quarta-feira, 20 de junho de 2012

Wenceslau de Moraes e o Japão




Wenceslau de Moraes, encantou-se pela cultura exótica e delicada do Japão, logo nas primeiras visitas. Em “Saudades do Japão” fala das saudades que sente…


"……país atraente entre todos, pela sua paisagem ameníssima, pelo puro azul do céu privilegiado, pelo seu povo interessante, pela tradição lendária..."…”Já vos falaram do asseio japonês? Um cúmulo!....as notinhas nipónicas tão gentis de impressão, com anos de uso…conservam sempre a mesma frescura primitiva… sem uma mancha,,,,,com vago perfume a não sei quê…
Em 1896 instala-se definitivamente no Japão, vindo a ocupar em 1899, o lugar de cônsul de Portugal em Hiogo e Osaka e posteriormente em Kobe e Osaka.
A sua grande admiração pela mulher asiática, em particular pela japonesa, livre mas submissa e gentil, de quem exaltava sempre as mãos pequeninas e delicadas, leva-o a casar-se em 1900, segundo os ritos shintoístas, com O-Yoné Fukumoto.

Na sua obra, de escrita sobretudo impressionista, documenta as paisagens, a história, a tradição e a alma Japonesas. Durante trinta anos Wenceslau de Moraes tornou-se a grande fonte de informação portuguesa sobre o Oriente.
Amargurado com a morte, por doença cardíaca, de Ó-Yoné em 1913, e também desiludido e desgostoso com a política em Portugal, Wenceslau de Moraes rompe todas as ligações que mantinha com o Estado português (era na altura Cônsul de Portugal em Kobe e Osaka e ainda oficial da Marinha Portuguesa, graduado em Tenente-coronel/Capitão de fragata), e muda-se para Tokushima, terra de Ó-Yoné.
Em Tokushima converte-se ao Budismo e apesar da sua idade respeitável ainda tem um último amor, a Japonesa Ko-Haru, sobrinha de Ó-Yoné, que lhe foi infiel, mas a quem perdoou e que faleceu 3 anos depois, tuberculosa, deixando Wenceslau de Moraes nos últimos anos de sua vida, ainda mais amargurado e só, entregue à saudade, à contemplação da natureza e aos seus gatos.

Na verdade, Tokushima nunca o aceitou nem compreendeu, dada a sua vida solitária, aparência pouco cuidada e algumas atitudes mal aceites no oriente, como por exemplo a suas idas frequentes ao cemitério e beijar os túmulos das amadas, que eles chamavam de “lambuzar”. As crianças tinham medo dele e fugiam, apesar de ele lhes distribuir doces.
"...este bom povo de Tokushima, arisco, conservativo, detestando cordialmente o europeu...". 

Contudo, uma Bonza a quem ele legou por morte 500 iénes, bastante dinheiro na época, rezava uma vez por mês, em sua casa, no altar de Yoné e Ko-Haru.
Morreu a 1 de julho de 1929 e foi, conforme o seu desejo, cremado e enterrado segundo os ritos budistas, e as suas cinzas colocadas junto das de Ko-Haru. 
Fontes:


Filme de Paulo Rocha “ A Ilha de Moraes”
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses – Vol. II
Dicionário Ilustrado da História de Portugal – Vol. II
Livros de Wenceslau de Moraes- biblioteca pessoal



Texto de Tita Fan
Fotos digitalizadas por José Ruy

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