quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Dia Internacional da Filosofia


A atriz Barbara Sukowa no filme "Hannah Arendt"

Não queria deixar de assinalar este dia, significativo para mim e para um núcleo de colegas meus.
Assim, e porque a season cinematográfica nos presenteou este ano com um filme que parece ter mexido com professores e alunos, escolho o filme "Hannah Arendt", da alemã Margarethe Von Trotta, sobre a figura da filósofa judia alemã do século XX, que coloca algumas questões, quanto a mim bastante controversas, sobre as suas teorias do mal. 
Ainda uma outra sugestão que aqui deixo a quem interessar: um documentário no qual Hannah Arendt é entrevistada, começando por negar-se filósofa.


Hannah Arendt (1906-1975)
Durante alguns dias deixarei aberta a todos, incluindo leitores anónimos e/ou não registados, a caixa de comentários, sem qualquer tipo de espera nem moderação, para que possam comentar e partilhar as suas reflexões, se assim o desejarem.
Espero que não deixem de ver o filme e se divirtam com as vossas reflexões e discussões. Quer gostem ou não de Filosofia. 
A política, a sociedade e os Estados padecem de vários males que têm vindo a manchar a História. O século XX diz-nos a todos respeito. Os nossos pais viveram o tempo da guerra e como tal, não podemos nunca branquear os acontecimentos.
Aos meus colegas e amigos envio uma saudação especial neste Dia Internacional da Filosofia.







2 comentários:

  1. Hannah Arendt não se reconhece como filósofa, na entrevista a Günter Gaus (que prometo ver completa um dia desses). Diz ela que “renegou” a Filosofia, ou a “filosofia política” a favor da “teoria política”. Mas terá ela renegado a Filosofia ou uma certa visão da Filosofia?
    Em todo o caso, foi no estudo do “superintendente” Adolf Eichmann – uma cobertura ‘jornalística’ que fez para um jornal novaiorquino, retratada no filme aqui mencionado – que, sem absolver o homem dos seus crimes, apresentou a sua singular visão sobre o empobrecimento mental induzido pelo nazismo e muitos dos atos a que essa desumanização levou, incluindo a desumanização dos algozes. Faz-nos lembrar os instrutores e carrascos dos processos da Santa Inquisição ou dos tribunais de Stalin… ou ainda o ambiente social, individual e político que George Orwell descreve em “1984”.
    O filme mostra o quanto essa sua tese provocou a ira dos que se pretendem “pensantes”, entre os quais aqueles ainda compreensivelmente revoltados pelo holocausto nazi, enfim de todos, e foram muitos, que acabaram por votar Arendt ao ostracismo. Para isso contribuiriam ainda os seus esforços para a reabilitação do seu ex-mentor Heidegger, conotado com o nazismo. Uma coisa é certa: a mulher não se acobardava! – e isso é algo que muitos homens com tomates não podem reivindicar.

    Por outro lado, e por falar nisso, porque é a Filosofia fundamentalmente uma profissão de homens? Possivelmente porque, na terra antiga dos seus inventores, o papel das mulheres no pensamento, na cultura ou na política era praticamente nulo – relegadas que eram para a procriação, as atividades domésticas e pouco mais. Quanto muito admitia-se-lhes que fossem sacerdotisas, pitonisas, enfim criaturas devotadas a cogitações íntimas e pacíficas ou a proferir oráculos obscuros.
    Contudo, algumas deixaram alguma marca, como Hypatia de Alexandria (século IV d.C.) – sobre a qual, aliás, Alejandro Almenabar realizou um belo filme protagonizado por Rachel Weisz: “AGORA” – numa época em que a Filosofia abarcava a Matemática e a Física.

    Por fim, Johanna Arendt fumava como uma chaminé! Ou seja, “Filosofia” não parece rimar com mulher mas parece rimar com cigarro… veja-se, por exemplo, o caso do seu entrevistador ou do excelente Jean-Paul Sartre. Qual é, afinal, o papel do tabaco na existência?

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  2. Obrigada, Luís. Acabo de saber que Hannah era afinal Johanna! ;-)

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