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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Cansaço

Lady Blitz (c) Luís Diferr, 1988

Cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah, com que felicidade, infecundo cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

(Enviado por Becas)

sexta-feira, 3 de maio de 2013

António Vieira atual em 2013

 "Tudo quanto tenta e intenta o diabo em um poderoso, tudo leva ao cabo, ou seja nos pecados de homem, ou nos de ministro. Nos pecados de homem, se se ajunta o poder com o apetite, não há honra, não há honestidade, não há estado, nem ainda profissão, por sagrada que seja, que se não empreenda, que se não conquiste, que se não sujeite, que se não descomponha. E nos pecados de ministro, se o poder se ajunta com a ambição, com a soberba, com o ódio, com a vingança, com a inveja, com o respeito, com a adulação, não há lei humana, nem divina, que se não atropele, não há merecimento que se não aniquile, não há capacidade que se não levante, não há pobreza, nem miséria, nem lágrimas que se não acrescentem, não há injustiça que se não aprove, não há violência, não há crueldade, não há tirania que se não execute.” 

- Padre António Vieira, Sermão da Primeira Dominga do Advento [1652].

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A “Comunicação” até Gutenberg – (apontamentos)



Os homens sentiram sempre uma grande necessidade de comunicação, (as pinturas rupestres são disso os primeiros exemplos), e através dos tempos,  foram vários os suportes e meios utilizados, que têm sido uma importante fonte de informação para o estudo da história das civilizações.

A escrita pictográfica, base da escrita cuneiforme e dos hieróglifos é a origem de todas as formas de escrita e continua a ser utilizada. A escrita ideográfica surge como evolução da escrita pictográfica e os seus símbolos já representam objetos, ideias ou palavras completas associadas aos sons nas diversas línguas.
Verifica-se, assim, na evolução da escrita duas fases essenciais a ideográfica e a fonética.
Os sumérios que com os semitas formaram a Mesopotâmia no 4º. Milénio AC, considerados os inventores da escrita, mais de 20000 ideogramas, importante feito pela sua precisão e detalhe na fixação dos factos e pensamentos, começaram com um sistema pictográfico. Os símbolos sumérios eram desenhados na argila com um caniço afiado chamado estilete. Com o passar dos tempos em vez de traçar riscos passaram a imprimir com uma lâmina talhada em bisel, dando na argila a aparência de pregos ou cunhas, de onde derivou o nome cuneiforme.
Têm sido descobertas milhares de tabuinhas de argila de todos os tamanhos e épocas, não só com registos de negócios mas até cartas pessoais.
A escrita cuneiforme só foi possível ser decifrada através da “Inscrição de Behistun” (Monte Behistun-Irão), descoberta em 1598, texto escrito em três línguas e alfabetos diferentes. Foi uma investigação longa em que se destacaram o alemão Georg Grotefend que, em 1802, descobriu a chave para a decifração da escrita cuneiforme e o inglês Henry Rawlinson que desenvolveu um trabalho difícil e intenso, até que o sistema de escrita fosse totalmente descrito em 1847. A sua importância é comparável à “Pedra de Rosetta”, chave principal da decifração dos hieróglifos, descoberta em 1799, um decreto grafado em hieróglifos e em grego. Foi estudando e comparando esses escritos com outra inscrição bilingue de um obelisco, que Jean-François Champollion conseguiu em 1822 o grande mérito da completa decifração da escrita egípcia.

Uma nova escrita surgiu com o alfabeto fenício composto de 22 letras/sinais, só consoantes, que os gregos aperfeiçoaram e a partir do qual se formou de entre outros o alfabeto latino, que os romanos disseminaram. Na Idade Média iniciou-se uma atividade de reprodução manual de vários textos, sendo exercida principalmente nos mosteiros por grupos de monges. Livros começaram, então, a ser artesanalmente fabricados. Contudo, aumentada a procura, começou a ser utilizada a xilogravura que permitia produzir mais exemplares, mas nem mesmo as técnicas artesanais de gravura conseguiam atender ao aumento da procura de livros.
 A grande revolução aconteceu quando o gráfico alemão Gutenberg, por volta de 1439, introduziu a forma moderna de impressão, passando a utilizar "Tipos Móveis", em liga de metal, na sua prensa, possibilitando a produção e divulgação alargada do livro e, também, uma grande economia de custos para as gráficas e para os leitores. A sua maior obra foi a "Bíblia de Gutenberg", de grande qualidade técnica e estética.
Em 1899, o A&E Network classificou Gutenberg como o nº 1 na sua relação das "Pessoas do Milénio". Em 1997, a revista Time-Life escolheu a invenção de Gutenberg como a mais importante do segundo milénio. O verbete Johann Gutenberg da Catholic Encyclopedia descreve a sua invenção como tendo um impacto cultural praticamente sem paralelo na Era Cristã.

Outras fontes:
Documentário da RTP2-Notícias da Mesopotâmia, por Jean Bottero-1995
tipógrafos.net-História  da tipografia;
amaury.pro.br/textos/Escrita-História;
Wikipédia
Alfabetos-www.multimedia.pt/musevirtpress/

Tita Fan


(c) José Ruy, Gutenberg

Nos próximos dias publicaremos uma série de pranchas dedicadas a Gutenberg desenhadas por José Ruy em 1945.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Aniversário de Antero de Quental

(O Google assinala o 170º aniversário de Antero de Quental com este grafismo)

"A poesia é a confissão sincera do pensamento mais íntimo de uma idade! Antero de Quental

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mensagem importante para o Dia da Mulher

O Dia Internacional da Mulher no mundo

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"International Women's Day (IWD), originally called International Working Women’s Day, is marked on March 8 every year. In different regions the focus of the celebrations ranges from general celebration of respect, appreciation and love towards women to a celebration for women's economic, political and social achievements. Started as a Socialist political event, the holiday blended in the culture of many countries, primarily Eastern Europe, Russia, and the former Soviet bloc. In many regions, the day lost its political flavour, and became simply an occasion for men to express their love for women in a way somewhat similar to a mixture of Mother's Day and St. Valentine's Day. In other regions, however, the original political and human rights theme designated by the United Nations runs strong, and political and social awareness of the struggles of women worldwide are brought out and examined in a hopeful manner." (Wikipedia)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A propósito da greve de amanhã

Grafismo de (c) Luís Diferr

"Nada é impossível de mudar.Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar."
Bertolt Brecht

terça-feira, 19 de janeiro de 2010