sábado, 15 de setembro de 2012

É a hora!

Fernando Pessoa
(c) Jean-Claude Fournier

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal hoje és nevoeiro...

Fernando Pessoa

2 comentários:

  1. Tristes versos, tristes lamentos que hoje enevoam o grande Portugal.
    Bjos Lelé.
    Calu

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  2. Relendo os textos de tantos dos nossos escritores cerca-nos uma grande tristesa ao constatarmos que infelizmente Portugal não aprende e repete-se constantemente. Bj. gr.

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