terça-feira, 23 de novembro de 2010

Porquê fazer greve


"Entre as k-7′ mais repetidas contra as greves está o clássico “não querem é trabalhar“. Faz parte do álbum ”A minha política é o trabalho“, música habitual com que se dança a lógica do deixar a política aos outros, e cada um que trate da sua vidinha.

A política não é dos políticos, é nossa. É monopólio dos que vivem da política, para os seus negócios, os seus favorecimentos, as suas aldrabices, porque deixamos.

Fazer greve é muito mais que um direito. Não é um acto de preguiça, quem faz greve (e todos, sindicalizados ou não, a podem fazer) prescinde de um dia de salário para falar. Para dizer que chega, que estamos fartos dos roubos, dos bancos que mandam na economia e aumentam os seus lucros, das grandes empresas que fogem dos impostos, dos que à custa do trabalho alheio acumulam fortunas.

Quando fazemos greve ao menos eles reparam numa coisa: fazemos falta. É com o nosso trabalho que eles ganham a vida. Vamos deixá-los engarrafados, sem almoço, sem as ruas limpas, sem o “muito obrigado senhor doutor” com que lhes alimentamos a vaidade. Vamos fazer-lhes a vida negra, nem que seja só num dia. É pouco, mas é melhor que nada."

Publicado em 23-11-2010 por João José Cardoso em AVENTAR

Sem comentários:

Enviar um comentário