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sábado, 9 de março de 2019
João de Deus
João de Deus de Nogueira Ramos nasceu a 8 de março de 1830, há 184 anos.
Poeta e pedagogo, frequentou durante dez anos, o curso de Direito em Coimbra (onde foi uma das figuras mais destacadas da boémia estudantil da época e se relacionou com alguns elementos da Geração de 70, sobretudo Antero de Quental e Teófilo Braga).
Colaborou em vários jornais e revistas, e por volta de 1868-1869, as suas poesias foram coligida, por Antero de Quental, no volume “Flores do Campo”, a que se seguiram “Ramo de Flores” (1869), “Folhas Soltas” (1876), “Despedidas do verão” (1880) e “Campo de Flores” (1893).
Viria a desempenhar um papel social e cultural da maior relevância, nomeadamente no que diz respeito aos seus esforços para a alfabetização de camadas cada vez mais alargadas da população portuguesa. A publicação, em 1877, da célebre Cartilha Maternal, método de ensino da leitura verdadeiramente revolucionário no panorama pedagógico nacional, constituiu um marco importante desse processo. Devido, em parte, à sua ação de pedagogo, em 1895 foi agraciado com várias homenagens à escala nacional, entre as quais a de sócio honorário da Academia Real das Ciências e do Instituto de Coimbra.
Como poeta, o seu lirismo intimista versa constantemente sobre o amor, e por vezes perpassa um sentido de plácida religiosidade, exprimindo-se sempre num estilo simples. João de Deus, que Antero considerava, já em 1860, "o poeta mais original do seu tempo", defendeu e praticou um lirismo depurado, inspirado, a exemplo de Garrett, na lírica tradicional portuguesa e na obra camoniana, de onde recuperaria o soneto como um dos seus géneros de eleição.
Fonte: Infopédia
Fotos do álbum em BD "João de Deus - A Magia das Letras" de José Ruy
Cortesia de Tita Fan
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Indignação
Indignaram-me as condecorações de Maria de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato, antigos ministros de Educação, pelo presidente cessante. Para mim, Cavaco termina o mandato com mais esta nódoa: a de agraciar com medalhas de honra por bons serviços prestados ao país duas das pessoas que mais mal conseguiram fazer à Escola pública e aos professores.
Há quem tente hoje em dia relativizar os "males" que MLR impôs aos docentes e à escola comparando-os com os de Nuno Crato, eventualmente ainda piores. Mas, não nos esqueçamos de que, por muito mau que Nuno Crato tenha sido, isso não pode de modo algum isentar Maria de Lurdes Rodrigues de todos os males que fez à escola pública e sobretudo aos professores. Acrescento: nunca tinham existido tantos suicídios de professores como no tempo negro que essa senhora nos fez passar. Nunca me poderei esquecer disso, nem do seu ar de freira, de discurso auto-vitimizador, do sarcasmo, do desprezo e da grosseria com que os seus secretários de estado zurziram publica e sistematicamente a classe docente, começando pela infame campanha de descredibilização da sua imagem junto da opinião pública e dos media.
O pior modelo de avaliação de desempenho docente alguma vez imposto foi o da vigência de MLR. A ideia dos professores titulares e do respetivo e absurdo concurso, idem. Foi ela quem quis estratificar os professores numa cadeia hierárquica dentro da escola, comparando-os a generais e soldados, como na tropa, e como se a escola fosse um quartel. Foi ela quem instituiu o modelo de gestão concentrando poderes numa só pessoa, como se da administração de uma empresa se tratasse. Foi ela que começou por fechar escolas. Isabel Alçada continuou. Foi ela quem começou a falar em agrupamentos. Isabel Alçada continuou. Foi ela que começou por tentar esvaziar, em suma, toda a democraticidade interna das escolas. Quando chega Nuno Crato encontra já o terreno todo minado. Transforma os agrupamentos em mega-agrupamentos, aumenta o número de alunos por turma, congela para sempre as progressões na carreira, que as suas antecessoras tinham iniciado, e lança no desemprego milhares de professores.
Manobras escusas como a requalificação, reintegração ou rescisão "amigável" não são mais do que formas de despedir pessoas, reduzindo ao mínimo os quadros e passando todos a "contratados sem termo fixo".
Enfim, poderia continuar aqui a desfiar um rosário de males que estas pessoas vieram impondo ao ensino público e aos professores, sempre em nome de supostas "melhorias", aumento da qualidade na docência, diminuição do abandono escolar ou outras patranhas do género.
Não sabe Cavaco quantas doenças profissionais estas pessoas causaram aos professores, desde depressões até suicídios, como nunca antes se tinham registado?
Não sabe Cavaco que foi a partir do tremendo desrespeito com que Lurdes Rodrigues e seus acólitos trataram os docentes que aumentaram do forma exponencial agressões de alunos e pais a professores, de uma forma nunca vista neste país?
Não sabe Cavaco que, mais do que nunca houve uma avaliação absurda e até inconstitucional, (como se veio a provar, sobre professores contratados, por exemplo), assim como despedimentos, erros concursais, atropelos e processos mais do que turvos na contratação de docentes, como nunca dantes se tinha visto?
Não sabe Cavaco que foi durante a vigência de Lurdes e Crato, os seus medalhados, que mais professores tiveram de abandonar as suas famílias e as suas casas, para irem dar aulas a 200, 300 ou 400 km da sua residência?
Não sabe Cavaco quantos casais Crato e Rodrigues ajudaram a separar ou divorciar, ou quantas crianças retiraram do colo das suas mães?
Não sabe porventura Cavaco que durante a vigência de Crato e Rodrigues a indisciplina nas Escolas atingiu números e gravidade nunca dantes vistos em Portugal?
Quantas pessoas Crato e Rodrigues obrigaram a ter de pagar para trabalhar, colocados de modo a que tivessem de pagar duas rendas, fazer face a consumos de gasolina e portagens impossíveis de aguentar?
Não sabe Cavaco que muitos professores, não tendo emprego no sistema público, tiveram de entregar-se nas mãos de máfias de alguns colégios privados, onde são objeto de quase escravatura, desde abusos nos horários, até situações de assédio moral e chantagens de todo o tipo?
Não há dúvidas sobre os méritos que estes dois medalhados tiveram na vida das escolas e dos professores.
Cavaco termina o seu mandato da pior maneira possível: legitimando e prestando honrarias à incompetência e à maldade.
Parabéns ao Cavaco! Estas condecorações são bem o retrato de quem as atribuiu.
sábado, 28 de março de 2015
Uma questão de espinha dorsal
Paulo Jorge Alves Guinote, 40 e tal anos, professor, historiador, pai, marido e excelente colega.
Este perfil poderia ser apenas de mais um entre tantos outros homens, intelectuais desta geração.
Mas ele era (e sempre será) o dono do Umbigo, o Blogue de professores mais lido do país.
Começou pelas questões polémicas do ensino, rapidamente se tornou um Blogue politicamente ativo, pelo pendor crítico que imprimiu aos seus posts e uma referência para a classe docente.
O talento do Paulo para intervir nas questões do ensino não passou despercebido para os media e foi rapidamente reconhecido como um parceiro a auscultar, a consultar, a ouvir.
Credibilidade foi a palavra-chave. Mas, para mim, o Paulo também revelou coragem, acutilância, sentido de oportunidade e, sobretudo, sempre, e mesmo que fosse contra-corrente, amor à verdade.
Pagou algumas faturas por causa disso; é que isto de se insistir em manter direita a espinha-dorsal faz com que a consciência durma tranquila no travesseiro, mas os sucessivos golpes baixos vão cansando, desgastando. E as desilusões também.
Pode ser, quem sabe, que seja um mero interregno e não um adeus.
Por ora, O Umbigo fechou. Mas a tua espinha-dorsal não dobrou.
Bem-hajas pela tua persistência e até sempre. Noutras chafaricas.
Este perfil poderia ser apenas de mais um entre tantos outros homens, intelectuais desta geração.
Mas ele era (e sempre será) o dono do Umbigo, o Blogue de professores mais lido do país.
Começou pelas questões polémicas do ensino, rapidamente se tornou um Blogue politicamente ativo, pelo pendor crítico que imprimiu aos seus posts e uma referência para a classe docente.
O talento do Paulo para intervir nas questões do ensino não passou despercebido para os media e foi rapidamente reconhecido como um parceiro a auscultar, a consultar, a ouvir.
Credibilidade foi a palavra-chave. Mas, para mim, o Paulo também revelou coragem, acutilância, sentido de oportunidade e, sobretudo, sempre, e mesmo que fosse contra-corrente, amor à verdade.
Pagou algumas faturas por causa disso; é que isto de se insistir em manter direita a espinha-dorsal faz com que a consciência durma tranquila no travesseiro, mas os sucessivos golpes baixos vão cansando, desgastando. E as desilusões também.
Pode ser, quem sabe, que seja um mero interregno e não um adeus.
Por ora, O Umbigo fechou. Mas a tua espinha-dorsal não dobrou.
Bem-hajas pela tua persistência e até sempre. Noutras chafaricas.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Malala Yousafzai recebeu o Prémio Sakarov no Parlamento Europeu
Malala Yousafzai deixa-me sempre boquiaberta. Hoje não foi exceção. Ao receber o Prémio Sakarov das mãos de Martin Schulz, proferiu mais um dos seus discursos diretos, curtos e acutilantes, bem dirigidos a quem de direito.
É comovente a coragem e a determinação desta jovem paquistanesa de 16 anos, que, após ter sido baleada pelos talibans, ainda lhes fala direta e abertamente, dispensado ódios ou desejos de vingança. Continuará a sua luta pelo direito à educação de todas as crianças, causa que há muito abraçou e que por pouco não lhe custou a vida.
Reparem nas suas palavras: "Pensem nos 57 milhões de crianças (...) que não querem um IPad, uma XBox, uma Playstation ou chocolates; apenas um livro e uma caneta".Ver notícia aqui
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Abriu a época da caça a Mário Nogueira
1º de Maio de 1886, Chicago
As pessoas não têm a coragem de dizer que os professores (90% dos quais têm feito greves há duas semanas), não têm razão. É muito mais fácil descarregar o ódio em alguém que dá a cara pelas lutas e é reconhecido nos Media como um dos seus líderes. Mata-se e esfola-se vivo, se preciso for, o secretário-geral da Fenprof Mário Nogueira.
Tenho lido de tudo a tentar denegrir e descredibilizar Mário Nogueira. Até, para meu espanto, um artigo de João Miguel Tavares no "Público", em que revela um anti-comunismo histérico e primário. No Expresso, Daniel Oliveira aborda esta espécie de transferência do ódio aos professores - não assumido - para um ódio - assumido - a Mário Nogueira, que emerge dos mais diversos sectores.
Assim, as consciências ficam tranquilas por ter encontrado o seu bode expiatório e canalizado a sua revolta para um demónio que até está mesmo ali, à mão de semear. Além disso, é só um, não são 100000. Assim é mais fácil não errar o tiro. Abata-se o Mário Nogueira e todos os problemas que os professores levantam cessarão!
Recomendo a leitura do artigo do Expresso:
"Abriu a caça ao Nogueira", por Daniel Oliveira. Aqui.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Auscultação aos professores
Este termo costuma aplicar-se no âmbito da Medicina. Aqui, nesta luta, às tantas, estamos a ficar todos mais ou menos doentes cardíacos, stressados, hipertensos e coisas ainda piores.
Mas convém verificar a "tensão" geral antes de adotar formas de prosseguir a luta contra as medidas desastrosas que o MEC pretende aplicar aos professores. Trata-se de uma reunião aberta a todos os que quiserem aparecer e manifestar a sua vontade e opinião.
A tentativa de diabolização dos Sindicatos tem sido uma verdadeira cruzada, desde o tempo da ministra Maria de Lurdes Rodrigues até aos dias das falinhas mansas de Nuno Crato.
Se experimentarem ir a esta reunião magna, vão ver que o chamado "gangster do bigode" afinal não morde, nem os líderes dos outros Sindicatos vos obrigam a tornar-se "peões ao serviço do comunismo", como certa imprensa (n)os tem mimoseado.
Mas convém verificar a "tensão" geral antes de adotar formas de prosseguir a luta contra as medidas desastrosas que o MEC pretende aplicar aos professores. Trata-se de uma reunião aberta a todos os que quiserem aparecer e manifestar a sua vontade e opinião.
A tentativa de diabolização dos Sindicatos tem sido uma verdadeira cruzada, desde o tempo da ministra Maria de Lurdes Rodrigues até aos dias das falinhas mansas de Nuno Crato.
Se experimentarem ir a esta reunião magna, vão ver que o chamado "gangster do bigode" afinal não morde, nem os líderes dos outros Sindicatos vos obrigam a tornar-se "peões ao serviço do comunismo", como certa imprensa (n)os tem mimoseado.
sábado, 15 de junho de 2013
sexta-feira, 14 de junho de 2013
Demagogias do governo
O QUE ESTÁ EM CAUSA NA GREVE DOS PROFESSORES
"O que está em causa para o governo na greve dos professores é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.
Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa."
José Pacheco Pereira
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Zeco, 1 - ex-ministro, 0
(Cortesia de Luís Costa)
Há dias em que vale a pena ver televisão.
Comecei por ver a cara de Nuno Crato como se tivesse sido atropelado. O colégio arbitral não lhe deu razão quanto à expectativa de ter uma definição de serviços mínimos para assegurar os exames. O seu discurso está a ficar perigosamente parecido, não só na autocracia e na prepotência, como também na tendência para a vitimização, com aquela que juntou 120000 "zecos" na rua há uns bons pares de anos.
Depois, tive o grande gozo de ver o Paulo Guinote arrumar às boxes um ex-ministro petulante e ignorante de factos da história recente da Educação em Portugal, apesar de ter ocupado a pasta respetiva no final do século XX. Até coisas elementares ele confundiu, como a diferença entre Conselho Geral e Assembleia de Escola, para não falar do desconhecimento profundo da proposta de organização do ano letivo que aí vem, com as graves alterações que visa introduzir. Foi só vê-lo a enrolar-se nos números, a mudar de assunto, a fugir às questões, visivelmente incomodado com a preparação do seu interlocutor, e também a sua coragem. Certamente Couto dos Santos não estava à espera de ninguém com esta fibra e que, pela sua independência, não usa chavões gastos.
Habituados que estão a confundir os professores com as cúpulas dos Sindicatos, estes políticos não esperam ver a força nem a segurança que só aqueles que têm razão conseguem evidenciar sem medo algum.
Parabéns, Paulo Guinote. Continuas a representar todos aqueles que, não tendo cargos, dinheiro ou chauffeur, medem a sua coerência pela espinha dorsal que fazem questão de manter.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Personalidades da Cultura solidárias com a greve dos professores
Manifesto: Obrigado professores
"Sem Educação não há país que ande para a frente. E é para trás que andamos quando o governo decide aumentar o número de alunos por turma, despedir milhares de professores e desumanizar as escolas, desbaratando os avanços nas qualificações que o país conheceu nas últimas décadas. Não satisfeito, continua a sua cruzada contra a escola pública. Ameaça com mais despedimentos e com o aumento do horário de trabalho dos que ficam.Ao atacar os professores o governo torna os alunos reféns. Com menos apoios educativos e menos recursos para fazer face à diversidade de estudantes, é a escola pública que sai enfraquecida. Querem encaixotar os alunos em turmas cada vez maiores com docentes cada vez mais desmotivados. Cortam nas disciplinas de formação cívica e do ensino artístico e tecnológico, negando aos jovens todos os horizontes possíveis.Os professores estão em greve pela qualidade da escola pública e em nome dos alunos e das suas famílias. Porque sabem que baixar os braços é pactuar com a degradação da escola. Os professores fazem greve porque querem devolver as asas aos seus alunos que o governo entretanto roubou. Esta greve é por isso justa e necessária. É um murro na mesa de quem está farto de ser enganado. É um murro na mesa para defender um bem público cada vez mais ameaçado.Por isso, estamos solidários. Apoiamos a greve dos professores em nome de uma escola para todos e onde todos cabem. Em nome de um país mais informado e qualificado, em nome das crianças que merecem um ensino de qualidade e toda a disponibilidade de quem sempre esteve com elas. É preciso libertar a escola pública do sequestro imposto pelo governo e pela troika. Aos professores dizemos “obrigado!” por defenderem um direito que é de todos."
Para ver quem são os subscritores deste Manifesto, clique aqui.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
A propósito da greve dos professores
Ilustração: (c) Luís Diferr, Kallilea, imagem 4, pág.4 (a publicar)
Carta aberta de um estudante grego
O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.
Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual "estaria em causa" devido à greve.*De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
- Quem construiu o futuro do meu avô?
- Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
- Quem governou mal e estripou este país?
- Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
- Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
- Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
- Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
- Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
- Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
- Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
- Quem lançou tanta gente no desemprego?
- Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
- Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?Finalmente, quereis que vivamos como escravos?De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: "Avançar e derrotar a tirania fascista!"Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.
PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que "só quero escapar às aulas": Comportamento do aluno: "Muito Bom". Classificação média: 20 ("Excelente") [a nota mais alta nos liceus gregos].
Traduzida de "Echte Democratie Jetzt"
terça-feira, 7 de maio de 2013
Do exame da 4ª
(c) Olinda Gil, Sereia do Ilhéu
Agora é o 4º ano da escolaridade obrigatória. Com exame e tudo, como antigamente, na 4ª classe.
Estive por lá, vi e participei, apesar de não ser professora do ensino básico.
Logo pela manhã, aportaram à Escola Secundária onde trabalho, magotes de crianças ruidosas, entre o entusiasmado e o curioso, pela novidade.
Não só o espaço era novo para aquelas crianças, como os professores e até o mobiliário.
À sua dimensão, tudo se afigurava um pouco monumental, gigantesco mesmo; cerca de metade destes meninos passaram duas horas com as pernas a balançar no ar, os pés sem chegar a tocar no chão, numa posição de evidente desconforto. Tudo era tão estranho que houve mesmo quem chorasse e não fizesse nada de jeito. Outros, mais maduros, ou com mais capacidade de adaptação, lá se desenrascaram.
Vamos aguardar pela publicação dos resultados para ver quais são os ganhos efetivos que a introdução deste exame veio trazer. Ou se o show-off se saldou apenas por mais uma gigantesca operação de propaganda deste governo, o único que conheci até hoje a mandar pôr o seu símbolo nos cabeçalhos das provas.
Não faço ideia quais os gastos que toda esta operação de logística acarretou, mas às vezes os gastos para este governo parecem importar muito, outras vezes, não faz mal!
Na minha Escola várias centenas de alunos ficaram sem aulas e voltarão a ficar na sexta-feira, mas parece que também não faz mal.
Faz de conta que veio um Papa e se deu tolerância de ponto, prontos!
Escolas houve em que se organizou visitas de estudo em massa para entreter os alunos cujas salas de aula estavam ocupadas com os seus colegas da primária a fazer exame.
Quanto se gastou? Quantas aulas se perdeu? Ora, isso não interessa nada!
O que interessa é que se introduziu mais uma "medida de rigor", para preparar a criançada para a vida, ora pois!
E, sobretudo, nada de confiar nesses "zecos" que enrouquecem nas salas de aula, para fazer das crianças homenzinhos e mulherzinhas, cultos e educados q.b.
Essa malta, a quem o cabelo teima em embranquecer, e que despede a família às noites e aos fins-de-semana para fazer autênticas maratonas de correção de provas, na realidade só precisava era de uma boa desculpa para atrasar em cerca de dois dias mais uma dessas etapas, deixando no repouso da mesa de trabalho umas resmas de papel.
E os alunos sempre estavam a precisar de uns feriados, pois isto de União Europeia só tem o nome e por cá nem sequer há férias de neve; assim sempre deu para um salto a Carcavelos a apanhar um valente escaldão!
segunda-feira, 25 de março de 2013
Depressão arrasa professores
Apesar de o Ministério da Educação não divulgar dados, são cada vez mais os professores de atestado devido a depressões e burnout (exaustão física e emocional). Dirigentes sindicais e directores de escolas mostram-se convictos de que a crise agravou esta situação que, acrescenta o Diário de Notícias, não afecta apenas os docentes contratados mas também os com décadas de carreira.
O DN apresenta, na edição de hoje, alguns testemunhos na primeira pessoa de professores afastados da sala de aula porque a “alegria” de leccionar deu lugar ao vazio escuro da depressão.
“Sei que fiquei mais gordo, por causa dos medicamentos, mas sei porque vejo nas fotografias, não me lembro disso”, confessa ao jornal um professor com 28 anos de carreira mas que passou os últimos três em casa, de baixa. Neste caso, a mudança de escola foi dramática e foi “perdendo as forças para controlar a sala de aula”.
A psicóloga Lígia Costa, da direcção de um dos sindicatos da Federação Nacional de Educação, destaca, ao DN, que os estudos “apontam o stress como factor explicativo de 50% a 60% dos dias de trabalho perdidos e como o segundo problema de saúde relacionado com o trabalho mais frequente”.
Ainda segundo a psicóloga, muitos destes “processos acabam por assumir a forma de quadros clínicos de ansiedade e perturbações depressivas”.A crise estava evidentemente associada a esta situação. O dirigente da Fenprof, Mário Nogueira, refere que “a sobrecarga horária”, as “responsabilidades que vão muito além do que seria o papel do professor”, a “crescente hierarquização e controle”, bem como “a criação de grandes agrupamentos”, em nada contribuem para o bem-estar e trabalho dos docentes.
Um estudo europeu da Sociedade Portuguesa de Inovação, citado pelo DN e que data de 2011, indicava que os professores portugueses foram os que revelaram índices mais elevados de stress e burnout (exaustão física e emocional), de entre nove países estudados.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Valter Hugo Mãe sobre os professores
Os professores
"Achei por muito tempo que ia ser professor. Tinha pensado em livros a vida inteira, era-me imperiosa a dedicação a aprender e não guardava dúvidas acerca da importância de ensinar. Lembrava-me de alguns professores como se fossem família ou amores proibidos. Tive uma professora tão bonita e simpática que me serviu de padrão de felicidade absoluta ao menos entre os meus treze e os quinze anos de idade. A escola, como mundo completo, podia ser esse lugar perfeito
... Ver mais de liberdade intelectual, de liberdade superior, onde cada indivíduo se vota a encontrar o seu mais genuíno, honesto, caminho. Os professores são quem ainda pode, por delicado e precioso ofício, tornar-se o caminho das pedras na porcaria de mundo em que o mundo se tem vindo a tornar. Nunca tive exatamente de ensinar ninguém. Orientei uns cursos breves, a muito custo, e tento explicar umas clarividências ao cão que tenho há umas semanas. Sinto-me sempre mais afetivo do que efetivo na passagem do testemunho. Quero muito que o Freud, o meu cão, entenda que estabeleço regras para que tenhamos uma vida melhor, mas não suporto a tristeza dele quando lhe ralho ou o fecho meia hora na marquise. Sei perfeitamente que não tenho pedagogia, não estudei didática, não sou senão um tipo intuitivo e atabalhoado. Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões. Quantas vezes me senti outro depois de uma aula brilhante. Punha-me a caminho de casa como se tivesse crescido um palmo inteiro durante cinquenta minutos. Como se fosse muito mais gente. Cheio de um orgulho comovido por haver tantos assuntos incríveis para se discutir e por merecer que alguém os discutisse comigo. Houve um dia, numa aula de história do sétimo ano, em que falámos das estátuas da Roma antiga. Respondi à professora, uma gorduchinha toda contente e que me deixava contente também, que eram os olhos que induziam a sensação de vida às figuras de pedra. A senhora regozijou. Disse que eu estava muito certo. Iluminei-me todo, não por ter sido o mais rápido a descortinar aquela solução, mas porque tínhamos visto imagens das estátuas mais deslumbrantes do mundo e eu estava esmagado de beleza. Quando me elogiou a resposta, a minha professora contente apenas me premiou a maravilha que era, na verdade, a capacidade de induzir maravilha que ela própria tinha. Estávamos, naquela sala de aula, ao menos nós os dois, felizes. Profundamente felizes. Talvez estas coisas só tenham uma importância nostálgica do tempo da meninice, mas é verdade que quando estive em Florença me doíam os olhos diante das estátuas que vira em reproduções no sétimo ano da escola. E o meu coração galopava como se estivesse a cumprir uma sedução antiga, um amor que começara muito antigamente, se não inteiramente criado por uma professora, sem dúvida que potenciado e acarinhado por uma professora. Todo o amor que nos oferecem ou potenciam é a mais preciosa dádiva possível. Dá -me isto agora porque me ando a convencer de que temos um governo que odeia o seu próprio povo. E porque me parece que perseguir e tomar os
professores como má gente é destruir a nossa própria casa. Os professores são extensões óbvias dos pais, dos encarregados pela educação de algum miúdo, e massacrá-los é como pedir que não sejam capazes de cuidar da maravilha que é a meninice dos nossos miúdos. É como pedir que abdiquem de melhorar os nossos miúdos, que é pior do que nos arrancarem telhas da casa, é pior do que perder a casa, é pior do que comer apenas sopa todos os dias. Estragar os nossos miúdos é o fim do mundo. Estragar os professores, e as escolas, que são fundamentais para melhorarem os nossos miúdos, é o fim do mundo. Nas escolas reside a esperança toda de que, um dia, o mundo seja um condomínio de gente bem formada, apaziguada com a sua condição mortal mas esforçada para se transcender no alcance da felicidade. E a felicidade, disso já sabemos todos, não é individual. É obrigatoriamente uma conquista para um coletivo. Porque sozinhos por natureza andam os destituídos de afeto. As escolas não podem ser transformadas em lugares de guerra. Os professores não podem ser reduzidos a burocratas e não são elásticos. Não é indiferente ensinar vinte ou trinta pessoas ao mesmo tempo. Os alunos não podem abdicar da maravilha nem do entusiasmo do conhecimento. E um país que forma os seus cidadãos e depois os exporta sem piedade e por qualquer preço é um país que enlouqueceu. Um país que não se ocupa com a delicada tarefa de educar, não serve para nada. Está a suicidar-se. Odeia e odeia-se."
Texto de Valter Hugo Mãe
sábado, 22 de dezembro de 2012
A arte de ensinar
A arte de ensinar não se aprende. Para se ensinar tem que existir uma, diria, vocação inata.
É muito mais importante ter-se conhecimentos medianos e conseguir transmiti-los na sua maioria do que ser, o que se chama um génio, mas nada, ou quase nada, passar para os seus discentes.
A relação que se cria entre o tutor e o aprendiz também é essencial.
Estamos em tempos de mudanças sociais, sejam elas quais forem, e consequentemente os paradigmas pedagógicos estão a alterar-se. Por muito difícil que seja, cabe ao professor a sua adaptação a esta nova realidade. Muitos dizem que “o ensino já não é o que era” e têm razão. Eu, em vez de conotar negativamente esta frase, prefiro reflectir e dar passos que motivem os alunos para se empenharem e investirem na sua peça mais preciosa, o cérebro.
Diria que a mudança é inversamente proporcional à idade do indivíduo, no entanto, já vi "séniores" mais actualizados do que alguns jovens. Esta afirmação é pessoal e meramente percepcional, sem qualquer tipo de estudo para a confirmar e é afirmada com base de uma experiência de vida.
É certo que todos nós temos de mudar e cabe-nos dar esse passo.
Olho à minha volta e vejo muitos docentes que se recusam a mudar e não conseguem ver que estão fora de tempo porque, “sempre foi assim” e os malandros d’"os alunos é que não me compreendem".
Felizmente que a maioria não é assim. Neste tempo de mudança estão a aparecer muitas formas diferentes de ensinar, especialmente relacionadas com o uso das novas tecnologias da informação e comunicação (TIC).
Se, por um lado, nunca houve tanta mudança em tão pouco tempo, por outro, nunca houve tantas formas possíveis de divergirmos as nossas estratégias de ensino.
Será que ainda existem professores que se recusem a utilizá-las?
Repito, temos o dever de alterar as nossas formas de ensinar, em prol de contrariar a tendência da desactualização dos padrões de ensino.
Só assim se é um verdadeiro professor.
O que não sabe pensar
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
A Política Adequada da Educação
Sou
Professora em Portugal desde 1986 numa vivência muito existencial. Sou de um
tempo em que havia estrados, modos respeitosos de lidar com os outros,
cumplicidade e um contexto colaborativo. Sou de um tempo em que o estrado
dividia o meu espaço pessoal, me dava uma amplitude de visão. Sou de um tempo
em que os alunos e os professores se relacionavam respeitosamente. Sou de um
tempo em que os colegas partilhavam as suas experiências num contexto
colaborativo.
Penso,
muitas vezes, numa política adequada da Educação. Penso que deve ser aquela em que
os conhecimentos acerca do mundo e das ciências ajudem as crianças e os jovens a
aprenderem. Mas, também, lhes permitam saber do mundo dos sentimentos,
pensamentos e projetos de vida. Quanto melhor os indivíduos conseguirem lidar com
o seu mundo interno, mais capazes estarão de se envolver em atividades
produtivas e adaptadas às exigências da sociedade.
Os Professores
são, portanto, os agentes únicos e fundamentais que sabem resgatar as crianças
e os jovens, resgatar a infância perdida, retribuindo-lhes a magia, a
oportunidade de conhecer e gerir o seu mundo
interno.
Talvez
com essa política pudéssemos dar novamente valor aos professores.
Afinal,
sem eles não existiriam advogados, médicos, enfermeiros, ministros e tudo
mais.
Becas
domingo, 7 de outubro de 2012
Encontro de bloggers nas Caldas da Rainha
Fotos: (c) Pérola de Cultura, Caldas da Rainha, 6/10/2012
Neste encontro de bloggers sob o tema "A Blogosfera e a discussão das políticas educativas em Portugal" teve lugar uma interessante troca de ideias, nem sempre consensual, às vezes polémica, mas que trouxe, certamente, alguma luz sobre o que nos une, que é certamente mais do que o que nos divide.
Os pontos mais importantes discutidos e em agenda foram: os modelos de gestão, a autonomia, a situação dos professores contratados, a burocracia, a desinformação e a gestão de expectativas na classe docente.
O melhor de tudo foi reencontrar velhos amigos e finalmente poder abraçar alguns que há muito só conhecia pela Internet. De resto os afetos são um dos temas deste Blogue, e para isso também serviu este encontro: uns velhos, com tendência a eternizar-se, outros novos, mas sempre um encanto muito especial na (re)descoberta.
Deixo um agradecimento público ao Paulo Guinote, por me ter endereçado um convite pessoal e convido-vos a ler os resumos das várias sessões do encontro.
O colega Paulo Prudêncio foi o gentil anfitrião do encontro e está a publicar também resumos das comunicações.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
sábado, 29 de setembro de 2012
Mailinda
(c) Antero Valério
Eu que o diga, que recomecei a trabalhar há um mês e já parece que me passou um autocarro por cima!
quinta-feira, 19 de julho de 2012
"Demasiado grave" por Mário Carneiro
"Fazer política não pode ser sinónimo de desprezar ou sinónimo de maltratar ou sinónimo de ignorar as pessoas. Se assim não for, o exercício da política transforma-se num expoente de perversidade e de iniquidade.
(Pintura cujo autor não foi possível identificar)
Ler aqui o artigo completo.Fazer política sob o comando de uma folha de Excel é fácil, contudo, é profundamente estúpido e perigoso: salvam-se os números, mas destroem-se as pessoas.Desgraçadamente, para grande parte dos portugueses, é sob este paradigma político que vivemos."
(Pintura cujo autor não foi possível identificar)
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