sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Anna Karenina


Dizem alguns que morrer de amor já não se usa, e só na literatura isso se costumava passar, sobretudo no século XIX. Tanto Camilo Castelo Branco como Eça de Queirós puseram alguns personagens a suicidar-se por causa de desgostos de amor. Tiros, voos da janela e coisas que tais, eram frequentes nalguns romances portugueses da época. 


Mas o que dizer da literatura francesa, como a de Émile Zola, Gustave Flaubert ou Alexandre Dumas? E da grande literatura russa? As tragédias não eram menores e os romances de amor colocaram grandes e empolgantes histórias no cinema ao longo dos tempos. 
Desde adaptações de clássicos de séculos anteriores, como Shakespeare, o cinema sempre explorou com mais ou menos mestria os amores contrariados ou impossíveis dos amantes infelizes.
Alguém disse que a felicidade não tem história e que só as histórias tristes inspiram a literatura. Talvez seja mesmo assim. A par de dramas passionais como "Romeu e Julieta" ou "A Dama das Camélias", "Anna Karenina" já teve várias versões cinematográficas. 


Não sou do tempo das divas da época de ouro do cinema de glamour, como Greta Garbo ou Vivien Leigh, mas vi Sophie Marceau e agora Keira Knightley no papel de Anna Karenina. 
Esta versão mais recente, soberbamente ancorada por uma reconstituição de época, décors e guarda-roupa irrepreensíveis, compõe mais uma vez esta heroína de Tolstoy, arrebatada por uma paixão incontrolável, que acaba por ser credível no espírito trágico da grande literatura russa. 
Já de tristeza e morte associadas a amores impossíveis, tinha visto a espantosa história de  Doutor Zhivago, filme adaptado do romance de Boris Pasternak, que me fez chorar rios à saída do então cinema Tivoli, era eu uma adolescente de liceu, com pretensões a ver filmes de adultos.
E é também assim com Anna Karenina, onde nos apercebemos, angustiados, do fim trágico inevitável, desde o início do filme. 
Mérito de Leo Tolstoy ou da magistral interpretação de Keira Knightley? 
Talvez gostem também de ver Jude Law no papel de um marido de nobres sentimentos na tradicionalista e preconceituosa Rússia dos czares.







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