terça-feira, 21 de maio de 2013
Eurovisão - Dinamarca porque sim
Palavra que gostei mesmo. A canção era muito bonita. Foi aquela que preferimos logo desde o início.
E que a Alemanha tenha evocado razões políticas para não ganhar, não me importa nada; aliás nem acredito. Além da supremacia económica e política, também estava com pretensões ao troféu da Eurovisão. Nada como um país periférico como a Dinamarca para fazer engolir as peneiras aos habituais grandes Alemanha, Rússia, etc.
É verdade: não basta um par de pernas (e outros "pares" avantajados) de uma cantora com aspeto de lutadora na lama como a Cascada para ganhar a Eurovisão, desde que os votantes tenham ouvidos.
Prefiro as sonoridades das flautas que evocam mesmo florestas; e prefiro cantoras com aspeto de fadas; as fadas têm cabelos louros naturais, andam descalças e usam vestidos esvoaçantes. A Emmelie evocou tudo isso, além de cantar bem. E depois, vinha de um país da minha simpatia: a terra de Kierkegaard, de Andersen, da pequena sereia. Para já não falar da Lego e da Carlsberg...
Por todas as razões fiquei contente de não ser a Alemanha a levar a bicicleta e sim a Dinamarca.
Ah, e já agora, gosto mesmo da canção, dos tambores, das flautas, do visual e dos recursos cénicos. Despojado, belo e simples.
domingo, 19 de maio de 2013
A lucidez controversa de MEC
Preservar...
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Chega-se sempre à primeira frase, ao primeiro número da revista, ao primeiro mês de amor. Cada começo é uma mudança e o coração humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do início, da inauguração, da primeira linha na página branca, da luz e do barulho das portas a abrir.
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.
Em Portugal quase tudo se resume a começos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. À mínima comichão aparece uma «iniciativa», que depois não tem prosseguimento ou perseverança e cai no esquecimento. Nem damos pela morte.
É por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores não nos faltam. Chefes não nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Heróis não nos faltam. Faltam-nos guardiões.
É como no amor. A manutenção do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas — sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades — é o que distingue os seres humanos. O nascimento e a morte não têm valor — são os fados da animalidade. Procriar é bestial. O que é lindo é educar. Estou um pouco farto de revolucionários. Sei do que falo porque eu próprio sou revolucionário. Como toda a gente. Mudo quando posso e, apesar dos meus princípios, não suporto a autoridade.
É tão fácil ser rebelde. Fica tão bem ser irreverente. Criar é tão giro. As pessoas adoram um gozão, um malcriado, um aventureiro. É o que eu sou. Estas crónicas provam-no. Mas queria que mostrassem também que não é isso que eu prezo e que não é só isso que eu sou.
Se eu fosse forte, seria um verdadeiro conservador. Mudar é um instinto animal. Conservar, porque vai contra a natureza, é que é humano. Gosto mais de quem desenterra do que de quem planta. Gosto mais do arqueólogo do que do arquitecto. Gosto de académicos, de coleccionadores, de bibliotecários, de antologistas, de jardineiros.
Percebo hoje a razão por que Auden disse que qualquer casamento duradoiro é mais apaixonante do que a mais acesa das paixões. Guardar é um trabalho custoso. As coisas têm uma tendência horrível para morrer. Salvá-las desse destino é a coisa mais bonita que se pode fazer. Haverá verbo mais bonito do que «salvaguardar»? É fácil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que é difícil é ficar. Isto ensinou-me o amor da minha vida, rapariga de esquerda, a mim, rapaz conservador. É por esta e por outras que eu lhe dedico este livro, que escrevi à sombra dela.
Preservar é defender a alma do ataque da matéria e da animalidade. Deixadas sozinhas, as coisas amarelecem, apodrecem e morrem. Não há nada mais fácil do que esquecer o que já não existe. Começar do zero, ao contrário do que sempre pretenderam todos os revolucionários do mundo, é gratuito. Faz com que não seja preciso estudar, aprender, respeitar, absorver, continuar. Criar é fácil. As obras de arte criam-se como as galinhas. O difícil é continuar.
Miguel Esteves Cardoso [As Minhas Aventuras na República Portuguesa]
quinta-feira, 16 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
Do exame da 4ª
(c) Olinda Gil, Sereia do Ilhéu
Agora é o 4º ano da escolaridade obrigatória. Com exame e tudo, como antigamente, na 4ª classe.
Estive por lá, vi e participei, apesar de não ser professora do ensino básico.
Logo pela manhã, aportaram à Escola Secundária onde trabalho, magotes de crianças ruidosas, entre o entusiasmado e o curioso, pela novidade.
Não só o espaço era novo para aquelas crianças, como os professores e até o mobiliário.
À sua dimensão, tudo se afigurava um pouco monumental, gigantesco mesmo; cerca de metade destes meninos passaram duas horas com as pernas a balançar no ar, os pés sem chegar a tocar no chão, numa posição de evidente desconforto. Tudo era tão estranho que houve mesmo quem chorasse e não fizesse nada de jeito. Outros, mais maduros, ou com mais capacidade de adaptação, lá se desenrascaram.
Vamos aguardar pela publicação dos resultados para ver quais são os ganhos efetivos que a introdução deste exame veio trazer. Ou se o show-off se saldou apenas por mais uma gigantesca operação de propaganda deste governo, o único que conheci até hoje a mandar pôr o seu símbolo nos cabeçalhos das provas.
Não faço ideia quais os gastos que toda esta operação de logística acarretou, mas às vezes os gastos para este governo parecem importar muito, outras vezes, não faz mal!
Na minha Escola várias centenas de alunos ficaram sem aulas e voltarão a ficar na sexta-feira, mas parece que também não faz mal.
Faz de conta que veio um Papa e se deu tolerância de ponto, prontos!
Escolas houve em que se organizou visitas de estudo em massa para entreter os alunos cujas salas de aula estavam ocupadas com os seus colegas da primária a fazer exame.
Quanto se gastou? Quantas aulas se perdeu? Ora, isso não interessa nada!
O que interessa é que se introduziu mais uma "medida de rigor", para preparar a criançada para a vida, ora pois!
E, sobretudo, nada de confiar nesses "zecos" que enrouquecem nas salas de aula, para fazer das crianças homenzinhos e mulherzinhas, cultos e educados q.b.
Essa malta, a quem o cabelo teima em embranquecer, e que despede a família às noites e aos fins-de-semana para fazer autênticas maratonas de correção de provas, na realidade só precisava era de uma boa desculpa para atrasar em cerca de dois dias mais uma dessas etapas, deixando no repouso da mesa de trabalho umas resmas de papel.
E os alunos sempre estavam a precisar de uns feriados, pois isto de União Europeia só tem o nome e por cá nem sequer há férias de neve; assim sempre deu para um salto a Carcavelos a apanhar um valente escaldão!
domingo, 5 de maio de 2013
Poema à Mãe
Poema à Mãe
No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.
Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.
Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!
Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;
Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;
Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...
Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
(poema Eugénio de Andrade/pintura Gustav Klimt)
sexta-feira, 3 de maio de 2013
António Vieira atual em 2013
"Tudo quanto tenta e intenta o diabo em um poderoso, tudo leva ao cabo, ou seja nos pecados de homem, ou nos de ministro. Nos pecados de homem, se se ajunta o poder com o apetite, não há honra, não há honestidade, não há estado, nem ainda profissão, por sagrada que seja, que se não empreenda, que se não conquiste, que se não sujeite, que se não descomponha. E nos pecados de ministro, se o poder se ajunta com a ambição, com a soberba, com o ódio, com a vingança, com a inveja, com o respeito, com a adulação, não há lei humana, nem divina, que se não atropele, não há merecimento que se não aniquile, não há capacidade que se não levante, não há pobreza, nem miséria, nem lágrimas que se não acrescentem, não há injustiça que se não aprove, não há violência, não há crueldade, não há tirania que se não execute.”
- Padre António Vieira, Sermão da Primeira Dominga do Advento [1652].
quarta-feira, 1 de maio de 2013
1 de maio, dia do trabalhador
Comemoro o dia do trabalhador trabalhando.
Tenho 60 testes intermédios de Filosofia para classificar, com outros tantos descritores para, criteriosamente, estabelecer uma "avaliação externa".
Pergunto-me se a mesma é dos conhecimentos dos alunos ou da paciência - leia-se "resistência" - dos professores!
Ainda que de mau humor, vos desejo a todos um feliz dia do trabalhador! (Versejei!)
segunda-feira, 29 de abril de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Zé Povinho, acordado ou dormindo?
Pois não sei!
Até quando poderão os senhores desta terra fazer tudo a seu belo parecer, desconsiderando os bolsos vazios e o cinto apertado de quem trabalha.
Não sei se o Zé Povinho está acordado ou a dormir.
Se afinal é parvo ou finge que o é.
Para menos sofrer, não quer perceber que estão a lixá-lo; não só a si, como aos descendentes que tentou criar para não deixar despovoar de todo um país, que qualquer dia só terá velhos, desempregados e reformados compulsivos.
Pobre Zé, iludido e ostracizado.
Até quando poderão os senhores desta terra fazer tudo a seu belo parecer, desconsiderando os bolsos vazios e o cinto apertado de quem trabalha.
Não sei se o Zé Povinho está acordado ou a dormir.
Se afinal é parvo ou finge que o é.
Para menos sofrer, não quer perceber que estão a lixá-lo; não só a si, como aos descendentes que tentou criar para não deixar despovoar de todo um país, que qualquer dia só terá velhos, desempregados e reformados compulsivos.
Pobre Zé, iludido e ostracizado.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Dia Mundial da Terra
Terra em português é feminino. E ainda bem. Ela é mãe, dá-nos colo, alimento, abrigo.
Devemos ser-lhe gratos e tratá-la bem, como se faz a qualquer mãe.
Devemos retribuir-lhe em cada dia a vida que nos dá e tudo aquilo que nos proporciona.
Aquilo que comemos, o ar que respiramos, a água que bebemos, o calor que nos aquece, a luz que nos ilumina. O renascer das estações, o brotar das flores, o amadurecer dos frutos.
Sem a Terra não existiríamos e não existiremos. Se ela estiver doente, nós também estaremos. Se estiver suja e maltratada, essas manchas ficarão entranhadas em nós e não teremos qualquer hipótese de sobreviver.
Ame a Terra. Ela é o seu habitat. Até ver, não teremos outro. Pelo menos, não nesta era.
E mesmo que venhamos a ter um dia outro mundo que não este, não seria um crime destruí-lo?
Devemos ser-lhe gratos e tratá-la bem, como se faz a qualquer mãe.
Devemos retribuir-lhe em cada dia a vida que nos dá e tudo aquilo que nos proporciona.
Aquilo que comemos, o ar que respiramos, a água que bebemos, o calor que nos aquece, a luz que nos ilumina. O renascer das estações, o brotar das flores, o amadurecer dos frutos.
Sem a Terra não existiríamos e não existiremos. Se ela estiver doente, nós também estaremos. Se estiver suja e maltratada, essas manchas ficarão entranhadas em nós e não teremos qualquer hipótese de sobreviver.
Ame a Terra. Ela é o seu habitat. Até ver, não teremos outro. Pelo menos, não nesta era.
E mesmo que venhamos a ter um dia outro mundo que não este, não seria um crime destruí-lo?
terça-feira, 16 de abril de 2013
15 de abril, um dia a assinalar
(c) Luís Diferr - "Kallilea & centauro" (poster). Daqui
15 de abril é um dia importante por vários motivos com relevância histórica.
Teve lugar o naufrágio do Titanic, o que foi uma das maiores tragédias do século XX.
Mas também se comemoram coisas boas: por exemplo, o 306º aniversário do grande matemático suíço Leonard Euler.
E não menos importante, o nascimento do grande artista e engenheiro Leonardo Da Vinci.
Em homenagem a este último, foi decretado neste dia o Dia Mundial do Desenhador.
Deixo-vos aqui um poster do desenhador Luís Diferr, com mais uma das suas "fantasias de um lírico"...
Nesta data especial, deixo ainda um abraço agradecido a todos os meus amigos artistas: desenhadores, cartoonistas e pintores, admiro a vossa perspicácia, paciência e talento!
(Obrigada à Tita Fan pela lembrança deste dia)
terça-feira, 9 de abril de 2013
Séneca ainda muito atual
O que interessa não é o que vemos mas o modo como o vemos; e no geral o espírito humano mostra-se cego para a verdade."
"Cartas a Lucílio"Séneca
sexta-feira, 29 de março de 2013
quarta-feira, 27 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Depressão arrasa professores
Apesar de o Ministério da Educação não divulgar dados, são cada vez mais os professores de atestado devido a depressões e burnout (exaustão física e emocional). Dirigentes sindicais e directores de escolas mostram-se convictos de que a crise agravou esta situação que, acrescenta o Diário de Notícias, não afecta apenas os docentes contratados mas também os com décadas de carreira.
O DN apresenta, na edição de hoje, alguns testemunhos na primeira pessoa de professores afastados da sala de aula porque a “alegria” de leccionar deu lugar ao vazio escuro da depressão.
“Sei que fiquei mais gordo, por causa dos medicamentos, mas sei porque vejo nas fotografias, não me lembro disso”, confessa ao jornal um professor com 28 anos de carreira mas que passou os últimos três em casa, de baixa. Neste caso, a mudança de escola foi dramática e foi “perdendo as forças para controlar a sala de aula”.
A psicóloga Lígia Costa, da direcção de um dos sindicatos da Federação Nacional de Educação, destaca, ao DN, que os estudos “apontam o stress como factor explicativo de 50% a 60% dos dias de trabalho perdidos e como o segundo problema de saúde relacionado com o trabalho mais frequente”.
Ainda segundo a psicóloga, muitos destes “processos acabam por assumir a forma de quadros clínicos de ansiedade e perturbações depressivas”.A crise estava evidentemente associada a esta situação. O dirigente da Fenprof, Mário Nogueira, refere que “a sobrecarga horária”, as “responsabilidades que vão muito além do que seria o papel do professor”, a “crescente hierarquização e controle”, bem como “a criação de grandes agrupamentos”, em nada contribuem para o bem-estar e trabalho dos docentes.
Um estudo europeu da Sociedade Portuguesa de Inovação, citado pelo DN e que data de 2011, indicava que os professores portugueses foram os que revelaram índices mais elevados de stress e burnout (exaustão física e emocional), de entre nove países estudados.
domingo, 24 de março de 2013
A censura da "primavera árabe"
"A jovem Amina, de 19 anos, acreditou na democracia da Tunísia, depois da "Primavera Árabe" de 2011, e foi condenada à morte pela justiça islâmica por colocar esta foto profana no seu blog.
(A notícia e a foto são do Facebook e já foram retirados no Brasil. Aqui também não tardará a ser retirada. Por isso resolvi reproduzi-la aqui, antes que seja tarde demais. Continuo a pensar que a denúncia é a melhor forma de lutar contra a discriminação das mulheres.)
A frase escrita em árabe significa “meu corpo pertence a mim e não é a fonte da honra de ninguém”, o bastante para ser perseguida pelas autoridades muçulmanas.
O Forum Social Mundial 2013 começará em Túnis na terça-feira, mas a jovem não poderá ir, pois a família internou-a num manicómio para que escapasse da execução da sentença."É esta a liberdade de que se goza nos países onde se diz ter existido uma revolução democrática. Sem liberdade de expressão, sem direitos para as mulheres, com condenações à morte por crimes que não o são, enfim, mais do mesmo no mundo onde os fundamentalismos islâmicos continuam a fazer lei, à revelia do direito internacional e da salvaguarda dos direitos humanos fundamentais.
(A notícia e a foto são do Facebook e já foram retirados no Brasil. Aqui também não tardará a ser retirada. Por isso resolvi reproduzi-la aqui, antes que seja tarde demais. Continuo a pensar que a denúncia é a melhor forma de lutar contra a discriminação das mulheres.)
sábado, 23 de março de 2013
Earth hour
Hoje das 20:30 às 21:30 apague todas as luzes e desligue todos os aparelhos de que não precise.
É a hora do planeta. Em toda a Terra há milhares de cidades a apagar as luzes dos seus monumentos mais emblemáticos. É uma boa altura para organizar um jantar à luz de velas, chamar os seus amigos e usufruir do prazer de participar numa atitude simbólica à escala mundial.
2000 milhões de pessoas e 5200 cidades participarão. O planeta agradece.
Com a adesão do World Wide Fund Portugal.
domingo, 17 de março de 2013
quinta-feira, 14 de março de 2013
Rejubilar e regurgitar ou o fumo branco da Capela Sistina
(Cartoon cujo autor não foi possível identificar)
Fátima Campos Ferreira dizia, embevecida e em direto na RTP1, que os católicos presentes na Praça de S. Pedro regurgitavam quando, após a saída do fumo branco da chaminé da Capela Sistina, um cardeal anunciou à janela "Habemus Papam".
Poucas horas mais tarde a SIC Notícias, difundia que os homossexuais católicos emitiram uma comunicado a dar conta do seu "desalento pela escolha do cardeal Bergoglio para Papa".
Este jesuíta considera a homossexualidade e o casamento gay como "um plano de Satanás para enganar os filhos de Deus" e a "destruição do plano de Deus".
A esta seguiram-se dezenas de notícias nas redes sociais a dar conta do passado do cardeal Bergoglio, associando-o ao general Videla, que fez milhares de vítimas na Argentina durante a ditadura militar.
Enquanto isso, uma parte das pessoas, sobretudo as católicas, rejubilavam com esta nomeação, enchendo-se de alegria e esperança por a Igreja Católica ter pela primeira vez um Papa da América Latina, vendo nisso uma esperança de mudança e progresso.
Outras houve que se encantaram com a escolha do nome Francisco, associando-o, de imediato e na sua boa-fé, a S. Francisco de Assis, o religioso que renunciou à riqueza e se despojou de todos os bens materiais para se unir aos pobres e aos animais, vivendo em comunhão com a Natureza.
Com maior probabilidade o cardeal escolheu, na minha opinião, o nome igual a S. Francisco Xavier, o co-fundador da Companhia de Jesus, à qual pertence.
Por acaso, este Papa nasceu a 17 de dezembro como eu, e também como eu, se licenciou em Filosofia. Por aí, poderia ser-me, à priori, uma figura simpática. Mas bastaram poucas horas para que por todo o lado se pusessem a descoberto notícias que, a serem confirmadas, mais uma vez vêm demonstrar que o Vaticano não tem remédio, é sempre mais do mesmo, a "evolução na continuidade", como dizia o Professor Marcello Caetano.
Este cardeal tinha ficado em segundo lugar na eleição que escolheu Joseph Ratzinger para Papa. Agora, com a resignação daquele, este subiu a primeiro lugar. Apenas a dança das cadeiras, nada mais. O aparelho retrógrado do Estado mais rico e mais tradicionalista do mundo no seu melhor.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Pelas Mulheres, no seu Dia Internacional
(Imagem cuja autoria não foi possível identificar)
Bom Dia das Mulheres!
quinta-feira, 7 de março de 2013
Exposição de pintura de Olinda Gil em Aljustrel
![]() |
Ela, professora de História nascida na Beira, é uma mulher com África dentro, com cabelos e coração de fogo.
Traz nos pincéis a simplicidade e a força telúrica do amor, das plantas, da água, dos animais, da Natureza e dos amantes.
Define a sua pintura como naïf...
Vão conferir.
Inaugura amanhã, 8 de março, pelas 17:30 na sala polivalente da Biblioteca Municipal de Aljustrel.
domingo, 3 de março de 2013
Marés de Lisboa
Fotos na manifestação de 2 de março (c) Luís Diferr
Quem quiser apoucar e dizer que foi irrelevante ou que não serve para nada, deixem lá: as câmaras de televisão não mentem. No Terreiro do Paço até havia uma dessas telecomandadas, que parecia um ovni, qualquer coisa high-tec, com luzes, pilotada à distância a medir ou contar, a infra-vermelhos, ou coiso e tal, modernices inventadas pela engenharia. Não sei números, nem faço questão de saber. Estive lá, da Fontes Pereira de Melo, onde me integrei na maré da Educação, logo atrás o Sindicato dos Músicos e a seguir a animadíssima maré da Saúde. Pouco passava das três da tarde e às sete ainda a cauda da manifestação não tinha conseguido entrar no Terreiro do Paço. Faça as contas quem souber, eu por mim não tenho quaisquer dúvidas de que foi das maiores manifestações de sempre em Portugal e sem organização institucional/sindical, note-se. Muitos milhares de idosos, a deslocarem-se com sacrifício por alguns km, jovens que já nasceram depois da revolução de abril... o que significa isto? Que tire as devidas ilações quem quiser.
Do meu ponto de vista o governo deve ir para casa, não tem (MESMO) apoio popular. Não vale a pena continuar a querer tapar o sol com a peneira.
sábado, 2 de março de 2013
Hoje há marés de Grândolas para todas as cores

Para quem pergunta repetidamente para que servem manifestações, só tenho uma hipótese de resposta:
- em termos práticos, pode não servir para nada se os nossos governantes continuarem com a surdez obsessiva que vêm demonstrando.
Já no tempo da Dona Maria de Lurdes de má memória era isso mesmo que se passava: autismo, pseudo-indiferença e obstinação pelo poder.
A senhora chegou a dizer a frase temerária que era irrelevante ter 120000 professores em protesto na rua. Era o mesmo que 20000! Coitada, odiada se tornou e caiu, como todos caem. E estes também cairão. É uma questão de tempo. Só que está na mão de todos aqueles que, como eu se sentem espoliados e compelidos de forma ilegítima a pagar dívidas que não contraíram, protestar e mostrar a sua indignação perante a insensibilidade, para não dizer desumanidade, dos que nos desgovernam.
Participarei na maré da Educação. Contra tudo o que seria lógico, a Educação é um dos sectores mais sacrificados da sociedade. Desinvestir na Educação é hipotecar o futuro das novas gerações, condenando-as ao abandono escolar e ao insucesso; é condenar os docentes mais qualificados a uma profunda decepção e a sacrifícios incomportáveis para a sua idade e indignos do seu percurso; por fim, é lançar para o desemprego muitos dos que apostaram numa carreira condigna, por gosto e legítima escolha.
Contudo, a manifestação que hoje terá lugar reunirá muitas outras marés, muitos outros sectores da população, desde jovens estudantes até pessoas aposentadas, passando por desempregados, mal empregados, precários e suas famílias.
Não é altura para ficar no sofá. Amanhã pode ser tarde e poderás ver-te com uma carta de demissão na mão, quando menos esperavas, ou constatares que não tens como pagar as contas ou as propinas dos teus filhos.
Andar faz bem e ainda podes ver alguns amigos que não contavas encontrar.
Vamos evocar aqui o ano de 68, pois faz todo o sentido recuperar alguns dos seus princípios.
sexta-feira, 1 de março de 2013
Na Mauritânia, meninas obesas sob tortura
Quvenzhané Wallis (a mais jovem atriz nomeada para um Óscar)
- Sabiam que na Mauritânia há campos de engorda, onde meninas e adolescentes são obrigadas a tornar-se obesas, sob tortura, para arranjar melhor marido?
Parece que 70% da população da Mauritânia acredita piamente que está a fazer um bem a estas meninas, pois segundo a sua crença ancestral, "quanto mais pesada for uma mulher maior o espaço que ocupará no coração de um homem"!!!
No mesmo programa esta feminista fez ainda uma chamada de atenção que me parece pertinente: - ao mesmo tempo que naquele país se engorda as meninas à força, a escassos milhares de Km, na Europa, é outra a tortura: a do emagrecimento forçado, pela moda, pelo medo da exclusão social, e talvez também, para arranjar melhor marido... quem sabe!
Concordo, pois esta situação tem aumentado exponencialmente nos países desenvolvidos, com clínicas de emagrecimento a proliferar por toda a parte e meninas cada vez mais novinhas a pedir aos pais cirurgias plásticas para transformar o corpo. No desejo de se assemelharem às top-models anoréticas das passarelles da moda internacional, estas "torturas" auto-infligidas são também elas contra-natura. Ou não?
Também as tristemente célebres mutilações genitais, que se praticam quase por toda a África, e não só, se fazem ainda em nome de uma tradição ancestral e uma crença antiga e fortemente arreigada nas populações, segundo a qual se estará a "fazer um bem à menina", evitando assim a sua exclusão social, além de ter a vantagem de lhe "retirar os demónios do corpo"!
Multiculturalismo, muito bem. Tolerância, muito bem. Aceitação das diferenças entre os povos, muito bem. Mas nunca, se as práticas em questão, ainda que em nome da Cultura, forem autênticas barbaridades que atentam contra os mais elementares Direitos dos seres Humanos, na sua integridade física ou psíquica.
Jamais situações deste teor são aceitáveis e deveriam ser fortemente sancionadas.
Mas para isso teriam os governos de ter vontade política e desenvolver campanhas de esclarecimento massivas junto das populações para desmitificar tais barbaridades ancestrais e remover os meios para as suas práticas.
No caso da Mauritânia, é urgente uma ampla denúncia para acabar com esses campos de tortura. Nos países onde se praticam as mutilações genitais, estas deveriam ser proibidas pura e simplesmente, prendendo os prevaricadores. Estes, quer sejam médicos, cirurgiões encartados, curandeiros, bruxos, comadres, avós ou tias velhas, se não matam mesmo, mutilam para sempre, no corpo e na alma, meninas a quem é negado o direito de ser mulher.
Parabéns ao Rio de Janeiro
A cidade maravilhosa faz hoje 448 anos da sua fundação oficial.
Muitos parabéns a todos os cariocas! Eis aqui um pouco da História:
Aniversário da Cidade
Por feliz coincidência (?), um grande mestre do samba, natural do Rio de Janeiro e ele próprio um símbolo da cultura carioca, o pagodeiro Jorge Aragão, faz também hoje 64 anos. Desejo-lhe muitos mais anos de vida, para nos brindar com o seu talento e as suas músicas inigualáveis. Parabéns!1º de março ou 20 de janeiro? - Muitos ficam indecisos entre as duas datas. Por isso, inúmeras vezes se tem comemorado o aniversário do Rio de Janeiro no dia do santo padroeiro. Para afastar quaisquer dúvidas, fica aqui registado sucintamente o episódio de fundação da cidade. Em 1555, os franceses invadiram o Rio de Janeiro pretendendo aqui fundar uma colónia. Em 1564, os portugueses resolveram, enfim, organizar uma expedição para expulsá-los e fundar uma cidade fortificada com o objetivo de impedir para sempre outras investidas. Estácio de Sá, sobrinho do governador Mem de Sá, chegou em terras cariocas no dia 28 de fevereiro com alguns navios e soldados, desembarcando na praia entre o morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar. No dia seguinte, 1º de março de 1565, fundou oficialmente a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao rei menino de Portugal e escolheu o santo de mesmo nome para padroeiro, a quem se presta homenagem no dia 20 de janeiro. A lenda diz que o mordomo encarregado de cuidar da capela do santo foi atacado por índios. Invocou seu nome e imediatamente chegaram reforços. Em uma das canoas um moço louro lutou bravamente, desaparecendo depois de finda a batalha. Foi identificado como sendo o santo padroeiro que lutara em defesa de sua cidade.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
4º aniversário da Pérola de Cultura
Ilustração: (c) Ziba Karbassi
Ter-me lembrado deste aniversário fez-me por momentos voltar a estas páginas, das quais, por via de muitos afazeres e alguns constrangimentos impostos pelo maravilhoso mundo da Internet, me tenho mantido arredada.
Não houve jantar com os amigos que tão gentilmente colaboraram, nem bolo de aniversário como habitualmente, mas a crise tem-nos deixado a todos num tal estado de torpor e desânimo que não admira que não haja nem espírito nem euros para a festa.
Não quero porém deixar passar esta data sem vos dar a todos um abraço com muito carinho e gratidão: aos que lêem, aos que comentam, mas especialmente àqueles que durante quatro anos fizeram deste Blogue um conjunto de páginas dignas, de divulgação da Cultura, das Artes ou das Ciências, sempre com bom gosto e, sobretudo, bastante autenticidade no que escreveram ou desenharam.
Bem hajam pelas vossas colaborações e até sempre. Vemo-nos por aí.
Por hoje fica um brinde à vossa saúde, em noite de Lua cheia!
Com amor,
Lelé Batita
Obrigada Luís Diferr, pela simpática dedicatória "4 anos de Pérolas rolantes, contra ventos e Miguéis".
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
"O roubo do presente" por José Gil
"Nunca uma situação se desenhou assim para o povo português: não ter futuro, não ter perspetivas de vida social, cultural, económica, e não ter passado porque nem as competências nem a experiência adquiridas contam já para construir uma vida. Se perdemos o tempo da formação e o da esperança foi porque fomos desapossados do nosso presente. Temos apenas, em nós e diante de nós, um buraco negro.
O «empobrecimento» significa não ter aonde construir um fio de vida, porque se nos tirou o solo do presente que sustenta a existência. O passado de nada serve e o futuro entupiu.
O poder destrói o presente individual e coletivo de duas maneiras: sobrecarregando o sujeito de trabalho, de tarefas inadiáveis, preenchendo totalmente o tempo diário com obrigações laborais; ou retirando-lhe todo o trabalho, a capacidade de iniciativa, a possibilidade de investir, empreender, criar. Esmagando-o com horários de trabalho sobre-humanos ou reduzindo a zero o seu trabalho.
O Governo utiliza as duas maneiras com a sua política de austeridade obsessiva: por exemplo, mata os professores com horas suplementares, imperativos burocráticos excessivos e incessantes: stresse, depressões, patologias border-line enchem os gabinetes dos psiquiatras que os acolhem. É o massacre dos professores. Em exemplo contrário, com os aumentos de impostos, do desemprego, das falências, a política do Governo rouba o presente de trabalho (e de vida) aos portugueses (sobretudo jovens).
O presente não é uma dimensão abstrata do tempo, mas o que permite a consistência do movimento no fluir da vida. O que permite o encontro e a intensificação das forças vivas do passado e do futuro - para que possam irradiar no presente em múltiplas direções. Tiraram-nos os meios desse encontro, desapossaram-nos do que torna possível a afirmação da nossa presença no presente do espaço público.
Atualmente, as pessoas escondem-se, exilam-se, desaparecem enquanto seres sociais. O empobrecimento sistemático da sociedade está a produzir uma estranha atomização da população: não é já o «cada um por si», porque nada existe no horizonte do «por si». A sociabilidade esboroa-se aceleradamente, as famílias dispersam-se, fecham-se em si, e para o português o «outro» deixou de povoar os seus sonhos - porque a textura de que são feitos os sonhos está a esfarrapar-se. Não há tempo (real e mental) para o convívio. A solidariedade efetiva não chega para retecer o laço social perdido. O Governo não só está a desmantelar o Estado social, como está a destruir a sociedade civil.
Um fenómeno, propriamente terrível, está a formar-se: enquanto o buraco negro do presente engole vidas e se quebram os laços que nos ligam às coisas e aos seres, estes continuam lá, os prédios, os carros, as instituições, a sociedade. Apenas as correntes de vida que a eles nos uniam se romperam. Não pertenço já a esse mundo que permanece, mas sem uma parte de mim. O português foi expulso do seu próprio espaço continuando, paradoxalmente, a ocupá-lo. Como um zombie: deixei de ter substância, vida, estou no limite das minhas forças - em vias de me transformar num ser espetral. Sou dois: o que cumpre as ordens automaticamente e o que busca ainda uma réstia de vida para os seus, para os filhos, para si.
Sem presente, os portugueses estão a tornar-se os fantasmas de si mesmos, à procura de reaver a pura vida biológica ameaçada, de que se ausentou toda a dimensão espiritual. É a maior humilhação, a fantomatização em massa do povo português. Este Governo transforma-nos em espantalhos, humilha-nos, paralisa-nos, desapropria-nos do nosso poder de ação. É este que devemos, antes de tudo, recuperar, se queremos conquistar a nossa potência própria e o nosso país."
José Gil, filósofo, in Visão
Sobre o entoar da canção "Grândola vila morena" que agora vem ressurgindo (primeiro num órgão de soberania como a Assembleia da República e depois junto do governante Miguel Relvas), eis a interpretação de José Gil na TSF.
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