(Cortesia de Luís Costa)
Há dias em que vale a pena ver televisão.
Comecei por ver a cara de Nuno Crato como se tivesse sido atropelado. O colégio arbitral não lhe deu razão quanto à expectativa de ter uma definição de serviços mínimos para assegurar os exames. O seu discurso está a ficar perigosamente parecido, não só na autocracia e na prepotência, como também na tendência para a vitimização, com aquela que juntou 120000 "zecos" na rua há uns bons pares de anos.
Depois, tive o grande gozo de ver o Paulo Guinote arrumar às boxes um ex-ministro petulante e ignorante de factos da história recente da Educação em Portugal, apesar de ter ocupado a pasta respetiva no final do século XX. Até coisas elementares ele confundiu, como a diferença entre Conselho Geral e Assembleia de Escola, para não falar do desconhecimento profundo da proposta de organização do ano letivo que aí vem, com as graves alterações que visa introduzir. Foi só vê-lo a enrolar-se nos números, a mudar de assunto, a fugir às questões, visivelmente incomodado com a preparação do seu interlocutor, e também a sua coragem. Certamente Couto dos Santos não estava à espera de ninguém com esta fibra e que, pela sua independência, não usa chavões gastos.
Habituados que estão a confundir os professores com as cúpulas dos Sindicatos, estes políticos não esperam ver a força nem a segurança que só aqueles que têm razão conseguem evidenciar sem medo algum.
Parabéns, Paulo Guinote. Continuas a representar todos aqueles que, não tendo cargos, dinheiro ou chauffeur, medem a sua coerência pela espinha dorsal que fazem questão de manter.