segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A história repete-se


Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV

Giulio Raimondo Mazzarino, mais conhecido como Cardeal Mazarino, nasceu em 1602 em Itália mas radicou-se em França, sucedendo no cargo de primeiro-ministro o Cardeal Richelieu, de 1642 até à sua morte em 1661, no reinado de Luís XIV.
Foi seu ministro de Estado e da Economia Jean-Baptiste Colbert, que ficou conhecido pela sua teoria do mercantilismo e das práticas de intervenção estatal na economia.
Eis um diálogo travado entre os dois, em pleno século XVII:


"Colbert:

- Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço.

Mazarino:

- Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado... o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se... Todos os Estados o fazem!

Colbert:

- Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

Mazarino:

- Criam-se outros.

Colbert:

- Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

Mazarino:

- Sim, é impossível.

Colbert:

- E então os ricos?

Mazarino:

- Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

Colbert:

- Então como havemos de fazer?

Mazarino:

- Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres.

É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais!

Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável."

Este tipo de conversa poderia ter ocorrido em 2010 na altura da aprovação do Orçamento de Estado, entre Teixeira dos Santos e José Sócrates. 


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