segunda-feira, 4 de junho de 2012

Rock in Rio Lisboa visto do meu sofá


Em cinco edições, é a terceira vez que, por motivos diferentes, fico em casa a ver o Rock in Rio pela televisão. Por um lado tem vantagens: desde logo o conforto; depois não ter de comer poeira e trazê-la no cabelo, além de aguentar horas em pé em filas de espera à entrada e à saída. Mas por outro, a atmosfera e as emoções que se vivem em concertos ao vivo são impossíveis de se reproduzir em casa. Mesmo assim fiz questão de acompanhar a transmissão das três últimas edições: em 2008, 2010 e agora. Devo dizer que foi a de 2012 aquela de que mais gostei, em especial este fim de semana, pela diversidade e qualidade das propostas. 
Desde Luís Represas com João Gil e Jorge Palma, até Ivete Sangalo, passando pelos Gift e os Xutos e Pontapés, ouviu-se de quase tudo. Porém, foram os Maroon 5, Stevie Wonder, Bruce Springsteen, Joss Stone e especialmente Bryan Adams aqueles que mais apreciei. Ouvi e vi, embora à distância, canções verdadeiramente maravilhosas, em que o calor do público e a sintonia dos artistas em palco com o coro das pessoas, criaram momentos quase mágicos. 
O Rock in Rio, desculpem-me os não apreciadores, tem vindo a afirmar-se como um grande acontecimento musical em Portugal, que deixará uma marca de qualidade, apesar de todos os inconvenientes de uma logística de desconforto e até algum sacrifício. 
Lembro-me de ter assistido de perto ao incrível concerto de Paul McCartney e ao de Sting nas primeiras edições. Foram momentos realmente memoráveis.
Nesses anos cheguei a casa já madrugada alta, estafada, com as pernas bambas, os ouvidos a zumbir e a cabeça cheia de sons e imagens; lembro-me de despir as calças de ganga e ficar a ver as pobres quase ficarem em pé; além disso lembro-me de depois olhar para o espelho e não reconhecer a cor das minhas pestanas...
Nos anos seguintes, em que não fui, segui pontualmente alguns dos nomes mais significativos para mim, como Shakira e Anastacia. Lembro-me de nessa altura reconhecer na televisão o meu irmão, no meio daquela imensa plateia em pé, com a barba pintada de cor-de-rosa! Ele que anda impecavelmente aparado e vestido de fato todos os dias da semana, ali estava transfigurado naquela imagética do pop-rock. Não me admirei por aí além, pois eu mesma, numa das edições, vim para casa cheia de tatuagens auto-colantes com pequeninas guitarras, que espalhei em várias partes do corpo, a condizer com as duas tranças e o boné de pala. Durante um ou dois dias, se estivesse no meio dos meus alunos, seria finalmente um deles.
Quem corre por gosto não cansa. Se pudesse, teria certamente lá estado de novo este ano. Não sei em que figura regressaria a casa, mas certamente tão cansada quanto feliz.




Este vídeo quase não se ouve, foi gravado com o som muito baixo, mas dá para ver o ambiente e perceber o envolvimento do público português a cantar afinadíssimo em coro com Adam Levine.





Aqui foi um momento de completa surpresa para mim: Bryan Adams convida alguém da plateia para cantar com ele e escolhe, aparentemente ao acaso, uma fã: "the girl with the black t-shirt". Tratava-se afinal de Vanessa Silva, uma cantora que tem trabalhado em musicais de Filipe La Féria e em programas de televisão. Resultou num fabuloso e inesperado dueto. Motivo de orgulho para as mulheres portuguesas, achei eu. 
Vejam a notícia aqui.

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