domingo, 24 de julho de 2011

Anders Behring Breivik, cavaleiro templário 2083


Ainda não estou em mim de incredulidade a respeito do que aconteceu em Oslo e na ilha de Utoya. Já aqui o afirmei: a Noruega é dos países que conheço provavelmente aquele onde o sentido de cidadania é mais elevado. Mas não só: é tembém o país onde melhor se exerce aquilo a que eu chamo a democracia directa, ou seja, os cidadãos têm uma enorme proximidade dos seus governantes e as suas opiniões são efectivamente consideradas.

Há um cerca de um ano, por ocasião do Oslo Blog Gathering ainda se respirava em Oslo um clima de paz, segurança e tranquilidade. O grupo internacional de bloggers, que integrei com Luís Diferr, foi recebido pelo Mayor de Oslo na sala nobre da Câmara Municipal, sem quaisquer medidas de segurança. Seria pois o país onde menos eu esperaria ver aparecer uma acção terrorista. 

Nessa altura, certamente, este fundamentalista já estaria a preparar estes actos terroristas, na medida em que elaborou um manifesto de 1518 páginas! Usa uma cruz semelhante à dos Templários e é iniciado de uma tal "Loja Azul" pertencente à Maçonaria. É ultranacionalista de extrema-direita e membro activo de um forum sueco de tendência neo-nazi. É contra o multiculturalismo e contra o islão. Há dias citou John Stuart Mill no twitter e parece ter feito uma interpretação muito peculiar da sua citação "Uma pessoa com uma crença equivale à força de 100 mil que só têm interesses".

De vez em quando aparece no mundo um paranóico capaz de espalhar o terror e praticar inqualificáveis genocídios. Este passou à história por ter morto centenas de pessoas num só dia.

Como se já não bastassem criminosos com Hitler, Sadam Hussein, Kadafhi e outros mais, agora aparece na Noruega, o país do Prémio Nobel da Paz, alguém que em tudo se assemelha a uma besta nazi, não fosse o facto de agir, ao que parece sozinho. Os nazis tinham um fortíssimo sentimento de grupo e Hitler apoiava-se muito na máquina de propaganda do partido para arregimentar os jovens e moldá-los ideologicamente.

Este parece que não precisou muito de uma máquina partidária atrás de si, pois segundo disse à polícia, agiu sozinho. Mas, tal como os nazis, Breivik deve por certo achar-se investido de uma missão divina de salvar a Europa dos males do multiculturalismo.



Os princípios onde baseia a sua ideologia "de esperança" são: Força, Honra, Sacrifício e Martírio! Os seus heróis: Charles Martel, El Cid, Richard The Lionheart, Jacques de Molay (o último dos Templários), Vlad Tepes (conhecido como o empalador por lutar contra o Califado Otomano na Roménia), John III Sobiesky (rei lutador contra o Califado Otomano-Islâmico na Polónia e Lituânia), e o Czar Nicolau I (imperador da Rússia)!
Lindo, não é?

O auto-denominado "Cavaleiro Templário 2083" identifica (preconiza?) uma Guerra Civil Europeia entre 1999 e 2083, ano em que deverá estar erradicado o multiculturalismo e a diversidade, que, segundo ele, estão a destruir a cultura dos países europeus. E o manifesto termina com um apelo: "Needless to say, my brothers; we, the conservatives of Europe, have a lot of work to do. Before we can star our Crusade, we must do our duty by decimating cultural marxism".

Estou atónita! Tenho a sensção de ter acabado de ler o Mein Kampf!

Pode ver aqui (de preferência sentado!) os vídeos com o perfil de Breivk e a visita de solidariedade da família real norueguesa às vítimas e às suas famílias.

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