sexta-feira, 1 de julho de 2011

A melhor medida anti-crise


Quando a generalidade do meus alunos pensa que estou de férias, chego a passar na escola ainda mais tempo do que em certos dias com aulas. Hoje tive uma reunião de apenas três horitas. O dobro do tempo estipulado. Pas mal! Amanhã tenho outra que deve ser de quatro. Pas mal! 
Isto é só nos intervalinhos das vigilâncias de exames, da correcção das provas e dos recursos.

Venho para casa (que já não é uma casa, antes parece um acampamento) e em vez de honrar os meus deveres de dona de casa, deixo as panelas para trás, a pilha da roupa e o esfregão e eis-me pendurada nos Relatórios, nas Grelhas e nos Balanços. Pelo meio vou apanhando umas notícias de rádio catastróficas, como perder 50% do subsídio de Natal.

Aqueles que me achavam forreta vão passar finalmente a ter razão, pois doravante vai mesmo acabar-se com a orgia de presentes no Natal. Ou há moral ou comem todos, diz o povo. Não estou para pagar esta crise sozinha. Vou deixar a generosidade congelada até nova era glaciar.

É trabalhar sem piar e pagar, pagar, pagar! As dívidas que os outros fizeram! Ok!

Então, é bom que se ocupe a malta o tempo todo, não vá alguém começar a lembrar-se de querer ir à praia, trabalhar sim, mas para o bronze. Ou apanhar umas chapadas das ondas nas pernas para fazer guerra à celulite! Ou soltar os cabelos e dar umas corridas à beira mar para oxigenar o pulmão!

O bom de trabalhar à semana e também ao fim de semana é que não há tempo para pensar na crise. Nem na celulite! Nem no ginásio! E as vantagens são imensas, enormes, senão vejamos:

- Não havendo tempo livre não se gasta calçado, come-se menos e mal, não se vai ao cabeleireiro, nem à manicure, nem ao ginásio; não há tempo para ler livros nem ir ao cinema. Sair à noite também fica fora de questão porque é preciso levantar cedinho.

Logo, tudo aquilo em que se poderia gastar dinheiro não se faz. Trabalhar sem interrupções é uma verdadeira medida de poupança. A mais eficaz forma de pagar a dívida externa.

Se acabarmos todos no manicómio, logo se vê.

2 comentários:

  1. E logo se vê. mais cedo do que tarde... é o meu palpite...
    Beijocas!
    Anabela Magalhães

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