sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Homofobia (também) na adolescência


Sendo que me caiu em cima a delicada tarefa de leccionar Educação Sexual, naturalmente orientei-a para a minha área disciplinar, fazendo integrar esses conteúdos nas rubricas relacionadas com valores e cultura, ética e responsabilidade, liberdade e respeito pelo outro, violência no namoro e prevenção dos conflitos; também as questões de género e os estereótipos sexistas vieram a lume nesta abordagem.

tolerância e inclusão são valores de cidadania para mim inegociáveis. Por isso mesmo, não pude deixar de espantar-me e ficar seriamente preocupada com a homofobia violenta e repugnada de muitos adolescentes do secundário face à questão - sugerida aliás no documento que serve de guião - da aceitação e não-discriminação das minorias sexuais.

Passar o filme "Milk" (cujo subtítulo é "A voz da Igualdade") torna-se por isso impraticável e "Filadélfia" (com Tom Hanks) só do 11º ano para diante, e, mesmo assim, com restrições às turmas de cientifico-naturais, em que a maioria dos alunos está a orientar os seus estudos para áreas da saúde.

Conheço bem atitudes discriminatórias e homofóbicas em pessoas seniores, mas em jovens é um pouco assustador; faz pensar em que tipo de mundo e com que tipo de cidadania vamos conviver no futuro.


 
• Milk é um filme americano, dirigido por Gus Van Sant e baseado na vida do político e activista gay Harvey Milk, que foi o primeiro homossexual declarado a ser eleito para um cargo público na Califórnia como membro da Câmara de Supervisores de S. Francisco.

• SINOPSE:
Cansado de se esconder de si próprio, Harvey abandona o seu bem remunerado emprego em Wall Street e decide "sair do armário", mudando-se para o distrito Castro em São Francisco com o seu amante de longa data, Scott Smith. Na comunidade colorida de Castro, pequenas vitórias conduzem a outras maiores e Harvey ao falar abertamente para uma maioria silenciosa, acaba por ser o primeiro politico assumidamente homossexual a ganhar umas eleições. Quando Harvey Milk foi assassinado em 1978, o mundo perdeu um dos seus líderes mais visionários e uma voz que se elevou corajosamente pela igualdade de direitos.

Estados Unidos Ano: 2008
Género: Biografia, Drama
Duração: 128m
Classificação etária: 16 anos

Sean Penn foi premiado com um Óscar de melhor actor em 2009 pela sua interpretação de Harvey Milk e Tom Hanks já tinha obtido o mesmo prémio em 1994 pela interpretação de um advogado homossexual em "Filadélfia". 

6 comentários:

  1. É realmente assustador. O machismo, seja no homem como na mulher, está muito inculcado nas mentalidades e levará muito tempo a aliviar. Penso, contra as suas expectativas, que nos jovens é ainda mais marcante. Com a idade eles vão-se acostumando à ideia da inclusão, penso, quanto mais não seja por força de tanto ouviram dizer mal da descriminação. Mas bem lá no fundo....será como muita gente. Abraço Maria Fernanda

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  2. Uma coisa é o direito por hipótese de não gostar de homossexuais, outra é cultivar o ódio, a intolerância e a discriminação.
    É igual a racismo ou xenofobia; não ando contigo porque és preto, cigano ou gay - muito mau!

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  3. Não juro que não esteja a dizer asneiras, mas estou em crer que a educação sexual é um cesto de gatos - como aliás toda a educação.
    Toda a gente sabe que é difícil ensinar filosofia a um jovem que não aprendeu a ler, apenas junta as letras, e que não sabe a tabuada muito bem.
    E é igualmente difícil ensinar-lhe o respeito pelo outro quando em casa, mal começou a gatinhar, viu o pai desrespeitar a mãe - e vice-versa, claro - e as irmãs serem tratadas como mini criadas e por aí fora. As crianças, desde muito novinhas tentam interpretar os mais crescidos para se adaptarem: a sobrevivência deles próprios depende disso. Mas, claro, muito antes de dominarem palavras, aprendem a descodificar atitudes. É (ou seria) a altura própria para mostrar que a aceitação do diferente é um valor.
    Mas, para isso, teria de ver que os outros a praticavam.
    Mais tarde, quando o adolescente está ele próprio a escolher (ou a reconhecer, não sei) a sua orientação sexual, a exclusão do diferente parece-me muito natural. A maior ou menor agressividade que ele põe nessa diferenciação é que é preocupante e vem muito lá de trás.
    Julgo que é a altura própria para aprender imensa coisa, a contracepção, por exemplo, ou as DSTs. Mas é a altura errada para lhe ensinar a tolerância nesse campo específico. Seria muito mais fácil ensinar o adolescente a respeitar a diferença de um modo desviado. Por exemplo, através de uma educação para a cidadania: aprender a discutir sem atropelar os outros, a reconhecer a razão e a competência quando elas aparecem, etc. Não se deveria ensinar os cachopos a dirigir uma reunião respeitando as regras do pedido de palavra, do protesto, do pedido de esclarecimento, da votação e por aí fora?
    Claro que não tenho a certeza de nada disto: estive só a pensar alto.
    Felizmente neste blog não é um pecado grave, pois não?
    Um abraço.

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  4. Claro que não. Penso que tens toda a razão. Beijo.

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  5. Não me espanta absolutamente nada, Lelé, que eles pensem assim. Porque já os vi soltar as garras muitas vezes em Área de Projecto, Cidadania e Formação Cívica. Absolutamente lamentável. Cabe-nos a nós fazer tudo o que pudermos para alterar esta cultura enraizada tacanha.
    Bjs

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  6. Difícil tarefa, por vezes, amiga...
    Acho que o Tacci tem razão, tinha de se começar por ensinar valores básicos de cidadania e só depois educação sexual.

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