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sábado, 14 de dezembro de 2013

António, guardador de sonhos

Composição gráfica de Luís Diferr

Contigo me habituei a entrar para dentro da tela e sonhar acordada, com heróis, fadas e anões, animais que falavam, imperatrizes, reis e soldados que escreveram a História com glórias e paixões ou feitos valorosos.
Até nas infantis brincadeiras, o Cinema era o nosso cenário preferencial: o Mabé era o cowboy, eu a rapariga e tu o nosso cavalo bom. Às tuas cavalitas percorríamos montes, vales e ribeiras, atrás dos Índios ou a fugir deles. As tropelias acabavam sempre com os três no chão do quarto de brincar, contigo exausto, nós felizes e perdidos de riso.
Contigo aprendi a amar a arte, a magia, a fantasia do Cinema. Contigo aprendi a ver, intuir e ler nas entrelinhas, captar a expressão dos olhares, os subentendidos que, num tempo de trevas e medo, me ensinaste a compreender.
Aprendi a imitar a beleza singela, mas também a apreciar a altivez feminina, orgulhosa, das divas do Cinema que o glamour de Hollywood soube tão bem cultivar.
Mas também sofri com os dias a preto e branco dos tenebrosos anos da Itália do pós-guerra ou dos dramas passionais de Rossellini. Amei com Gianni Morandi, chorei com Lara e Jivago, dancei com Rita Pavone, aprendi o que era a subtileza das expressões com James Bond, a elegância discreta com Ursula Andress, o gosto pelas viagens com David Lean… e sei lá, tantas outras coisas!
Entretanto, tu que adoravas Virgínia Mayo e Erroll Flynn, tornavas-te num verdadeiro espadachim pela difusão da Cultura, um Robin Hood da 7ª Arte, levando generosamente sonhos, evasão e fantasias a povos isolados e ingénuos, quantas vezes circunscritos aos horizontes de um quotidiano opressor.
Obrigada, Pai, pela tua luta, pela tua tenacidade, a que alguns chamam teimosia e eu chamo persistência. Aquela persistência que só os que sabem ter razão conseguem levar por diante.
Valeu a pena teres sido um guardador de sonhos durante estes 50 anos. E parares, de vez em quando, para olhar a Lua ou fazer um verso.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Casa em Hong-Kong: a magia do espaço



"O arquiteto chinês Gary Chang tem bons motivos para pensar em soluções que utilizem pouco espaço com muita eficiência. Ele mora em Hong Kong, um dos maiores centros urbanos do país mais populoso do mundo.

Por ali, a ordem é aproveitar cada mínimo espaço. Por isso mesmo, as casas costumam ser minúsculas. Enquanto morava com a família, Gary vivia num apartamento de duas divisões: os pais ficavam num quarto, as irmãs noutro e ele, no corredor, que também fazia as vezes de sala.

Hoje, ele vive num apartamento com 24 divisões! (...)
O lar de Gary Chang tem pouco mais de 30m². O seu grande segredo foi fazer paredes móveis que possuem rodinhas e se deslocam por trilhos instalados no teto. “A casa move-se para mim”, diz Chang.

Além de ocupar pouco espaço, a ideia também contribui com o meio ambiente graças aos espelhos instalados no teto que, não só disfarçam os trilhos e dão a impressão de que o ambiente é maior, como aproveitam melhor a luz natural que entra pela única janela.

Um filtro alaranjado nas venezianas também intensifica o efeito da luz que vem de fora e torna o local mais aconchegante. “Quase nunca preciso acender as luzes”, conta.

A genialidade de Gary Chang foi descoberta pelo programa World’s Greenest Homes, que, como o nome já diz, vai atrás dos inventores das casas mais verdes do mundo."

(Recebido por e-mail)