domingo, 10 de julho de 2011

"A Rota do Incenso e das Especiarias" no Iémen Antigo


Entre os sec. VIII A.C. e o sec. VI D.C., o Iémen antigo foi dominado por seis estados principais, que umas vezes rivalizavam, outras se aliavam com o fim de controlar rigidamente e monopolizar o lucrativo comércio do incenso e de outras mercadorias preciosas. O contrabando ou o desvio da rota fixada era crime punido com a morte.

Os reinos antigos

Para a população contemporânea é difícil entender a importância do incenso ou da mirra no mundo antigo. Se o primeiro era imprescindível em todas as cerimónias religiosas, a mirra era essencial nos embalsamentos e, adicionada à cal, conferia brilho às paredes das habitações.


Hadhramaut ou Hadramawt

No Hadhamaut/Hadhramawt, grandes fornos eram (são) conservados acesos dia e noite para o fabrico da cal, muito necessária para a conservação dos edifícios bastante vulneráveis, construídos com tijolos fabricados de adobe, segundo técnicas milenares, e secos ao sol.

Segundo Plíneo o Velho, Shawa, capital do Hadhramaut, era a cidade dos 60 templos. Esplendorosa e de arquitetura singular. As habitações tinham de 5 a 7 andares, habitadas por uma só família (só ruínas, agora).

Shivta, cidade no deserto na rota do incenso

Hadhramaut foi o grande produtor do incenso. Ali existia outrora, em abundância, a árvore de onde se extraía a resina, fazendo-se à volta da sua recolha grande segredo, o que deu lugar a várias lendas. Heródoto conta que em torno de cada árvore voavam serpentes aladas, para a proteger. Hoje estão praticamente extintas e apenas nas grandes alturas desérticas se podem encontrar algumas. Os que se dedicam à recolha da resina percorrem a montanha, durante dias, para fazer as incisões nas árvores cujas lágrimas ficam a secar ao sol e só depois são recolhidas com o auxílio de um raspador.

Cão de caça - Hadhramaut

Com um importante porto, "Cane", de intenso comércio marítimo (hoje coberto de areia), por onde entravam as especiarias e todas as mercadorias vindas dos reinos mais a oriente, foi um dos estados marcantes, sendo, pois, dos primeiros grandes reinos caravaneiros (os camelos foram domesticados a partir de 1400 A.C.).

De Cane partia uma rota de caravaneiros até Shawa, capital do Hadhramaut, centro de agrupamento de caravanas e aí, juntando-se à rota do incenso, percorriam, durante mais ou menos 6 meses, todo o deserto e todos os 56 postos de "parada" até ao porto de Gaza, de onde as preciosas mercadorias seguiam para a Síria, Egipto, para todo o império romano e poderem ser desfrutados os aromas, o sabor dos condimentos orientais e também o sal, útil para cozinhar e conservar os alimentos.

Rota do incenso entre Petra e Gaza

No Hadhramaut existia (existe), também, a exploração do sal à força de picaretas e cantorias e com a utilização de métodos muito primitivos.
Em 1985 foram encontradas, para além de casas, um templo e uma alfândega.
Algumas das relíquias descobertas encontram-se no museu em Ataq, capital da atual Shawan.

Shiban, a Manhatan do deserto


Shiban ou Sheiban, a cidade fortificada, que foi, mais tardiamente, durante muito tempo, capital do Hadhramaut (tem edifícios do séc. XVI, considerados os primeiros arranha-céus do mundo), foi considerada Património Mundial da Humanidade em 1982, pela Unesco.

O sul da Arábia é ainda uma terra de mistério. Os arqueólogos têm à sua frente muitos desafios e será possível que algumas descobertas futuras possam vir a rivalizar ou mesmo ofuscar as lendas que deram à região o seu histórico nome "Arábia Felix".

(Texto inspirado em séries televisivas
Consultas:História do Iémen Antigo ( Reino do Hadhramaut); Rota do incenso e das especiarias - Wikipédia)


Tita Fan

Ausência

 
Em nome da tua ausência
Construí com loucura
Uma grande casa branca
E ao longo das paredes te chorei...

Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 9 de julho de 2011

Maria José Nogueira Pinto - crónica póstuma

"Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.
Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará."

Ler aqui a crónica completa.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mais uma proposta para derrubar esta ADD

Desta vez partirá do PCP mais uma tentativa para derrubar o actual modelo de avaliação de desempenho docente (ADD). Miguel Tiago comunicou que o PCP apresentará a proposta no parlamento na segunda-feira. Cá por mim, já me tornei como S. Tomé.

Ler aqui.

100 anos da descoberta de Machu-Picchu


Assinalou-se com pompa e circunstância o centenário da descoberta da cidade Inca pelos americanos. Situada no Peru em local de difícil acesso, na zona de Cuzco, antiga capital do Império Inca, Machu-Picchu foi construída a 2430 metros de altitude.

A cidade foi desconhecida de quase todo o mundo até 1911, altura em que as suas ruínas foram descobertas por Hiram Bingham. Em 1983 foi considerada pela Unesco como património mundial da humanidade e em 2007 foi eleita uma das sete maravilhas do mundo construídas pelo homem.

"Hiram Bingham, um académico de Yale (...) chegou ao local no dia 24 de julho de 1911 à frente de uma expedição científica.

O país decidiu fazer a festa no dia 7 de Julho porque se assinalam os quatro anos desde que Machu Picchu foi considerada uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno pela fundação New7Wonders."
(TVI24)



quinta-feira, 7 de julho de 2011

Louis Armstrong morreu há 40 anos



Fotogaleria aqui.

ADD - ainda haverá quem acredite na seriedade deste processo?


Hoje estive numa reunião com pessoas de muitas escolas diferentes e fiquei boquiaberta com aquilo que ouvi em discurso directo: desde relatores que tencionam atribuir a nota máxima de 10 a todos os colegas avaliados, até outros colegas em cujas escolas todos os professores vão ser "corridos a 7", medida já anunciada e que desconsidera completamente o papel dos relatores.

Há de tudo. Escolas que admitem dezenas de evidências, incluindo filmes e fotografias, até outras onde há Relatórios de Auto-Avaliação a ser devolvidos se não forem devidamente mastigados com "a papinha toda feita", isto é: neste caso exige-se o preenchimento de todos os itens correspondentes a cada um dos domínios, caso contrário o relator "não sabe onde enquadrar a informação", e logo, atribuir a classificação...

Outras há que admitem um Relatório em texto normal; outras em que o querem agrupado nas dimensões.... uns com tabelas e quadrinhos, cabeçalho e esquadrias. Outras em folhas brancas sem nada a não ser o número da página em rodapé. Outras onde ainda ninguém fez nada porque todos estão à espera que a ADD caia!

O que se está a passar é verdadeiramente surrealista, ultrapassa as minhas piores expectativas e é gerador de muitas desigualdades por esse país fora. E só por isso esta ADD merecia ser impugnada.

Vim para casa estarrecida! E estarrecida continuei depois de confirmar aqui aquilo que já sabia e ler ainda outras coisas que mais parecem piadas de mau gosto.

Vão desculpar-me os colegas que são pessoas honestas, que as há, e que têm tentado encarar este trabalho com seriedade, mas isto não passa de mais uma farsa! E só me ocorre perguntar: ainda haverá quem acredite na bondade deste processo?

Há cidades cor de pérola



Há cidades cor de pérola onde as mulheres existem velozmente.
Onde às vezes param, e são morosas por dentro.
Há cidades absolutas,
trabalhadas interiormente pelo pensamento das mulheres.
Lugares límpidos e depois nocturnos,
vistos ao alto como um fogo antigo,
ou como um fogo juvenil.
Vistos fixamente abaixados nas águas celestes.
Há lugares de um esplendor virgem,
com mulheres puras cujas mãos estremecem.
Mulheres que imaginam num supremo silêncio,
elevando-se sobre as pancadas da minha arte interior.

Há cidades esquecidas pelas semanas fora.
Emoções onde vivo sem orelhas nem dedos.
Onde consumo uma amizade bárbara.
Um amor levitante.
Zona que se refere aos meus dons desconhecidos.
Há fervorosas e leves cidades sob os arcos pensadores.
Para que algumas mulheres sejam cândidas.
Para que alguém bata em mim no alto da noite e me diga
o terror de semanas desaparecidas.
Eu durmo no ar dessas cidades femininas
cujos espinhos e sangues me inspiram o fundo da vida.
Nelas queimo o mês que me pertence.
o minha loucura, escada sobre escada.

MuIheres que eu amo com um desespero fulminante,
a quem beijo os pés supostos entre pensamento e movimento.
Cujo nome belo e sufocante digo com terror, com alegria.
Em que toco levemente
Imente a boca brutal.
Há mulheres que colocam cidades doces e formidáveis no espaço,
dentro de ténues pérolas.
Que racham a luz de alto a baixo
e criam uma insondável ilusão.

Dentro de minha idade,  desde a treva, de crime em crime
- espero a felicidade de loucas delicadas mulheres.
Uma cidade voltada para dentro do génio,
aberta como uma boca em cima do som.
Com estrelas secas.
Parada.

Subo as mulheres aos degraus.
Seus pedregulhos perante Deus.
É a vida futura tocando o sangue de um amargo delírio.
Olho de cima a beleza genial de sua cabeça ardente:
- E as altas cidades desenvolvem-se
no meu pensamento quente.

Herberto Helder "Lugar" Poesia Toda, Assírio & Alvim, 1979

Coldplay no Optimus Alive



Ontem à noite:
- No recolhimento da casinha a fazer o Relatório de Auto-Avaliação em vez de estar no Optimus Alive a ver os Coldplay!...

No passado fim de semana:
- No recolhimento da casinha a fazer o Relatório de Auto-Avaliação em vez de estar no Delta Tejo a ver a Nelly Furtado!...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Canavilhas apoia Seguro


Por mim, óptimo! Assis, só mesmo o Santo...

Maria José Pinto da Cunha de Avillez Nogueira Pinto, 1952-2011

Notícia e foto do Público

Um rosto que marcou, pela expressão assimétrica e pela inquietação, mas também pela coragem.
Esta irmã de Maria João Avillez passou pelo CDS/PP e acabou por tornar-se deputada independente pelas listas do PSD a convite de Manuela Ferreira Leite, após graves divergências com a liderança de Paulo Portas.
Apesar de não ter afinidade política com a maior parte das ideias de Maria José, não deixo de lamentar enormemente a sua morte. Que descanse em paz.

Portugal = lixo

"Há quem viva do nosso mal-viver.
Nós somos lixo,
Somos só lixo.
Já não há gente,

há só lixo
Dispensável, descartável, reciclável.
E agora parem um minuto p'ra pensar..."


(José Mário Branco, "Canção dos Despedidos" , 2004)

A propósito desta análise.

Santana Castilho na TVI24 ontem à noite

"Tête de Femme" roubada

Tête de Femme - Picasso

terça-feira, 5 de julho de 2011

Parecer de Santana Castilho sobre o estado actual da Educação



Fica aqui, sem comentários meus. Façam-nos os leitores.

Rainha Balkiss do Reino de Sabá

(c) E.T.Coelho (Clique para ampliar)

"Envio uma alegoria do Eduardo Teixeira Coelho em O Mosquito, na década de 1940, sobre essa célebre Rainha Balkiss, do Reino de Sabá. Não se pode considerar BD mas pertence a uma rubrica criada na altura no jornal infanto-juvenil com o nome de «Mulheres Célebres»."

José Ruy

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rainha de Sabá


Ainda hoje, apesar de nenhum testemunho arqueológico o ter comprovado, o sonho dos Iémenitas é sem dúvida encontrar o rasto da sua lendária soberana, a muito citada Rainha de Sabá. O nome de Sabá encontra-se mencionado centenas de vezes nas inúmeras inscrições já decifradas, além disso, segundo os arqueólogos iémenitas,  a reforçar a ideia da lenda existe  o facto dela perdurar no Iémen desde há 3000 anos até à actualidade, sendo aceitável que o reino de Sabá tenha sido governado por uma rainha. Apontam também a descrição bíblica da visita sumptuosa feita ao rei Salomão há 30 séculos.  Parece que fascinada pela sabedoria e poder daquele rei, a rainha deixara o seu país longinquo e teria empreendido a viagem para o visitar e pôr à prova através de vários  enigmas, pois segundo lhe constara nenhuma pergunta era para o sábio rei suficientemente difícil. A grande quantidade de valiosos presentes em ouro e especiarias  que levou, na sua faustosa caravana, demonstravam quanto o seu reino, terra  dos perfumes e do incenso,  era próspero e bem sucedido.



Esta mítica rainha foi celebrada  em pinturas, vitrais e em outras formas de arte nomeadamente num dos painéis que compõem o portal do Batistério de Florença. Terá realmente existido? De qualquer forma perpetuou, sem dúvida, o nome do seu reino.

A prosperidade do reino de Sabá assentava na agricultura e no comércio das especiarias. A fertilidade do oásis de Mareb (Mar'ib), a capital, ficou lendária. O Corão para além de citar A rainha de Sabá, evoca também Mareb (Mar'ib), numa sura, como sendo um excelente país que possui dois maravilhosos jardins.


Efectivamente, passavam por Mareb (Mar'ib) todas as grandes caravanas, que do porto de Hadramawt, percorriam toda a borda do deserto em direção ao norte, formando uma rota, com a proteção dos reinos ao longo do caminho, através de impostos,  que se tornou conhecida como a "rota do ouro e do incenso". Ligava a Índia ao Egipto e ao norte da Síria. Chegavam a Petra. Transportavam especiarias, seda, ébano, ouro, peles de animais, etc.


Os vestígios da antiga capital Mar'ib, construída entre o 2º e o 1º milénio A.C., numa zona bastante estratégica, encontram-se a um km da cidade moderna, em torno da velha aldeia de Mareb abandonada. Os arqueólogos estão atualmente convencidos de que sob as suas ruinas permanecerão ainda vestígios do palácio real de Sabá e quem sabe alguma informação da sua raínha,  já que os principais lugares de culto, fora da cidade no meio do oásis, como era uso, já estão sendo estudados, incluindo um templo com 3000 anos, encontrado no deserto,  considerado o mais antigo da arábia e que terá, certamente, muitos segredos a serem desvendados.


Mas não são só os iémenitas que reivindicam ser a pátria desta tão lendária rainha, os etíopes também acreditam ser dela descendentes, pelo menos de um seu filho com o rei Salomão. Em 2008, arqueólogos alemães anunciaram ter encontrado, em Axum, os restos de um sumptuoso palácio pertencente  à Rainha de Sabá.

Mais uma descoberta para ajudar a desvendar um dos maiores mistérios da historia antiga......

Tita Fan

Salomão e a Rainha de Sabá






A bela Gina Lollobrigida e Yul Brynner num filme épico, que marcou a minha infância.

Tomada de posição a favor da revogação da ADD

Ler aqui um post do colega Octávio Gonçalves sobre a revogação da ADD. Trata-se de uma inciativa de enviar uma carta ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, com conhecimento ao ministro da educação Nuno Crato, fundamentando a sua urgência. Seguem-se os endereços de e-mail de ambos os governantes. Os professores que assim o desejarem, poderão subscrever esta carta do Octávio (professor de Filosofia em Vila Real).

A manutenção desta ADD cheira muito a esturro



O Luís Costa revela aqui algum mal-estar e perplexidade, que neste momento, imagino, passa pela mente de muitos dos professores que votaram PSD e que aplaudiram a escolha de Nuno Crato para a pasta da Educação.

Perplexidade, dúvida, desapontamento e alguma tristeza vêm sendo os sentimentos que me tomam desde há alguns dias, à medida que me apercebo de que algumas das bandeiras em que os professores acreditaram, estão, uma após outra, a tombar por terra.

A avaliação de desempenho docente, a famigerada ADD (no modelo em vigor de inspiração lurdina, com make-up isabelino), é uma delas. Apregoado como "monstruosidade kafkiana" pelo novo executivo como coisa para derrubar, é afinal para manter, tal e qual como está e por tempo indeterminado. Tal como o próprio titular da pasta da educação ontem afirmou no Bombarral, ela "não é o problema central da educação" e " há muitos problemas e mais importantes"!

Até aqui, estou de acordo, a avaliação dos professores não é o problema central da educação. Mas o senhor ministro não deveria ignorar o que significa ser obrigado a adoptar um procedimento que, além de ser escorregadio, é inútil e tem de ser entregue a breve prazo (para os professores contratados já foi). 

Reconhecido pelos actuais governantes como inadequado, a única atitude decente a adoptar seria anular no imediato todos os seus efeitos. E sim, senhor ministro, pensar com tempo e cabeça noutros procedimentos avaliativos mais adequados, já que estes, manifestamente não servem.

Eu tinha anunciado a suspensão das actividades neste Blogue há dias. Tinha a firme intenção de iniciar a resolução da minha avaliação, mas só de começar a olhar para aquelas fichas dá-me uma sensação de inutilidade e de estúpida perda de tempo e de energia.

Este modelo, cheio de grelhas e descritores altamente subjectivos é uma verdadeira aberração. Gera tensões nas escolas, competição entre colegas, conflitos de interesses e as incompatibilidades são mais que muitas nas diferentes áreas disciplinares entre avaliadores e avaliados. É, por fim, um modelo injusto e espúrio, a começar pelas quotas e a acabar no intolerável secretismo de todo o processo.

Todas as razões e mais algumas para ser anulado. Porque não é?

Ainda há uns dias o Octávio perguntava "qual o rabo" que estava a manter este modelo, do qual, estou certa, a maioria dos docentes estava a contar ver-se livre, até em virtude de a Assembleia da República já o ter formalmente chumbado antes das eleições e por iniciativa do partido que agora lidera o poder.

Só me ocorre pensar que de facto, deve haver algum "rabo preso", algum acordo do PSD com o PS que desconhecemos, alguma troca de favores do tipo "não mexam nisto por enquanto e nós apoiamos aquilo"...

Estarei enganada? O que acham? É verosímil este volte-face sem aparente motivo?
Cheira a esturro que se farta. E eu às vezes tenho faro de cão!

domingo, 3 de julho de 2011

Jim Morrison morreu há 40 anos





"Há 40 anos, morria em Paris o lendário vocalista dos The Doors. Quatro décadas depois da sua morte, Jim Morrison continua a mobilizar multidões e o cemitério parisiense do Père-Lachaise, onde está sepultado, voltou a ser o local escolhido por centenas de fãs para recordar o “Rei Lagarto”."  

(Daqui)

Robby Krieger e Ray Manzarek compareceram no cemitério Père-Lachaise em Paris para homenagear o seu antigo companheiro do grupo The Doors.

Voltar ali



Voltar ali onde
A verde rebentação da vaga
A espuma o nevoeiro o horizonte a praia
Guardam intacta a impetuosa
Juventude antiga
Mas como sem os amigos
Sem a partilha o abraço a comunhão
Respirar o cheiro a alga da maresia
E colher a estrela do mar em minha mão.
 
 
Sophia de Mello B. Andresen

(Enviado por L.A.)

No 7º aniversário da partida de Sophia

Sophia de Mello Breyner Andresen
(Porto, 6 de Novembro de 1919 - Lisboa 2 de Julho de 2004).

Introdução breve e resumida à história do Iémen antigo

Sabá

O berço da civilização da Arábia do sul, um dos mais antigos centros da civilização do próximo oriente, a sua mítica história surpreendente e fascinante, só a partir dos anos 50 começou a emergir através de trabalhos de arqueólogos vindos da América ou da Europa, sem a continuidade que seria desejável. Vários reinos existiram desde há três mil anos, sendo o de “Sábá” um dos mais importantes - séc. VIII A.C. a séc. VI D.C.

Sabe-se que foi fundado por um povo semita, (a sua língua era do ramo semita), que entrou na Arábia pelo norte. Cerca de 680 A.C. o seu rei empreendeu oito campanhas e o seu domínio estendeu-se até à Abissínia, podendo ter chegado a incluir o actual Iémen e a Etiópia. Esse seu rei tomou o título de “federador” e impôs soberania aos outros reinos.

Os trabalhos arqueológicos descobriram vestígios de diques, palácios, templos, estatuária e centenas de inscrições alfabéticas em todas as regiões habitadas, algumas simplesmente com nomes, outras, verdadeiros documentos históricos.

Durante séculos os sabeus souberam utilizar as águas das chuvas que corriam das montanhas para o aprazível oásis de Mar’ib (Mareb).

Não sendo os diques já suficientes, foi construída uma barragem, impressionante obra de engenharia primitiva, da qual se podem ainda ver as duas comportas. São ainda visíveis espantosos alinhamentos de gigantescas pedras, datadas de 3000 anos, testemunhos das primeiras instalações hidráulicas.

Na estação das chuvas a barragem sustinha as águas, que passavam pelas comportas e depois um complexo sistema as redistribuía para os campos situados no nível inferior. Os antigos Iémenitas levaram até ao apogeu as técnicas de irrigação, proporcionando florestação, beleza e prosperidade, um verdadeiro oásis. Mar’ib (Mareb) era a cidade mais populosa, o centro económico e cultural da Arábia Feliz - Arábia Felix, como ficou conhecida a partir do que dela escreveu “Plíneo o Velho”.

Era um povo de mercadores bem sucedidos, tendo tido mesmo o monopólio do comércio sobre bens exóticos.

O declínio dos sabeus deu-se quando os “Plotomeus” do Egipto passaram a utilizar a nova rota pelo mar vermelho, que ligava diretamente Alexandria ao Egipto. Os reinos do Sul da Arábia enfraqueceram. Himyar, situado nas terras altas, longe das rotas das especiarias e do ouro, conhecido, entre os gregos e os romanos, como o reino Homerite, conquista a independência em 110 AC. e entre 115 AC. e 300 DC., conquista os reinos vizinhos, fazendo Zafar (hoje a  moderna Sanaa), sua capital. Pela primeira vez o sul da arábia foi unificado, sendo a religião de alguns dos seus reis monoteísta.

Após um breve período de domínio persa o Iémen torna-se parte do império muçulmano.

Ainda hoje os iémenitas estão profundamente convictos de que a lendária rainha de Sabá existiu e que efectivamente reinou em Sabá,  mas isso é outra história......

(Texto inspirado em séries televisivas.
Consultas: História do antigo Iémen- Wikipédia)

Tita Fan

(NOTA: A editora responsável deste Blogue está sem tempo nenhum.
Mas os colaboradores apostam em não deixar este espaço desaparecer ou cair no esquecimento. Mil obrigadas, Tita Fan!)

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Encerrado para balanço


O peso da burocracia a que se impõe dar resposta, o cansaço e a necessidade de pensar em outras coisas são razões para um afastamento temporário (ou, quem sabe, definitivo) destas páginas. Obrigada aos amigos. E também aos outros...

1ª intervenção de Nuno Crato na Assembleia da República como ministro da Educação e Ciência



Ouvir e guardar para memória futura.

A melhor medida anti-crise


Quando a generalidade do meus alunos pensa que estou de férias, chego a passar na escola ainda mais tempo do que em certos dias com aulas. Hoje tive uma reunião de apenas três horitas. O dobro do tempo estipulado. Pas mal! Amanhã tenho outra que deve ser de quatro. Pas mal! 
Isto é só nos intervalinhos das vigilâncias de exames, da correcção das provas e dos recursos.

Venho para casa (que já não é uma casa, antes parece um acampamento) e em vez de honrar os meus deveres de dona de casa, deixo as panelas para trás, a pilha da roupa e o esfregão e eis-me pendurada nos Relatórios, nas Grelhas e nos Balanços. Pelo meio vou apanhando umas notícias de rádio catastróficas, como perder 50% do subsídio de Natal.

Aqueles que me achavam forreta vão passar finalmente a ter razão, pois doravante vai mesmo acabar-se com a orgia de presentes no Natal. Ou há moral ou comem todos, diz o povo. Não estou para pagar esta crise sozinha. Vou deixar a generosidade congelada até nova era glaciar.

É trabalhar sem piar e pagar, pagar, pagar! As dívidas que os outros fizeram! Ok!

Então, é bom que se ocupe a malta o tempo todo, não vá alguém começar a lembrar-se de querer ir à praia, trabalhar sim, mas para o bronze. Ou apanhar umas chapadas das ondas nas pernas para fazer guerra à celulite! Ou soltar os cabelos e dar umas corridas à beira mar para oxigenar o pulmão!

O bom de trabalhar à semana e também ao fim de semana é que não há tempo para pensar na crise. Nem na celulite! Nem no ginásio! E as vantagens são imensas, enormes, senão vejamos:

- Não havendo tempo livre não se gasta calçado, come-se menos e mal, não se vai ao cabeleireiro, nem à manicure, nem ao ginásio; não há tempo para ler livros nem ir ao cinema. Sair à noite também fica fora de questão porque é preciso levantar cedinho.

Logo, tudo aquilo em que se poderia gastar dinheiro não se faz. Trabalhar sem interrupções é uma verdadeira medida de poupança. A mais eficaz forma de pagar a dívida externa.

Se acabarmos todos no manicómio, logo se vê.