em direcção ao leopardo. Mas o velho cão viu-o a correr na direcção do predador em grande velocidade e pensou:
- Aí há marosca...
O macaco logo alcançou o felino, cochichou-lhe o acontecido e fez um acordo com o leopardo.
O jovem leopardo ficou furioso por ter sido enganado e disse:
- Ó macaco, sobe para as minhas costas para veres o que vai acontecer àquele cão abusador...
Agora, o velho cão via um leopardo furioso, vindo em sua direcção, com um macaco nas costas e pensou rápido novamente:
- E agora, o que é que eu faço?
Mas em vez de correr (pois sabia que as suas pernas cansadas não o levariam longe...) sentou-se, mais uma vez de costas para os agressores, fazendo de conta que não os via... Quando estavam suficientemente perto para ouvi-lo, o velho cão disse:
- Mas onde é que anda o sacana daquele macaco? Estou a morrer de fome!.. Disse que me traria outro leopardo e até agora nada!

Moral da história:
Não te metas com pessoas idosas... Idade e habilidade sobrepõem-se à juventude e à intriga. A sabedoria chega com a idade e a experiência.

(Enviado por Margarida S.F.)

terça-feira, 14 de julho de 2009

Os treze pirilampos


Era uma vez treze pirilampos que se cruzaram numa curva de um caminho tortuoso e decidiram juntar as suas ténues luzinhas num laborioso percurso intelectual.

Atravessando muitas jornadas debaixo de calor intenso, subiram da antiga Torre de Babel até ao Éter da Blogosfera, passearam-se pela fantasia mágica de pinturas evocativas da História dos Homens e percorreram o labor do seu pensar, desbravar e entender as coisas do mundo.

No fim desta viagem os pirilampos mais pareciam faróis, e, tal era a intensidade da sua luz, que selaram promessas de não deixar esmorecer nunca mais o seu brilho.

Aos meus colegas e à minha orientadora, neste dia muito especial.

terça-feira, 24 de março de 2009

Fábula: o rei e o seu povo


«Um rei conduzia o seu povo, nómada, famélico, desesperado, para uma ilha verdejante e fértil que conhecia. Para chegar à ilha havia que atravessar a pé enxuto uma língua de areia de muitas milhas, aproveitando a maré baixa. O percurso tinha de ser feito em exactamente uma hora, o tempo que durava o vau. Mas o povo tinha tanta fome que se foi atardando na recolha dos mariscos que abundavam na língua de areia. Bem bradou o rei e ameaçou e fez distribuir varadas e castigos: o povo não despegava de achar mariscos e comê-los logo ali, mesmo crus. Não tardou que a maré viesse impetuosa, à velocidade do galope de um cavalo. Os quinhentos e setenta e sete membros daquela caravana, que formavam todo o povo, pereceram afogados.
E depois? Olhem: chegou o rei sozinho à ilha e aí ficou rei sem povo.»

Mário de Carvalho, Fabulário

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Fábula: a cobra e o pirilampo


Era uma vez uma cobra que começou a perseguir um pirilampo. Ele fugiu com medo da feroz predadora, mas a cobra não desistia. Um dia, já sem forças, o pirilampo parou e disse à cobra:
- Posso fazer três perguntas?
- Podes. Não costumo abrir esse precedente, mas já que te vou comer, podes perguntar.
- Pertenço à tua cadeia alimentar?
- Não.
- Fiz-te alguma coisa?
- Não.
- Então porque é que me queres comer?
- PORQUE NÃO SUPORTO VER-TE BRILHAR!!