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domingo, 13 de abril de 2014

Abril sem a voz dos capitães


Ai, Dona Esteves! E eu, que me regozijei quando a Sra. foi eleita para presidente da AR, por ser mulher... É que para mim, a paridade de género ainda é só para inglês ver. Mas a Sra. tem sido uma das crescentes desilusões para muita gente. Não lhe basta citar Immanuel Kant ou Simone de Beauvoir para conquistar as minhas simpatias. Mais uma vez, essas citações de filósofos ilustres, para quem a Ética era uma práxis, são para inglês ver. E, Dona Esteves, palavras leva-as o vento. Mesmo que sejam palavras bonitas, de mulheres e homens bons de alma, vindas lá de longe, no passado. O que me interessa mais são os atos. A Dona Esteves ficará apenas com o domínio das belas palavras (podemos questionar a sua eloquência); mas os atos, esses ficarão, decerto e para sempre, com os capitães de Abril. Pode ir para a sua casinha e gozar a sua gorda reforma, Sra. Dona Esteves. Muito agradecida, mas a gente pode ler diretamente Kant e Beauvoir e sem sotaque.
(Notícia aqui)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Zé Povinho, acordado ou dormindo?

Pois não sei! 
Até quando poderão os senhores desta terra fazer tudo a seu belo parecer, desconsiderando os bolsos vazios e o cinto apertado de quem trabalha. 
Não sei se o Zé Povinho está acordado ou a dormir.
Se afinal é parvo ou finge que o é. 
Para menos sofrer, não quer perceber que estão a lixá-lo; não só a si, como aos descendentes que tentou criar para não deixar despovoar de todo um país, que qualquer dia só terá velhos, desempregados e reformados compulsivos. 
Pobre Zé, iludido e ostracizado.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A cidade

Egon Schiele, sunflower

A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança  a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância  e a palavra medo.

A cidade é um saco  um pulmão que respira
pela palavra água  pela palavra brisa
A cidade é um poro  um corpo que transpira
pela palavra sangue  pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.

José Carlos Ary dos Santos 
Enviado por Carmela,  25 de abril de 2012

25 de abril

(Cartaz cuja autoria não foi possível identificar)

Há sempre alguém que diz não



Adriano Correia de Oliveira com poema de Manuel Alegre.
Dedicado a Miguel Portas, que lutou até ao fim para defender os ideais de abril.

terça-feira, 26 de abril de 2011

25 de Abril, 37 anos depois


Esperamos que todos os leitores e amigos tenham tido uma Páscoa Feliz.
Desejamos ainda que tenham tido um excelente dia 25 de Abril: aqueles para quem a data faz parte das suas memórias, ou outros que, não sendo ainda nascidos, a adoptaram como um símbolo da liberdade de que podem gozar e da democracia em que vivem. 

A Pérola de Cultura teve de suspender temporariamente as suas publicações por razões imperativas. Porém, já fez escola e tem discípulos à altura de continuar este trabalho de divulgação cultural e evocação de efemérides e perfis de personalidades ligadas à Cultura. Eles são os Criadores d'Arte e o 25 de Abril está amplamente comemorado por estes amigos, cujo Blogue a Pérola de Cultura recomenda vivamente.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Otelo Madaleno

Otelo Saraiva de Carvalho, um dos militares obreiros do 25 de Abril diz que se soubesse o que o país é hoje, não teria feito a revolução. Era realmente só o que faltava ouvir!
Um auto de arrependimento? 
Era então melhor que continuássemos até hoje no regime do Estado Novo????
Onde irá terminar a crise (que é política, social e ética) não sei, mas a insanidade e os disparates deste calibre é que não são mesmo desejáveis.

Para ler aqui.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O relativismo da morte


Tinha jurado não falar mais da morte de Carlos Castro e até suprimi deste Blogue um comentário sobre a barbaridade do seu assassinato e a possível premonição a ele associada. Passei uma semana (assim como muitos cidadãos deste país) a ouvir sem cessar uma verdadeira intoxicação noticiosa em todos os canais nacionais sobre tão terrível acontecimento. 

Que foi sinistro, foi, estranho também, mas é melhor não repisar nem chafurdar naquilo que é macabro, sob pena de cair na pretensão de querermos ser todos psiquiatras forenses ou investigadores criminais. Corremos ainda o risco de ter pesadelos com Renato Seabra a trucidar o corpo a Carlos Castro durante horas, depois de este ter - quem sabe? - mortificado a alma daquele, ao ponto de trazer à superfície o que de pior em si havia, num 34º andar de New York!


O impacto desta ocorrência foi suficientemente grande para ter feito quase passar despercebida a morte de alguém muito mais importante para os destinos de Portugal nos últimos 30 e tal anos, a do Coronel Vítor Alves, que, de modo algo chocante, foi perfeitamente secundarizada em termos mediáticos face à tragédia de Carlos Castro. Mesmo o presumível autor do crime merece honras de muitos blocos noticiosos, assim como os seus parentes e amigos, até à exaustão.

É caso para reflectir: estará Portugal mais sensível às crónicas do cor-de-rosa, que de repente se tornam num filme negro, do que à História recente de um país em que alguns homens como Salgueiro Maia e Vítor Alves, por obra valorosa como foi o 25 de Abril, se deviam da lei da morte libertar?