terça-feira, 25 de outubro de 2011
Mornas de Cesária
A música de Cabo Verde e as mornas cantadas por Cesária Évora em particular, são das melodias que mais me põem de bem com a vida. Temi pela vida da Cize, internada há um mês em Paris, após dois AVCs. Felizmente está de volta a Cabo Verde, sua terra natal. É bom, pois embora já não vá cantar profissionalmente, assistirá ao sucesso garantido do seu último disco.
Notícia aqui.
Recordo aqui uma das suas mais belas interpretações:
E que tal uma tentativa em crioulo?
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Por Rafael, vítima de bullying
Era aluno da Escola Pedro de Santarém, tinha 10 anos e as orelhas grandes. Diz-se que estava farto que gozassem com ele. Estava referenciado como aluno hiperativo, mas ainda assim, com sucesso escolar.
Aparentemente preparou a sua morte (?) com requintes improváveis para a sua idade: um fato de surf e uma coleira de cão serviram para uma encenação macabra de suicídio por enforcamento.
Cheira por todos os lados a história mal contada. Mas o que é facto é que uma criança morreu.
Seja como for, paz à sua alma e castigos exemplares para os bullies. Enquanto tal não acontecer, não vão parar os casos de violência sobre alunos e professores nas escolas.
Notícia aqui.
domingo, 23 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Conferência " Equidade e Educação"
(Clique sobre a imagem para ampliar)
Amanhã na Livraria Bucholz, em Lisboa pelas 18,30 a 3ª de um ciclo de conferências, com coordenação e moderação de Paulo Guinote.
Atenas a ferro e fogo
Literalmente. Aquela que foi outrora o berço da mais florescente civilização ocidental, berço da cultura, das artes e da primeira forma de democracia, está hoje transfigurada. Palco de revolta, tornou-se nos últimos tempos num cenário dantesco, de pancadaria, incêndios, pedradas e cargas policiais. A população de todas as classes sociais, em desespero, vira-se para a violência.
Confesso que, independentemente do risco do "efeito dominó" que estas revoltas possam vir a acarretar no resto da Europa, causa-me muita tristeza e consternação ver Atenas a ser palco de semelhante cenário. Ela foi a primeira cidade que visitei com a poupança do meu primeiro ano de salários como professora. Atenas, a cidade da Filosofia, onde me sentia em casa, onde cada pedra me contava uma história, corre o risco de transformar-se numa nova Beirute em tempos de guerra.
Ler aqui a notícia.
Kadhafi, one way ticket to hell
Kadhafi está oficialmente morto. Obviamente recuso-me a reproduzir aqui a sua imagem desfigurada. Longe de mim regozijar-me com a morte de homem algum. Como não me regozijei com a de Sadam Hussein. Kadhafi devia ser julgado antes de tudo. Mas compreendo o desejo de o quererem morto.
O que duvido é que este camarada tenha o passaporte que ele desejava para a História. Penso que ele não precisava de ter acabado deste modo humilhante. Se tivesse entregado o poder em tempo útil, democratizado o país e reconhecido que o seu tempo havia chegado ao fim em terras da Líbia, teria evitado este fim trágico. Mas assim não seria um mártir... e não é assim que os ditadores procedem. Kadhafi não seria ele próprio.
Recordo-me do aparato com que veio a Portugal, acompanhado de uma imensa guarda de gala feminina, a tenda de luxo que lhe montaram no Forte de S. Julião da Barra, as honras que o governo português lhe prestou e a exagerada comitiva que trazia. Na Líbia ficaram célebres as festas de arromba que dava nos seus exuberantes palácios e até a sua auto-coroação como "rei" do mundo árabe!
Pensaria assim conquistar a glória póstuma? Como aqueles desgraçados que se fazem explodir matando milhares, na expetativa de ir para os braços das virgens de um paraíso que só existe nas suas cabeças?
Para quê tamanho fausto, para quê tamanha soberba? Se tudo acabou afinal num buraco, sem coroa e sem trono, sem ouro e sem brocados, sem séquito e sem poder, com meia dúzia de balas enfiadas no corpo, como se fosse um vulgar maltrapilho. Não valeu a pena, Muamar!
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Aos professores do ensino público
Creio que a nossa situação de funcionários públicos é caótica. Nunca me lembro de um retrocesso desta natureza após o 25 de Abril. Alguém disse ontem que é a maior perda de poder de compra de sempre e que a nossa condição social será como se voltássemos ao Estado Novo. Penso que há nisto alguma razão, pois pelo que me lembro, e alguns de vós deveis lembrar-vos também, no tempo de Salazar fazia-se a apologia da pobreza. A miséria era inerente à submissão, logo conveniente. Infelizmente, penso que estamos a aproximar-nos perigosamente dessa apologia da pobreza. Do conformismo, do come e cala-te. Fiquemos pois pequeninos, pobrezinhos e honradamente conformados. Não nos pagam para pensar, menos ainda para opinar. Qualquer dia não nos pagam, ponto. Então, muita sorte em - ainda - termos emprego, é o que nos dizem.
Não sei bem o que se pode fazer numa circunstância tão séria como esta.
Já me esmoreceu a fé em manifestações e greves. Por enquanto, estou doente.
Deixem-me hibernar até 2014, que assim não pago despesas de Hospital...
Escravizados, mas conscientes de que o estamos a ser. É o mínimo.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Dia mundial pela erradicação da pobreza
"Grãos de uma romã" - Vídeo oficial lançado hoje pela associação CAIS
"Uma viagem com Platão" de Robert Rowland Smith
Robert Rowland Smith no seu recente livro "Uma viagem com Platão" (já traduzido em português) valoriza a crise como fator positivo, donde pode emergir uma forte estímulo ao pensar, à reflexão crítica e à consequente busca de soluções.Diz ele que pensar ainda é de graça, não custa nada e ainda pode resolver problemas. Convida-nos a dar um passeio com Platão pelos momentos mais marcantes da nossa vida, revisitando-os com os olhos da Filosofia.
Smith não deixa de ter alguma razão, pois segundo alguns teóricos, constatamos que, ao longo da História, é muitas vezes das crises que emergem novas etapas, decisivas para a renovação (ou evolução) da Humanidade.
Será assim? Há sempre quem goste de ver o copo meio cheio. O meu, em particular, está decididamente meio vazio. Pessimista, eu! Mas o livro é de apetite. Não fora... a crise!
Veja aqui o vídeo com as declarações deste filósofo britânico e a entrevista à TVI24.
(Obrigada à Ana Silva pelo envio do link).
domingo, 16 de outubro de 2011
Agustina Bessa-Luís
Fez 89 anos umas das mais notáveis escritoras portuguesas.
Para mim Agustina está para a prosa como Sophia de Mello Breyner Andresen estava para a poesia. Alguma coisa pulsional, tão forte e indispensável como respirar as leva(va) a escrever e a descrever sentimentos, emoções, lugares e tempos.
Habituei-me a ver a "Sibila" na mesa de cabeceira da minha avó Matilde. Acho que tinha grande afinidade com a escrita dela e até fisicamente eram parecidas. A partir daí ofereci-lhe regularmente livros de Agustina, que ela devorava com igual devoção da que dedicava a Virgílio Ferreira.
Obras de referência como "Vale Abrãao", que deu origem a um filme de Manoel de Oliveira, são imensas e não as posso enumerar. Desejo muita vida a Agustina e dou-lhe os parabéns pela excelência da sua escrita. Para mim falar de Agustina é como recordar a minha avó, que teria hoje 90 anos.
sábado, 15 de outubro de 2011
Os professores, por José Luís Peixoto
Considero este texto exemplar. Não resisto a publicá-lo na íntegra. Obrigada José Luís, por nos fazer justiça.
"O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.
O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.
Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.
Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.
Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.
Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.
Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança."
José Luís Peixoto, revista Visão de 13 de Outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Manifestações de indignação
Em mais 800 cidades de mais de 80 países.
Amanhã, muito a propósito.
Por cá é às 15 no Marquês de Pombal.
No limbo
O empobrecimento vai ser a etiqueta deste último trimestre de 2011. 2012 vai ser um garrote. Os místicos anunciavam o fim do mundo para esse ano. O fim começa antes do fim. Para muitos como eu, começou ontem.
Congressos, compra de livros e filmes, cursos vários e outros bem culturais como teatro e cinema vão ser considerados luxos a banir. As férias e as viagens possivelmente ficarão a repousar nas folhas de catálogo e nas páginas da Internet. Nos medicamentos, infelizmente, não poderei cortar.
Calcula-se que os professores perderão 20 a 25% do seu salário real; os catedráticos 30%. Mas uma coisa é certa: uma classe docente empobrecida materialmente, ficará também empobrecida no espírito. Fazer este tipo de trabalho de forma mecânica e sem motivação, vai acarretar falta de motivação também nos alunos. E isso é um duplo prejuízo, esse não contabilizável no imediato, mas a médio e longo prazo. Mesmo que os alunos passem de ano, saberão menos e guardarão uma má imagem da escola, com professores precocemente envelhecidos, tristes e doentes.
O Professor Nuno Crato, aparentemente, nada pode fazer para evitar isto, dado que as decisões vêm de cima. O que pode é contribuir, se quiser, para que a vida nas escolas não se torne um puro inferno.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Professores, carne para canhão (2)
O primeiro comentário do post abaixo é de um frequentador habitual deste Blogue e brilhante ex-aluno da sua editora.
O seu comentário coloca questões pertinentes e que não podem ser respondidas na caixa de comentários. As inquietações deste jovem amigo deixam entrever uma legítima perplexidade, normal em quem contactou recentemente com equipas de professores sérios e empenhados, alguns mesmo, posso dizê-lo, amantes da função docente.
Quando amamos aquilo que fazemos, a paixão transpira-nos das palavras e dos gestos; e no brilho dos olhos vê-se a autenticidade daquilo em que acreditamos. P.D. teve a felicidade de trabalhar com alguns destes professores, o que certamente contribuiu também para a sua entrada na Universidade com que sempre sonhou.
Ele interroga-se: "Se há uma profissão que este país respeita, são os professores. (...) Como é possível que se veja um professor esgotado física e mentalmente? Como é possível que aqueles que outrora adoraram dar aulas, estejam hoje a odiar a profissão? Como é possível?!"
Sabemos que a profissão de professor é respeitada pela população como uma das mais nobres. Somente em casos felizmente excepcionais isso não acontece. A explicação é outra.
O que se passa é que as sucessivas tutelas, de há mais ou menos seis anos a esta parte, têm vindo a castigar a classe docente com cada vez mais exigências, mais horas de trabalho, mais burocracia e supressão constante de direitos adquiridos. Para já não falar no completo defraudar das expectativas de carreira, que hoje já não o é.
Os professores hoje são tratados com funcionários públicos "manga-de-alpaca", uma espécie de pau para toda a obra. O professor é um Faz-Tudo. Nas recentes tomadas de decisão dos governos face à carreira docente não se atende às especificidades da profissão, como seja o número de alunos com que se trabalha, o desgaste que implicam as aulas de 90 minutos, a sobrecarga com tarefas extra letivas e toda uma parafernália de invenções para nos prender ao estabelecimento, retirando-nos tempo para correção de trabalhos e testes, preparação de aulas, tempo para estudar e fazer as necessárias atualizações.
Ou seja, exige-se tudo e não se dá nada em troca. Espreme-se o limão até não dar mais sumo. E depois vem o desencanto. Isso abre caminho aos esgotamentos, às depressões e outras doenças ainda piores.
Duvido muito que haja volta atrás, ou que os desfiles na Avenida da Liberdade só por si, possam inverter esta tendência; ela está a verificar-se por todo o lado. Professores a encherem as ruas de Londres, Paris e Madrid em protestos de uma semana, em que alunos e encarregados de educação se solidarizam com eles, nunca tinha visto. Isto quererá certamente dizer alguma coisa, que deveria ser seriamente repensada por parte dos agentes tutelares das políticas educativas.
Professores, carne para canhão
Cada vez mais são as vozes que se levantam a propósito de rumores surgidos, ao que parece com fundamento, sobre a retirada de direitos fundamentais adquiridos pelos trabalhadores há décadas, alguns dos quais conquistados a pulso, após duríssimas lutas sociais e/ou sindicais.
Os professores são sem dúvida um desses casos, para quem conquistas há muito conseguidas como a redução da componente letiva por antiguidade (conhecida como artigo 79), por absurdo que seja, podem vir em breve a desaparecer.
Quem propuser tal coisa nem sequer tem a noção da catástrofe que vai originar no ensino. Não é humanamente aceitável que um professor com mais de 50 anos, por exemplo, em vez de diminuir com o tempo o seu número de horas de aulas, as possa aumentar! Quantos serão aqueles que irão aguentar tal barbaridade? Para já não falar no aumento da idade da reforma.
O Ricardo Montes explica aqui o que está em discussão a esse respeito.
Se a redução da componente letiva desaparecer, quantos correrão à reforma antecipada com fortes penalizações? Quantos ficarão doentes, desmotivados, deprimidos? Parece que não importa, é mesmo para espremer até ao tutano, carne de segunda (ou terceira) para abate!
Não me admiro com as marchas da indignação, que se estão a repetir um pouco por todo o lado. Portugal não é excepção e os professores estão literalmente a ser sangrados! Não estarei presente por pura incapacidade física, mas a minha vontade seria manifestar também a minha indignação.
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Conferência sobre Igualdade e Educação

(Clique sobre a imagem para ampliar)
Recebi este convite de Paulo Guinote, que divulgo com muito gosto.
Trata-se da segunda conferência em torno dos temas da Educação.
Às sextas-feiras durante o mês de outubro, ao fim da tarde na Livraria Bucholz, em Lisboa.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
101 anos de República em Portugal
Há um ano assinalava-se o Centenário da República Portuguesa e eu estava profundamente envolvida nas suas comemorações. Na minha escola o Departamento de Ciências Sociais e Humanas mobilizou-se fortemente para organizar eventos, que do meu ponto de vista, foram notáveis. Alguns dos trabalhos que expus dos meus alunos de Artes figuraram numa edição especial do Jornal da Escola e as Conferências que organizámos e em que estive pessoalmente envolvida, foram grandemente participadas. O que só veio provar que os jovens são sensíveis ao fenómeno República e se interessam pela vida política e pela História do seu país.
Para mim, as comemorações do Centenário da República ficaram como momentos memoráveis que não se repetirão na minha vida nem na minha escola.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Saber usar a nova ortografia
Livro de referência de Maria Almira Soares, Edite Estrela e Maria José Leitão.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Exposição de pintura de Olinda Gil
(c) Olinda Gil (Clique para ampliar)
Recebi este convite da autora com pedido de divulgação.
Em Grândola a 5 de Novembro. Ver local e horário aqui.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Raio de equinócio de outono
Nunca lidei bem com o outono. Nem no tempo em que ainda se escrevia com maiúscula.
O outono é a estação do ano em que todas as maleitas, escapando disfarçadas sob a alegria do verão, se manifestam agora com toda a sua crueldade.
Desta vez, na própria manhãzinha do equinócio de setembro, ainda antes do raiar do dia, apercebi-me de uma dor brutal num joelho, que, contra tudo o que seria conveniente e oportuno, se recusa a cooperar com os meus deveres profissionais e necessidades pessoais.
Como se de dobradiça de porta velha se tratasse, daquelas enferrujadas por muitas chuvas, o dito entrou em greve e faz questão de infernizar os meus dias, como se eu fosse algum faquir, daqueles que estão habituados a conviver com a dor e fazem dela sua companheira de eleição.
Só que a minha vocação não é essa e estou aqui que nem posso, de revolta e tristeza.
Literalmente emplastrada, aqui me quedo parada, vendo os dias murchar e escurecer.
Nos intervalos deste miserável retiro forçado tenho interessantes encontros privados com médicos bem parecidos e da minha idade, de bata branca, a minha tão branca quanto a deles.
Em gabinetes à média-luz e com voz suave, enquanto mordisco os lábios antes mesmo de me tocarem, sugerem: "vamos então tirar as calças?"
E, continuando naquele doce sussurro: "então, vamos lá deitar aqui?"
E por fim: "está confortável?"
E eu a tudo que sim, claro.
A história não evolui como vocês têm a tendência de imaginar, mas com um grito que se me escapa furtivo e me deixa os olhos marejados de lágrimas.
E eles: "ah, pois! É aqui!".
E eu "|!"#$%&/()=?»"!!!!!
Aos amigos (ou nem por isso) que frequentam este Blogue, lanço uma pergunta. Digam-me, por favor: se envelhecer é uma arte, onde se pode encontrar a sua beleza???
Ilustração Emmy Cicierega, The Art of Animation
domingo, 25 de setembro de 2011
Week-end tube - tema do "Eixo do Mal"
O tema musical com que o programa encerra. Gentilmente enviado por Luís Pedro Nunes.
Contradições na Arábia Saudita
O rei da Arábia Saudita concedeu o direito de voto às mulheres. Parece que também poderão candidatar-se às eleições municipais. Esta medida só peca por tardia umas boas décadas. Mas antes tarde que nunca. O que não compreendo é para que serve o direito de votar e eleger mulheres para as autarquias, se continua a existir a proibição de trabalhar, viajar, conduzir ou serem operadas sem a autorização do marido.
Não se entendem cargos os públicos como trabalho? Pois não, apenas é atribuido às mulheres um papel num conselho consultivo.
Os direitos humanos na Arábia Saudita estão ainda muito longe do desejável, enquanto as mulheres forem encaradas como seres inferiores, propriedade de pai ou marido, subalternas e escravas. Os direitos à participação política irão certamente refletir essa desigualdade que subsiste.
Ler aqui a notícia.
Cesária Évora em estado grave
A "diva dos pés descalços", conhecida entre os seus amigos de Cabo Verde como "Cize" está, infelizmente, numa situação que inspira muita preocupação, internada num hospital de Paris, após ter sofrido dois AVCs durante a última semana.
No seu site oficial existe a lista dos concertos cancelados e outras informações sobre os últimos passos da carreira da cantora. O seu último álbum é de duetos e saiu em 2010; prevê-se que o próximo, "Nha Sentimento" saia a 26 de outubro.
Oxalá a Cize ainda possa assistir a essa saída. Fico a torcer pelas suas melhoras.
sábado, 24 de setembro de 2011
As barracas maiores da ADD ainda estão debaixo dos panos
(c) Pérola de Cultura, Alqueva, 2011
A respeito da ADD, estou firmemente persuadida de que as dores de cabeça maiores porventura ainda estão para chegar, quando nas escolas, por mais que se tape, hão-de (forçosamente!) destapar-se as assimetrias, as injustiças e os absurdos nas classificações, só possíveis num modelo que não acautela situações de oportunismo.
Cá para nós, que ninguém nos ouve, hoje mesmo fiquei a saber que, numa escola bem conhecida neste país, e que tem professores efetivamente muito competentes, há um professor que é uma "nódoa", segundo parece rezar a fama generalizada entre os alunos.
E ai, meu Deus, os alunos!!!! Eles, neste tipo de coisas são terríveis, têm olhos de lince, e, sobretudo aos melhores de entre os melhores, não escapam os muitos e repetidos atentados pedagógicos de alguns, felizmente uma escassa minoria de docentes.
Vai daí, que, para espanto geral, o dito professor vai ter Excelente ou Muito Bom na sua avaliação de desempenho. Para isso teve o cuidado de atempadamente negociar com os alunos uma colaboração e comportamento irrepreensíveis, em troca de notas altíssimas, para que nas duas aulas assitidas que pediu, tudo corresse de forma "espetacular"! E assim foi: um espetáculo, nunca antes presenciado pelos alunos. "As duas únicas aulas decentes em dois anos", disseram os alunos, que são os nossos melhores avaliadores.
O professor avaliador, de outra área disciplinar, ficou literalmente "maravilhado" e não tem dúvidas sobre a menção a atribuir, que prometeu, será "a mais alta possível"! Ora bem, passada a conveniente encenação, tudo voltou à mediocridade habitual naquelas aulas.
O saldo é que a criatura, entre saltos e flic-flacs à retaguarda, lá conseguiu passar a brilhantina nos olhos do avaliador, esteta de expressões plásticas e não de trampolins, que vai afinfar-lhe com a menção de mérito. O dito cujo será assim glorificado por duas aulitas, e continuará no seu cinzento exercício de um mister que visivelmente não aprecia, com notas que o catapultam para um pódio superior aos comuns mortais!
Os bons professores continuarão a ser bons professores, mesmo sem menções de mérito, a estar em todas as reuniões, a preparar as suas aulas cuidadosamente e a manter uma boa relação com os alunos. Diz-me a experiência de várias décadas de ensino que só pela competência e pela dedicação os professores são merecedores do respeito e admiração dos alunos. Sempre assim foi e sempre assim será. Independentemente de qualquer sistema de avaliação de desempenho, só esses ficam na sua lembrança de forma positiva e indelével.
Os professores que todos os dias se esfalfam a trabalhar, não só nas aulas, como em casa, para ensinar os seus alunos a aprender com prazer e satisfação, e com os quais têm, efetivamente, uma relação pedagógica, muito provavelmente não andam a correr atrás de notas, mas vão ser por elas injustiçados. Numa qualquer escola perto de si.
Os buracos da ADD
Os diretores das escolas parecem não ter quem os avalie. Criou-se um vazio de poder, ou quê?
As trapalhadas somam e seguem, num processo que já nasceu mal e mesmo já defunto, ainda continua a dar barraca.
Ler aqui a notícia.
Nem Teresa Caeiro consegue acabar-lhe com os delírios?!
"Mas sabe-se o que aconteceu: a tentativa de impor a avaliação aos professores, esbarrou contra 300.000 nas ruas de Lisboa, toda a imprensa e toda a oposição."Do Expresso, citado aqui.
O caso é bem mais grave do que poderia supor-se, quando a mentira, ao invés de esporádica, se torna em prática compulsiva.
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