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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Professora em greve


Pela defesa da escola pública e da dignidade dos seus professores.
Pelo respeito que sempre devotei aos meus alunos e às suas famílias.
Pelo orgulho que sinto pelo meu trabalho e pela camisola que visto.
Recuso a falta de condições para manter a qualidade do ensino.
Faço greve como forma última de protesto e por consciência profissional.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Demagogias do governo


O QUE ESTÁ EM CAUSA NA GREVE DOS PROFESSORES
"O que está em causa para o governo na greve dos professores   é mostrar ao conjunto dos funcionários públicos, e por extensão a todos os portugueses que ainda têm trabalho, que não vale a pena resistir às medidas de corte de salários, aumentos de horários e despedimentos colectivos sem direitos nem justificações, a aplicar ao sector. É um conflito de poder, que nada tem a ver com a preocupação pelos alunos ou as suas famílias.
Há mesmo em curso uma tentação de cópia do thatcherismo, à portuguesa."
José Pacheco Pereira 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A propósito da greve dos professores

Ilustração: (c) Luís Diferr, Kallilea, imagem 4, pág.4 (a publicar)

Carta aberta de um estudante grego

O meu nome é K. M., sou aluno do último ano num liceu em Drapetsona, Pireu.
Decidi escrever este texto porque quero exprimir a minha fúria, a minha revolta pelo atrevimento e pela hipocrisia daqueles que nos governam e daqueles jornalistas e media mainstream que os ajudam a pôr em prática os seus planos ilegais e imorais em detrimento dos alunos, dos estudantes e de todos jovens.
A minha razão para escrever é a intenção dos meus professores de fazer greve durante o período dos exames de admissão à Universidade e os políticos e jornalistas que choram lágrimas de crocodilo sobre o meu futuro, o qual "estaria em causa" devido à greve.*
De que falam vocês? Que espécie de futuro tenho eu devido a vocês? E quem é que verdadeiramente pôs em causa o meu futuro?
Deitemos uma vista de olhos sobre quem, já há muito tempo, constrói o futuro e toda a nossa vida:
  • Quem construiu o futuro do meu avô?
  • Quem vestiu o seu futuro com as roupas velhas da administração das Nações Unidas para a ajuda de emergência e reconstrução e o obrigou a emigrar para a Alemanha?
  • Quem governou mal e estripou este país?
  • Quem obrigou a minha mãe a trabalhar do nascer ao pôr-de-sol por 530 euros por mês? Dinheiro que, uma vez paga a comida e as contas, nem chega para um par de sapatos, para já não falar num livro usado que eu queria comprar numa feira de rua.
  • Quem reduziu a metade o ordenado do meu pai?
  • Quem o caluniou, quem o ameaçou, quem o obrigou a regressar ao trabalho sob a ameaça da requisição civil, quem o ameaçou de despedimento, juntamente com todos os seus colegas dos serviços de transportes públicos quando eles, que apenas queriam viver com dignidade, entraram em greve?
  • Quem procurou encerrar a universidade que o meu irmão frequenta para atingir alguns dos seus sonhos?
  • Quem me deu fotocópias em vez de manuais escolares?
  • Quem me deixa enregelar na minha sala de aula sem aquecimento?
  • Quem carrega com a culpa de os alunos das escolas desmaiarem de fome?
  • Quem lançou tanta gente no desemprego?
  • Quem conduziu 4.000 pessoas ao suicídio?
  • Quem manda de volta para casa os nossos avós sem cuidados médicos e sem medicamentos?
Foram os meus professores que fizeram tudo isto? Ou foram VOCÊS que fizeram tudo isto?
Vocês dizem que os meus professores vão destruir os meus sonhos fazendo greve.
Quem vos disse alguma vez que o meu sonho é ser mais um desempregado entre os 67% de jovens que estão no desemprego?
Quem vos disse que o meu sonho é trabalhar sem segurança social e sem horários regulares por 350 euros por mês, como determinam as vossas mais recentes alterações às leis laborais?
Quem vos disse que o meu sonho é emigrar por razões económicas? Quem vos disse que o meu sonho é ser moço de recados?
Gostaria de dirigir algumas palavras aos meus professores e aos professores em toda a Grécia:
Professores, vocês NÃO devem recuar um único passo no vosso compromisso para connosco. Se recuarem agora na vossa luta, então sim, estarão verdadeiramente a pôr em causa o meu futuro. Estarão a hipotecá-lo.
Qualquer recuo vosso, qualquer vitória que o governo obtenha, roubará o meu sorriso, os meus sonhos, a minha esperança numa vida melhor e em combater por uma sociedade mais humana.
Aos meus pais, aos meus colegas e à sociedade em geral tenho a dizer o seguinte:
Quereis verdadeiramente que aqueles que nos ensinam vivam na miséria?
Quereis que sejamos moldados nas salas de aulas como mercadorias de produção maciça?
Quereis que eles fechem cada vez mais escolas e construam cada vez mais prisões?
Ides deixar os nossos professores sozinhos nesta luta? É para isso que nos educais, para que recusemos a nossa solidariedade?
Quereis que os nossos professores sejam para nós um exemplo de respeito por nós próprios, de dignidade e de militância cívica? Ou preferis que nos dêem um exemplo de escravidão consentida?
Finalmente, quereis que vivamos como escravos?
De amanhã em diante, todos os alunos e pais deviam ocupar-se de apoiar os professores com uma palavra de ordem: "Avançar e derrotar a tirania fascista!"
Lutemos juntos por uma educação de qualidade, pública e livre. Lutemos juntos para derrubar aqueles que roubam o nosso riso e o riso dos vossos filhos.
PS: Menciono as minhas notas do ano lectivo 2011/12, não por vaidade mas para cortar a palavra àqueles que avançarem com o argumento ridículo de que "só quero escapar às aulas": Comportamento do aluno: "Muito Bom". Classificação média: 20 ("Excelente") [a nota mais alta nos liceus gregos].
Traduzida de "Echte Democratie Jetzt"

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A propósito da greve de amanhã

Grafismo de (c) Luís Diferr

"Nada é impossível de mudar.Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar."
Bertolt Brecht

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Aos professores do ensino público



Creio que a nossa situação de funcionários públicos é caótica. Nunca me lembro de um retrocesso desta natureza após o 25 de Abril. Alguém disse ontem que é a maior perda de poder de compra de sempre e que a nossa condição social será como se voltássemos ao Estado Novo. Penso que há nisto alguma razão, pois pelo que me lembro, e alguns de vós deveis lembrar-vos também, no tempo de Salazar fazia-se a apologia da pobreza. A miséria era inerente à submissão, logo conveniente. Infelizmente, penso que estamos a aproximar-nos perigosamente dessa apologia da pobreza. Do conformismo, do come e cala-te. Fiquemos pois pequeninos, pobrezinhos e honradamente conformados. Não nos pagam para pensar, menos ainda para opinar. Qualquer dia não nos pagam, ponto. Então, muita sorte em - ainda - termos emprego, é o que nos dizem.
Não sei bem o que se pode fazer numa circunstância tão séria como esta. 
Já me esmoreceu a fé em manifestações e greves. Por enquanto, estou doente. 
Deixem-me hibernar até 2014, que assim não pago despesas de Hospital...
Escravizados, mas conscientes de que o estamos a ser. É o mínimo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Aquilo que irrita a Ana é o que me irrita a mim

Neste momento há duas atitudes em relação à greve que me estão a irritar. Uma é esta nova forma de estar contra mas.., ou seja, "eu sou a favor da greve mas não faço". De tão egocêntrica (porque hoje estou em grave na adjectivação), nem me apetece comentá-la. A segunda é um argumento-chavão que surge sempre nestas alturas e que é geralmente utilizado por quem não faz greves e a quem falta alguma cultura política e que é "Eles não querem é trabalhar".
Pergunto eu: qual é a pessoa que trabalha e que vai fazer greve, descontando UM DIA de ordenado, para poder simplesmente ficar sem fazer nada? Até porque quem diz que "eles não querem é trabalhar" são os mesmos que dizem "eles não fazem nada". Então, mais vale continuar a não fazer nada no local de trabalho pois pelo menos sempre se recebe o ordenado, não?

Agora quanto aos professores: nenhum professor no seu perfeito juízo faz greve por fazer, até porque a lei confere-nos o direito de pedir um dia de férias por mês e sai-nos bem mais barato.... Há quem não faça greve por convicção (poucos e eu já fui uma delas), há quem não faça por oportunismo (muitos, pois não querem perder um dia de ordenado, se a escola fechar têm uma borla sem custos, esperam que a luta dos outros depois lhes traga alguns benefícios também...), por indiferença e conformismo (demasiados, na minha modesta opinião). E ainda há os baldas (que continuam a existir) e que NUNCA tomam nenhuma atitude tão extrema como fazer uma greve, até porque convém-lhes não chamar a atenção enquanto vão passando "por entre os pingos da chuva").

A minha decisão de fazer greve custou-me "horrores", "engoli paletes de sapos", porque estou francamente farta dos sindicatos e de como subordinam as "lutas" às suas agendas políticas, porque não tem sentido nenhum convocar uma greve para depois da aprovação do orçamento, porque fico verde só de pensar no dinheiro que o estado vai pôr ao bolso à minha pala. Mas decidi que faço greve porque não há-de ser por mim que o virá a ouvir dizer que afinal as pessoas até concordam e aceitam estas políticas, porque quero que para os meus alunos e para os EEs fique bem patente a minha discordância e revolta com esta situação e porque quero continuar a andar de cabeça bem erguida sem ter contribuído com um pingo que seja para abalizar esta cambada de "Dantas" que se apoderou do país.

Ana Mendes da Silva, professora

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Porquê fazer greve


"Entre as k-7′ mais repetidas contra as greves está o clássico “não querem é trabalhar“. Faz parte do álbum ”A minha política é o trabalho“, música habitual com que se dança a lógica do deixar a política aos outros, e cada um que trate da sua vidinha.

A política não é dos políticos, é nossa. É monopólio dos que vivem da política, para os seus negócios, os seus favorecimentos, as suas aldrabices, porque deixamos.

Fazer greve é muito mais que um direito. Não é um acto de preguiça, quem faz greve (e todos, sindicalizados ou não, a podem fazer) prescinde de um dia de salário para falar. Para dizer que chega, que estamos fartos dos roubos, dos bancos que mandam na economia e aumentam os seus lucros, das grandes empresas que fogem dos impostos, dos que à custa do trabalho alheio acumulam fortunas.

Quando fazemos greve ao menos eles reparam numa coisa: fazemos falta. É com o nosso trabalho que eles ganham a vida. Vamos deixá-los engarrafados, sem almoço, sem as ruas limpas, sem o “muito obrigado senhor doutor” com que lhes alimentamos a vaidade. Vamos fazer-lhes a vida negra, nem que seja só num dia. É pouco, mas é melhor que nada."

Publicado em 23-11-2010 por João José Cardoso em AVENTAR

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Passageiros clandestinos


É o caso dos não grevistas que beneficiam da luta dos outros sem perderem o salário

(Há) "um grupo, não negligenciável, de cidadãos, que se arrogam no direito de assobiar para o lado, como se nada de importante se estivesse a passar. Esse grupo de cidadãos é o exemplo típico do que o economista Macur Olson caracterizou como "passageiro clandestino" na sua obra "The Logic Of Collective Action". "

Ler no Diário de Notícias 16-11-2010 - por Marília Azevêdo