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sábado, 9 de março de 2019

Pedro Álvares Cabral partiu a 9 de Março


Caravelas da armada de Pedro Álvarez Cabral utilizadas na viagem de descoberta do Brasil. 
Livro de Lisuarte de Abreu, c.1558. The Pierpont Morgan Library, Nova York.

Depois de uma missa celebrada na ermida do Restelo, a que assistiram o rei D. Manuel e toda a Corte, a armada de Pedro Álvares Cabral zarpava da barra do Tejo, neste dia de 9 de Março de 1500, rumo a Calecut, viagem que resultou na “descoberta” do Brasil. 
O comandante, que então teria pouco mais de trinta anos, tinha a seu mando uma poderosa armada de 13 naus. O objetivo era realmente a cidade de Calecut, na Índia, onde era preciso reafirmar a dominação portuguesa depois da viagem de exploração que Vasco da Gama tinha realizado dois anos antes.

 Foto acima: Nau de Pedro Álvares Cabral/Wikipédia
Uma réplica da nau Capitânia da armada de Pedro Álvares Cabral pode ser visitada no cais do Centro Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro.
É uma cópia, feita a partir de fontes iconográficas do século XVI, de uma das 13 embarcações que constituíam a frota de Pedro Álvares Cabral. A nau capitânia alberga agora uma exposição que pretende mostrar como era a vida a bordo na época. 


Partida de Pedro Álvares Cabral em 1500. Faiança Portuguesa- Prato da Fábrica de Alcântara, finais séc. XIX. 
Cortesia de Tita Fan

sexta-feira, 8 de março de 2019

A verdade sobre o Dia Internacional da Mulher


Durante séculos, o papel da mulher incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa. Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar. Com o incremento da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX, muitas mulheres passaram a exercer uma atividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta na Europa e nos EUA.
A lenda do Dia Internacional da Mulher como tendo surgido na sequência de uma greve, realizada em 8 de Março de 1857, por trabalhadoras de uma fábrica de fiação ou por costureiras de calçado - e que tem sido veiculada por muitos órgãos de informação - não tem qualquer rigor histórico, embora seja uma história de sacrifício e morte que cai bem como mito.
Em 1982, duas investigadoras, Liliane Kandel e Françoise Picq, demonstraram que a famosa greve feminina de 1857, que estaria na origem do 8 de Março, pura e simplesmente não aconteceu, não vem noticiada nem mencionada em qualquer jornal norte-americano, mas todos os anos milhares de órgãos de comunicação social contam a história como sendo verdadeira («Uma mentira constantemente repetida acaba por se tornar verdade»).
Verdade é que em 1909, um grupo de mulheres socialistas norte-americanas se reuniu num "party’, numa jornada pela igualdade dos direitos cívicos, que estabeleceu criar um dia especial para a mulher, que nesse ano aconteceu a 28 de Fevereiro. Ficou então acordado comemorar-se este dia no último domingo de Fevereiro de cada ano, o que nem sempre foi cumprido.
A fixação do dia 8 de Março apenas ocorreu depois da 3ª Internacional Comunista, com mulheres como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin. A data escolhida foi a do dia da manifestação das mulheres de São Petersburgo, que reclamaram pão e o regresso dos soldados. Esta manifestação ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 1917, que, no Calendário Gregoriano (o nosso), é o dia 8 de Março. Só a partir daqui, se pode falar em 8 de Março, embora apenas depois da II Guerra Mundial esse dia tenha tomado a dimensão que foi crescendo até à importância que hoje lhe damos.
A partir de 1960, essa tradição recomeçou como grande acontecimento internacional, desprovido, pouco e pouco, da sua origem socialista.
Se consultarmos o calendário perpétuo e digitarmos o ano de 1857, poderemos verificar que o 8 de Março calhou a um domingo, dia de descanso semanal, pelo que, em princípio, nunca ocorreria uma greve nesse dia. Há quem argumente, no entanto, que, durante o século XIX, a situação da mulher nas fábricas dos Estados Unidos era de tal modo dramática que trabalharia 7 dias por semana.
Desde 1975, em sinal de apreço pela luta então encetada, as Nações Unidas decidiram consagrar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.

Fonte: www.leme.pt
- Pesquisa efectuada por Maria Luísa V. Paiva Boléo

Cortesia de Tita Fan

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Defenestração precisa-se...

Maluda - janela de Lisboa
... para quem tem o mau gosto e a triste ideia de abolir do calendário dos dias comemorativos aquele que foi o da restauração da independência de Portugal. Espanha já pousava aqui o seu poder desde há 60 longos anos. E chegou o dia de dizer basta!
Sem o dia 1 de dezembro de 1640, já todos falaríamos castelhano há muito tempo, já não seríamos país e nenhuma das outras datas que ainda nos restam seriam comemoradas.
Conseguiram abolir dois dos mais simbólicos feriados para a identidade de Portugal: o 1 de dezembro e o 5 de outubro; e assim, com eles, numa penada só, remeter para as brumas os ideais republicanos e a ideia de independência.
Depois das demências sebastiânicas, temos os desmandos de um bando de imbecis que só vêem cifrões diante do nariz e para quem até os mais significativos eventos da História bem podem ser apagados da memória coletiva. 
São uns tristes, para quem a cultura é um superavit de luxo para distração de intelectuais! E nós que os aturemos!

domingo, 9 de novembro de 2014

25º aniversário da queda do muro de Berlim


"O Muro de Berlim era uma barreira física construída pela República Democrática Alemã durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental, separando-a da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental." (Wikipédia)



A 9 de novembro de 1989 esta estrutura foi derrubada, ante o regozijo de milhares de berlinenses dos dois lados. O que dela resta é uma herança simbólica da Guerra Fria, da separação Leste-Oeste, não só dentro da Alemanha, mas por todo o mundo, para onde foram exportadas dezenas de fragmentos.
Estimulada pela Perestroyka de Gorbachov, a Europa de Leste viria a conhecer uma nova era de liberdade; e a queda do muro simbolizou a destruição da "cortina de ferro" sob a qual os países do leste tinham vivido, com a cidade de Berlim aprisionada por um muro desde 1961, ano da sua construção. 
Uma aurora de esperança nascia com o seu derrube, há 25 anos.
Hoje o troço do muro que está preservado foi transformado em galeria de arte a céu aberto, com centenas de graffiti que retratam a opressão, o racismo, as prisões, a censura, mas também a liberdade, a mudança e a esperança. 
Em 2000, de visita a Berlim, senti que a capacidade criativa e regeneradora dos povos e das gentes que confluem na capital alemã fizeram do muro de Berlim um Museu vivo e em constante evolução. Ele constitui um testemunho histórico importantíssimo para a memória dos seus antigos habitantes, mas também promove uma aprendizagem sobre o passado, junto das gerações de jovens que nasceram após a sua queda. 


Porta de Brandenburgo
Os 16 km originalmente ocupados pelo muro em Berlim, estão durante este fim de semana reconstituídos através de uma fileira de balões luminosos para comemorar este aniversário. 

sábado, 18 de outubro de 2014

Centenário da 1ª Guerra Mundial

Marcha para a primeira linha (frente), por Sousa Lopes
Pormenor do quadro no Museu Militar
Assinala-se este fim de semana na Assembleia da República o Centenário da 1ª Guerra Mundial, que começou em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918. Perderam a vida 7000 combatentes do corpo expedicionário português. 
Entre as mortes nas trincheiras (principalmente na Flandres), para além dos ferimentos em combate, as doenças infeciosas (como a febre tifóide, a sífilis, a gonorreia e a tuberculose), foram as maiores causas desta tragédia de enormes proporções, para um país já de si enfraquecido como estava Portugal.
Segundo alguns historiadores, a participação nesta guerra foi o maior erro que este país já cometeu. Devemos homenagear os mortos, esperando que não haja mais nenhum conflito destas proporções. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Aniversário da Revolução Francesa

A tomada da Bastilha ocorreu a 14 de Julho de 1789. Convém assinalar o aniversário da Revolução Francesa, sobretudo em tempos como estes, em que os seus valores fundamentais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade às vezes parecem envoltos num véu de esquecimento.
Eles foram referências inspiradoras para a Revolução Republicana que viria a ocorrer em Portugal em 1910.

sábado, 7 de junho de 2014

Dia D, 70 anos

Foto: Pérola de Cultura, Normandia, Agosto de 2012

Recordamos hoje o Dia D nas praias do desembarque na Normandia, 70 anos depois. 
No dia 6 de Junho de 1944 deu-se o princípio do fim do nazismo.
Hoje na Normandia, mais propriamente na praia de Arronches-les-bains, juntaram-se muitas personalidades dos países envolvidos e também antigos combatentes que participaram na operação, uma das mais bem planeadas e inteligentes das forças aliadas. 
Muitos meses e muitos mortos depois era assinalado o fim da II Guerra Mundial, uma das mais mortíferas, sangrentas e cruéis que a História já conheceu.
Pela componente racista e paranóide dessa guerra, que permitiu o extermínio de milhões de seres humanos, hoje mais do que nunca, é preciso ler precocemente os sinais e evitar a todo o custo que estas memórias se apaguem. Para que o mundo nunca mais assista nem suporte algo de semelhante.

domingo, 1 de dezembro de 2013

A Independência e a Restauração - texto de Carmela


Este senhor, que dá pelo nome de Miguel de Vasconcelos e a quem de nada valeu esconder-se num armário, acabou de ser defenestrado. Foi assim que se fez a Restauração e se proclamou a independência. Dantes era feriado, agora já não é - a independência anda pelas ruas da amargura e a restauração tem o IVA a 23%, salvo erro e, salvo erro, com tendência para subir; os vasconcelos é que não tendem a descer e as conjuras perdem-se inter-conjurados, com golpes palacianos em que se arrecadam as pratas, em vez de as atirarem pela janela. 

1º de Dezembro, apesar de já não ser feriado

Convém não deixar que nos apaguem as memórias de um país que sempre lutou pela sua independência.

Ver texto e imagem daqui

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dia Internacional da Filosofia


A atriz Barbara Sukowa no filme "Hannah Arendt"

Não queria deixar de assinalar este dia, significativo para mim e para um núcleo de colegas meus.
Assim, e porque a season cinematográfica nos presenteou este ano com um filme que parece ter mexido com professores e alunos, escolho o filme "Hannah Arendt", da alemã Margarethe Von Trotta, sobre a figura da filósofa judia alemã do século XX, que coloca algumas questões, quanto a mim bastante controversas, sobre as suas teorias do mal. 
Ainda uma outra sugestão que aqui deixo a quem interessar: um documentário no qual Hannah Arendt é entrevistada, começando por negar-se filósofa.


Hannah Arendt (1906-1975)
Durante alguns dias deixarei aberta a todos, incluindo leitores anónimos e/ou não registados, a caixa de comentários, sem qualquer tipo de espera nem moderação, para que possam comentar e partilhar as suas reflexões, se assim o desejarem.
Espero que não deixem de ver o filme e se divirtam com as vossas reflexões e discussões. Quer gostem ou não de Filosofia. 
A política, a sociedade e os Estados padecem de vários males que têm vindo a manchar a História. O século XX diz-nos a todos respeito. Os nossos pais viveram o tempo da guerra e como tal, não podemos nunca branquear os acontecimentos.
Aos meus colegas e amigos envio uma saudação especial neste Dia Internacional da Filosofia.







terça-feira, 9 de abril de 2013

Séneca ainda muito atual

"Para formar juízos de valor sobre as grandes questões há que ter uma grande alma...
O que interessa não é o que vemos mas o modo como o vemos; e no geral o espírito humano mostra-se cego para a verdade."
Séneca
"Cartas a Lucílio"

sexta-feira, 1 de março de 2013

Parabéns ao Rio de Janeiro


A cidade maravilhosa faz hoje 448 anos da sua fundação oficial. 
Muitos parabéns a todos os cariocas! Eis aqui um pouco da História:

Aniversário da Cidade
1º de março ou 20 de janeiro? - Muitos ficam indecisos entre as duas datas. Por isso, inúmeras vezes se tem comemorado o aniversário do Rio de Janeiro no dia do santo padroeiro. Para afastar quaisquer dúvidas, fica aqui registado sucintamente o episódio de fundação da cidade. Em 1555, os franceses invadiram o Rio de Janeiro pretendendo aqui fundar uma colónia. Em 1564, os portugueses resolveram, enfim, organizar uma expedição para expulsá-los e fundar uma cidade fortificada com o objetivo de impedir para sempre outras investidas. Estácio de Sá, sobrinho do governador Mem de Sá, chegou em terras cariocas no dia 28 de fevereiro com alguns navios e soldados, desembarcando na praia entre o morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar. No dia seguinte, 1º de março de 1565, fundou oficialmente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao rei menino de Portugal e escolheu o santo de mesmo nome para padroeiro, a quem se presta homenagem no dia 20 de janeiro. A lenda diz que o mordomo encarregado de cuidar da capela do santo foi atacado por índios. Invocou seu nome e imediatamente chegaram reforços. Em uma das canoas um moço louro lutou bravamente, desaparecendo depois de finda a batalha. Foi identificado como sendo o santo padroeiro que lutara em defesa de sua cidade.
Por feliz coincidência (?), um grande mestre do samba, natural do Rio de Janeiro e ele próprio um símbolo da cultura carioca, o pagodeiro Jorge Aragão, faz também hoje 64 anos. Desejo-lhe muitos mais anos de vida, para nos brindar com o seu talento e as suas músicas inigualáveis. Parabéns! 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Os Miseráveis


Para os amantes da História, aqui está uma excelente metáfora dos dias conturbados pós-Revolução Francesa. 
Jean Valjean, entre a tortura dos trabalhos forçados e as constantes fugas do seu inimigo de longa data Javert, encontra a ternura de uma menina, órfã de uma antiga empregada sua, dos tempos de anonimato, cuja candura o faz mudar para sempre. 
Por dentro do sobrevivente aventureiro existe a ternura de um pai, um amigo e companheiro de lutas, que fica inesquecível na memória de todos os que tenham lido este épico maravilhoso de Victor Hugo. 
Têm sido muitas as adaptações ao cinema e mais recentemente ao teatro musical, de cuja peça nasceu esta última produção. 
Desde 1958, com Jean Gabin, até 2000 com Gérard Depardieu e John Malkovitch, passando pela criação de Claude Lélouch com Jean-Paul Belmondo em 1995, e uma outra com Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman e Clare Danes em 1998, o público cinéfilo tem vindo a apreciar as várias versões de "Os Miseráveis". 
Esta última, nomeada para vários Óscares, encantou-me, não só pela excelência das reconstituições, como também pelas metáforas, belíssimas, da Revolução. 
A cena final evoca claramente "A Liberdade guiando o Povo" de Delacroix, enquanto a primeira cena nos remete para filmes como o "Ben-Hur" ou "Quo Vadis", pelos planos e pelas cenografias esplendorosas.
Mas a verdadeira e melhor surpresa são atores como Russell Crowe ou Hugh Jackman a cantarem mesmo bem e sem dobragem. 
Anne Hathaway é comovedora pela forma convincente como canta. 
E claro, a bela e dotada Amanda Syfried, que desde "Mamma Mia", cada vez canta melhor. 
Vale a pena ver este filme, do mesmo produtor de "O Fantasma da Ópera" e do realizador de "O Discurso do Rei", Tom Hooper
Três horas de pura excelência e encanto.  



sábado, 1 de dezembro de 2012

Conjurados e exconjurados


Os tempos vão mesmo beras. E há sintomas e sinais de destruição de uma nação profundamente doente e cujas chagas não cessam de se aprofundar. Hoje não venho referir a tristeza e o desconforto dos bolsos vazios de muitos portugueses. Disso nem é bom falar. 
Mas não posso deixar de falar do retrocesso que constitui a progressiva tentativa de abolir as nossas memórias históricas, como datas de comemorações importantes para a nossa identidade nacional. 
Fazer passar ao esquecimento dias como o 5 de outubro ou o 1º de dezembro são uma afronta a quem preza minimamente a cultura e a História de um país e de um povo. 
Homenagear aqueles que, com bravura, lutaram pela independência nacional em 1640, era o que se costumava fazer a 1 de dezembro, assinalando o dia como feriado, pelo seu significado simbólico. 
Haverá algo mais importante para a identidade de um país do que a sua independência? Parece-me básico. No entanto, ao que se diz, este será o último 1º de dezembro como feriado nacional.
O mesmo se anunciou a 5 de outubro. Pode passar a não se falar mais sequer daqueles que derrubaram o regime monárquico em 1910 para instaurar uma forma de governo com ideais republicanos e democráticos, com vista ao desenvolvimento do país em moldes mais justos e igualitários.
Manter vivas estas duas datas na memória dos portugueses, seria o mínimo do respeito pelas efemérides em causa na História de Portugal, se para tal houvesse brio e vergonha.
Por este caminho, dentro de poucas gerações, já mais ninguém saberá o que foram a restauração da independência ou a implementação da República e passarão rapidamente a ficar envoltas nas brumas da memória.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A “Comunicação” até Gutenberg – (apontamentos)



Os homens sentiram sempre uma grande necessidade de comunicação, (as pinturas rupestres são disso os primeiros exemplos), e através dos tempos,  foram vários os suportes e meios utilizados, que têm sido uma importante fonte de informação para o estudo da história das civilizações.

A escrita pictográfica, base da escrita cuneiforme e dos hieróglifos é a origem de todas as formas de escrita e continua a ser utilizada. A escrita ideográfica surge como evolução da escrita pictográfica e os seus símbolos já representam objetos, ideias ou palavras completas associadas aos sons nas diversas línguas.
Verifica-se, assim, na evolução da escrita duas fases essenciais a ideográfica e a fonética.
Os sumérios que com os semitas formaram a Mesopotâmia no 4º. Milénio AC, considerados os inventores da escrita, mais de 20000 ideogramas, importante feito pela sua precisão e detalhe na fixação dos factos e pensamentos, começaram com um sistema pictográfico. Os símbolos sumérios eram desenhados na argila com um caniço afiado chamado estilete. Com o passar dos tempos em vez de traçar riscos passaram a imprimir com uma lâmina talhada em bisel, dando na argila a aparência de pregos ou cunhas, de onde derivou o nome cuneiforme.
Têm sido descobertas milhares de tabuinhas de argila de todos os tamanhos e épocas, não só com registos de negócios mas até cartas pessoais.
A escrita cuneiforme só foi possível ser decifrada através da “Inscrição de Behistun” (Monte Behistun-Irão), descoberta em 1598, texto escrito em três línguas e alfabetos diferentes. Foi uma investigação longa em que se destacaram o alemão Georg Grotefend que, em 1802, descobriu a chave para a decifração da escrita cuneiforme e o inglês Henry Rawlinson que desenvolveu um trabalho difícil e intenso, até que o sistema de escrita fosse totalmente descrito em 1847. A sua importância é comparável à “Pedra de Rosetta”, chave principal da decifração dos hieróglifos, descoberta em 1799, um decreto grafado em hieróglifos e em grego. Foi estudando e comparando esses escritos com outra inscrição bilingue de um obelisco, que Jean-François Champollion conseguiu em 1822 o grande mérito da completa decifração da escrita egípcia.

Uma nova escrita surgiu com o alfabeto fenício composto de 22 letras/sinais, só consoantes, que os gregos aperfeiçoaram e a partir do qual se formou de entre outros o alfabeto latino, que os romanos disseminaram. Na Idade Média iniciou-se uma atividade de reprodução manual de vários textos, sendo exercida principalmente nos mosteiros por grupos de monges. Livros começaram, então, a ser artesanalmente fabricados. Contudo, aumentada a procura, começou a ser utilizada a xilogravura que permitia produzir mais exemplares, mas nem mesmo as técnicas artesanais de gravura conseguiam atender ao aumento da procura de livros.
 A grande revolução aconteceu quando o gráfico alemão Gutenberg, por volta de 1439, introduziu a forma moderna de impressão, passando a utilizar "Tipos Móveis", em liga de metal, na sua prensa, possibilitando a produção e divulgação alargada do livro e, também, uma grande economia de custos para as gráficas e para os leitores. A sua maior obra foi a "Bíblia de Gutenberg", de grande qualidade técnica e estética.
Em 1899, o A&E Network classificou Gutenberg como o nº 1 na sua relação das "Pessoas do Milénio". Em 1997, a revista Time-Life escolheu a invenção de Gutenberg como a mais importante do segundo milénio. O verbete Johann Gutenberg da Catholic Encyclopedia descreve a sua invenção como tendo um impacto cultural praticamente sem paralelo na Era Cristã.

Outras fontes:
Documentário da RTP2-Notícias da Mesopotâmia, por Jean Bottero-1995
tipógrafos.net-História  da tipografia;
amaury.pro.br/textos/Escrita-História;
Wikipédia
Alfabetos-www.multimedia.pt/musevirtpress/

Tita Fan


(c) José Ruy, Gutenberg

Nos próximos dias publicaremos uma série de pranchas dedicadas a Gutenberg desenhadas por José Ruy em 1945.

sábado, 3 de novembro de 2012

A refundação do Estado português

A fundação do reino de Portugal foi feita por D. Afonso Henriques lá para as bandas de 1143, depois de ter andado à pancada com a mãe e o primo, rei de Castela. 
Pode dizer-se que a vontade de fundar uma nação devia ser mesmo grande para justificar tais demandas, pelo que o seu cognome é "O Fundador".
Depois, ainda veio por aí abaixo à espadeirada, contra tudo o que cheirava a mouro, justificando o seu segundo cognome "O Conquistador".
Agora estamos a assistir estupefactos à segunda fundação, ou seja, à "refundação".
Passados quase 900 anos, refunda-se Portugal pela mão de estrangeiros, vindos de sabe-se lá onde e por que espúrios motivos e extravagantes vontades!
Ainda por cima pessoas com nomes estranhos, como Selassie...
Podia ser Joaquim, Silva ou Pires. Mas não, é Selassie; podia ser Kroger ou Ruffer . Mas não, é Selassie. Podia ser Costa, Ferreira ou até Barroso, mas não: é Selassie! 
Portanto, em 1143 tivemos o Fundador, D. Afonso Henriques, filho do Conde D. Henrique de Borgonha e de D. Teresa de Leão, nascido em Viseu (embora as versões oficiais digam que foi em Guimarães). Em 2012 temos o Refundador, de nome Abebe Aemro Selassie, nascido na Etiópia, que não deixa o caminho criar erva, como chefe da troyka, a dar sentenças sobre o que é melhor para "salvar o estado português". Ora esta!
Este nome só pode ser de ascendência moura. Ai, se D. Afonso Henriques o apanhasse a jeito aqui em Lisboa, não escaparia por certo aos presumíveis 60 Kg da sua espada! 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Peregrinação


(c) José Ruy /Meribérica Liber

A propósito da exposição “Peregrinação”, que se encontra no CNBDI inserida no tema – Autobiografia – do Festival Amadora BD 2012…



Fernão Mendes Pinto "Peregrinação" 
1ª página, 1ª edição

É muito conhecida a expressão “Fernão mentes? Minto” que durante muitos anos acompanhou a obra “Peregrinação”, depreciando-a.

A Peregrinação é, hoje, considerada por estudiosos e investigadores uma obra-prima da literatura portuguesa do século XVI, ombreando com “Os Lusíadas”.
“Os Lusíadas” é uma obra clássica, uma epopeia que celebra e enaltece o povo português, isenta de críticas, contemplando, também, a ficção.
Fernão Mendes Pinto criou outro género de literatura, mais realista, talvez com menos técnica. Ele relata a sua história, o que sentia na pele, o que via com os seus próprios olhos, denuncia intrigas, corrupção, analisa os comportamentos dos homens, a possível intervenção divina, sempre na primeira pessoa.
Segundo alguns analistas a “Peregrinação” não poderá ser lida no sentido restrito de uma viagem pois os símbolos de fé e acontecimentos nela contidos conduzem também, a uma leitura de jornada missionária. Outros, ainda, admitem que poderá ser considerado o primeiro livro de viagens da literatura portuguesa, sendo, no entanto, superior como obra.
As suas descrições sobre animais e paisagens exóticas e situações difíceis de conceber eram extraordinárias e um desafio à imaginação dos leitores da época, que desconheciam completamente o mundo asiático.
Existem dúvidas de que todas as descrições tenham sido, realmente, vivenciadas por Fernão Mendes Pinto, calculando-se que ele utilizou relatos de outras pessoas, que soube incorporar muitíssimo bem, e que utilizou alguma ficção. Contudo, cotejando a “Peregrinação” com obras de autores eruditos e reconhecidos como João de Barros, Fernão Lopes de Castanheda ou Gaspar da Cruz, e, ainda, com base em estudos de documentos asiáticos, foi ficando confirmado que todas as informações estavam certas, que Fernão Mendes Pinto relatou a realidade e que todo o texto é considerado fiável e uma inestimável fonte de informação para se conhecer tudo por que passavam os navegadores e aventureiros que embarcavam nas caravelas portugueses a caminho do oriente.
Foi no contexto a seguir à assinatura do Tratado de Tordesilhas, quando Espanha e Portugal dividiram as terras descobertas e a descobrir, numa época de navegação no auge, Portugal apostando na expansão do comércio e da fé, no oriente, que Fernão Mendes Pinto resolveu embarcar para a Índia. Tinha então 28 ou 30 anos. Durante 21 anos, exerceu funções diplomáticas entre outros cargos, foi 13 vezes cativo e 17 vendido e entre muitas mais coisas protagonizou a entrega da primeira espingarda ao “Daimio” japonês, episódio que ainda hoje é celebrado e perdura na memória cultural japonesa.
Encontrou paz ao conhecer São Francisco Xavier e resolveu ingressar como noviço, na ordem religiosa dos jesuítas. Por fim, em 1558, desiludido, regressou à pátria, instalou-se no Pragal-Almada onde escreveu a sua epopeia realista.
A “Peregrinação” só viria a ser publicada em 1614, 31 anos após a sua morte, não sendo talvez alheios a esse facto o “Santo Ofício” e a própria Companhia de Jesus a que pertencera. Apesar das omissões, cortes ou alterações que o original poderá
ter sofrido a edição obteve de imediato um enorme sucesso. Dezanove edições em 6 línguas.

Fontes:- Documentário sobre a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto da Série da RTP “Os Grandes Livros”-2009. Neste documentário foram incluídas páginas e vinhetas da BD de José Ruy.
-Wikipédia

Tita Fan

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

5 de outubro, Dia da República

Praça do Município, Lisboa, 5 de outubro de 1910

Hoje é também o dia da implantação da República em Portugal, em 1910. Vai deixar de ser feriado. Talvez assim os mais novos deixem de ter oportunidade de saber o que foi isso.
Embora há dois anos se tenha gasto uma fortuna com as comemorações do Centenário da República, subitamente e sem razões plausíveis (ou sequer compreensíveis, para mim), este dia parece ter perdido toda a relevância e pode bem ser apagado da História de Portugal; assim como o Dia da Restauração da Independência a 1 de dezembro de 1640, quando o país se libertou de 60 anos de domínio espanhol.
Triste país este, que assim vai dando campo a que a memória se perca e a História se dilua, em nome de interesses de duvidosa valia.  

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Abu Simbel em Óbidos


"Abul-Simbel é um complexo arqueológico constituído por dois grandes templos escavados na rocha, situados no sul do Egipto, no banco ocidental do rio Nilo perto da fronteira com o Sudão, numa região denominada Núbia, a cerca de 300 quilómetros da cidade de Assuão. No entanto, este não é o seu local de construção original; devido à construção da barragem de Assuão, e do consequente aumento do caudal do rio Nilo, o complexo foi trasladado do seu local original durante a década de 1960, com a ajuda da UNESCO, a fim de ser salvo de ficar submerso.
Os templos foram construídos por ordem do faraó Ramsés II em homenagem a si próprio e à sua esposa preferida Nefertari. O Grande templo de Abu Simbel é um dos mais bem conservados de todo o Egipto."
In Wikipedia 
(Foto: Câmara Municipal de Óbidos)

Para quem, como eu, considera remota a hipótese de ver o templo original no Egito, dispõe agora de uma possibilidade mais à mão; trata-se de uma réplica deste monumento, em menor dimensão, instalada em Óbidos desde o dia 14 de setembro e até  31 de outubro. Esta obra é de autoria de Hany Mostafa e está instalada na cerca do Castelo, no Terreiro de Santiago. As entradas variam entre 1,5 e 5 euros.