segunda-feira, 12 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher, uma história mal contada - 2


No post publicado no dia 9 de março com o título "Dia Internacional da Mulher, uma história mal contada?", lancei honestamente algumas dúvidas de pessoa leiga em História, procurando na sequência esclarecê-las junto de fontes credíveis nesta área.

Obtive entretanto um esclarecimento cabal, que assenta num critério que me satisfaz, que é o das provas. Estou habituada, na Filosofia, às ideias, não aos factos, mas em História não se trabalha desse modo.
Então, partindo daquilo que são as provas factuais, a associação do Dia Internacional da Mulher aos acontecimentos de meados do século XIX (referi nomeadamente o incêndio da fábrica em 1857, onde terão morrido queimadas 129 operárias têxteis, que estariam em greve) já está posta de parte há alguns anos, na medida em que não há comprovação documental dos mesmos. 
Esse acontecimento foi e continua a ser ainda hoje amplamente difundido e associado ao "início" do Dia das Mulheres, como se tivesse sido a sua "pedra fundadora". Efetivamente, parece não haver registo documental que prove este facto, pelo que ele não tem valor científico. 
Assim, e com base nesse critério, considero esclarecida e ultrapassada a controvérsia a propósito da instituição do Dia Internacional das Mulheres, que antecedeu a decisão da data 8 de março, devendo a sua adoção cingir-se aos factos dos quais há provas, excluindo-se todos os dados duvidosos.
Aceita-se hoje associar a instituição do Dia Internacional da Mulher à 2ª Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em  Copenhaga em 1910, sob proposta de Clara Zetkin*, embora ainda sem uma data definitiva.


(Agradecimento à Profª Drª Teresa Pinto, investigadora em História Contemporânea e presidente da Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres)


* Clara Zetkin era professora, jornalista e ativista dos direitos das mulheres; viria a ser deputada pelo Partido Comunista da Alemanha, no Reichstag, de 1920 a 1933, durante a República de Weimar. O seu nome ficou como um marco na história do feminismo. (Fonte: Wikipédia)

1 comentário:

  1. Obrigada Lelé, pela ricas informações e pesquisa criteriosa sobre o assunto.
    Bjos,
    Calu

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