quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Blogging connecting people *

Lelé Batita, editora deste Blogue, abraçada por Anabela Magalhães
Foto de Armanda Sousa, 26-01-2013, Lisboa

Afetos são coisas do coração. Lutas são coisas da razão e da lógica. Se os segundos se decidem, com hora e dia marcado, já os primeiros não só não se decidem como não se escolhem.
Antes mesmo de ter encontrado pela primeira vez pessoalmente a Anabela Magalhães em Lisboa, já a "conhecia" razoavelmente do seu Blogue com o mesmo nome.
A empatia não se fez demorar e antes se confirmou em presença.
Esse era um tempo em que não havia divisões partidocráticas e Maria de Lurdes Rodrigues com Jorge Pedreira e Valter Lemos tinham conseguido colocar contra si a esmagadora maioria da classe docente. De tal modo foi a avalanche que até mulheres de membros do partido do governo de Sócrates iam para a rua engrossar as manifestações. Era um tempo em que os Blogues da esfera docente se uniram aos movimentos independentes de professores para não raramente tomarem em mãos a mobilização dos professores de todos os graus de ensino e arrastar consigo as forças sindicais, quantas vezes hesitantes e conciliadoras.
Desse tempo vem a minha amizade com a Anabela. Ela mulher do Norte, eu do Sul, temos em comum a coerência e o horror à cobardia. E quantas faturas temos pago por causa disso. Mas ainda assim, parece que não nos conseguem parar nem calar, enquanto as injustiças e os absurdos nos baterem à porta.
Ao longo dos anos a Anabela veio a revelar-se uma das bloggers mais ativas e participativas em todas as lutas da classe docente. Grande professora, mulher de armas e sem dúvida alguma, uma boa amiga.
A Armanda Sousa, outra grande mulher do Norte, excelente professora e grande colega, com o seu espírito de guerreira celta, também veio por aí abaixo, de câmara fotográfica em punho e apanhou este que considerei um dos mais belos momentos do dia. Sob o olhar atento do meu compagnon de route, Luís Diferr, este foi mesmo "aquele abraço"!
Obrigada, queridas amigas por, estando tão longe, me fazerem sentir tão perto.

(* máxima adaptada da campanha da Nokia por Renny Bakke Amundsen, blogger norueguês e um dos  meus melhores amigos fora de portas)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Os Miseráveis


Para os amantes da História, aqui está uma excelente metáfora dos dias conturbados pós-Revolução Francesa. 
Jean Valjean, entre a tortura dos trabalhos forçados e as constantes fugas do seu inimigo de longa data Javert, encontra a ternura de uma menina, órfã de uma antiga empregada sua, dos tempos de anonimato, cuja candura o faz mudar para sempre. 
Por dentro do sobrevivente aventureiro existe a ternura de um pai, um amigo e companheiro de lutas, que fica inesquecível na memória de todos os que tenham lido este épico maravilhoso de Victor Hugo. 
Têm sido muitas as adaptações ao cinema e mais recentemente ao teatro musical, de cuja peça nasceu esta última produção. 
Desde 1958, com Jean Gabin, até 2000 com Gérard Depardieu e John Malkovitch, passando pela criação de Claude Lélouch com Jean-Paul Belmondo em 1995, e uma outra com Liam Neeson, Geoffrey Rush, Uma Thurman e Clare Danes em 1998, o público cinéfilo tem vindo a apreciar as várias versões de "Os Miseráveis". 
Esta última, nomeada para vários Óscares, encantou-me, não só pela excelência das reconstituições, como também pelas metáforas, belíssimas, da Revolução. 
A cena final evoca claramente "A Liberdade guiando o Povo" de Delacroix, enquanto a primeira cena nos remete para filmes como o "Ben-Hur" ou "Quo Vadis", pelos planos e pelas cenografias esplendorosas.
Mas a verdadeira e melhor surpresa são atores como Russell Crowe ou Hugh Jackman a cantarem mesmo bem e sem dobragem. 
Anne Hathaway é comovedora pela forma convincente como canta. 
E claro, a bela e dotada Amanda Syfried, que desde "Mamma Mia", cada vez canta melhor. 
Vale a pena ver este filme, do mesmo produtor de "O Fantasma da Ópera" e do realizador de "O Discurso do Rei", Tom Hooper
Três horas de pura excelência e encanto.  


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Peter Pan amoral e Sininho insuportável



(c)Disney

As crianças não são hiperactivas, são mal-educadas

É uma comédia que se acumula no dia-a-dia. Um sujeito vai ao café ler o jornal, e o café está inundado de crianças que não respeitam nada, nem os pardalitos e os pombos, e os pais "ai, desculpe, ele é hiperactivo", que é como quem diz "repare, ele não é mal-educado, ou seja, eu não falhei e não estou a falhar como pai neste preciso momento porque devia levantar o rabo da cadeira para o meter na ordem, mas a questão é que isto é uma questão médica, técnica, sabe?, uma questão que está acima da minha vontade e da vontade do meu menino, olhe, repare como ele aperta o pescoço àquele pombinho, é mais forte do que ele, está a ver?". E o pior é que a comédia já chegou aos jornais. Parece que entre 2007 e 2011 disparou o consumo de medicamentos para a hiperactividade. Parece que os médicos estão preocupados e os pais apreensivos com o efeito dos remédios na personalidade dos filhos. Quem diria?
Como é óbvio, existem crianças realmente hiperactivas (que o Altíssimo dê amor e paciência aos pais), mas não me venham com histórias: este aumento massivo de crianças hiperactivas não resulta de uma epidemia repentina da doença mas da ausência de regras, da incapacidade que milhares e milhares de pais revelam na hora de impor uma educação moral aos filhos. Aliás, isto é o reflexo da sociedade que criámos. Se um pai der uma palmada na mão de um filho num sítio público (digamos, durante uma birra num café ou supermercado), as pessoas à volta olham para o dito pai como se ele fosse um leproso. Neste ambiente, é mais fácil dar umas gotinhas de medicamento do que dar uma palmada, do que fazer cara feia, do que ralhar a sério, do que pôr de castigo. Não se faz nada disto, não se diz não a uma criança, porque, ora essa, é feio, é do antigamente, é inconstitucional.
Vivendo neste aquário de rosas e pozinhos da Sininho, as crianças acabam por se transformar em estafermos insuportáveis, em Peter Pan amorais sem respeito por ninguém. Levantam a mão aos avós, mas os pais ficam sentados. E, depois, os pais que recusam educá-los querem que umas gotinhas resolvam a ausência de uma educação moral. Sim, moral. Eu sei que palavra moral deixa logo os pedagogos pós-moderninhos de mãos no ar, ai, ai, que não podemos confrontar as crianças com o mal, mas fiquem lá com as gotinhas que eu fico com o mal.

Henrique Raposo

domingo, 6 de janeiro de 2013

Feliz Dia de Reis

 Imagem tradicional dos três Reis Magos


Imagem atual dos três Reis Magos sem presentes e congelados