quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Akhenaton encontrado no lixo do Cairo


Durante a revolta no Egipto, como em todos os momentos de grande convulsão social, houve oportunismos lamentáveis. Um deles foi o roubo de tesouros do Museu do Cairo no período mais quente na Praça Tahrir, centro das manifestações e onde o Museu se localiza.

Uma estatueta, representando o faraó Akhenaton, anteriormente conhecido como Amenófis IV, foi encontrada por um adolescente num contentor do lixo e assim, felizmente recuperada.

Certamente que a estatueta não terá sido roubada para sofrer este triste fim! Provavelmente, o larápio livrou-se do objecto com receio de ser apanhado em flagrante, já que, ao que parece, os manifestantes que enchiam a praça, ao saberem das pilhagens no Museu, organizaram a guarda do mesmo, a fim de evitar o desaparecimento de mais tesouros. O meliante deve ter ficado a roer-se de raiva. Infeliz!...

Leia aqui e aqui.


A respeito do Museu do Cairo e de Akhenaton, convém lembrar o imortal Edgar-Pierre Jacobs que, no álbum "O Mistério da Grande Pirâmide" e pela boca do sheik Abdul Razek, narra:

"Quando há mais de trinta séculos Amenófis IV subiu ao trono depressa se apercebeu de que, de facto, o poder real se encontrava nas mãos dos sacerdotes de Amon. Resolvido a desembararçar-se desta intolerável tutela, e, por outro lado, obedecendo à sua natureza profunda, o jovem faraó instala um novo culto, o de Aton, disco solar, divindade suprema e única, símbolo de pureza e de luz.
Depois, vendo os seus desígnios combatidos pela religião tradicional, o faraó aniquila-a, fecha os seus templos e dispensa os seus sacerdotes. Seguidamente abandona Tebas, vai fundar uma nova capital e muda o seu próprio nome de Amenófis para Akhenaton, isto é, espírito de Aton." 

(Obra citada, Ed.Livraria Bertrand, 1979, pág. 49)


Luís Diferr

4 comentários:

  1. É de facto lamentável! Já tinha acontecido exactamente o mesmo em Bagdad quando foi deposto o regime de Sadam Hussein.
    Há sempre os velhacos e oportunistas que se aproveitam das revoluções para fazer contrabando de obras de arte, vender a colecionadores, ou fazer coleções privadas, sei lá! Mafiosos!

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  2. Ainda permanecem desaparecidas muitas dessas obras do Museu do Cairo, como as duas estatuetas roubadas de Tutankamon...

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  3. Olá Luís e Helena
    Encontrado no lixo? Não tenho palavras para um acto destes. Vou partilhar no facebook e vou postar sobre o assunto brevemente. Obrigada pelo post tão esclarecedor.
    Beijinhos

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  4. Pois é, o vandalismo e ganância de alguns sobrepõe-se ao respeito pela História e à preservação do património cultural! :-(

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