segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O relativismo da morte


Tinha jurado não falar mais da morte de Carlos Castro e até suprimi deste Blogue um comentário sobre a barbaridade do seu assassinato e a possível premonição a ele associada. Passei uma semana (assim como muitos cidadãos deste país) a ouvir sem cessar uma verdadeira intoxicação noticiosa em todos os canais nacionais sobre tão terrível acontecimento. 

Que foi sinistro, foi, estranho também, mas é melhor não repisar nem chafurdar naquilo que é macabro, sob pena de cair na pretensão de querermos ser todos psiquiatras forenses ou investigadores criminais. Corremos ainda o risco de ter pesadelos com Renato Seabra a trucidar o corpo a Carlos Castro durante horas, depois de este ter - quem sabe? - mortificado a alma daquele, ao ponto de trazer à superfície o que de pior em si havia, num 34º andar de New York!


O impacto desta ocorrência foi suficientemente grande para ter feito quase passar despercebida a morte de alguém muito mais importante para os destinos de Portugal nos últimos 30 e tal anos, a do Coronel Vítor Alves, que, de modo algo chocante, foi perfeitamente secundarizada em termos mediáticos face à tragédia de Carlos Castro. Mesmo o presumível autor do crime merece honras de muitos blocos noticiosos, assim como os seus parentes e amigos, até à exaustão.

É caso para reflectir: estará Portugal mais sensível às crónicas do cor-de-rosa, que de repente se tornam num filme negro, do que à História recente de um país em que alguns homens como Salgueiro Maia e Vítor Alves, por obra valorosa como foi o 25 de Abril, se deviam da lei da morte libertar? 

3 comentários:

  1. Cara amiga

    Temos o prazer de convidar-te para comemorar connosco, a partir de hoje e durante três dias, o aniversário do nosso blog.

    A festa ocorrerá no nosso Farol.

    Contamos com a tua presença.

    Um grande abraço

    Argos, Tétis e Poseidón

    P.S. Como prova do carinho, apoio e amizade que sempre recebemos de ti, gostaríamos que aceitasses e levasses para o teu blog o selo comemorativo do 2º aniversário do nosso “Um Farol Chamado Amizade”.

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  2. Concordo plenamente... Gostei da alusão aos Lusíadas!

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  3. Não poderia deixar de assinalar a perda de um dos mais significativos homens do 25 de Abril. Merece um verso dos Lusíadas e muito mais.

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