domingo, 10 de julho de 2011

"A Rota do Incenso e das Especiarias" no Iémen Antigo


Entre os sec. VIII A.C. e o sec. VI D.C., o Iémen antigo foi dominado por seis estados principais, que umas vezes rivalizavam, outras se aliavam com o fim de controlar rigidamente e monopolizar o lucrativo comércio do incenso e de outras mercadorias preciosas. O contrabando ou o desvio da rota fixada era crime punido com a morte.

Os reinos antigos

Para a população contemporânea é difícil entender a importância do incenso ou da mirra no mundo antigo. Se o primeiro era imprescindível em todas as cerimónias religiosas, a mirra era essencial nos embalsamentos e, adicionada à cal, conferia brilho às paredes das habitações.


Hadhramaut ou Hadramawt

No Hadhamaut/Hadhramawt, grandes fornos eram (são) conservados acesos dia e noite para o fabrico da cal, muito necessária para a conservação dos edifícios bastante vulneráveis, construídos com tijolos fabricados de adobe, segundo técnicas milenares, e secos ao sol.

Segundo Plíneo o Velho, Shawa, capital do Hadhramaut, era a cidade dos 60 templos. Esplendorosa e de arquitetura singular. As habitações tinham de 5 a 7 andares, habitadas por uma só família (só ruínas, agora).

Shivta, cidade no deserto na rota do incenso

Hadhramaut foi o grande produtor do incenso. Ali existia outrora, em abundância, a árvore de onde se extraía a resina, fazendo-se à volta da sua recolha grande segredo, o que deu lugar a várias lendas. Heródoto conta que em torno de cada árvore voavam serpentes aladas, para a proteger. Hoje estão praticamente extintas e apenas nas grandes alturas desérticas se podem encontrar algumas. Os que se dedicam à recolha da resina percorrem a montanha, durante dias, para fazer as incisões nas árvores cujas lágrimas ficam a secar ao sol e só depois são recolhidas com o auxílio de um raspador.

Cão de caça - Hadhramaut

Com um importante porto, "Cane", de intenso comércio marítimo (hoje coberto de areia), por onde entravam as especiarias e todas as mercadorias vindas dos reinos mais a oriente, foi um dos estados marcantes, sendo, pois, dos primeiros grandes reinos caravaneiros (os camelos foram domesticados a partir de 1400 A.C.).

De Cane partia uma rota de caravaneiros até Shawa, capital do Hadhramaut, centro de agrupamento de caravanas e aí, juntando-se à rota do incenso, percorriam, durante mais ou menos 6 meses, todo o deserto e todos os 56 postos de "parada" até ao porto de Gaza, de onde as preciosas mercadorias seguiam para a Síria, Egipto, para todo o império romano e poderem ser desfrutados os aromas, o sabor dos condimentos orientais e também o sal, útil para cozinhar e conservar os alimentos.

Rota do incenso entre Petra e Gaza

No Hadhramaut existia (existe), também, a exploração do sal à força de picaretas e cantorias e com a utilização de métodos muito primitivos.
Em 1985 foram encontradas, para além de casas, um templo e uma alfândega.
Algumas das relíquias descobertas encontram-se no museu em Ataq, capital da atual Shawan.

Shiban, a Manhatan do deserto


Shiban ou Sheiban, a cidade fortificada, que foi, mais tardiamente, durante muito tempo, capital do Hadhramaut (tem edifícios do séc. XVI, considerados os primeiros arranha-céus do mundo), foi considerada Património Mundial da Humanidade em 1982, pela Unesco.

O sul da Arábia é ainda uma terra de mistério. Os arqueólogos têm à sua frente muitos desafios e será possível que algumas descobertas futuras possam vir a rivalizar ou mesmo ofuscar as lendas que deram à região o seu histórico nome "Arábia Felix".

(Texto inspirado em séries televisivas
Consultas:História do Iémen Antigo ( Reino do Hadhramaut); Rota do incenso e das especiarias - Wikipédia)


Tita Fan

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