segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Homero e a Criatividade


Homero foi o primeiro grande poeta grego cuja obra chegou até nós, viveu no século VIII a.C.  e consagrou o género épico com as obras Ilíada e Odisséia.
“A poesia é mais durável que a vida” - Odisseia, VIII, 578
Antes do início do pensamento filosófico, as obras de Homero tendem a aproximar os deuses dos homens, num movimento de racionalização do divino.
De onde vem a poesia?
“A sabedoria dos poetas vem das Musas”Íliada, II, 484
Vem das musas, dos Deuses
- Qual é o objetivo da Poesia?
Espalhar a alegria, a fruição e o encanto entre os humanos.
 - Qual o efeito da poesia nos seres humanos?
A poesia é como um feitiço, um encantamento. Para Homero a poesia não é vista como uma arte autónoma, mas como um privilégio que vem dos deuses. Para Homero os poetas tinham uma tarefa divina.
Becas

O artigo sobre Homero publicado no blogue Pérola de Cultura partiu de uma investigação conjunta apresentada no Seminário - Questões de Estética na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa em Fevereiro de 2011 - A origem da Criatividade - da Antiguidade à Contemporaneidade. Tratou-se de uma apresentação conjunta de Isabel Castro Lopes (Becas) e Teresa Lousa. A co-autoria não foi explicitada no blogue porque nele utilizamos nomes fictícios.

O pionierismo na aviação portuguesa e a Amadora

Armand Zipfel

Desde o fim do século XIX que a aeronáutica era notícia, uma vez que foram tempos de grandes exibições e de grandes proezas. Contudo, os primeiros anos da segunda década do século XX foram, sem dúvida, os anos de afirmação do avião como máquina de valor militar e civil.
Em Portugal assistiu-se pela primeira vez, em 17 de outubro de 1909, às exibições de um avião, pilotado pelo francês, Armand Zipfel, no Hipódromo de Belém.




Em 11 de dezembro de 1909, foi fundada, em Portugal, a primeira instituição dedicada à aviação, o “AERO CLUBE DE PORTUGAL”, que teve um papel decisivo na divulgação da aeronáutica.

Blériot XI

Em 27 de Abril de 1910, teve lugar o primeiro voo digno desse nome. Julien Mamet, pilotando um Blériot XI, descolou do Hipódromo de Belém, descreveu um largo círculo a 50 m de altura, sobrevoou a Casa Pia, bordejou o Tejo e regressou novamente ao Hipódromo.


Em 10 de setembro de 1912, depois da aprendizagem em França, Alberto Sanches de Castro, membro do “AERO CLUBE”, foi o primeiro português a voar em território nacional, no Mouchão da Póvoa de Santa Iria, a bordo de um Voisin Antoinette de 40cv.


A Aviação Militar foi oficialmente constituída em Portugal no ano de 1914, nos ramos Exército e Marinha, com a criação da Escola de Aviação Militar e Aviação Naval, culminando um processo que se vinha desenvolvendo desde 1912, com António José de Almeida, tendo sido do AERO-CLUBE DE PORTUGAL, que saiu a comissão que a formou.


A História da Aviação Nacional está imensamente ligada à Amadora. Após a euforia da proclamação da República, a localidade atravessou uma época de desenvolvimento sociocultural muito importante. Em 1911 recebeu a visita de Brito Camacho, membro do Governo, e em 1912 foi inaugurado o edifício dos Recreios Desportivos, acontecimento de relevo na vida social e cultural amadorense.


A 7 de Julho desse ano, realizou-se o famoso “Concurso de Papagaios”, evento que marcou o início da aventura aeronáutica. Organizado pelos Recreios Desportivos, nos terrenos do Casal do Borel, a prova contou com a participação de destacadas figuras da sociedade de então e do júri fizeram parte dois membros do “AERO-CLUBE DE PORTUGAL” para atestar a seriedade da iniciativa e avaliar provas de altitude, estabilidade, levantamento de pesos, ângulo e tração.



Seriam semelhantes a este?

Em 26 de Janeiro de 1913, um avião, pilotado pelo francês Alexandre Sallés, cruza pela primeira vez os céus da Amadora. Vindo do Hipódromo de Belém aterra nos terrenos do Casal do Borel, partindo, na aterragem, parte considerável do aeroplano, bem como o hélice, perante uma considerável e entusiasmada multidão. Foi reparado, em 8 dias, na fábrica de espartilhos Santos Matos & Cª., pelo que o piloto agradecido batizou o avião de “Amadora” e com ele fez exibições por todo o país até maio de 1914.

Blériot XI

Em 18 de Março de 1917, realizou-se na Amadora o 1.º Festival Aéreo, outro momento alto que trouxe à Amadora mais de 50 mil pessoas (12 vezes mais do que a sua população), e ao qual assistiram o Presidente da República Dr. Bernardino Machado e alguns ministros. Aterraram, nesse dia, o tenente António Caseiro e Sacadura Cabral, que pilotando também um avião “Caudron”, causou um enorme delírio!

Festival de 1917

Em 1919, é criado o Grupo de Esquadrilhas de Aviação “República” (GEAR), que se instalou na Amadora, nos terrenos junto ao campo de futebol dos Recreios, onde funciona actualmente a Academia Militar.


Durante cerca de um quarto de século, foi da freguesia da Amadora que partiram algumas das mais importantes viagens da aviação nacional: 18 de outubro de1920, tentativa de ligação à Ilha da Madeira, de Sarmento Beires e Brito Pais, no “Cavaleiro Negro”; 



7 de Abril de 1924, viagem do Pátria a Macau, de Brito Pais, Sarmento Beires e Manuel Gouveia,( partiu da Amadora para Vila nova de Milfontes, terra de Brito Pais, de onde descolou para Macau);


O Pátria

27 de março de 1925, voo do “Santa Filomena” à Guiné, com Pinheiro Correia, Sérgio da Silva e Manuel António;

Santa Filomena

5 de setembro de 1928, voo com destino a Moçambique, com escala na Guiné, em São Tomé e em Luanda. Foi realizado por dois aviões tripulados pelos capitães Pais Ramos e Oliveira Viegas, o tenente João Esteves e o Iº-sargento mecânico Manuel António.



1930, voo a Goa de Moreira Cardoso e Sarmento Pimentel, num pequeno De Havilland, batizado de “Marão”.

modelo de De Havilland –Museu do Ar

29 de dezembro de 1930, voo de Carlos Bleck e Humberto Cruz à Guiné e Angola, no “Jorge de Castilho”. O mais extenso realizado, até então, pela Aviação Nacional e primeiro voo com partida e chegada à Amadora, onde aterrou em 21 de Fevereiro de 1931, recebendo da multidão uma calorosa receção.


25 de outubro de 1934, viagem de ida e volta de Humberto da Cruz e António Lobato no Dilly”, a Timor, terminada em 21 de dezembro de 1934, que foi a mais longa da História, não só da aviação portuguesa, mas da Amadora, 42.670km, tendo sido considerada a mais minuciosamente preparada de todas as que saíram da Amadora.

Após anos de entusiasmo pelo pioneirismo da aviação e de avanços tecnológicos importantes ao nível dos aparelhos, termina finalmente em 1938 a ligação da Amadora à Aviação Nacional. Razões de organização da Aeronáutica Militar, a par com a exiguidade e deficiências da pista de terra batida ali existente, determinaram a extinção do Grupo de Aviação de Informação n.º 1 – como passara a ser designado o GEAR – cujo pessoal e material seriam transferidos para Tancos.
A ligação à cidade da Amadora continua, contudo, na atualidade, pois nela se encontram as instalações do Estado Maior da Força Aérea.


Monumento aos Pioneiros da Aviação, em Alfragide

FONTES:
- Texto e fotos:- Homens e aviões na História da Amadora de M. Lemos Peixoto;
- Enciclopédia-artigos: Pioneiros da Aviação Portuguesa; 
- Museu do Ar-on line; História da Aviação-Wikipédia;
- EX-OGMA-blogspot-Os primeiros aviões em Portugal;
- Voa Portugal- O Portal da História da aviação/facebook; 
- História de Arte- Fundação Calouste Gulbenkian/ Arquivo Municipal de Lisboa(on line); 
- História da Aviação Portuguesa::Aeronáutica (on line).

TITA FAN

Os Derviches rodopiantes da Turquia



O restaurante Dervixe, na Avenida 24 de Julho, em Lisboa, tem a informação que transcrevo abaixo no verso da sua ementa. Não pude resistir à tentação de copiá-la e trazê-la para o Blogue. Fui jantar a este agradável restaurante no verão, mas entretanto perdi de vista o apontamento, agora reencontrado; partilho convosco este aspeto curioso da cultura turca, da qual conheço ainda tão pouco.



O espaço do restaurante é agradável, com recantos de decoração tradicional turca e a cozinha é uma revelação de sabores de influência decididamente mediterrânica, provavelmente de predominância grega, misturada com influências do norte de África. O acolhimento é muito simpático e os mais supersticiosos têm a possibilidade de obter a leitura das borras do seu café, feita pelo próprio proprietário do restaurante, que já se expressa num português satisfatório.



«Os Mevlani, derviches rodopiantes, são os seguidores de Mevlana Jelaleddin Rumi, que nasceu em 1207 no seio de uma família de teólogos. Fundou a ordem Mevlana Sufi, que defendia que a melhor via para se chegar à divindade era através da poesia, da música e da dança.

Uma das suas características é a aceitação de outros credos e perspetivas, bem refletida no convite que Rumi faz à participação no sema:
"Quem quer que sejas, vem
 Mesmo que sejas
Um infiel, um pagão, ou um adorador do fogo". » 

Agrada-me particularmente esta abertura a outros credos... 
Fundamentalistas sectários, o mundo já tem de sobra.




A dança dos derviches rodopiantes foi reconhecida como património cultural imaterial da humanidade pela UNESCO. Para saber mais sobre este bailado clique aqui.



(A dança rodopiante começa por volta do minuto 5. Até lá aprecie a música). 


Tive a oportunidade de assistir a uma destas espantosas danças cerimoniais na Expo 98 em Lisboa. Observei estupefacta este bailado, ao som de uma música inebriante, perguntando-me como aguentavam eles, sem cair, aquele interminável rodopio. 
A explicação está em alguma coisa parecida com uma espécie de transe religioso, que também pude observar de perto num artista chamado Bali, pertencente a uma tribo Tuareg, que assentou o seu acampamento durante 15 dias próximo da Torre Vasco da Gama.


Contacto do restaurante aqui.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Boa oportunidade para estar calado


Às vezes parece que não tem bem a noção do ridículo ou então que não tem respeito por aqueles que verdadeiramente têm dificuldades; ou ainda, na pior das hipóteses, já não está muito bem da cabeça. E nós a termos de aturar estas tristes figuras.

Psicologia da Saúde


“É a área disciplinar da Psicologia que diz respeito
ao comportamento humano no contexto da saúde e da doença”
Weinman (1990) .


É o agregado das contribuições educacionais científicas e
profissionais da psicologia para a promoção e manutenção da
saúde, a prevenção e tratamento da doença , a identificação da
etiologia e o diagnóstico das doenças e disfunções associadas e
a análise e melhoria do sistema de saúde e das políticas de
saúde” .


A Psicologia da Saúde tem um propósito preventivo
pois objetiva a permanência da condição de saúde
e o evitamento possível da doença, enquanto que a
Psicologia da Doença tem um propósito de adaptação
do doente ao processo de doença – Joyce-Moniz e Barros, 2005.

Becas

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Há 30 anos Elis Regina foi cantar para as estrelas



É caso para dizer que partiu cedo demais desta vida descontente. Porém, a sua voz, sensibilidade e energia fazem-me recordá-la para sempre na galeria dos intemporais. 

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Euro a naufragar?

(c) Clou

"O capitão ainda está a bordo?"
"Qual capitão?"
"A 13 de janeiro, no mesmo dia em que a agência de notação Standard & Poor's baixou a classificação da dívida de vários países da zona euro, o navio Costa Concordia naufragou ao largo da ilha de Giglio, na Toscana, causando a morte a onze pessoas e mais de vinte desaparecidos."
AUTOR

"Clou é um desenhador belga, nascido em 1952, cujo verdadeiro nome é Christian Louis. Formou-se em banda desenhada, em Bruxelas e em sociologia, em Louvain, e colabora como ilustrador e desenhador de imprensa com La Libre Belgique, desde 1992. Em junho de 2010, ganhou o prémio do público no prestigiado."

Não sou dada a fazer humor com situações de tragédia, mas tenho de reconhecer neste cartoon um particular sentido de oportunidade na comparação. Superstição ou apenas uma triste coincidência,  foi na sexta feira 13...

Os premiados com os Globos de Ouro

Meryl Streep

George Clooney acompanhado de Stacey Keibler


Melhor Realizador – Martin Scorsese, em ‘Hugo’
Melhor Filme – Drama – ‘Os Descendentes’
Melhor Atriz – Drama – Meryl Streep em ‘The Iron Lady’
Melhor Ator - Drama - George Clooney em 'Os Descendentes'
Melhor Filme – Comédia ou Musical – ‘O Artista’
Melhor Atriz num filme de comédia ou musical - Michelle Williams em 'A Minha Semana com Marilyn'
Melhor Ator num filme de Comédia ou Musical - Jean Dujardin, em 'The Artist'
Melhor Atriz secundária - Octavia Spencer em 'As Serviçais'
Melhor Ator Secundário - Christopher Plummer, em 'Assim é o Amor'.
Melhor Argumento - Woody Allen, em 'Meia Noite em Paris' 
Melhor Canção Original - Madonna, com 'Masterpiece', de 'WE'
Melhor Banda Sonora Original - 'The Artist'
Melhor Filme de Animação – ‘As Aventuras de Tintin – O Segredo de Licorne’, de Steven Spielberg
Melhor Filme em Língua Estrangeira – ‘Uma Separação’, de Asghar Faradhi (Irão) 

Luís Diferr na lista dos melhores Blogues de 2011



O Blogue de Luís Diferr, dedicado às Artes e ao Humor, encontra-se na lista para eleição dos melhores Blogues do ano de 2011, na categoria de Humor. Podem votar aqui, no Blogue Aventar, até sábado, dia 21.

See you in court, dear!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os melhores Blogues de 2011

("La perle et le chaton", desenho de Catherine Labey para Pérola de Cultura)


Disponíveis para votação aqui, no Blogue Aventar, as listas para os melhores Blogues do ano de 2011, até dia 21 de Janeiro. 
Poderá escolher os seus preferidos e votar apenas uma vez em cada uma das categorias. 
A Pérola de Cultura consta na lista dos Blogues de Literatura e Poesia. Curioso, não? ;-)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Week-end Tube from India



Não olhem somente para a bailarina; convém assinalar que a tocadora de sitar (a que se encontra sentada no almofadão maior ao centro), é filha do grande Ravi Shankar e, consequentemente, irmã de Norah Jones. Descubram as parecenças.

Formação Cívica, a crónica de uma morte precoce

A morte é sempre difícil de aceitar. Mas a morte em tenra idade é ainda mais chocante. A disciplina de Formação Cívica morrerá, segundo a nova reforma anunciada pelo ministro Nuno Crato, antes mesmo de completar um ano de idade. Convenhamos que, de asneira em asneira, esta é de molde a fazer-me pensar que, se o argumento de acabar com o modelo de avaliação de desempenho de professores antes de o mesmo ser testado não tinha cabimento, neste caso terá.


A disciplina, criada em 2011 para o 10º ano, à abertura do ano letivo, não tinha programa, nem manuais, nem critérios de avaliação, nem quaisquer materiais específicos. Foram as equipas de professores e o coordenador da nova disciplina a criar tudo, praticamente a partir do zero e em tempo recorde para que tudo fosse operacionalizado o melhor possível na primeira semana de aulas. 


Alunos e docentes necessitam evidentemente de balizas de apoio ao seu trabalho e documentos para lecionar. Alguns tiveram de comprá-los do seu bolso e com muita imaginação e troca de ideias, ir às apalpadelas, fazendo a construção de algo que se afigurava relevante na formação dos nossos jovens.


Para quê, afinal? Quando estes alunos descobrirem que a disciplina tem a sua morte anunciada, quererão desenvolver mais algum trabalho? E os docentes, continuarão motivados a desenvolver as suas pesquisas e perder horas a procurar materiais e documentos para tornar as aulas mais apelativas? 


Pergunto-me se isto é respeitar o seu trabalho, ou, pelo contrário, deitar por terra todas as suas expetativas e investimento pessoal e profissional. O plano era para três anos e anuncia-se a sua morte antes mesmo de completar o primeiro.


Como, infelizmente, tem vindo a constituir uma constante em outros casos, estou em crer que os motivos desta supressão são meramente contabilísticos e não de natureza pedagógica. 


O argumento de que os conteúdos da Formação Cívica são transversais às outras disciplinas é pura falácia. Não estou a ver os professores de Matemática darem a Carta Universal dos Direitos Humanos, os de Literatura se preocuparem com a prevenção das infeções sexualmente transmissíveis, os de Educação Física analisarem a Constituição da República Portuguesa, os de Geometria Descritiva analisarem as propostas da Amnistia Internacional ou os de TIC o estatuto das Pessoas com Deficiência e as formas de inclusão social, o Racismo, a Xenofobia, etc, etc, etc. Poderia aqui dar muitos mais exemplos deste absurdo, só possível de ser dito por quem não está efetivamente por dentro dos assuntos.


A Formação Cívica no 10º ano, veio assim constituir-se como um espaço próprio (curto, é certo, apenas 45 minutos semanais), para o tratamento da Cidadania, Educação para a Saúde e para a Sexualidade. A sua lecionação foi atribuída com bastante critério e de acordo com perfis disciplinares adequados, no caso da minha Escola, a professores especialmente vocacionados e motivados para estas temáticas. Esses mesmos que agora só poderão ver as suas expetativas e investimento defraudados. 


Bom, parece que existem alguns diretores da região do Alentejo tão zangados quanto eu.

Olimpíadas nacionais da Filosofia

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Palavra de psicóloga

"Aqueles que julgam o outro com base nos 'seus valores' já não têm valores nenhuns; estão simplesmente a fazer julgamentos, anulando a performance do outro, inibindo a sua criatividade e a sua capacidade de inovação."

















(c) Clytie

sábado, 7 de janeiro de 2012

Milan Kundera e a questão da inexperiência


O Planeta da InexperiênciaPrimeiro título pensado para A Insustentável Leveza do Ser: «O Planeta da Inexperiência». A inexperiência como uma qualidade da condição humana. Nascemos uma vez por todas, nunca poderemos recomeçar uma outra vida com as experiências da vida anterior. Saímos da infância sem sabermos o que é a juventude, casamo-nos sem sabermos o que é ser casado, e mesmo quando entramos na velhice, não sabemos para onde vamos: os velhos são crianças inocentes da sua velhice. Neste sentido, a terra do homem é o planeta da inexperiência. 

Milan Kundera, in "A Arte do Romance"

País pequeno, dizia Saramago


O País é Pequeno e a Gente que nele Vive também não é GrandeEm tempos disse que Portugal estava culturalmente morto. Talvez o tenha dito em determinado momento, mas também o diria hoje porque Portugal não tem ideias de futuro, nenhuma ideia do futuro português, nem uma ideia que seja sua, e vai navegando ao sabor da corrente. A cultura, apesar de tudo, tem sobrevivido e é aquilo que pode dar do país uma imagem aberta e positiva em todos os aspectos, seja no cinema, na literatura ou na arte - temos grandes pintores que andam espalhados pelo mundo. Mas o Almeida Garrett definiu-nos de uma vez para sempre e de uma maneira que se tem de reconhecer que é uma radiografia de corpo inteiro: «O país é pequeno e a gente que nele vive também não é grande.» É tremenda esta definição, mas se tivermos ocasião de verificar, desde o tempo do Almeida Garrett e, projectando para trás, efectivamente o país é pequeno (...), mas o que está em causa não é o tamanho físico do país mas a dimensão espiritual e mental dos seus habitantes. 

José Saramago, in 'Uma Longa Viagem com José Saramago (2009)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Os Reis Magos em crise

Homenagem a Pedro Osório (1939-2012)

Aventar lança concurso de Blogues



Quem melhor escreveu, desenhou ou fez humor em 2011? Quais as melhores análises em Educação, Política ou Cultura? Estas e outras mais categorias, como Desporto ou Saúde passam pelo crivo rigoroso do AVENTAR. Será votado o melhor Blogue em cada categoria no ano de 2011.
Poderão consultar a lista de concorrentes aqui e informar-se como participar nesta votação.
Obrigada ao Jorge Fliscorno por ter inscrito a Pérola de Cultura. Fico honrada por este espaço fazer parte da lista dos nomeados entre os melhores.

Bom Dia de Reis

Sejam lá eles quem forem, os Gaspares, Belchiores e Baltazares de hoje. Talvez não fosse má ideia oferecer-lhes uma bússola para se orientarem, dado que o brilho das caudas estelares pode bem andar ofuscado com tanta poluição.


Seja como for, um bom Dia de Reis aos meus amigos e leitores deste Blogue.

Noite de Natal por Sophia de Mello Breyner Andresen



Hoje, dia de Reis, faz todo o sentido recordar este conto de Natal de Sophia de Mello Breyner Andresen.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Quem sou

Night, by Jacques Roate 
"...É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo... Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar. Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas concerteza não serei a mesma para sempre." 
 Clarice Lispector

Recomeça se puderes



Recomeça…
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga