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sexta-feira, 8 de março de 2019

We can do it!

«Até à década de 70, na classe social a que eu pertencia, era escasso o número de mulheres que faziam uma escolha de vida idêntica à minha, ou que alinhavam nas iniciativas da Oposição Democrática. Havia uma espécie de cerco social, familiar e religioso, a entrincheirá-las – mesmo nas hostes oposicionistas da geração dos mais velhos, reféns de uma moral social, mais ou menos assumida, em que “a política era para os homens, e à mulher cabia um papel estabilizador da família, o amparo dos filhos e pais e o repouso do guerreiro”. 

Talvez por isso, são bastante conhecidas as mulheres que, durante o fascismo, se destacaram publicamente, e a sua memória individual tem sido, de algum modo, preservada. Se, hoje em dia, falamos de mulheres na oposição ao regime – ligadas a diferentes sectores ideológicos – há, de facto, dezenas de nomes de dirigentes estudantis, de prestigiadas figuras políticas e de intelectuais que nos vêm à cabeça: já desaparecidas ou ainda vivas, integram o património humano da Resistência urbana contra a ditadura. E, no entanto, desde a década de 40, era bem mais expressiva a representação das mulheres trabalhadoras em muitas regiões do país, nas lutas económicas e nas greves, quer operárias, quer na agricultura. 

Durante a ditadura fascista, a ala das mulheres do Forte de Caxias espelhava frequentemente essa realidade. Mulheres sem nome escrito na memória da oposição democrática. A Catarina Eufémia cedo se tornou um exemplo dessas outras combatentes. Assassinada a tiro pela GNR, quando reclamava um mísero aumento para as ceifeiras do latifúndio em que era assalariada, surgiu, ainda sob o fascismo, como ícone dos duros combates travados por elas, pelo direito ao trabalho e por um salário minimamente condigno. Porém, haverá centenas e centenas de mulheres que não foram nunca homenageadas; a quem o estado democrático não deu nunca voz na comunicação social; e que, só pontualmente, testemunharam publicamente as suas vivências. São a face feminina de um sem número de participantes activos nas lutas contra a ditadura - obreiros, eles e elas, das condições para a implantação da democracia. Ao longo de 48 anos, houve milhares de pessoas que foram detidas, que foram presas e torturadas, que morreram, que foram barbaramente espancadas, que sofreram o exílio, que foram expulsas do ensino, que perderam o trabalho, que se recusaram a partir para a guerra contra os povos das colónias. São batalhões de mulheres e homens abnegados, devotados a uma causa, sem anseio de heroicidade. Pagaram o custo da repressão por darem passos em frente, arriscando tudo, empenhando-se em lutas por melhores condições de vida e de ensino e por direitos de cidadania, na perspectiva de virem a alcançar um estado de direito, em paz, em democracia e com liberdade. Lutas que foram fragilizando o regime. A Revolução de Abril não nasceu do nada.
Mas a repressão e a brutalidade das polícias políticas e afins abatiam-se ferozmente sobre as mulheres, qualquer que fosse a sua origem social, sempre que se atreviam a enfrentar a ditadura. Com especificidades que faziam delas vítimas de violência acrescida, pela sua condição de mães, pela sua maior fragilidade física, pela sua maior vulnerabilidade. A condição feminina e a maternidade tornavam-nas alvos de um tratamento especial. No momento da prisão, nos interrogatórios e na tortura, muitas mulheres eram ameaçadas, chantageadas e humilhadas. Eles ajustavam, criteriosamente, a cada estrato social, as ameaças que faziam, os espancamentos, as palavras que usavam, as ordens que davam. Mas as torturas eram psicologicamente estudadas para nos provocarem na nossa fragilidade física e nos violarem no nosso pudor feminino, com o objectivo de verem a primeira cedência na firmeza que os desesperava. Depois, era a escalada da violência. Se é sinistro todo historial repressivo da PIDE, é aterradora a narrativa que nos chega de mulheres vítimas das atrocidades a que foram submetidas. Sobressaem como particularmente maquiavélicas.

O encarceramento de companheiras com os seus filhos tornava extraordinariamente doloroso o tempo de prisão a que eram submetidas. Vivi durante meses numa cela com a Maria, uma trabalhadora rural que tinha consigo uma criança de cerca de um ano e meio. Quatro metros quadrados, se tanto, que mãe e filho partilhavam com mais duas presas. Eram já perturbantes os sinais de transtorno psicológico da criança e continuava sem poder ir ao recreio e privada de espaço e de sol.

Parecendo condenadas a permanecerem ocultas na História recente do nosso país, estas mulheres vêm, aos poucos, saindo do anonimato. Acontece pela escrita de memórias de antifascistas, ou em documentos cinematográficos como o de Susana Sousa Dias, mas é sobretudo pela mão de historiadores (nomeadamente de Irene Pimentel, uma mulher que não pára na sua investigação apontada ao fascismo) que vemos nomes e factos a emergirem para níveis de divulgação.

Estou certa de que as crianças e os jovens precisam deste género de testemunhos, e de narrativas que ultrapassem as “frases feitas”, que pouco lhes dizem, para se abrirem ao conhecimento da realidade da ditadura de Salazar e Marcelo Caetano. Só assim os parágrafos frios e secos dos manuais escolares - em que se aborda este período negro da História de Portugal - ganham, aos seus olhos, vida e emoção. Há uma História viva ainda ao alcance destes jovens, o que é meio caminho andado para a motivação que, no futuro, pode fazer deles os ativistas que hão-de render-nos num movimento que não deixe apagar a memória.»
(Excerto de uma intervenção na UMAR, em Novembro de 2012)

A verdade sobre o Dia Internacional da Mulher


Durante séculos, o papel da mulher incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa. Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar. Com o incremento da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX, muitas mulheres passaram a exercer uma atividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta na Europa e nos EUA.
A lenda do Dia Internacional da Mulher como tendo surgido na sequência de uma greve, realizada em 8 de Março de 1857, por trabalhadoras de uma fábrica de fiação ou por costureiras de calçado - e que tem sido veiculada por muitos órgãos de informação - não tem qualquer rigor histórico, embora seja uma história de sacrifício e morte que cai bem como mito.
Em 1982, duas investigadoras, Liliane Kandel e Françoise Picq, demonstraram que a famosa greve feminina de 1857, que estaria na origem do 8 de Março, pura e simplesmente não aconteceu, não vem noticiada nem mencionada em qualquer jornal norte-americano, mas todos os anos milhares de órgãos de comunicação social contam a história como sendo verdadeira («Uma mentira constantemente repetida acaba por se tornar verdade»).
Verdade é que em 1909, um grupo de mulheres socialistas norte-americanas se reuniu num "party’, numa jornada pela igualdade dos direitos cívicos, que estabeleceu criar um dia especial para a mulher, que nesse ano aconteceu a 28 de Fevereiro. Ficou então acordado comemorar-se este dia no último domingo de Fevereiro de cada ano, o que nem sempre foi cumprido.
A fixação do dia 8 de Março apenas ocorreu depois da 3ª Internacional Comunista, com mulheres como Alexandra Kollontai e Clara Zetkin. A data escolhida foi a do dia da manifestação das mulheres de São Petersburgo, que reclamaram pão e o regresso dos soldados. Esta manifestação ocorreu no dia 23 de Fevereiro de 1917, que, no Calendário Gregoriano (o nosso), é o dia 8 de Março. Só a partir daqui, se pode falar em 8 de Março, embora apenas depois da II Guerra Mundial esse dia tenha tomado a dimensão que foi crescendo até à importância que hoje lhe damos.
A partir de 1960, essa tradição recomeçou como grande acontecimento internacional, desprovido, pouco e pouco, da sua origem socialista.
Se consultarmos o calendário perpétuo e digitarmos o ano de 1857, poderemos verificar que o 8 de Março calhou a um domingo, dia de descanso semanal, pelo que, em princípio, nunca ocorreria uma greve nesse dia. Há quem argumente, no entanto, que, durante o século XIX, a situação da mulher nas fábricas dos Estados Unidos era de tal modo dramática que trabalharia 7 dias por semana.
Desde 1975, em sinal de apreço pela luta então encetada, as Nações Unidas decidiram consagrar o 8 de Março como Dia Internacional da Mulher.

Fonte: www.leme.pt
- Pesquisa efectuada por Maria Luísa V. Paiva Boléo

Cortesia de Tita Fan

Direitos das Mulheres


Soube do e-mail do ministro da Educação para que todos os funcionários da Av. 24 de Julho se concentrassem na esquina com a Av. Infante Santo às 12 horas para honrar o dia de luto nacional pelas vítimas da violência doméstica, que, infelizmente, continua a registar números absolutamente alarmantes.
Não só hoje mas em todos os restantes dias do ano, é mais do que tempo de encarar as mulheres como parceiras, com direitos iguais e não mais como seres inferiores e sacos de pancada.

Em honra do Dia Internacional da Mulher


Vamos celebrar as contribuições das mulheres que mudam o nosso mundo e o nosso futuro. 
"Não esperem que outra pessoa venha falar por vocês. As vossas ações é que mudam o mundo."
Malala Yousafzai

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia Internacional da Mulher 2017

Carolina Beatriz Ângelo e Ana de Castro Osório - 1911

Enquanto uma em cada três mulheres no mundo sofrer violência doméstica;
enquanto por cada Euro ganho por um homem, a mulher receber apenas 0,83 cêntimos;
enquanto para a mulher ganhar o mesmo que um homem, tenha de trabalhar mais 61 dias por ano;
enquanto todos os anos morrerem milhares de mulheres vítimas de mutilação genital feminina;
enquanto houver discriminação no acesso aos postos superiores no trabalho e na política;
enquanto houver muitos milhares de mulheres que perdem o emprego por estarem grávidas;
continua a fazer todo o sentido assinalar o Dia Internacional da Mulher.

É bom ter em mente estes dados quando ouvirmos dizer que não se justifica continuar a comemorar este dia.
Muitas morreram para que hoje nós possamos gozar de alguns direitos adquiridos.
Por isso não se trata apenas de festejar, mas de continuar a lutar pela igualdade de direitos e oportunidades.
Feliz Dia da Mulher!

Daniel Craig, como 007, em apoio à Igualdade das mulheres





Traduzi, o mais fielmente possível, o pronunciamento de Judi Dench questionando Daniel Craig, que se vestiu com roupas femininas, numa campanha pela Igualdade das Mulheres:

“Are we equals, 007?


O homem ainda ganha mais do que a mulher pelo desempenho da mesma tarefa.
Ela tem 1 em 100 chances de ter uma carreira política ou tornar-se diretora de uma empresa.
Como homem tens muito menos chances de ser julgado por comportamento promíscuo e praticamente nenhuma chance de sofrer assédio sexual no teu local de trabalho.
30.000 mulheres no Reino Unido perdem os seus empregos por estarem grávidas, enquanto é praticamente impossível um homem ser prejudicado na sua carreira por tornar-se pai.
O mundo mudou, mas em 2011 os números persistem:
2/3 do trabalho bem feito é ainda desempenhado pelas mulheres no mundo, mas apenas 10% recebem proventos dele e apenas 1% detêm a sua propriedade.
Mas isto não diz respeito apenas a questões de poder ou dinheiro.
Em cada ano 70 milhões de raparigas no mundo são privadas de escolaridade básica e estima-se que outros 60 milhões são sexualmente molestadas no seu caminho para a escola.    
Nós temos medo de andar nas ruas à noite sozinhas e algumas de nós ainda temos mais medo de regressar sozinhas a casa.
Uma em cada quatro são vítimas de violência doméstica no Reino Unido e todas as semanas duas mulheres são mortas pelos atuais ou ex-companheiros.

Então 007 somos nós iguais?
Nós dois, sim. Mas nunca deixemos de o perguntar.”

Judi Dench, adjunta de James Bond, o agente secreto 007

8 de Março de 2011, pelo Dia Internacional da Mulher

quarta-feira, 11 de março de 2015

Outra boa surpresa do mundo árabe


Ainda a respeito de surpresas provenientes do mundo árabe, não poderia deixar de assinalar esta atitude de mais uma mulher corajosa. Enfim alguma coisa parece estar a mudar no que diz respeito ao domínio dos homens mais conservadores sobre as mulheres. 
Sem dúvida só as mais instruídas conseguem ter a coragem e a assertividade necessárias para enfrentar as atitudes de prepotência, arrogância a autoritarismo tradicionais de muitos homens do mundo árabe, particularmente os mais religiosos, conservadores e retrógrados. Este foi um sheik sunita...
Rima Karaki, jornalista libanesa é um exemplo a seguir. Veja aqui

domingo, 24 de março de 2013

A censura da "primavera árabe"

"A jovem Amina, de 19 anos, acreditou na democracia da Tunísia, depois da "Primavera Árabe" de 2011, e foi condenada à morte pela justiça islâmica por colocar esta foto profana no seu blog.
A frase escrita em árabe significa “meu corpo pertence a mim e não é a fonte da honra de ninguém”, o bastante para ser perseguida pelas autoridades muçulmanas.
O Forum Social Mundial 2013 começará em Túnis na terça-feira, mas a jovem não poderá ir, pois a família internou-a num manicómio para que escapasse da execução da sentença."
É esta a liberdade de que se goza nos países onde se diz ter existido uma revolução democrática. Sem liberdade de expressão, sem direitos para as mulheres, com condenações à morte por crimes que não o são, enfim, mais do mesmo no mundo onde os fundamentalismos islâmicos continuam a fazer lei, à revelia do direito internacional e da salvaguarda dos direitos humanos fundamentais.

(A notícia e a foto são do Facebook e já foram retirados no Brasil. Aqui também não tardará a ser retirada. Por isso resolvi reproduzi-la aqui, antes que seja tarde demais. Continuo a pensar que a denúncia é a melhor forma de lutar contra a discriminação das mulheres.)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Pelas Mulheres, no seu Dia Internacional

(Imagem cuja autoria não foi possível identificar)

Há que valorizar algumas das coisas boas que ainda temos: por exemplo, a liberdade de nos vestirmos, maquilharmos e pentearmos como queremos, seja pela moda, pelo gosto, ou para agradar aos nossos companheiros. Temos a liberdade de ter amigos do sexo oposto sem que isso seja obsceno ou criticável. Podemos ir ao café e estar com amigos e grupos, sem que isso seja socialmente condenado. Podemos escrever, falar, comunicar e ir a manifestações. Para chegar até aqui, houve atrás de nós gerações e gerações de mulheres e homens sem esses direitos que lutaram para que nós deles pudéssemos vir a usufruir. Temos a liberdade de escolher uma carreira e tentar encontrar um emprego compatível com as nossas aptidões. Temos a liberdade de poder tirar carta de condução e ir onde queremos; as mulheres em Portugal conquistaram, a poder de muitas lutas o direito ao voto e outras formas de paridade. Hoje há mulheres taxistas, para-quedistas, condutoras de camião, pilotos de aviação, polícias, atletas de alta competição, juízas... Valorizemos aquilo que ainda temos e que conseguimos; lutemos para vir a conseguir ainda maior paridade e não permitamos que ninguém nos retire aquilo que é e será nosso por direito próprio. 
Bom Dia das Mulheres!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Na Mauritânia, meninas obesas sob tortura


Quvenzhané Wallis (a mais jovem atriz nomeada para um Óscar)

Silvana Mota-Ribeiro divulgou hoje na RTP Porto uma notícia que me arrepiou e me fez decidir voltar a este espaço comunicar o que me vai na alma. Então leiam, mas sentadas:
- Sabiam que na Mauritânia há campos de engorda, onde meninas e adolescentes são obrigadas a tornar-se obesas, sob tortura, para arranjar melhor marido?
Parece que 70% da população da Mauritânia acredita piamente que está a fazer um bem a estas meninas, pois segundo a sua crença ancestral, "quanto mais pesada for uma mulher maior o espaço que ocupará no coração de um homem"!!!

No mesmo programa esta feminista fez ainda uma chamada de atenção que me parece pertinente: - ao mesmo tempo que naquele país se engorda as meninas à força, a escassos milhares de Km, na Europa, é outra a tortura: a do emagrecimento forçado, pela moda, pelo medo da exclusão social, e talvez também, para arranjar melhor marido... quem sabe!
Concordo, pois esta situação tem aumentado exponencialmente nos países desenvolvidos, com clínicas de emagrecimento a proliferar por toda a parte e meninas cada vez mais novinhas a pedir aos pais cirurgias plásticas para transformar o corpo. No desejo de se assemelharem às top-models anoréticas das passarelles da moda internacional, estas "torturas" auto-infligidas são também elas contra-natura. Ou não?  

Também as tristemente célebres mutilações genitais, que se praticam quase por toda a África, e não só, se fazem ainda em nome de uma tradição ancestral e uma crença antiga e fortemente arreigada nas populações, segundo a qual se estará a "fazer um bem à menina", evitando assim a sua exclusão social, além de ter a vantagem de lhe "retirar os demónios do corpo"!

Multiculturalismo, muito bem. Tolerância, muito bem. Aceitação das diferenças entre os povos, muito bem. Mas nunca, se as práticas em questão, ainda que em nome da Cultura, forem autênticas barbaridades que atentam contra os mais elementares Direitos dos seres Humanos, na sua integridade física ou psíquica. 
Jamais situações deste teor são aceitáveis e deveriam ser fortemente sancionadas. 
Mas para isso teriam os governos de ter vontade política e desenvolver campanhas de esclarecimento massivas junto das populações para desmitificar tais barbaridades ancestrais e remover os meios para as suas práticas. 
No caso da Mauritânia, é urgente uma ampla denúncia para acabar com esses campos de tortura. Nos países onde se praticam as mutilações genitais, estas deveriam ser proibidas pura e simplesmente, prendendo os prevaricadores. Estes, quer sejam médicos, cirurgiões encartados, curandeiros, bruxos, comadres, avós ou tias velhas, se não matam mesmo, mutilam para sempre, no corpo e na alma, meninas a quem é negado o direito de ser mulher.

domingo, 25 de novembro de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Ter filhos: os melhores e os piores países



Pela segunda vez comento o relatório do estudo anual sobre as condições da maternidade em alguns países do mundo. Portugal ocupa um honroso 15º lugar; embora no ano passado estivesse em 14º lugar, em 2012 estava em 19º. 
Efetivamente, desde há algumas décadas, sobretudo com a criação do Serviço Nacional de Saúde (que devemos, entre outros, ao Dr. António Arnauld), a mortalidade infantil decresceu enormemente. Com o acesso aos cuidados de saúde primários nos Centros de Saúde da área da residência (dos quais, em teoria, todos os cidadãos devem poder usufruir), monitoriza-se a gravidez, ensina-se a contraceção e acompanha-se o crescimento das famílias.


Embora as taxas de natalidade só se mantenham neste momento à custa das famílias de imigrantes residentes em Portugal, as crianças que nascem dispõem de bons cuidados de neonatologia e as mães podem contar com um acompanhamento com uma razoável eficácia de meios durante o período da gestação.


Também a educação ocupa um papel importante neste ranking, pelo que é expectável que as raparigas portuguesas, antes de serem mães, tenham frequentado a Escola pelo menos até aos 16 anos e sejam portanto alfabetizadas. 

Segundo o State of the World's Mothers 2012, a lista está assim ordenada:


1. Noruega 
2. Islândia
3. Suécia
4. Nova Zelândia
5. Dinamarca
6. Finlândia
7. Austrália
8. Bélgica
9. Irlanda
10. Holanda
11. Reino Unido
12. Alemanha
13. Eslovénia
14. França
15. Portugal
16. Espanha
17. Estónia
18. Suiça
19. Canadá
20. Grécia
21. Itália
25. EUA
27. Áustria


Nas posições finais surgem países como:
- Afeganistão
- Iémen
- Guiné-Bissau
- Mali
- Eritreia
- Chade
- Sudão
- Sudão do Sul 
- República Democrática do Congo 
- Níger


O documento de estudo que serve de suporte a este ranking assenta em diversos critérios: 
1. as condições imediatas, como a nutrição e o estado de saúde das mães; 
2. as condições intermédias, como a facilidade de acesso aos bens alimentares, aos cuidados de saúde materno-infantil e as condições de higiene e de serviços de saúde em geral;
3. as causas subjacentes à maternidade, como as instituições, o enquadramento político e ideológico, a estrutura económica e os recursos humanos, tecnológicos e ambientais.


Não admira pois que a Noruega seja o melhor país para ter filhos e o Níger o pior do mundo. Olhando para as classificações melhores e para as piores, o que se constata, é o de sempre: as melhores condições encontram-se nos países ricos, com predomínio para o Norte da Europa e Oceania e os piores em África. Este continente cheio de assimetrias, tem ainda regiões onde a pobreza e a fome continuam a ser os campeões, aliados de excelência das condições de higiene deficitárias, a doença, a falta de escolaridade e de instituições de apoio em todas estas áreas de intervenção prioritárias.


Notícia aqui.

sábado, 5 de maio de 2012

Guia islâmico para bater na mulher

(Foto e artigo daqui
"Puxa a tua mulher pelas orelhas e bate-lhe com a mão. Ou com um siwak [espécie de escova de dentes em madeira]." É um dos conselhos de A Gift for Muslim Couple (Prenda para casal muçulmano), guia matrimonial islâmico escrito pelo académico Maulavi Ashraf Ali Thanvi. Disponível em várias lojas muçulmanas online, e até há poucos dias no eBay, o livro esgotou numa livraria canadiana pouco depois de um jornalista do Toronto Sun o ter encontrado à venda.
De acordo com algumas interpretações radicais do Corão, a violência doméstica sobre as mulheres é permitida e até incentivada pela sharia, lei religiosa islâmica. Mas um livro de conselhos maritais é uma novidade.
Tudo depende da forma como os académicos e juristas muçulmanos interpretam o verso 4.34 de uma das 114 suras (espécie de capítulos) do Corão. Nele, afirma-se que quando a mulher provoca problemas maritais, deve ser advertida, afastada da cama e, em última instância, “idribu”. É esta última palavra que gera a polémica. Onde os moderados lêem evitada ou afastada (eles acreditam que Alá condena a violência), os radicais interpretam espancada.
Publicado pela Idara Impex, editora indiana de Nova Deli, o livro sugere que não se bata na cara e não se deixe marcas nas mulheres. A Gift for Muslim Couple tem 160 páginas e destina-se a ajudar a “gerir com sucesso a instituição do casamento”. A noção de “sucesso” é explicada logo no início: “O marido deve tratar a sua mulher com carinho e amor, mesmo que ela tenha tendência a ser por vezes lenta e estúpida.” Se insistir nessa atitude, “pode ser necessário refreá-la à força, e ameaçá-la”. Entre os deveres da mulher citados no livro estão a necessidade de pedir “autorização” ao marido sempre que sai e a obrigação de “se pôr bonita para ele”.Relativamente aos castigos físicos, há algumas regras: não se deve bater na cara ou de forma a deixar marcas no corpo. E a agressão “não deve ser muito violenta”.
Segundo o Daily Mail, o guia tem causado indignação entre os muçulmanos moderados, que protestam contra o “incitamento à violência” que ele contém.Em 2011, o UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) revelou que há mais vítimas femininas de violência doméstica na Turquia do que em qualquer outro país europeu. Um levantamento do próprio Governo turco admite que 41,9% das mulheres são submetidas a violência física e sexual. 

Comentem, pois eu, depois de ler isto, já fiquei quase sem palavras... É simplesmente intolerável e nem sequer parece que estamos a falar no século XXI... Não há Allah, Jeová ou qualquer outro deus que possa legitimar semelhante estupidez e violência.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ana de Castro Osório e o feminismo

Ana de Castro Osório nasceu em 18 de junho de 1872 em Mangualde.
O seu ambiente familiar era de tal forma rico culturalmente, que a envolvia dos ideais e valores sociais e humanistas que sempre viria a defender nas diversas iniciativas em que se empenhou.

A partir de 1895, com 23 anos, foi viver com a família para Setúbal, iniciando a sua atividade como jornalista e escritora.

Intelectual, ensaísta, conferencista, ativista republicana, iniciou a sua luta pela implementação dos seus ideais foi grande impulsionadora do associativismo feminista e da emancipação social e económica das mulheres, promoveu a criação do Grupo Português de Estudos Feministas, da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, da Associação de Propaganda Feminista e da Comissão Feminina “Pela Pátria”. Fundou a revista “A Sociedade Futura”.

Empenhada no ideal republicano, não por considerar o regime ideal, mas por trazer uma nova esperança, escreveu com frequência sobre esse tema na imprensa diária. Em 1905 escreveu “As Mulheres Portuguesas”, que foi traduzido para francês e considerado o primeiro manifesto feminista português.

Na conhecida aguarela de Roque Gameiro “Pela República”, foi a única mulher representada, entre 161 republicanos.

Após a implantação da República, defendeu o voto restrito, por entender ser real o analfabetismo nas mulheres. Em 1909 e 1910 envolveu-se e empenhou-se, também, na aprovação da lei do divórcio, tema que abordou no seu livro “A Mulher no Casamento e no Divórcio”.

Viveu no Brasil com o marido, o poeta Paulino de Oliveira, que foi cônsul de Portugal em São Paulo, de 1911 a 1914 e lá exerceu as atividades de professora e escritora, tendo alguns dos seus livros sido adoptados em escolas brasileiras.

Após o encerramento da Associação de Propaganda Feminista em 1918, e desiludida com a República, afastou-se das suas lutas e dedicou-se mais à escrita, deixando uma vastíssima obra publicada.
É considerada uma das intelectuais mais marcantes do seu tempo.

Foram-lhe atribuídas as condecorações da Ordem de Santiago, que não aceitou, e a Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.
Faleceu em 1935. Em 1963 foi publicado o último trabalho da escritora,
Contos, Fábulas e Exemplos da Tradição Popular Portuguesa".

Fontes: Agenda da C.I.G. de 2009
“Do fruto à Raiz” de Fátima Medeiros
Dicionário Ilustrado da História de Portugal

Tita Fan

(Outro post sobre Ana de Castro Osório aqui, noutro Blogue)

terça-feira, 20 de março de 2012

Honduras: prisão para as mulheres que usarem a pílula do dia seguinte



Este caso absurdo pode estar prestes a acontecer. Caso a proposta de lei seja aprovada, as Honduras, um dos países mais pobres do mundo, com paralelo com o Haiti, torna-se num caso único, já que prevê a prisão até 6 anos das mulheres que usarem a pílula do dia seguinte, mesmo em caso de violação.
Temos de impedir este absurdo por todos os meios, a começar por assinar a petição on-line, aqui
É muito fácil, basta preencher com o endereço de e-mail.
A petição pede ao "Exmo. Sr. Presidente que não criminalize a contracepção" e exige a "rejeição dessa lei extremista e o respeito pelos direitos básicos das mulheres".
É urgente assinar esta petição, pois a lei pode ser aprovada a qualquer momento.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Violência doméstica: um passo em frente


"O Bloco viu hoje aprovado o seu projeto de lei que visa reforçar os mecanismos legais de proteção às vítimas de violência doméstica através de uma maior aplicação das pulseiras eletrónicas, quer como medida de coação, quer no contexto da pena acessória de proibição de contacto com a vítima."
(Notícia daqui.)


Passo a passo, as causas justas irão fazendo valer a sua razão. 
Este foi um passo em frente.
Só não compreendo a abstenção da bancada do PS, pois o diploma foi aprovado com os votos favoráveis de todos os outros partidos. É que, no meu modesto entendimento, para este tipo de situações, não há ideologias de esquerda nem de direita. A violência não tem cor partidária...

terça-feira, 6 de março de 2012

União Europeia e UNICEF empenhadas em acabar com a mutilação genital feminina


"Brussels, 06 March 2012 - An innovative EU and UNICEF project has helped thousands of families, communities and countries to change attitudes and end harmful traditional practices like female genital mutilation/cutting (FGM/C) in Africa, says a report on the EU funded project ahead of International Women's Day. As a result of education and awareness raising, girls in thousands of communities in Egypt, Eritrea, Ethiopia, Senegal and Sudan are no longer subjected to this practice."
Parece que finalmente as organizações internacionais, como a UNICEF, empenham-se verdadeiramente em projetos de sensibilização educativa e consciencialização de milhares de famílias africanas, para que seja possível acabar com a mutilação genital de muitas raparigas do Egito, Eritreia, Etiópia, Senegal e Sudão.
O projeto, implementado pela UNICEF no terreno entre 2008 e 2011, foi financiado pela UE e conseguiu uma taxa de adesão significativa por parte de muitas famílias e comunidades. 
"In Senegal, where 28% of women aged 15-49 have undergone female genital mutilation/cutting, astonishing progress has been made. In just under a decade, over 5,300 communities have abandoned the practice, bringing the country close to becoming the first in the world to declare total abandonment, expected by 2015.
In Egypt, where 91% of women are affected by the practice, the project has also made some progress, with female genital mutilation/cutting becoming less common amongst younger age groups. The number of families signing up to the abandonment of the practice also increased substantially: from 3,000 in 2007 to 17,772 in 2011. In Ethiopia, despite high prevalence rates, the practice is similarly declining (between 2000 and 2005 rates dropped from 80 to 74%)."
É bom, muito bom, mas não é o bastante: é preciso acabar com esta prática no mundo inteiro. A OMS estima que na África sejam 28 os países onde se pratica esta barbaridade. E ainda em alguns países do Médio Oriente, na Ásia (por exemplo Indonésia), em algumas regiões da Oceania e mesmo em comunidades africanas residentes na Europa, incluindo Portugal e Espanha.