quarta-feira, 30 de março de 2011

Lula, um homem da luta


Lula da Silva é verdadeiramente um homem da luta. Lula era um operário metalúrgico, sindicalista e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhores, que acabou por chegar ao poder como o 35º presidente do Brasil, cargo que exerceu até ao dia 1 de Janeiro de 2011.

Veio a Portugal receber um prémio pela sua luta a favor dos direitos humanos e receberá um doutoramento honoris causa na Universidade de Coimbra. Está acompanhado de Dilma Rousseff, a sua sucessora, também ela uma mulher da luta.

Convém lembrar que o Brasil é uma república federativa de regime presidencialista e o partido do presidente da república é quem na prática detém a orientação política dominante.


Lula, que nasceu em Pernambuco e trabalhou desde os sete anos, assumiu que foi apenas "um encarregado do povo brasileiro, o verdadeiro herói das Terras de Vera Cruz e o inquilino do Palácio do Planalto". 

Ninguém, aparentemente, à excepção dos brasileiros que o elegeram para dois mandatos consecutivos, acreditava ser possível a um operário vindo dos bairros periféricos de S. Paulo e quase sem instrução académica, dirigir o maior país da América do Sul, com muitos milhões de habitantes.


Lula andou nas greves e manifestações de rua, assim como Lech Valesa. Lula fez crescer o PT nas ruas dos bairros paulistas industriais conhecidos como ABC (Santo André, S. Bernardo e S. Caetano). Valesa esteve na linha da frente do crescimento do Solidarnosc na Polónia, a partir dos estaleiros de Gdansk.

Este homem, contra todas as expectativas da velha Europa, elevou nos últimos anos o Brasil a uma potência em desenvolvimento, com um crescimento económico extraordinário, com a democracia mais consolidada e os direitos sociais mais distribuídos.

Lula foi considerado pelo Financial Times uma das 50 "personalidades que moldaram a década", a Time referiu-o como um dos 25 líderes mais influentes do mundo em Abril de 2010, e os seus concidadãos classificam-no como "o líder mais popular da história do país", pelo seu "charme e habilidade política".



Ao contrário do que diz o inenarrável Miguel Sousa Tavares, as revoluções podem fazer-se na rua. Fazem falta os homens da luta. Em Portugal, no Brasil, no Magrebe, no Médio Oriente, em toda a parte. Os grandes movimentos sociais fazem-se de uma componente fundamental de rua. O resto vai atrás.

É pena que alguns movimentos de rua tenham acabado em massacres como Tiananmen e que um homem da luta com Lui Xiao Bo continue preso nas malhas de uma ditadura fora do tempo, sem que a comunidade internacional deixe de se vergar aos "superiores" interesses económicos do comércio com a China.

Foi pena também que os movimentos de rua da Checoslováquia conhecidos como "Primavera de Praga" tenham acabado num interminável inverno cinzento, sob o domínio neo-estalinista.

Mas algumas das revoluções podem fazer-se na rua. Não foi na rua a Revolução Francesa, com a tomada da Bastilha? Não foram na rua as recentes revoluções da Tunísia e do Egipto?

Que vivam todos os homens da luta, pois eles muitas vezes são capazes de transformar as sociedades, libertar os povos e fazê-los crescer!

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