terça-feira, 19 de junho de 2012

Joana Vasconcelos em Versailles

(c) Joana Vasconcelos-Versailles

(c) Joana Vasconcelos-Versailles

"A Noiva" (c) Joana Vasconcelos - censurada

Sapato de Marilyn (c) Joana Vasconcelos

"Coração Independente" (c) Joana Vasconcelos

Joana Vasconcelos com o chef José Avilez

De 19 de junho a 30 de setembro, a exposição de Joana Vasconcelos estará patente ao público no Palácio de Versailles, próximo de Paris. 
Não deixa de ser motivo de orgulho para Portugal e para as mulheres portuguesas; porém, há uma nota desagradável, que não posso deixar de referir: a peça "A Noiva" (na foto do meio), que representa um lustre construído com tampões, foi censurada e Joana impedida de a expor. 
A direção do Palácio considerou a peça inapropriada, até porque Joana desejava colocá-la no quarto da rainha. 
Desde há muito tempo que Joana Vasconcelos gosta de usar materiais de uso comum nas suas instalações, como por exemplo, garfos de plástico, panelas, fios, garrafas, lâmpadas, plumas, etc. Segundo a própria artista referiu o universo das suas criações gira em torno de objetos femininos.
Ninguém parece ter reclamado por Joana ter construído os sapatos de Marilyn Monroe com tachos e tampas. Mas o lustre foi proibido; não por ser um lustre, mas por ser feito de tampões. Isto demonstra que os preconceitos dos franceses ainda estão mais firmes do que os nossos em Portugal, a respeito de certas coisas. Mas não de outras, pois já vi instalações feitas com lixo no Centre Pompidou e todos pareceram achar muito natural aquele montão de porcarias estar exposto numa galeria de arte, como se fosse realmente uma escultura, numa sala ao lado de desenhos de Picasso. Barafustei imenso junto dos que me acompanhavam, dizendo que se quisesse ver pneus velhos, sapatos rotos, cafeteiras furadas, trapos a desfazer-se, pratos partidos, chaves ferrugentas e toda a sorte de desperdícios inúteis, iria a uma lixeira e não a um Centro de Exposições de Arte. Achei horrível e de mau gosto. Senti-me quase insultada e apeteceu-me reclamar de volta o dinheiro do bilhete, que ainda era em francos. Não é por acaso que ainda hoje me lembro disto. Aquela foi a primeira vez que visitei o Centre Pompidou e fiz questão de com ele me reconciliar anos mais tarde com uma exposição sobre a obra de Hergé.
Pelo menos os tampões do lustre da Joana estavam limpinhos! Não são mais do que rolinhos de algodão branco com um fio na ponta; nada mais! Qual a diferença para tachos, rendas ou sedas, escovas de cabelo, enfim, coisas em que as mulheres mexem no seu dia-a-dia? 
Ela não gostou nada da proibição e disse às televisões que no conjunto da sua coleção, "A Noiva" não era apenas mais uma obra, era "a obra".

Notícias sobre a exposição aquiaquiaqui e aqui.

5 comentários:

  1. Não tinha dado conta do caso da "Noiva". Abri a boca em AH! e tive dificuldade em fechá-la. E logo na França das "liberdades"...Coisas muito mais feias faziam as realezas do que usar tampões. Parece impossível como ainda existem coisas que nos surpreendem...pela negativa, claro! Também detesto instalações com lixo e não só de lixeiras, chamar arte a tudo hoje em dia, dá que pensar.

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Ia escrever um nome feio e apaguei.
      Fico-me pela palavra HIPOCRISIA.

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  2. Só no serão de hoje consegui acabar de ler todos os "aquis". Gostei, mas o estilo do primeiro adorei.

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    1. O garrafão? É bem ao estilo português! :-)

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