terça-feira, 15 de maio de 2012

O fenómeno de Fátima



No tempo de Salazar, havia a célebre sigla dos 3 'f': futebol, fado e Fátima. Afinal, parece que não mudámos assim tanto. O fado tem vindo a ganhar novos valores e roupagens de uma estética mais moderna, o futebol tornou-se numa indústria milionária e o fenómeno de Fátima parece estar a recrudescer, se é que alguma vez esmoreceu. Segundo rezam as notícias, este ano, a 13 de maio, compareceram cerca de 300.000 peregrinos ao santuário, uma das maiores enchentes de sempre.


Não certamente por acaso, isto acontece numa altura de agudização da pobreza, do aumento crescente do desemprego e da impossibilidade de muitas famílias continuarem a honrar os seus compromissos com a Banca. Não obstante, queimaram 19 toneladas de velas de cera, incluindo promessas, pedidos e iluminação de uma das maiores procissões das velas de que há memória.  Mas, não ficando por aqui, há quem diga que os donativos em dinheiro ao santuário foram muito avultados e até houve oferendas em ouro.


Dá que pensar. Não tenho nada contra a fé, mas o recrudescimento deste excessivo fervor religioso não deixa de ser preocupante, dado que muitas das pessoas que fizeram donativos, talvez nem para si tenham; e o santuário nunca devia aproveitar, por um lado a devoção dos fiéis, e por outro, a sua situação de fragilidade para incentivar doações de quem é infinitamente mais pobre do que a estrutura da Igreja!

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