(c) Antero Valério
sexta-feira, 20 de abril de 2012
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Love letters
All the love letters are
Ridiculous.
They would not be love letters if they weren’t
Ridiculous.
I also wrote love letters in my time
Like the others,
Ridiculous.
Love letters, when there is love,
Must be
Ridiculous.
But ultimately,
Only creatures who have never written
Love Letters
are Ridiculous
I wish I had realized that at the time I wrote
Love Letters
Ridiculous.
The truth is that today,
My memories of
Those love letters
are
Ridiculous.
(All frilly words,
as well as frilly feelings .
are naturally
Ridiculous.)
Álvaro de Campos, 10/21/1935 (Fernando Pessoa)
Petição pela não matança desportiva de animais
As Viages El Corte Inglés organizam safaris milionários para caçar animais em África, que vão desde babuínos e impalas, até leões, passando por rinocerontes, elefantes e girafas. Com tabelas de preços, que aumentam proporcionalmente ao porte e peso do animal. Por exemplo caçar uma girafa custa 2.200 euros, enquanto que matar um elefante pode ir até 70.000 euros.
Há uma petição para boicotar este absurdo aqui.
Eu já assinei e não me apetece comprar viagens no Corte Inglés nunca mais na vida.
Levem este selo e difundam nos vossos Blogues.
Juan Carlos I, um rei em queda
Imagem do Kaos
Se ao princípio sentia alguma simpatia pelo monarca de Espanha, hoje percebo que tal deve ter ocorrido por razões subjetivas, que se prendem com a sua vida em Portugal, o seu empenho em falar em português sempre que a ocasião o permitia e demonstrar algum conhecimento da cultura ibérica, se assim se pode dizer.
Recentemente, pode dizer-se que Juan Carlos de Espanha, mesmo antes da sua queda física, já era de há algum tempo um monarca em queda de popularidade, a julgar pela divulgação de certos comportamentos seus na imprensa espanhola.
Esta infeliz ideia da caçada aos elefantes em África acabou com a sua já frágil reputação e, pela parte que me toca, para mim, é o golpe final.
Quer Sua Alteza Real dizer que quando o seu amigo, um príncipe Saudita, o convidou para a caçada, Sua Senhoria não sabia ao que ia? E estas imagens dos anos passados, com búfalos a seus pés e um elefante agonizante tombado sobre uma árvore? São também equívocos? Não lhe dizem nada? Estará Sua Alteza Real com Alzheimer?
Equivocou-se? Não sabia que matar elefantes é crime? Que este animal está em vias de extinção por causa das batidas de caça que se têm feito ao longo de gerações para captura e contrabando do marfim? Que o elefante é o maior animal terrestre da atualidade, chegando a pesar 12 toneladas? Que um adulto chega a viver 60 anos em liberdade na Natureza? Que a gestação de uma cria de elefante demora quase dois anos e que um bebé pesa 90 quilos? Que se trata de um animal herbívoro, extremamente sensível às alterações do habitat?
Temos um monarca ignorante? Ou leviano? Ou inconsciente? Ou demente? Ou hipócrita???
Qualquer das hipóteses é triste e preocupante; e uma pessoa nestas condições não deve continuar a ser o presidente honorário da World Wide Fund for Nature, quanto mais um chefe de estado!
Melhor será abdicar e dar o trono ao filho, o Príncipe Felipe, que parece uma pessoa decente.
Mas as histórias tristes com as caçadas já vêm de há muito tempo. Só não se compreende como é que ainda é o presidente honorário de uma organização não-governamental com fins ambientalistas, de preservação da biodiversidade, das florestas, dos oceanos e das espécies em vias de extinção.
Ao Sr. D. Juan, um Rei em queda, que sofre de equívocos destes há 50 anos, só lhe falta ir à China abater os pandas, que são o símbolo da WWF!
(Há uma notícia sobre este assunto no Público).
"The current President of Honor of WWF in Spain, King Juan Carlos I, is a known hunting enthusiast, practicing it from 1962, when with 24 years was invited by the German Baron Werner von Alvensleben to a hunt in Mozambique. From then the King has taken part in huntings in Africa and Eastern Europe. In October 2004 he take part in a hunt in Romania that killed a wolf and nine brown bears, including one pregnant, according to the Romanian newspaper Romania Libera. He was also accused by a Russian official of killing a bear called Mitrofan, supposedly after giving vodka to the animal, in an episode that sparked some controversy in Spain, although it was never proven. In the same year, according to The Guardian, the Polish government allowed him to kill an European bison in Bialowieza forest, even when it is an endangered species. In April 2012 was discovered that the king was in a hunt of elephants in Botswana when he returned to Spain in an emergency flight, after tripping over a step and fracturing his hip in accident, adding further controversy. Although some Spanish environmentalist groups and leftist parties have criticized the hobby of the monarch, the opinion of WWF is yet to be seen."
(WWF - Wikipedia)
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Aniversário de Antero de Quental
(O Google assinala o 170º aniversário de Antero de Quental com este grafismo)
"A poesia é a confissão sincera do pensamento mais íntimo de uma idade! Antero de Quental
170 anos do nascimento de Antero de Quental
Antero de Quental-pintura de Rafael Bordalo Pinheiro
Museu do Chiado
Antero
Tarquínio de Quental, poeta, filósofo
e político nasceu em Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, Açores, em 18 de Abril de
1842.
Frequentou
a Universidade de Coimbra, tendo passado depois algum tempo em Paris. Viajou
pelos Estados Unidos e Canadá, fixando-se em Lisboa.
Desde jovem que se destacou pelas suas opiniões revolucionárias e
pela forma de estar na vida. Lutador e muito coerente com os seus ideais inovadores
e socialistas, tão avançados para a época, que seguiu rigorosamente, Antero foi
admirado e respeitado. O seu pensamento encontra-se distribuído pela poesia,
filosofia e política.
Frequentou
a Universidade de Coimbra, tendo passado depois algum tempo em Paris. Viajou
pelos Estados Unidos e Canadá, fixando-se em Lisboa.
Foi um dos fundadores do Partido
Socialista Português. Em 1869, fundou o jornal A
República, com Oliveira Martins, e em 1872, juntamente com José Fontana, passou a editar
a revista O Pensamento Social.
Antero defendia a
poesia como Voz da Revolução, como forma de alertar as consciências para as
desigualdades sociais e para os problemas da humanidade.
Para Antero de
Quental, os ideais da fraternidade e solidariedade não poderiam ser em vão. Foi
dos primeiros a trazer o socialismo, o republicanismo e o marxismo para a
discussão pública.
Foi o maior poeta do Realismo português.
Pertenceu à chamada Geração de Setenta, grupo que pretendia renovar a
mentalidade portuguesa. Nota-se nas suas obras preocupação com os problemas
filosóficos e sociais de seu tempo.
Casa de Antero de Quental
Ponta Delgada, S. Miguel, Açores
Antero atinge um maior grau de elaboração em
seus sonetos, considerados por muitos críticos, dos melhores da língua
portuguesa. Os sonetos de Antero têm inegável sabor clássico, quer na sua muita
musicalidade quer na análise de questões universais que afligem o homem.
Em 1886 foram publicados os Sonetos Completos,
coligidos e prefaciados por Oliveira Martins.
Em 1874 adoeceu de psicose maníaco-depressiva, que desde então o
afligiu e o seu estado de depressão era permanente. Em Junho de 1891, regressou
a Ponta Delgada, acabando por suicidar-se dia 11 de Setembro de 1891, com um
tiro no ouvido, disparado num banco de jardim de
um convento, no Campo de São Francisco Xavier.
Devido à sua
estadia em Vila do Conde, foi criada nesta cidade, em 1995, o "Centro de Estudos Anterianos".
Fontes:
- Antero de Quental-Bibliografia e
Iconografia-1º. Centenário da Morte, publicação da Câmara Municipal da
Amadora-Pelouro da Cultura; -FOCUS
Enciclopédia Internacional; - Wikipedia
Tita Fan
Antero de Quental poeta e filósofo
Pintura de Domingos Rebêlo (1891-1975)
Logos
Tu, que eu não vejo, e estás ao pé de mimVoz Interior(A João de Deus)
E, o que é mais, dentro de mim — que me rodeias
Com um nimbo de afectos e de idéias,
Que são o meu princípio, meio e fim...
Que estranho ser és tu (se és ser) que assim
Me arrebatas contigo e me passeias
Em regiões inominadas, cheias
De encanto e de pavor... de não e sim...
És um reflexo apenas da minha alma,
E em vez de te encarar com fronte calma,
Sobressalto-me ao ver-te, e tremo e exorto-te...
Falo-te, calas... calo, e vens atento...
És um pai, um irmão, e é um tormento
Ter-te a meu lado... és um tirano, e adoro-te!
Embebido n'um sonho doloroso,
Que atravessam fantásticos clarões,
Tropeçando n'um povo de visões,
Se agita meu pensar tumultuoso...
Com um bramir de mar tempestuoso
Que até aos céus arroja os seus cachões,
Através d'uma luz de exalações,
Rodeia-me o Universo monstruoso...
Um ai sem termo, um trágico gemido
Ecoa sem cessar ao meu ouvido,
Com horrível, monótono vaivém...
Só no meu coração, que sondo e meço,
Não sei que voz, que eu mesmo desconheço,
Em segredo protesta e afirma o Bem!
Antero de Quental, in "Sonetos"
Esta é a minha singela homenagem a um dos maiores pensadores do século XIX em Portugal.
Divina Comédia
Antero de Quental, 1887
Erguendo os braços para o céu distante
E apostrofando os deuses invisíveis,
Os homens clamam: — «Deuses impassíveis,
A quem serve o destino triunfante,
Corre o tempo e só gera, inextinguíveis,Porque é que nos criastes? Incessante
N'um turbilhão cruel e delirante...Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis,
Pois não era melhor na paz clemente
Ter ficado a dormir eternamente?Do nada e do que ainda não existe,
Porque é que para a dor nos evocastes?»
Mas os deuses, com voz inda mais triste,
Dizem: — «Homens! por que é que nos criastes?»
* * * * * * * * *
Na Mão de Deus
Na mão de Deus, na sua mão direita,
Descansou afinal meu coração.
Do palácio encantado da Ilusão
Desci a passo e passo a escada estreita.
Como as flores mortais, com que se enfeita
A ignorância infantil, despojo vão,
Depois do Ideal e da Paixão
A forma transitória e imperfeita.
Como criança, em lôbrega jornada,
Que a mãe leva ao colo agasalhada
E atravessa, sorrindo vagamente,
Selvas, mares, areias do deserto...
Dorme o teu sono, coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente!
Antero de Quental, "Sonetos"
Tita Fan
Maria do Carmo Vieira no Opinião Pública
Por experiência própria, posso afirmar que Maria do Carmo Vieira tem razão em cada uma das suas palavras. A lucidez não nos deve faltar e não devemos tapar o sol com a peneira. A qualidade do ensino não pode melhorar com turmas superlotadas, pelo contrário, só pode piorar.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Leonardo teria hoje 560 anos
Leonardo Da Vinci, (Anchiano, 15 abril de 1452 – Amboise, 2 de maio de 1519)
Um dos maiores génios do Renascimento Italiano, homem de incontáveis talentos, beneficiou do apoio de mecenas da época e conseguiu proezas no campo de estudos tão variados como Anatomia, Engenharia, Hidráulica, etc. Porém, é mais conhecido como pintor do que como inventor.
Acabou por morrer em França, sob a proteção do Rei. Nasceu há 560 anos.
As suas obras em pintura mais conhecidas são a Mona Lisa e a Última Ceia. "O Homem de Vitruvio", que já publiquei neste Blogue é para mim um dos seus mais fabulosos desenhos, com técnica semelhante ao seu auto-retrato, que aqui deixo.
As suas obras em pintura mais conhecidas são a Mona Lisa e a Última Ceia. "O Homem de Vitruvio", que já publiquei neste Blogue é para mim um dos seus mais fabulosos desenhos, com técnica semelhante ao seu auto-retrato, que aqui deixo.
domingo, 15 de abril de 2012
Que Escola queremos para os nossos jovens?
Em época de reformas no ensino e reestruturações nas escolas, cabe perguntar justamente:
- que tipo de Escola queremos para os nossos alunos?
Faço a pergunta em primeiro lugar na qualidade de professora, mas também na de cidadã, com jovens em idade escolar na família.
Preocupa-me, evidentemente, que assimilem bem os chamados "saberes fundamentais" que o Sr. ministro tanto acarinha, mas também outros, aos quais porventura se dá menos importância, como as Artes. É com muita pena que vou vendo morrer disciplinas como Teatro ou Educação Musical, assim como a opção de Filosofia no 12º ano, em escolas onde era suposto isso não acontecer.
Não tenho nada contra os médicos, os engenheiros e os gestores, mas formar jovens também deveria incluir a sensibilização para a criatividade e a imaginação.
Afinal o mundo também é feito de utopias... ou não?
Álbum "Portugal" foi lançado há dois anos
"Portugal" EDIÇÃO PORTUGUESA
Texto e Desenhos de Luís Diferr
Introdução de Jacques Martin
Edições ASA, Junho de 2010
De Luís Diferr, em co-autoria com Jacques Martin, o álbum "Portugal" apareceu a 14 de abril de 2010 pelas Éditions Casterman, em França e na Bélgica. Em junho do mesmo ano viu a sua tradução em língua portuguesa publicada nas Edições ASA.
Está à venda nas livrarias da Leya, FNAC, Bertrand e outras. Também pode ser adquirido on-line, por exemplo na Amazon.fr .
sábado, 14 de abril de 2012
Titanic, uma viagem sem regresso há 100 anos
Pintura de Michel Guyot, Titanic em Cherbourgh
Faz esta noite 100 anos que o maior e mais luxuoso navio do mundo se afundou na sua viagem inaugural. A 14 de abril de 1912, cerca das 23:40 horas o Titanic embatia num iceberg no Atlântico Norte e afundava passadas duas horas, levando consigo mais de 1500 almas. Foi o maior desastre marítimo até hoje.
Passados 100 anos, esta viagem sem retorno é recordada na imprensa mundial e hoje à noite, no local do acidente, haverá uma homenagem às vítimas, num moderno navio de cruzeiros, o Balmoral, que partiu para a mesma rota a 8 de abril, de Southampton até New York; a bordo encontram-se alguns dos descendentes dos sobreviventes do Titanic. Haverá música da época e os décors procuram recriar os momentos mais glamourosos da viagem, nomeadamente servindo os menus originais. Esta "graça" custa por pessoa entre 3.387 e 7255 Euros. Alto preço para exorcizar os fantasmas do passado.
Veja aqui um esquema interativo do navio RMS Titanic.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Quero turmas como esta...
(c) Charles Schulz
... e garanto-vos um ensino personalizado e com muita qualidade!
O que muda?
1. Número mínimo de alunos para constituição de turma, do 5º ao 12º ano, é de 26. Número máximo: 30. Há um acréscimo de 2 alunos. Em agrupamentos de grande dimensão provoca redução de turmas.
2. Número mínimo de alunos para funcionamento de disciplinas de opção, ofertas de escola, nos 7º e 8º anos: 20 alunos.
3. Número mínimo de alunos para abertura de turma de ensino recorrente: 30 alunos. Caso se verifiquem mais de 5 abandonos a turma é dissolvida, sendo os restantes alunos transferidos para outra turma ou outra escola.
4. Mantém o critério da heterogeneidade na formação de turmas mas permite que os diretores usem outros critérios para constituição de turmas. A utilização de outros critérios carece de aprovação em conselho pedagógico.
A melhor "festa" ainda está para chegar
Os governantes devem estar loucos!
"Provavelmente face ao reconhecimento pela OCDE de que se mantêm em níveis muito elevados os índices de insucesso dos alunos portugueses, o MEC acaba de decretar o aumento do número de alunos por turma nos ensinos básico e secundário (mínimo de 26 e máximo de 30).
Nuno Crato dá assim cumprimento ao seu axioma de que a qualidade das aprendizagens dos alunos é diretamente proporcional à grandeza numérica da turma em que se inserem. Vitor Gaspar vê assim cumprida a norma orçamental que impõe esta medida.A FENPROF discorda de mais este atentado à qualidade do ensino e reafirma a exigência de redução do número de alunos por turma."
O Secretariado Nacional da FENPROF
12/04/2012
Este cartoon faz-me lembrar do meu primeiro ano, em que eu, caloira, sem praxes nem padrinhos, mas muita vontade de estudar, encontrei ao entrar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa uma turma de 263 alunos.
Tratava-se da cadeira de Filosofia do Conhecimento, lecionada pelo Professor José Barata-Moura, homem de muito bom trato e voz de cantor, bem colocada e auxiliada pelo respetivo microfone, que tinha de ser ministrada no Grande Anfiteatro.
Cada aula era uma espécie de conferência e nós, os caloiros, um atento auditório que tudo sorvia com evidente prazer. Corria o ano de 1978 e o que menos importava era o tamanho da turma.
Depois de ter havido anos em que não entrou ninguém nas Universidades, anos de serviço cívico, anos propedêuticos e outras "coisas", que, por estranhas que parecessem, se enquadravam compreensivelmente num país em convulsão e à procura de um rumo, o tamanho das turmas não importava mesmo nada.
Contei-vos a história enquanto aluna: as condições não eram boas, mas os alunos eram todos maiores de 18 anos e tinham escolhido um curso superior, o qual frequentavam por livre vontade.
Hoje os argumentos são bem outros: reina uma ditadura de economicismo a todo o custo. Nem que para reduzir os gastos se pervertam as mais elementares condições de trabalho dos docentes.
Nada do que vivi em 78 é comparável àquilo que vai ser imposto a docentes e alunos, do 5º ao 12º ano, sendo que todos esses anos de ensino são de frequência obrigatória. Com alunos com Necessidades Educativas Especiais e turmas enormes, como se faz um ensino personalizado, diferenciado, etc.? Com os encarregados de educação a exigirem uma atenção individualizada aos problemas específicos de cada criança...
Como, senhores governantes???
Não se pode fazer omeletes sem ovos, nem o milagre da multiplicação dos saberes, quando as variáveis concretas em jogo o impossibilitam.
Não poderei contar ainda a história do que isto vai ser enquanto professora; contar-vos-ei quando as mais básicas competências físicas se tiverem já arruinado, perante a degradação de todas as condições de trabalho que eu considero expectáveis para um ensino de qualidade.
Ou então, dêem-me um anfiteatro com microfone, um auditório com população discente maior de 18 anos e com uma opção de curso conscientemente escolhida.
Depois sim, poderemos falar de qualidade, ok?
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Festa do Cinema Italiano arranca hoje
Este evento prolonga-se até ao dia 19 de abril, tem várias sessões por dia nas várias cidades, com um grande número de filmes e de géneros muito diversificados.
Pode consultar toda a programação no site oficial do festival.
Para quem quiser aproveitar, saliento a título de exemplo, no dia 15, domingo há uma exibição do filme Afirma Pereira em homenagem a Antonio Tabucchi, no cinema Nimas, em Lisboa, às 18:30. O filme é de Roberto Faenza, interpretado por Marcello Mastrioani e é de 1995.
O papel dos Blogues culturais
Foto: Renny B. Amundsen - Hunting Easter bunny eggs
Fomos gentilmente recebidos na Câmara Minicipal de Oslo por Sua Exc.ª o Mayor Fabian Stang, em reconhecimento daquilo que pessoas como nós fazem pela divulgação da Cultura dos nossos países no mundo, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento da Cidadania e da aproximação entre os povos. Enfim, tudo aquilo que Anders Breivik deploraria.
O grupo de bloggers no Parque Gustav Vigeland, em Oslo-2010
Eu, Luís Diferr, Renny Amundsen, Diane, Tor Aabö, Maribel Sanchez, Li Kruse, Claudie, Saskia William e muitos outros, teríamos a nossa sentença de morte assegurada, por difundir Cultura, História, Artes, costumes e tradições dos nossos países na blogosfera, envolvidos em valores de tolerância, partilha, inclusão e amizade entre os povos.
Mas tudo bem, o tipo está preso e espero que por lá continue durante, pelo menos os 21 anos da pena prevista, naquele que para mim é dos países mais tolerantes e com uma democracia mais direta na Europa.
(falado em norueguês; até ao minuto 6:40)
Recentemente Renny Amundsen, do Blogue Terella, e anfitrião do Oslo Blog Gathering de 2010, foi convidado para ir à TV norueguesa, exatamente para explicar o que faz no seu Blogue em prol da divulgação das tradições, dos costumes, da gastronomia, da História e da Cultura do seu país. O programa chama-se "Postal da Noruega" e versa sobre temas que vão da música a outros eventos culturais.
Renny explicou uma das tradições mais antigas da Noruega: na semana passada, como é habitual, as famílias juntaram-se para organizar "caçadas" aos ovos da Páscoa, que previamente esconderam entre as árvores da floresta, ainda nevada, mas já com Sol.
Segundo uma antiga lenda da mitologia nórdica, era uma lebre que trazia uma cesta com os ovos, cheios de presentes e guloseimas, escondendo-os na floresta durante a noite. Na manhã da Páscoa, as crianças e os adultos, pesquisavam por entre as folhas e os arbustos, esses tesouros reluzentes deixados pela lebre, que era uma espécie de "emissária" da deusa da Primavera, que assinalava assim a renovação da Natureza. O coelho teria sido o animal escolhido pela deusa por ser extremamente fértil e essa ideia estar associada à Primavera.
Foto: Renny B. Amundsen - Hunting Easter bunny eggs 2
Ainda hoje muitas famílias se divertem com esta tradição, construindo com antecedência as mais belas caixinhas em forma de ovos, que ao abrir-se, deixam entrever belos presentes, chocolates, rebuçados, moedas e outros mimos. Ao mesmo tempo, o passeio fora de portas marca o fim do Inverno e o regresso às atividades da vida ao ar livre, como por exemplo, os piqueniques na floresta, coisa muito apreciada pelos noruegueses, dado que os rigores do clima os obrigam a vários meses de muito agasalho e pouco tempo de permanência na rua.
Leiam aqui o post do Renny, no seu Blogue Terella:
HUNTING EASTER BUNNY EGGS OUTDOORS IN NORWAY
Os filósofos da inquietude
"Poiché non scorgevo in tutta la terra alcun posto che mi convenisse, decisi allegramente che non mi sarei fermata in nessun posto.Via Il Cenacolo Intellettuale
Mi votai all'Inquietudine."
[Simone de Beauvoir]
Inqualificável abuso sobre animais
Pensavam que já sabiam tudo a respeito de sexo no seu pior? Violação? Pedofilia? Prostituição? Abuso de menores? Incesto? Etc.?
Não! Aposto que isto ainda não vos tinha ocorrido esta baixaria aberrante: que se capturem fêmeas de orangotango, se coloquem em bordeis e se utilizem como prostitutas. Para gáudio de tarados e lucro de madames.
Que há pessoas que não são gente, pois são destituídas de respeito e compaixão, já sabíamos. Mas que se queira fazer negócio com escravos sexuais, sejam eles adultos ou crianças, é absolutamente execrável, como se faz na Tailândia, por exemplo.
Com animais é porventura ainda mais inqualificável. Não tenho adjetivos para expressar a minha indignação perante semelhante façanha, já que se trata de animais tornados indefesos, provavelmente drogados, violados e que não sabem falar. Isto é, nestes casos, a provável denúncia ou fuga das vítimas é impossível!
Isto passa-se na Indonésia, onde a maior parte dos orangotangos já tem o seu habitat destruído pela desflorestação massiva para cultivar óleos alimentares. Estes símios correm o risco de desaparecer, pois já se perderam 50.000 nos últimos anos. Violar e prostituir as fêmeas é o derradeiro golpe nesta espécie de primatas, que têm bastante proximidade genética com os seres humanos.
O nojo que sinto não é ditado por razões moralistas, é mesmo repulsa pela crueldade que significa maltratar animais desta forma abjeta. Eles não se sabem defender, não podem telefonar, mandar emails, ir para os jornais ou pedir ajuda aos vizinhos, à Polícia ou à APAV.
E tristemente, também nem sequer podem dar um justo corretivo às tais madames ou aos energúmenos "clientes"!
Na imagem vemos a fotografia da fêmea Pony no seu habitat normal, as árvores da floresta, com a sua pelagem natural de um castanho forte e abundante e depois drogada, violada e depilada, presa a uma parede com correntes e abusada como escrava sexual num bordel do Bornéu. Foi encontrada numa "prostitute village" pela Orangutan Survival Foundation.
O mínimo que podemos fazer é assinar esta petição on-line para acabar com esta barbaridade. Ainda só há 22.123 assinaturas; é muito pouco! É necessário bombardear o Ministro do Ambiente em Jakarta com muitas centenas de milhar de assinaturas e denunciar este escândalo internacionalmente, pois as florestas são património mundial e os animais são seres vivos que sofrem, mas não têm voz e nem sabem escrever. Assinem, o site é seguro e não custa nada.
A foto é daqui. A notícia está no Expresso.
Obrigada, Anabela Magalhães pela denúncia.
Últimos dados: a petição à 01.00 de dia 13 de abril, já tem 23.525 assinaturas.
É pouco; temos de chegar às 50.000.
A petição é dirigida a:
- Indonesia Ministry of Environment, Mr. Dana A. Kartakusuma
- Embassy of Indonesia, Deputy Chief of Mission Mr. Salma Al Farisi
Um tiro em Atenas
"Era um velho decente, formal e limpo. E havia nele memórias, sofrimento e grandeza. Olhou em volta. Nem a sombra de um remorso nem aquele limite denso e excessivo que a idade costuma expor. Olhou em volta e talvez estivesse a lembrar-se dos vendedores de esponjas de antigamente, que ofereciam o produto na praça da Constituição; ou das tavernas com parreiras, na Plaka, sob as quais comera queijo de cabra e bebera resinato, nos longos dias de calor. E de mulheres com quem dançara, pelas festas perdidas para sempre.
Passara por muitas coisas de infortúnio e por algumas alegrias selvagens e dispersas. Transfigurada de ventos e de silêncios, a cidade fora invadida pelos nazis, envolvendo de medo e atrocidades o chão sagrado dos deuses, dos poetas e dos filósofos.
Atravessara o luto criado pelos coronéis, com a consciência de que a adversidade era fruto da falta de bondade e de compaixão, aparentemente inexplicável. Fora preso por querer ser livre. Conhecera as rudezas do desemprego, e os ténues acenos de uma esperança obstinada. Depois, como se a sociedade precisasse de um mundo de compensações, haviam-lhe reduzido o ordenado, e aumentado tudo o que pertencia aos domínios da sobrevivência estrita. Mais tarde, extorquiram-lhe os subsídios e limitaram-lhe os proventos de uma reforma escassa.
Suportou as gradações da infelicidade, porque aprendera que a infelicidade nunca é lisa, e dispunha sempre de diferentes medidas de circunstância. Chegara, assim, ali: àquele plaino com relvado, de onde se divisava o que desejasse ser divisado. E descobrira, exausto e triste, de que pouquíssimas vezes o tinham deixado ser feliz e livre.
Soltou um grito. Como se quisesse desabafar a dor insuportável que sobre ele tombara, lhe vergara os ombros e lhe ferira o mais secreto da sua fé. As coisas são como são, diziam. Mas ele não queria que as coisas fossem como queriam que elas fossem.
A partir de certa altura, decidira manter uma atitude respeitosa e marginal. Nem mesmo assim obtivera paz e sossego. A verdade é que um homem está sempre ligado ao seu passado. O aparente apaziguamento interior não domesticara a ira, a cólera e a indignação que sentia, sobretudo quando a sua terra deixara de ser a lenda e a história e fora transformada numa litografia imbecil.
Quando gritou, gritou para aqueles que o não ouviam ou não desejavam ouvir. Assaltara-o o medo de ter, num futuro próximo, de esgaravatar nos caixotes de lixo, em busca de comida. E de deixar aos filhos e aos netos o peso de dívidas e a impossibilidade de as pagar. Sentou-se na relva. Ninguém o olhou. Há muito que as pessoas não se cruzavam: trespassavam-se.
Gritou: eles não respeitam nada nem ninguém!
E disparou o revólver na cabeça.
Dimitris Christoulas, 77 anos, reformado, grego. Nosso irmão."
Baptista Bastos
Academia Popular de Filosofia na Voz do Operário
Para jovens alunos de Filosofia e não só. É um espaço para reflexão e partilha de ideias. Para desenvolver um olhar crítico sobre a atualidade. Todos os interessados poderão inscrever-se. Atenção: as aulas são gratuitas. Nos meses de abril e maio. Deixo aqui o convite; depois não venham dizer que a Filosofia é elitista!
Participantes: Miguel Real, André Barata, Paulo Borges, Viriato Soromenho Marques, João Luís Lisboa, Ana Gonçalves e Ana Bernardo.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Nem Jesus Cristo aguentaria ser professor hoje
No ano de 2009 já tinha publicado o texto Razões divinas para uma reforma antecipada.
Dentro do mesmo espírito, e porque penso que não perdeu a sua oportunidade, republico uma nova versão, adaptada, do texto que circulou há três anos, na época dos "professores titulares".
O Sermão da montanha (versão para Professores)
Naquele tempo, Jesus subiu a um monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem.
Ele preparava-os para serem os educadores capazes de transmitir a Boa Nova a todos os homens.
Tomando a palavra, disse-lhes:
- Em verdade, em verdade vos digo:
- Felizes os pobres, porque deles é o reino dos céus.
- Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
- Felizes os misericordiosos, porque eles...?
Pedro interrompeu-o:
- Mestre, vamos ter que saber isso de cor?
André perguntou:
- É pra copiar?
Filipe lamentou-se:
- Esqueci o meu papiro!
Bartolomeu quis saber:
- Vai sair no teste?
João levantou a mão:
- Posso ir à casa de banho?
Judas Escariote resmungou:
- O que é que a gente vai ganhar com isso?
Judas Tadeu defendeu-se:
- Foi o outro Judas que perguntou!
Tomé questionou:
- Tem uma fórmula pra provar que isso tá certo?
Tiago Maior indagou:
- Vai contar pra nota?
Tiago Menor reclamou:
- Não ouvi nada, com esse grandalhão à minha frente!
Simão Zelote gritou, nervoso:
- Mas porque é que não dá logo a resposta e pronto!?
Mateus queixou-se:
- Eu não percebi nada, ninguém percebeu nada!
Um dos fariseus, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada a ninguém, tomou a palavra e dirigiu-se a Jesus, dizendo:
- Isso que o senhor está fazendo é uma aula?
- Onde está a sua planificação e a avaliação diagnóstica?
- Quais são os objetivos gerais e específicos?
- Quais são as suas estratégias para recuperação dos conhecimentos prévios?
Caifás emendou:
- Fez uma planificação que inclua os temas transversais e as atividades integradoras com outras disciplinas?
- E os espaços para incluir os parâmetros curriculares gerais?
- Elaborou os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais?
Pilatos, sentado lá no fundo, disse a Jesus:
- Quero ver as avaliações da primeira, segunda e terceira etapas e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos seus discípulos, para que se cumpram as promessas do Imperador de um ensino
de qualidade.
- Nem pensar em números e estatísticas que coloquem em dúvida a eficácia do nosso projeto.
- E veja lá se não vai reprovar alguém!
E foi nesse momento que Jesus disse: "Senhor, por que me abandonastes?..."
(Texto de autor desconhecido)
Enviado por Becas
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