segunda-feira, 26 de março de 2012

Ana de Castro Osório e o feminismo

Ana de Castro Osório nasceu em 18 de junho de 1872 em Mangualde.
O seu ambiente familiar era de tal forma rico culturalmente, que a envolvia dos ideais e valores sociais e humanistas que sempre viria a defender nas diversas iniciativas em que se empenhou.

A partir de 1895, com 23 anos, foi viver com a família para Setúbal, iniciando a sua atividade como jornalista e escritora.

Intelectual, ensaísta, conferencista, ativista republicana, iniciou a sua luta pela implementação dos seus ideais foi grande impulsionadora do associativismo feminista e da emancipação social e económica das mulheres, promoveu a criação do Grupo Português de Estudos Feministas, da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, da Associação de Propaganda Feminista e da Comissão Feminina “Pela Pátria”. Fundou a revista “A Sociedade Futura”.

Empenhada no ideal republicano, não por considerar o regime ideal, mas por trazer uma nova esperança, escreveu com frequência sobre esse tema na imprensa diária. Em 1905 escreveu “As Mulheres Portuguesas”, que foi traduzido para francês e considerado o primeiro manifesto feminista português.

Na conhecida aguarela de Roque Gameiro “Pela República”, foi a única mulher representada, entre 161 republicanos.

Após a implantação da República, defendeu o voto restrito, por entender ser real o analfabetismo nas mulheres. Em 1909 e 1910 envolveu-se e empenhou-se, também, na aprovação da lei do divórcio, tema que abordou no seu livro “A Mulher no Casamento e no Divórcio”.

Viveu no Brasil com o marido, o poeta Paulino de Oliveira, que foi cônsul de Portugal em São Paulo, de 1911 a 1914 e lá exerceu as atividades de professora e escritora, tendo alguns dos seus livros sido adoptados em escolas brasileiras.

Após o encerramento da Associação de Propaganda Feminista em 1918, e desiludida com a República, afastou-se das suas lutas e dedicou-se mais à escrita, deixando uma vastíssima obra publicada.
É considerada uma das intelectuais mais marcantes do seu tempo.

Foram-lhe atribuídas as condecorações da Ordem de Santiago, que não aceitou, e a Ordem de Mérito Agrícola e Industrial.
Faleceu em 1935. Em 1963 foi publicado o último trabalho da escritora,
Contos, Fábulas e Exemplos da Tradição Popular Portuguesa".

Fontes: Agenda da C.I.G. de 2009
“Do fruto à Raiz” de Fátima Medeiros
Dicionário Ilustrado da História de Portugal

Tita Fan

(Outro post sobre Ana de Castro Osório aqui, noutro Blogue)

1 comentário:

  1. Ana de Castro Osório foi na verdade criticada por personalidades republicanas de ser mais ligada à causa feminista do que propriamente à República.
    A escrita para ela foi muito importante e teve realmente muita ligação com outros escritores. Era uma intelectual.Segundo Fátima Ribeiro de Medeiros "talvez o mais carismático dos seus correspondentes tenha sido Camilo Pessanha, que lhe declarou o seu amor, que a jovem recusou com veemência. A amizade de ambos manteve-se até à morte do poeta"

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