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sábado, 19 de novembro de 2011

Livros de bronze numa Gruta da Jordânia


Numa gruta de Saham, Jordânia, localizada numa colina com vista para o Mar da Galileia, foram encontrados 70 livros do século I da era cristã que, segundo as primeiras avaliações, contêm as mais antigas representações do catolicismo.


Os livros têm a peculiaridade de serem gravados em folhas de bronze presas por anéis metálicos. O tamanho das folhas vai de 7,62 x 50,8 cms a 25,4 x 20,32 cms. Em média, cada livro tem entre oito e nove páginas, com imagens na frente e no verso. Segundo o jornal britânico Daily Mail, 70 códices de bronze foram encontrados entre os anos 2005 e 2007 e as peças estão a ser avaliadas por peritos na Inglaterra e na Suíça.

A cova fica a menos de 160 km de Qumran, a zona onde se encontraram os rolos do Mar Morto, uma das maiores evidências da historicidade do Evangelho, informou a agência ACI Digital.


Importantes documentos do mesmo período já haviam sido encontrados na mesma região. 
No local ter-se-iam refugiado, no ano 70 d.C., os cristãos de Jerusalém, durante a destruição da cidade pelas legiões de Tito, que afogaram em sangue uma revolução de judeus que queriam a independência.

Cumpria-se então a profecia de Jesus Cristo relativa à destruição de Jerusalém e à dispersão do povo judaico.
Segundo o "Daily Mail" os académicos, que estão convencidos da autenticidade dos livros, julgam que é uma descoberta tão importante quanto a dos rolos do Mar Morto em 1947.
Nelas, há imagens, símbolos e textos que se referem Jesus Cristo e sua paixão. 
David Elkington, especialista britânico em arqueologia e história religiosa antiga, foi um dos poucos que examinaram os livros. Para ele, tratar-se-ia de uma das maiores descobertas da história do Cristianismo.

"É uma coisa de cortar a respiração pensar que nós encontrámos estes objectos deixados pelos primeiros santos da Igreja", disse ele.
Com efeito, na época da desastrosa rebelião judaica, o bispo de Jerusalém era São Simeão, filho de Cleofás (irmão de São José) e de uma irmã de Nossa Senhora. Por isso, São Simeão era primo-irmão de Jesus Cristo e pertencia à linhagem real de David. 
Quando o apóstolo Santiago, "O Menor" (primeiro bispo de Jerusalém) foi assassinado pelos judeus que continuavam seguidores da Sinagoga os Apóstolos que ficaram, em rotura com o passado, escolheram Simeão como sucessor e ele recebeu Espírito Santo em Pentecostes.
Os primeiros católicos - naquela época não tinham aparecido heresias e todos os cristãos eram católicos - lembravam com fidelidade o anúncio feito por Jesus Cristo de que Jerusalém seria destruída e o Templo arrasado. Porém, não sabiam a data.

O santo bispo foi alertado pelo Céu da iminência do desastre e de que deveriam abandonar a cidade sem demora. São Simeão conduziu os primeiros cristãos à cidade de Pella, na actual Jordânia, como narra Eusébio de Cesárea, Padre da Igreja.

Após o arrasamento do Templo, São Simeão voltou com os cristãos que se restabeleceram sobre as ruínas. O facto favoreceu o florescimento da Igreja e a conversão de numerosos judeus pelos milagres operados pelos santos.
Assim, começou a reconstituir-se uma comunidade de judeus fiéis à plenitude do Antigo Testamento e ao messias redentor aguardado pelos patriarcas e anunciado pelos profetas.

Porém, o imperador romano Adriano mandou arrasar os escombros da cidade, e os seus sucessores pagãos, Vespasiano e Domiciano, mandaram matar a todos os descendentes de David.

São Simeão fugiu. Mas, durante a perseguição de Trajano foi crucificado e martirizado pelo governador romano Ático. São Simeão recebeu com fidalguia o martírio quando tinha 120 anos. (cf. ACI Digital)
Emociona pensar que esses heróicos católicos judeus tenham deixado para a posteridade o testemunho da sua fé inscrito em livros tão trabalhados. O facto aponta também para a unicidade da Igreja Católica.

Philip Davies, professor emérito de estudos bíblicos da Universidade de Sheffield, disse ser evidente a origem cristã dos livros que incluem um mapa da cidade de Jerusalém. No mapa é representada o que parece ser a balaustrada do templo, mencionada nas escrituras.

"Assim que eu vi fiquei estupefacto", disse. "O que me impressionou foi ver uma imagem evidentemente cristã: Há uma cruz na frente e, detrás dela, há o que deve ser o sepulcro de Jesus, quer dizer, uma pequena construção com uma abertura e, mais no fundo, ainda os muros de uma cidade".
"Noutras páginas destes livros também existem representações de muralhas que, quase de certeza, reproduzem as de Jerusalém. E há uma crucificação cristã fora dos muros da cidade", acrescentou.


Pesquisa de Tita Fan

domingo, 17 de outubro de 2010

O Disco de Festos

Em 03 de Julho de 1908, durante uma escavação nas ruínas da cidade cretense de Festos, foi encontrado por Luigi Pernier um pequeno disco de argila medindo 16 centímetros de tamanho e 16 milímetros de espessura. Em ambos os lados havia dezenas de sinais representados por figuras humanas, objectos do quotidiano, animais e plantas. Estes sinais eram separados em grupos pequenos divididos por linhas verticais, sendo ao todo 31 grupos de sinais no lado A e 30 grupos de sinais no lado B. Tudo indica que tais grupos de sinais encerram cada um o conceito de palavra. O que ainda não se sabe é se esse disco forma um texto, um calendário, uma relação ou outro tipo qualquer de registo.


O Disco de Festos foi composto com linhas espirais, divididas com linhas verticais. Há uma grande probabilidade destes quadros marcados por linhas verticais encerrarem cada um, uma palavra isolada. O disco comporta ao todo 31 “palavras” no lado A e 30 “palavras” no lado B. São ao todo 241 símbolos impressos, 122 símbolos no lado A e 119 símbolos no lado B. Mas a quantidade total de sinais sem repetição é de apenas de 45 símbolos.

As ruínas de Festos localizam-se no sul da Ilha de Creta, nas planícies de Mesara no extremo leste do Monte Kastri. Festos foi construído no Período Proto-palacial (1900-1700 a.C.) da civilização minóica ou cretense.
 
(Clique sobre a imagem para ler) 

Não é possível decifrar as escritas hieroglíficas anteriores à escrita Linear A e Linear B. Segundo os dados arqueológicos Creta torna-se uma potência marítima em torno de 1900 a.C. Esse é o período em que são construídos diversos palácios, Knossos e Festos.

OS SÍMBOLOS E SEUS CÓDIGOS

Observando detalhadamente os símbolos do Disco de Festos podemos perceber que alguns destes sinais também encontram similaridades com os hieróglifos egípcios. Desta forma, a hipótese de ser uma escrita hieroglífica cretense derivada da escrita egípcia antiga não é infundada. A questão gira em torno de saber se esta escrita é logográfica ou fonográfica.

Há a possibilidade de serem os sinais do Disco de Festos apenas uma escrita logográfica, isto é, ela representaria numa frase ideias. Por exemplo, se a escrita de Festos fosse logográfica poderíamos talvez lê-la associando os símbolos entre si. No lado A do Disco de Festos, utilizando o primeiro quadro na periferia do disco que é encerrado por uma linha vertical com quatro pontos há as respectivas figuras de um “rei”, de um “sol com sete pontos”, de uma “espiga de cereal”, de um “homem a andar” e de um “boomerang”. Numa escrita logográfica o que importa mais são os conceitos e não o sons. O sons não são delimitados dentro de regras estritas como no sistema fonético silábico de Linear B. Então este trecho poderia ser traduzido como: “o rei divino ao campo foi para caçar”. A característica da escrita logográfica é a de que não se precisa de conhecer a língua em que se foi escrito tal texto, basta apenas saber os significados dos sinais.

No Disco de Festos alguns sinais relacionam-se com os modelos dos sinais egípcios. Não há a possibilidade de se considerar este sistema de escrita como estritamente alfabética, pois existem ao todo 45 sinais utilizados no disco, sendo que a escrita alfabética necessita de muito menos. Então, a escrita hieroglífica de Festos pode ser também abordada como um conjunto misto de escrita, da mesma forma que a escrita hieroglífica egípcia. Além de sinais com valor fonético consonantal, próprio de uma escrita alfabética, haverá também outros sinais hipotéticos representando entre outros, sílabas, morfemas, ideias ou contextos.

A DESCODIFICAÇÃO

Se os sinais de Festos tiverem valores fonográficos, o que resta saber é como os grupos de sinais no Disco de Festos são lidos, isto é, a partir de que direcção se deve iniciar a leitura e a apreensão da semântica textual. A possibilidade do texto escapar do curso em espiral, dependendo de uma regra de leitura parece ser muito pequena. Então, tanto começando pela periferia como a partir do centro do disco, só há uma direcção a seguir, a espiral.

No Disco de Festos, pode-se perceber que na periferia e em ambos os lados a sequência do texto é limitada por uma linha vertical com cinco e quatro pontos e o grupo do centro não possui nenhum sinal que os caracterize como ponto de partida para a leitura. Esta seria a percepção mais óbvia, mas há a necessidade de se levar em conta também outros factores.

Becas