domingo, 20 de setembro de 2009

Absolutamente revoltante



Treze mulheres sudanesas foram presas num restaurante em Cartum por vestirem calças. O vestuário, considerado impróprio pela lei islâmica valeu-lhes pena de prisão e uma multa. Algumas das mulheres do grupo, do qual fazia parte a jornalista Lubna Al-Hussein, foram de imediato chicoteadas na esquadra local.

A Amnistia Internacional mais uma vez condenou este crime contra os Direitos Humanos, tendo apelado ao governo de Cartum que levantasse as penas.
A jornalista, muito crítica em relação ao governo, foi libertada depois de o Sindicato dos Jornalistas ter pago uma multa de 209 dólares.

Lubna tinha dito que não queria que o fizessem, por ter havido já mais de 700 mulheres presas por causa do seu vestuário, que supostamente "ofendia a moral pública" as quais não tinham ninguém que lhes pagasse a multa.

A jornalista declarou que, apesar de se ter livrado da prisão, não estava feliz, pela repetição destas medidas por parte das autoridades sudanesas, que sistematicamente prendem e chicoteiam mulheres, em nome da lei islâmica.

O artigo 152 do código penal sudanês de 1991, que entrou em vigor dois anos depois do golpe de Estado do actual presidente Omar el-Bashir, prevê uma pena máxima de 40 chicotadas para qualquer pessoa que "cometa um acto indecente, um acto que viole a moralidade pública ou que utilize roupas indecentes".

Lubna foi poupada à pena de 40 chicotadas, mas iria passar um mês na prisão por se recusar a pagar a multa. Entretanto promete continuar a lutar para acabar com a violência sobre as mulheres sudanesas.

Enquanto escrevo este texto sinto um nó de revolta na garganta pela infâmia que isto constitui, pela agressão aos mais elementares direitos das mulheres, que, nestes países, nem como seres humanos são minimamente respeitadas.

Fica registado neste Blogue mais este atentado a juntar à morte da iraniana Neda Soltan e à prisão da Kartika Sukarno por ter bebido uma cerveja no bar de um Hotel em Kuala Lumpur.

Na segunda imagem vemos Lubna Al-Hussein à saída do tribunal vestindo as mesmas calças com que foi presa. Atentado ao pudor, PORQUÊ?


Ouça aqui o registo audio da Antena 1:

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