terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Educação sexual - uma caixa de gatos

(c)Tacci

Esta reflexão foi deixada na caixa de comentários de um post aqui abaixo sobre homofobia na adolescência. Considerei-a demasiado importante para aí permanecer, mais ou menos escondida. Quis trazê-la mais para a luz e desafiei o Tacci, ex-professor, filósofo, artitsta e blogger, a fazer uma aguarela para ilustrar o seu texto. Demorou apenas um dia e eis aqui o seu talento e a sua clarividência, que fiz questão de partilhar convosco.
Sinto-me uma privilegiada por ter amigos destes!

"Não juro que não esteja a dizer asneiras, mas estou em crer que a educação sexual é um cesto de gatos - como aliás toda a educação.

Toda a gente sabe que é difícil ensinar filosofia a um jovem que não aprendeu a ler, apenas junta as letras, e que não sabe a tabuada muito bem.

E é igualmente difícil ensinar-lhe o respeito pelo outro quando em casa, mal começou a gatinhar, viu o pai desrespeitar a mãe - e vice-versa, claro - e as irmãs serem tratadas como mini criadas e por aí fora. As crianças, desde muito novinhas tentam interpretar os mais crescidos para se adaptarem: a sobrevivência deles próprios depende disso. Mas, claro, muito antes de dominarem palavras, aprendem a descodificar atitudes. É (ou seria) a altura própria para mostrar que a aceitação do diferente é um valor.

Mas, para isso, teria de ver que os outros a praticavam.

Mais tarde, quando o adolescente está ele próprio a escolher (ou a reconhecer, não sei) a sua orientação sexual, a exclusão do diferente parece-me muito natural. A maior ou menor agressividade que ele põe nessa diferenciação é que é preocupante e vem muito lá de trás.

Julgo que é a altura própria para aprender imensa coisa, a contracepção, por exemplo, ou as DSTs. Mas é a altura errada para lhe ensinar a tolerância nesse campo específico. Seria muito mais fácil ensinar o adolescente a respeitar a diferença de um modo desviado. Por exemplo, através de uma educação para a cidadania: aprender a discutir sem atropelar os outros, a reconhecer a razão e a competência quando elas aparecem, etc. Não se deveria ensinar os cachopos a dirigir uma reunião respeitando as regras do pedido de palavra, do protesto, do pedido de esclarecimento, da votação e por aí fora?

Claro que não tenho a certeza de nada disto: estive só a pensar alto.
Felizmente neste blog não é um pecado grave, pois não?
Um abraço."

Tacci

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