terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Quem foi o Padre Himalaya


Admirável humanista, percursor no aproveitamento da energia solar e da ecologia, foi autor de inúmeros inventos, entre eles um processo de fazer chover.
Manuel António Gomes “Himalaya”, nasceu em 1868, em Santiago de Cendufe, concelho de Arcos de Valdevez.
Muito inteligente e curioso, aos 14 anos foi para o Seminário de Braga para poder continuar os seus estudos. Por ser muito alto foi alcunhado de Himalaya, nome que resolveu adotar.
Leu todas as obras fundamentais na bem apetrechada biblioteca do seminário.
Terminou o curso teológico em 1890. Depois de ordenado padre e durante 5 anos (1892-1897), exerceu a docência, escreveu artigos, viajou pelo centro e sul do país, foi à Alemanha e passou a dedicar-se ao estudo das ciências, da botânica médica e da agricultura em geral.
A fim de aprofundar os seus conhecimentos científicos, partiu para Paris, em 1898, onde se inscreveu no Collège de France. Assistiu às aulas do físico Berthelot e de outros ilustres professores ao mesmo tempo que trabalhava na construção da sua primeira máquina solar, para obtenção de altas temperaturas através da captação das radiações solares.


Nos primeiros anos da sua estada em Paris, Padre Himalaya receou que a sua aparência jovem lhe tirasse credibilidade, pelo que solicitou autorização pontifícia para deixar crescer a barba.
Obtém, em França, a patente de um protótipo de forno solar, batizado de “Pyrheliophoro” ( pyr=fogo; hélios=sol; phoro=eu trago - traduzido à letra: «eu trago o fogo do sol».
Em Junho de 1900, numa pequena aldeia dos Pirenéus Orientais, Sorède, experimentou uma nova máquina, melhorada, com a qual atingiu a temperatura de 1100 graus centígrados.
Para divulgar o seu invento, decidiu participar na Exposição Mundial de 1904 a decorrer em ST.Louis, - EUA, onde apresentou um aparelho ainda mais perfeito.


Este Pyrheliophoro, pela sua imponência (80m2 de superfície refletora), exerceu grande impacto na multidão. A demonstração teve um enorme êxito, as temperaturas geradas foram da ordem dos 3000/4000 graus, derretendo todos os materiais colocados sob o foco de luz.
Foi premiado com o Grand Prize da Louisiana Purchase Exposition e recebeu ainda duas medalhas de ouro e uma de prata. A revista “Scientific American” publicou um artigo do seu correspondente o que credibilizou o invento junto da comunidade técnico-científica.


Os EUA, interessados no seu trabalho para fins militares, convidaram-no a naturalizar-se americano o que Padre Himalaya rejeitou, pois não era sua intenção abdicar da nacionalidade nem utilizar as suas descobertas para fins bélicos.
Padre Himalaya montou, na sua casa de Washington, um laboratório onde começou a fabricar a “ A Pólvora Sem Fumo” a que deu o nome “Himalayte”. Explosivo três vezes mais forte do que a dinamite, foi patenteado em 1907. Foi muito utilizado no desbravamento de terrenos.
Em 1908, o Padre Himalaya aderiu à “ Academia de Ciências de Portugal”, onde proferiu numerosas conferências, participou em vários congressos, apresentando projetos inovadores.
Em 1922, regressado dos EUA, na sua casa da Damaia “Palácio dos Condes da Lousã, deixou progressivamente a intervenção social ativa e entrou num período de recolhimento, voltando a dedicar-se à medicina naturopata e à benfeitoria aos mais desfavorecidos.
Deu Missa na velha mas bonita Capelinha de Nossa Senhora da Lapa, na Falagueira, Amadora.
As viagens, os inventos (patenteados em França, Inglaterra e EUA), a investigação e a filantropia levaram-no à ruína pelo que vendeu o palácio e a quinta da Damaia.


Em 1932, já doente, ainda exerceu funções de capelão em Viana do Castelo no “Asilo de Velhos e Entrevados da Caridade”, onde faleceu em dezembro de 1933.
Em novembro desse ano fora nomeado Presidente de Honra do Instituto Histórico do Minho.
O documentário histórico “A Utopia do Padre Himalaya”, produção da Lx Filmes e da RTP, com base no livro do professor Doutor Jacinto Rodrigues, a dinâmica da Associação Sociocultural Padre Himalaya-em Cendufe, e da Associação Les Amis du Padre Himalaya, que existe há anos em Sorède, deram nos últimos anos uma maior visibilidade a este cientista visionário.
Em Sorède, que já tem uma praça com o seu nome, vai ser realizado um protótipo fidedigno do forno do Padre Himalaya, que será concluído no primeiro trimestre de 2014.


Fontes literárias:
“Amadora História Arte e Cultura” de José Joaquim M. Hormigo ;
“A Ermida da Falagueira-Efemérides do seu Historial” de A. Martinho Simões;
Sítios da internet consultados:
Padre Himalaya-Homem de Ciência:naturlink.sapo.pt (artigo baseado no livro do Prof. Doutor Jacinto Rodrigues «A Conspiração Solar do Padre Himalaya-Esboço biográfico dum português pioneiro da Ecologia»); Associação Sociocultural Padre Himalaya, Cendufe;  Les Amis du Padre Himalaya-Sorède;
Padre Himalaya/www.cienciaviva.pt;

Tita Fan

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