terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Matthieu Ricard sobre a felicidade



Matthieu Ricard é francês, filho de filósofo, doutorado em Biologia e monge budista. Por esta ordem. Segundo as pesquisas efetuadas no seu cérebro por uma equipa de neurocientistas, ele pode ser o homem mais feliz à face da Terra. O segredo: nunca estar num "bad mood"!
Quando for grande quero ser assim.





Para quem não tiver muita paciência para tentar perceber este linguajar, assim num inglês afrancesado, deixo aqui as linhas gerais da entrevista traduzidas:
Para Matthieu Ricard a compaixão e o amor incondicionais vão ativar certas ondas cerebrais produzidas no córtex que podem ser detetadas pela neurobiologia. 
O amor altruísta é o sentimento mais positivo e produz o mais construtivo estado de espírito de todos, enquanto que o egoismo é o mais miserável. 
Mathieu Ricard nunca está num "bad mood", apesar de sentir por vezes indignação (o que é diferente de raiva), por exemplo perante um massacre. Nesse caso, poderá usá-la como motivação para resolver uma situação de injustiça insustentável: "é uma questão de brio dizermos por vezes 'isto não pode ser!' e buscarmos um remédio à altura."
 O que impede a felicidade são estados de espírito de raiva, ciúme, inveja, arrogância ou desespero.
A meditação fornece recursos para lidar com os altos e baixos das circunstâncias, em vez de ficar vulnerável a elas, mantendo a mesma abertura e a mesma resiliência perante os acontecimentos agradáveis e desagradáveis do mundo exterior. Isto não significa indiferença, apenas nos deixamos afetar menos pelas coisas, já que temos a liberdade de olhá-las de um modo mais realista e construtivo, para si e para os outros. 
Alguns artistas falam da dor, da preocupação e da depressão como fontes para a criatividade. Matthieu Ricard refere que já foram feitos estudos sobre a criatividade e a grande maioria dos artistas consta de pessoas comuns, normais, que não andam a cortar as orelhas. Mesmo nos que sofrem depressões cíclicas, os estudos mostram que as suas melhores obras são produzidas fora desses períodos.
Salienta-se nesta entrevista o papel positivo do exercício da meditação, que começa por uma postura física de coluna direita, a respiração controlada e a atenção concentrada. Não tem de ser um exercício aborrecido que se faz de pernas cruzadas, queimando incenso ou debaixo de uma árvore. Para meditar não é preciso ser-se um Yogi, apenas concentrar-se e respirar em harmonia com a Natureza.
Já tive o privilégio de estar na presença de Matthieu Ricard várias vezes em Lisboa e posso confirmar que a sua personalidade faz jus à proximidade que tem com o Dalai Lama (ele é um dos seus porta-vozes e tradutores oficiais). Este monge, que afinal é também um homem de Ciência, não só possui uma enorme humildade e simplicidade, mas também, alia à sabedoria, sobretudo, humanidade e doçura.

Na barra lateral deste Blogue consta desde a primeira hora, como livro recomendado, a obra "O Monge e o Filósofo", um diálogo muito instrutivo entre Matthieu Ricard e o seu pai, o filósofo francês Jean-François Revel, entretanto já falecido. É uma leitura que vale a pena, pelo confronto construtivo de pontos de vista sobre o mundo, entre um ateu e um monge budista.

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