domingo, 18 de julho de 2010

Rosário Gama no Plano Inclinado


Disse calmamente o que lhe vai na alma, como é habitual nesta senhora, colega professora e Directora da Escola Secundária Infanta D. Maria em Coimbra.

Contrariamente ao (também habitual) pessimismo e mesmo, porque não dizê-lo, azedume de Medina Carreira, Rosário Gama respondeu à pergunta de Mário Crespo sobre se a Escola Pública poderia ser excelente: "Sim, se a tutela nos deixasse!"

Sem medos ou gaguez, falou do desfasamento dos programas, da estranheza perante a supressão dos exames nalgumas disciplinas como a Filosofia, mas fundamentalmente, colocou a tónica na preocupante novidade dos agrupamentos de escolas, sem critério e sem consulta, com tudo o que isso vai acarretar de dificuldades de gestão, distanciamento pedagógico e físico de professores e alunos, que terão de se deslocar de umas escolas para as outras, com todo o acréscimo de tempo, dinheiro e meios gastos.

Rosário Gama referiu ainda o encerramento de muitas centenas de escolas, o que se relaciona com a constituição destes agrupamentos, e chamou a atenção para o problema da Avaliação de Desempenho Docente, que vai voltar em moldes idênticos aos do modelo anterior, uma vez que continua a ser feita inter-pares, o que merece ampla discussão.

Por fim recomendou que num outro programa se tratasse do Estatuto do Aluno.

5 comentários:

  1. Lélé,

    Normalmente os convidados do Plano Inclinado seguem o azedume e pessimismo do painel fixo do programa ...

    Sendo assim, é preciso pôr o dedo nas ferida e indicar caminhos e soluções para os problemas ...

    Não podemos afirmar e dizer que está tudo mal e estamos á beira do abismo ...

    Temos que construir a ponte ou o caminho para acabarmos com esta situação difícil em que nos encontramos ...

    Mas tem que ser toda a sociedade em conjunto.
    Estado, Empresas, Famílias, todos a remar para o mesmo lado ...!

    Bjks da M&M & Cª!

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  2. Olá Lelé
    Não vi o programa mas gostei do teu relato sobre esta grande mulher. O filme já estará disponível?
    Beijinhos

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  3. O registo da colega Rosário Gama não é o mesmo, e felizmente, de Medina Carreira e mesmo Nuno Crato, que são pessimistas.
    Ela fez questão de marcar a diferença, mas, como também já é habitual nestes programas, não teve tempo para abordar caminhos e soluções.
    Porém, foi suficientemente crítica para que a opinião pública possa perceber o descalabro das recentes medidas tomadas pela tutela.

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  4. Julgo que para elogiar a prestação e a atitude de Rosário Gama não é preciso desvalorizar Medina Carreira e Nuno Crato - que, naquela programa e noutras intervenções públicas, têm feito um grande serviço ao país.
    Diz-se que os portugueses estão sempre a dizer mal de tudo e que não prestam atenção ao que temos de bom. Mas isso é um mito. Na verdade, em Portugal existem poucos debatem e as pessoas não têm hábitos de discussão. Muitas pessoas sentem-se pessoalmente ofendidas quando criticamos as suas ideias. E por vezes chama-se 'azedume' e 'pessimismo' ao espírito crítico e à acutilância.
    2 notas:
    Medina Carreira não é especialista na área da educação, mas Nuno Crato costuma apontar soluções. E boas!
    Foi bom, mas surpreendente, que Rosário Gama falasse do desapreciamento abrupto do exame de Filosofia. Quase ninguém fala disso, a começar pela maioria dos professores de filosofia. E como precisávamos que houvesse exame nacional de Filosofia!

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  5. Pois precisávamos. Os alunos teriam, certamente, outro tipo de atitude nas aulas...

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