quarta-feira, 12 de junho de 2013

Zeco, 1 - ex-ministro, 0

(Cortesia de Luís Costa)

Há dias em que vale a pena ver televisão.

Comecei por ver a cara de Nuno Crato como se tivesse sido atropelado. O colégio arbitral não lhe deu razão quanto à expectativa de ter uma definição de serviços mínimos para assegurar os exames. O seu discurso está a ficar perigosamente parecido, não só na autocracia e na prepotência, como também na tendência para a vitimização, com aquela que juntou 120000 "zecos" na rua há uns bons pares de anos.

Depois, tive o grande gozo de ver o Paulo Guinote arrumar às boxes um ex-ministro petulante e ignorante de factos da história recente da Educação em Portugal, apesar de ter ocupado a pasta respetiva no final do século XX. Até coisas elementares ele confundiu, como a diferença entre Conselho Geral e Assembleia de Escola, para não falar do desconhecimento profundo da proposta de organização do ano letivo que aí vem, com as graves alterações que visa introduzir. Foi só vê-lo a enrolar-se nos números, a mudar de assunto, a fugir às questões, visivelmente incomodado com a preparação do seu interlocutor, e também a sua coragem. Certamente Couto dos Santos não estava à espera de ninguém com esta fibra e que, pela sua independência, não usa chavões gastos.

Habituados que estão a confundir os professores com as cúpulas dos Sindicatos, estes políticos não esperam ver a força nem a segurança que só aqueles que têm razão conseguem evidenciar sem medo algum.
Parabéns, Paulo Guinote. Continuas a representar todos aqueles que, não tendo cargos, dinheiro ou chauffeur, medem a sua coerência pela espinha dorsal que fazem questão de manter.

1 comentário:

  1. Isto não foi 1 a zero mas algo como 10 a zero, tão tosco, ignorante e arrogante se mostrou o adversário do Paulo Guinote, que o sovou com a calma e assertividade que se espera de um professor - e de um investigador do seu calibre.
    E é um figurão destes - Couto dos Santos, parece ser o seu nome, certamente não figurará na História - que acha que, só porque um ministro diz alguma coisa todos temos que concordar com ele. E que pretende reduzir o papel dos sindicatos a uma mera representação dos interesses de uma classe mas que, ao mesmo temo, se insurge contra eles, acusando-os de politizar a sua atuação.
    Couto dos Santos, Maria de Lurdes, agora Nuno Crato (este bem mais espertalhão)... É de admirar que ainda haja Educação!...
    Parabéns, Paulo Guinote! Prestação exemplar! O homem só não foi ao chão porque o sino o salvou da humilhação.

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