domingo, 18 de março de 2012

Marca Salazar, um vinho azedo



Quem nasceu durante o salazarismo lembra-se certamente da censura, do atraso, da repressão, das perseguições e da polícia política instituída nesse tempo. O regime de medo, conformismo e miséria instaurado por Salazar fazia-se acompanhar de um obscurantismo cultural do qual a Igreja era cúmplice e parte interessada.


Esse regime fazia a vida negra aos intelectuais, artistas e outros trabalhadores, muitos dos quais se viram obrigados ao exílio. Se quisermos ir ainda mais longe, muitos opositores e ativistas contra o regime foram presos e torturados; outros conheceram deportações. Era miúda e lembro-me de se falar em família em tudo isso; e muito mais havia que nunca me contaram, a não ser muitos anos mais tarde. 


Santa Comba Dão é a terra do ditador, uma das pessoas mais sinistras da história contemporânea de Portugal. Que venha um autarca, que se calhar nem sequer era nascido e nada sabe do que Salazar representa verdadeiramente, acenar com os supostos "lucros" de uma marca de vinhos Salazar para promover a região, é no mínimo, de um grande mau gosto, quase uma fanfarronice. Mas para os que comeram o pão que o diabo amassou com Salazar, e para as suas famílias, ainda hoje com essas memórias vivas, é uma provocação e uma tremenda falta de bom senso.


Vai fazer-se um museu Salazar, mas ninguém sabe porque não se fez um museu da PIDE/DGS, nem onde foi parar toda a documentação que vasculhou durante décadas a vida privada dos cidadãos. 


Beber um vinho "Salazar" seria como comer salsichas "Hitler" ou queijo "Mussolini". 
Não, obrigada, tenho o estômago sensível!

1 comentário:

  1. "O seu comentário ficará visível após aprovação."
    "lembra-se certamente da censura"
    pois!fica visível isto se aprovar , claro !

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