sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Hecatombe no Nepal



Por causa de uma cerimónia hindu foram sacrificados no Nepal mais de 200 000 animais, segundo a tradição, em honra das deusas Gadhimai e Kali.

A cerimónia começou na madrugada do dia 24,com orações num templo onde estavam dezenas de milhares de hindus. Em seguida, os fiéis encaminharam-se para um curral próximo, onde começaram a decapitar bois, patos, galinhas, pássaros, porcos, bodes cordeiros, frangos e búfalos!

O evento cruel, com cenas terríveis, atrai muitos devotos e foi exibido na televisão nacional. Só búfalos foram 108 decapitados pela turba em êxtase.

Mesmo perante a mortandade cruel, o governo de Katmandu disse não estar disposto a proibir a cerimónia porque faz parte da tradição religiosa nepalesa e é uma cerimónia praticada há séculos.

Os hindus nepaleses dizem acreditar que sacrificar os animais à deusa porá um fim ao mal e trará prosperidade…

Em 1780, o Nepal proibiu o sacrifício humano. No entanto, os animais não humanos ainda podem ser mortos para satisfazer a vontade das deusas…

Parece-me revoltante. Não é legítimo evocar a tradição ou os costumes culturais ou religiosos para justificar todo o tipo de barbaridades.

Senão ainda teríamos os touros de morte em Portugal e quiçá o circo romano em Roma e os sacrifícios em massa no México, só porque era uma tradição Maya, e por aí adiante.

Sei que muita gente irá discordar do meu ponto de vista, mas se a nossa tolerância for total com tudo aquilo que se justifica porque é da tradição ou da cultura, jamais as mulheres afegãs deixarão de usar a burka, as mulheres do islão jamais poderão usar calças, continuarão a ser apedrejadas até à morte se cometerem adultério, as meninas africanas de algumas etnias jamais deixarão de ver o seu clítoris extirpado e os fundamentalistas nunca deixarão de cometer atentados para assassinar milhares de “infiéis”…

Evidentemente que os ambientalistas e defensores dos animais consideraram este sacrifício no Nepal como uma crueldade e irão continuar a lutar para acabar com esta barbaridade que se realiza de cinco em cinco anos.

Definitivamente e pela minha parte, não considero aceitável!

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