sábado, 18 de fevereiro de 2012

Do incesto nos humanos

Escrevia uma amiga minha ontem no Facebook:
"Acho que devia haver um mecanismo biológico que levasse uma gravidez incestuosa a aborto espontâneo. Nesta faceta a evolução falhou. Não imagino o que seja ser filha e neta do mesmo homem. Estou a imaginar um mecanismo tipo chave-fechadura, como existe nos enzimas e nos respectivos substratos, que impedisse a violação dum pai sobre uma filha."

Terá a evolução das espécies falhado ao não bloquear as relações incestuosas nos humanos, ou, no caso de estas existirem, terá falhado algum mecanismo que impedisse a fecundação ou provocasse um aborto espontâneo?


Bom, só seria assim, se a própria Natureza soubesse fazer a distinção entre os indivíduos da espécie humana e os outros, os não humanos, onde se assiste ao livre cruzamento de pais com filhos, pelo menos em algumas espécies, sem problemas aparentes.
Porque há problemas nos humanos? Porque é o incesto um comportamento reprovável e até repugnante?
Porque a espécie humana é a única dotada de uma consciência moral e de uma Ética social. Efetivamente existe um mecanismo que normalmente bloqueia as relações incestuosas, mas é cultural, não biológico. 


Os seres humanos foram os únicos a evoluir até um estádio de desenvolvimento do córtex cerebral que permitiu a criação de uma inteligência superior e com ela um sistema de valores.
Sempre que há valores, há códigos de conduta a eles associados. A família nuclear, entendida com célula base das civilizações, normalmente reprova o incesto e desse modo em muitas sociedades humanas ele torna-se um crime. Se do incesto resultam filhos, que podem ser filhos e netos ao mesmo tempo, o cenário torna-se hediondo, difícil de gerir e leva muitas vezes à criminalização.


Nalguns dos casos em que o incesto ocorre, encontramos as chamadas psicopatias ou sociopatias, em pessoas com distúrbios de personalidade, que podem ser mais ou menos violentas, mas são certamente destituídas dos valores morais aceites pela sociedade. Esses indivíduos manifestam muitas vezes viver alheados das noções do sofrimento que podem causar aos que lhes estão próximos. O incesto está muitas vezes associado à violação de menores, dentro de famílias em que basta um indivíduo assumir um comportamento desviante, para desestruturar todos os membros. 
Havendo ruptura na consciência moral, o que existe nos sociopatas, a relação incestuosa pode dar-se, mas quase sempre por violação de uma das partes, a mais forte subjugando a mais fraca. 


Assim, o bloqueio do desejo sexual pelos familiares só existe se existir uma interiorização de valores como o respeito pelo outro e pela estrutura da família. Esse bloqueio existe naturalmente nas famílias saudáveis, na medida em que estas se vão estruturando enquanto unidades orgânicas, assentes num equilíbrio e numa harmonia, onde constrangimentos como os comportamentos de natureza incestuosa não teriam sequer lugar. 


Um pai equilibrado protege a sua filha, não a seduz. Ama-a, mas não a deseja. Faz-lhe carinhos, mas não a viola. E o mesmo se dirá das mães em relação aos filhos rapazes. Os irmãos em geral não têm relações sexuais entre si, mas nas espécies como os cães, gatos ou macacos, isso é frequente. É uma questão de genes? De um par de cromossomas a mais? Não, é uma questão da consciência moral, que só existe nos humanos e com ela a auto-repressão e a censura que vai filtrar todos os seus atos.


Trata-se pois fundamentalmente de uma questão Ética e não biológica em sentido estrito, como desejaria a minha amiga. A prova disso é que muitas pessoas dizem não conseguir namorar ou casar com amigos de infância, na medida em que foram desenvolvendo por esses parceiros/as de brincadeiras uma espécie de "sentimento de irmandade". Embora não haja com eles/as nenhuma consanguinidade, o desejo sexual não funciona por as/os sentirem como irmãos/ãs. 


Se se detetam comportamentos tais como: é o pai ou o tio a desflorar a noiva no dia do casamento, logo entendemos isso como "tribal", "primitivo" ou "bárbaro", e nos provoca um sentimento de reprovação. E mais uma vez é de valores morais que falamos e não de impedimentos biológicos.


Até na literatura, o incesto gera sempre sofrimento: veja-se o caso das tragédias gregas, como Édipo, por exemplo (que acasala com a sua mãe), ou "Os Maias" de Eça de Queirós (em que Carlos e Maria Eduarda se amam sem saber que são irmãos). 


Mesmo o incesto sendo por vezes praticado sem a consciência da consanguinidade dos agentes envolvidos, (como ocorreu nestes casos, pelo menos numa primeira instância), eles acabam sempre por ser punidos pelas circunstâncias que daí advêm, e, de algum modo, arcar com um sofrimento, maior ou menor, mas para a vida toda, como forma de redenção dos seus crimes. 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Costa Concordia e Titanic

"O ano em que se assinala o centenário do naufrágio do Titanic começou
com o naufrágio do Costa Concordia. E isso é tanto mais inquietante
quanto uma das passageiras do Concordia, Valentina Capuano, era
sobrinha-neta de uma vítima do Titanic, Giovanni Capuano. Mas há
outras rimas perturbadoras, da iminente guerra europeia de há um
século ao presente colapso europeu, passando pelo facto de há dois
anos o Costa Concordia ter sido escolhido pelo cineasta Jean-Luc
Godard como cenário de uma espécie de filme-catástrofe sobre o
capitalismo.
 Também podemos notar, é certo, diferenças pronunciadas. Aqui no
Expresso, o historiador Rui Ramos detectou algumas: “No Titanic, o
capitão foi ao fundo com o navio; no Concordia, é acusado de ter sido
o primeiro a fugir. No Titanic, como demonstra a estatística dos
sobreviventes, os homens honraram a prioridade clássica das mulheres e
crianças; no Concordia, correram logo histórias de latagões a empurrar
mulheres e a pisar crianças para chegar primeiro aos salva-vidas”. É
como se ao colapso naval se viesse juntar agora um “colapso ético”. (...)
(Costa Concordia encalhado junto à ilha de Giglio, na Toscana, janeiro de 2012)
Uma grande diferença entre o Titanic (nome colossal) e o Concordia (nome apaziguador) foi o modo como deles fomos espectadores. O Titanic chocou com um iceberg nos mares gelados do Atlântico Norte, longe da nossa vista, e à época apenas houve relatos nos jornais, ao passo que o Concordia adernou na plácida baía de uma ilha mediterrânica, à vista de todo o mundo. Na nossa ânsia televisiva, somos espectadores deste naufrágio, desta tragédia que, para quem apenas a observa, se torna um espectáculo, um espectáculo do sofrimento alheio, e talvez uma alegoria do nosso." 
Pedro Mexia, Expresso
Artigo completo aqui.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A propósito da Grécia


‎"Do rio que tudo arrasta diz-se
que é violento.
Mas ninguém diz quão violentas são as
margens que o comprimem."

Bertold Brecht
(cortesia Leonídia Marinho)

Morte por apedrejamento banida no Irão?

A decisão só peca por tardia. Tal barbaridade nunca deveria sequer ter existido. Será para cumprir?

A notícia está aqui.

S.Valentim versão low cost



A contenção e a frugalidade em todos os aspetos.
Ainda assim, um pequeno almoço com pétalas...

Karma, Sofrimento e Felicidade

 "Construímos constantemente a nossa vida através das acções mentais, verbais e físicas, positivas, negativas ou neutras, das quais resultam todas as nossas percepções, reacções e experiências ao longo da existência. Nada do que nos acontece nos é exterior, mas um resultado das nossas acções passadas e presentes e das tendências e hábitos por elas deixadas no fundo inconsciente da mente. Convém conhecermos quais os actos que têm consequências positivas e negativas, ou seja, felicidade e sofrimento, para cultivarmos os primeiros e evitarmos os segundos, purificando as tendências negativas de modo a impedir que resultem em experiências desagradáveis. É esse o objectivo deste workshop, com uma componente teórica e prática, de introspecção reflexiva e meditativa."


Workshop teórico-prático com Paulo Borges.
 Sábado, 18 de Fevereiro de 2012, das 10 às 14 horas.
 Promovido pela União Budista Portuguesa.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O apelo de Mikis Theodorakis


"O nosso combate não é apenas o da Grécia, mas aspira a uma Europa livre, independente e democrática. Não acreditem nos vossos governos quando eles alegam que o vosso dinheiro serve para ajudar a Grécia. (…) Os programas de "salvamento da Grécia" apenas ajudam os bancos estrangeiros, precisamente aqueles que, por intermédio dos políticos e dos governos a seu soldo, impuseram o modelo político que conduziu à actual crise. 
Não há outra solução senão substituir o actual modelo económico europeu, concebido para gerar dívidas, e voltar a uma política de estímulo da procura e do desenvolvimento, a um proteccionismo dotado de um controlo drástico das Finanças. Se os Estados não se impuserem aos mercados, estes acabarão por engoli-los, juntamente com a democracia e todas as conquistas da civilização europeia. A democracia nasceu em Atenas, quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. Não podemos autorizar hoje os bancos a destruir a democracia europeia, a extorquir as somas gigantescas que eles próprios geraram sob a forma de dívidas. 
Não vos pedimos para apoiar a nossa luta por solidariedade, nem porque o nosso território foi o berço de Platão e de Aristóteles, de Péricles e de Protágoras, dos conceitos de democracia, de liberdade e da Europa. (…) 
Pedimos-vos que o façam no vosso próprio interesse. Se autorizarem hoje o sacrifício das sociedades grega, irlandesa, portuguesa e espanhola no altar da dívida e dos bancos, em breve chegará a vossa vez. Não podeis prosperar no meio das ruínas das sociedades europeias. Quanto a nós, acordámos tarde mas acordámos. Construamos juntos uma Europa nova, uma Europa democrática, próspera, pacífica, digna da sua história, das suas lutas e do seu espírito. Resistamos ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa transformando-a em Terceiro Mundo, que vira os povos europeus uns contra os outros, que destrói o nosso continente, provocando o regresso do fascismo".

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Definitivamente tenho alma helénica



Até no nome, por decisão acertada da minha mãe. Ainda eu estava na sua barriga e já a estética e os nomes gregos a tinham conquistado. Parecia que adivinhava ela que eu me iria apaixonar por um país, uma paisagem, uma cultura, um berço civilizacional. 
Está-me a vir ao de cima um sentimento que não sei se é somente de preocupação com a Grécia, ou com todos os países europeus, que, sendo periféricos, se arriscam a desaparecer do mapa por domínio dos mais fortes. 
Hoje sinto-me grega. Não sei fazer cocktails Molotov, só fazia o pudim e mal. 
Não aprovo violência nem destruição, mas ia à luta, se preciso fosse, em caso de... 
Que ao menos deixassem os gregos encontrar o seu caminho, sem lhes retirar a soberania. 
E já agora, se não for pedir muito, a nós também.

O que vai acontecer à Grécia e a Portugal?



Não consigo escrever comentários, pois fiquei com a alma embargada depois de ler esta notíciaParece que já estivemos mais longe de ver os países periféricos perderem a sua soberania. Mas, para todos os efeitos, apagando o 1º de dezembro, tal coisa parece já não interessar para nada! Só a simples conjetura me causa arrepios... 

Atenas e a simbologia do fogo

(c) Bicanski/Getty Images

Ver o que se está a passar em Atenas causa-me tristeza e apreensão. A cidade-símbolo da cultura helénica, que tanto ofereceu ao mundo ocidental, em chamas, é arrepiante e a sensação é a do fim de um ciclo que se aproxima.
Ao ver Atenas a arder não posso deixar de pensar no fogo como o arché de todas as coisas de que Heraclito falava: uma substância geradora de ciclos de criação e mutação, transformadora do ser das coisas. 
Pode ser essa a alegoria de Atenas nestes dias. A de uma cidade que quer desesperadamente transformar a vida e os seres noutra coisa. E usa o fogo como símbolo dessa vontade indomável. Manifestamente, algo está em permanente, ou iminente, mudança.

Não sei se era ou não possível  evitar cair neste momento na vertente trágica que os gregos carregam no seu ADN. Mas se o crescendo de tensão que se vive na pólis levou a que as coisas chegassem a este ponto, nada ficará como era dantes. 
Então, que os filhos de Atena façam do fogo a sua substância redentora, o seu arché primordial, criador de uma nova era. E que haja a suficiente clarividência para fazer emergir uma nova ordem a partir do caos.

"Heraclito atribuiu o fogo como princípio de todas as coisas. "O fogo transforma-se em água, sendo que uma metade retorna ao céu como vapor e a outra metade transforma-se em terra. Sucessivamente, a terra transforma-se em água e a água, em fogo." Mas Heraclito era mobilista e afirmava que todas as coisas estão em movimento como um fluxo perpétuo. Ou seja, usa o fogo apenas como símbolo de todo este movimento. Heraclito imaginava a realidade dinâmica do mundo sob a forma de fogo, com chamas vivas e eternas, governando o constante movimento dos seres."
Heraclitus-Johannes Moreelse

"πάντα ῥεῖ " (Tudo flui), Heraclito de Éfeso, 535-475 a.C.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Whitney Houston, 1963-2012


Whitney Houston, dona de uma lindíssima voz e senhora de grande beleza, morreu subitamente aos 48 anos de idade, na véspera da festa dos Grammy Awards para a qual tinha sido convidada.
Nascida numa família de cantoras, como Cissy Houston, sua mãe e cantora de Gospel, ou Dionne Warwick, sua tia, com quem se habituou a cantar desde cedo no coro da Igreja, Whitney ainda era afilhada de Aretha Franklin e só poderia também ser cantora.
Diz-se que o seu estilo inspirou outros nomes da música americana, como Mariah Carey, Christina Aguilera ou mesmo Beyoncé. Talvez com menos produção mas mais voz, para mim Whitney era a melhor cantora de soul da sua geração. 

Depois de uma carreira cheia de tops e 170 milhões de discos e vídeos vendidos, Whitney partiu após prolongada luta contra uma terrível dependência de drogas e álcool. 
Numa entrevista à cadeia de televisão ABC em 2002 Whitney foi questionada sobre quais os tipos de substâncias que consumia: cocaína, marijuana, álcool, comprimidos, ou todas elas. Whitney assumiu a sua dependência dizendo "once in a while", mas disse também, ainda com alguma esperança na sua recuperação: "I don't like to see myself as an addicted, but someone who had a bad habit that can be broken". Por fim concluiu reconhecendo ser ela própria "o seu melhor amigo mas também o seu pior inimigo".

Parece que a sua consciência do problema e a força de vontade não foram suficientes; desde há dois anos as suas aparições em palco foram rareando e a voz dando sinais de enfraquecimento. 
Recordo aqui uma canção inesquecível do filme "Bodyguard", de 1992, com Kevin Costner. Por estranha ironia, o seu corpo foi encontrado na banheira do quarto de Hotel pelo seu bodyguard...
A canção é da autoria de Dolly Parton e para mim uma das mais bonitas de sempre, em que a voz de Whitney atinge um patamar de perfeição. 
Rest in Peace.



Post atualizado às 15:30.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Teu nome: Evert Hanssen

Óleo s/ tela: Vista de Delft, por Jan Vermeer

O TEU NOME

Escrevo o teu nome em cima
das folhas que lacrimejam
à tona da idade.
Eu próprio encosto as minhas mãos
transparentes à paisagem
que te ceifa os cabelos.

Vejo um cavalo ardente
na lança que rasga o vento.
A teus pés encontra-se uma flor
celeste que canta o azul das estrelas.

Levanto-me com o fogo da memória perdida.
Há uma montanha debaixo dos teus olhos
a que acaricio as pedras todas as manhãs.

Corre-me o sangue na tua cabeleira de prata.
A dor é um vinho novo que bebi
na tua taça de marfim…

Abre-se o céu que te adormece os ombros.
Palpita em mim um coração que se afasta de ti.

CLÁUDIO CORDEIRO, in UM TUDO NADA ÁGUA (a publicar)


(Daqui )


Para ti, querido Eef, no teu aniversário, em memória de uma amizade intemporal e que tem suplantado todas as adversidades. 
Para ti, em memória de 37 anos de um afeto que o tempo e a distância não conseguirão nunca quebrar. 
A maravilhosa Delft de Vermeer foi um dos nossos mais belos passeios, mas certamente não o último.
Milhares de parabéns, meu amigo, por seres um sobrevivente que não desiste de lutar.
Obrigada por nunca me teres perdido de vista, nos teus caminhos por este mundo. 

A Pieguice segundo Eça de Queirós

"Eu sou piegas na garganta. 
E você é-o no sentimento.
E o Craft é-o na responsabilidade. 
E o Damasozinho é-o na tolice. 
Em Portugal é tudo Pieguice e Companhia."

Eça de Queirós 

Parolices de governantes


Das duas uma...ou somos mesmo "piegas" ou então esta gente quer dar connosco em loucos!!
L.A.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Umberto Eco: "É a cultura, não a guerra, que cimenta a identidade Europeia"

Umberto Eco
"When it comes to the debt crisis," says Eco, "and I'm speaking as someone who doesn't understand anything about the economy, we must remember that it is culture, not war, that cements our [European] identity. The French, the Italians, the Germans, the Spanish and the English have spent centuries killing each other. Today, we've been at peace for 70 years and no one realises how amazing that is any more. Indeed, the very idea of a war between Spain and France, or Italy and Germany, provokes hilarity. The United States needed a civil war to unite properly. I hope that culture and the [European] market will do the same for us."
Leia o artigo completo no The Guardian 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Navio Escola Sagres, 50 anos


Apesar de ter sido lançado ao mar em 1937, na Alemanha, está ao serviço da Marinha de Portugal há 50 anos. As comemorações duram vários dias, mas oficialmente, o aniversário é hoje, dia 8 de fevereiro. 


Este navio, que se assume como um "embaixador de Portugal", essencialmente junto das comunidades portuguesas, leva também a cultura, a presença e os produtos nacionais aos países por onde passa. A "Sagres" já realizou várias voltas ao mundo e a sua relação com as entidades locais tem-se revestido de grande importância para o prestígio do nosso país.
A "Sagres" encontra-se na Doca de Alcântara e pode ser visitada por quem o desejar.
Consulte o site oficial aqui. Veja aqui a galeria de fotos digitais da "Sagres" pelo mundo.



Foi este o logótipo vencedor do concurso "para assinalar os 75 anos do lançamento à água do navio e os 50 anos ao serviço da Marinha Portuguesa e que resultou de um desafio lançado ao público, no dia 24 de outubro de 2011."
(c) Miguel António da Rocha e Silva

Mutilação genital feminina, uma barbaridade!



Assinalou-se na segunda-feira, dia 6, o "dia da tolerância zero com a mutilação genital feminina", um procedimento que já fez 140 milhões de vítimas no mundo. Portugal inclui-se (por inacreditável que pareça) nos países onde chegam às consultas de Ginecologia mulheres e meninas brutalmente mutiladas, com graves sequelas físicas e psicológicas para toda a vida. Muitos casos haverá por descobrir, em função da vergonha e do medo de represálias por parte dos pais ou maridos, sobretudo em raparigas originárias de países africanos. A denúncia sistemática é a melhor forma combater ferozmente esta barbaridade, que ainda assola a condição de muitas mulheres no século XXI. Não se pode tolerar esta prática cruel, ainda que em nome de uma qualquer cultura ou tradição. Ela viola os mais elementares direitos de cidadania e igualdade de género que a ONU e a OMS defendem. 
Lelé Batita


(Ver aqui notícia sobre o assunto.)

Eu, piegas me assumo

Cartoon de Augusto Cid

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Charles Dickens, 200 anos

Faz hoje 200 anos que nasceu Charles Dickens, o escritor britânico que tão bem retratou os pobres e oprimidos; aqueles que vagueavam nas ruas em busca de pão, moedas ou abrigo; o menino que esborrachava o nariz contra a vidraça do salão de chá, mirando de soslaio aqueles que tinham a felicidade de saborear os bolos a que ele não tinha acesso...
Devia ser um génio piegas este Charles!





Por Inglaterra comemorou-se o aniversário do escritor com honras de realeza britânica (o príncipe Charles e Camila) e por cá com nomes da Cultura e das Artes. O Google homenageou-o com este grafismo:


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Elizabeth Alexandra Mary

Mais conhecida como Isabel II de Inglaterra, reina há 60 anos e é monarca de 16 Estados independentes da Commomwealth e mais 11 territórios não autónomos.
É filha do Rei George VI e tem agora 85 anos. 
Com uma fortuna calculada em 275 milhões de libras, a rainha continua a representar para muitos britânicos a ideia de estabilidade e união.
Celebrará no decurso de 2012 o Jubileu de Diamante. 
O seu reinado é o segundo mais longo depois do da Rainha Victoria no Reino Unido.

François Truffaut, 80 anos



O cineasta francês François Truffaut, que marcou gerações faria hoje 80 anos.
Alguns dos filmes ainda hoje mais recordados são A Noite Americana, O Menino Selvagem, Jules et Jim, Os Incompreendidos, Beijos Roubados, A Sereia do Mississipi, Farenheit 451, Duas Inglesas e o Continente, A História de Adèle H., A Idade da Inocência, O Homem que Amava as Mulheres, O Último Metro e A Mulher do Lado.
Truffaut inspirou muitos realizadores tanto da Europa como dos EUA, entre eles Steven Spielberg, Quentin Tarantino, Brian De Palma ou Martin Scorsese.
Trabalhou com atores e atrizes de primeira categoria, como Jeanne Moreau, Catherine Deneuve, Fanny Ardant, Jacqueline Bisset, Isabelle Adjani, Gérard Depardieu ou Jean-Paul Belmondo.




domingo, 5 de fevereiro de 2012

Fim de domingo

Exposição sobre Fernando Pessoa na Gulbenkian

"Exposição dedicada a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos, que pretende mostrar toda a multiplicidade da obra do grande poeta de língua portuguesa, conduzindo o visitante numa viagem sensorial pelo universo de Pessoa, para que leia, veja, sinta e ouça a materialidade das suas palavras. Com curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, nesta exposição encontra-se um espaço repleto de poemas, textos, documentos, fotografias e pintura, onde se incluem raridades como a primeira edição do livro Mensagem, com uma dedicatória escrita pelo poeta."

De 10 Fev 2012 a 30 Abr 2012
Das 10:00 às 18:00
Encerra Segunda-feira e domingo de Páscoa
Edifício Sede
Entrada: €4

Ver mais informação aqui.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dia Mundial da Luta Contra o Cancro

(c) Jos Burton

A Internet, um pau de dois bicos

Mata Hari

Quem trabalha habitualmente com as funcionalidades da Google, já se deu conta dos alertas que têm vindo a surgir sobre as novas políticas de privacidade, a entrar em vigor a partir de 1 de março de 2012.


A Visão desta semana traz um artigo a alertar para o facto de que essa empresa fornece os dados dos utilizadores a outras empresas (o termo usado é mesmo "vende"), que depois, na sua posse, irão "oferecer" ao assinante produtos e serviços de vários tipos, adequados ao seu perfil.


Pelo cruzamento de dados entre os diversos portais do Google, a saber, o You Tube, o Picasa, o Google Talk, o Gmail ou o Blogger, recolhe-se informação suficiente para perceber o conjunto de interesses ou necessidades do utilizador. Assim, os nossos dados pessoais são usados para fins publicitários sem que o possamos evitar.


A autora do artigo (Patrícia Fonseca), aconselha a fazer o seguinte teste: "Experimente escrever um e-mail criticando o novo Jaguar do seu patrão e repare na quantidade de anúncios a automóveis que desfilarão no seu ecrã..." 


Também pode experimentar queixar-se aos seus amigos via e-mail de lesões dos joelhos ou fazer pesquisas sobre isso na Internet, e eis que todos os dias passará a ver desfilar na sua frente anúncios de vários produtos "infalíveis" para "curas rápidas", "definitivas" e "garantidas" de problemas como artrites, artroses, reumatismos, lesões desportivas, traumáticas e outras!


Tudo fica registado e tudo será cruzado por mecanismos automáticos que não controlamos. Na verdade já todos sabíamos disto, mas é mais cómodo pensar que isso não é bem assim, pelo desconforto que causa saber que a nossa privacidade é devassada por entidades que nem sequer conhecemos.


Teremos de deixar de fazer Blogues, cancelar contas no Facebook e deixar de enviar e-mails aos nossos amigos, sob pena de não termos mais vida privada e tudo ficar escancarado? Sim, se preciso for; mas isto é um grave atentado aos direitos à correspondência privada, assim como à confidencialidade das pesquisas realizadas na Internet, que supostamente devia ser garantida aos utilizadores.


Eu não vos dizia que "the Big Brother is watching you"? Orwell tinha uma visão clara do futuro.

Vasco Graça Moura pretende revolucionar a Língua Portuguesa repondo a ortografia de Fernão Lopes

Vasco Graça Moura
Comissário político da própria vaidade, lastro e contrapeso do séc. XXI
"Neste dia da graça do Senhor de dôus de Fevereiro de 2012, houve-se neste Scentro ordem para que se poessêm tôdal'as palavras em sua devida orden, como sempre foram, para poder vel-as na expressão que teem, e sempre tiveram, e tôdalas gentes capazes de as apprender e uzar, na ordem da nossa philosofia, banindo peripherias desprezíveis da sensibilidade, apartadas do nobre stoicismo que reger-nos nos deve.

Que não se entenda este accto como caminho que passe por ôutro poncto, mas antes comprehendamos, e comprehendamos sempre, que não sôem ser estes acctos capellas ou grinaldas de diferente comprehensoom de nossa antigüa língua, afastando de nós essas veleidades, por mais que as poêssem como verdades, porque ellas e elles mais nos apartam da Contemplaçam, vellando-se atrás de pallavras, o sentido esthetico da fala, pois sentir hoje não é o mesmo que hontem não sentir. E mais se acresce, ó Juppiter, Pae Soberano, acima de todos os immortais: não te reprehendas, antes regosija-te, porque a jerarchia, mesmo quando não ditada pela Sabedoria, tem em si uma metaphysica das cousas d'ella que o ethereo assento justifica.
Solta tuas redeas, e aponta teu olhar n'estes preceitos, infundindo-lh'os, prosapia dos mortaes, que o fulgor do perniçioso torna em cylindros do Entenddimento.
"No caso que tenhas obrado mal, reprehende-te; e se bem, regosija-te".
Vasco da Grassa Môura
Com escolios e anottações críticas, na Regis Officina Typografica do Scentro Cultural de Behelem, acrescend'o-se normas anotadas e traducções, por neccessárias. 
Lisbôa, dous de Fevereiro do Anno da Graça de Dous Mil e Dôze. 
       
(Autoria: The Braganza Mothers com ortografia retirada de textos de Fernando Pessoa)