terça-feira, 1 de dezembro de 2009

1 de Dezembro de 1640 - Restauração da Independência



“Durante 60 anos, Portugal viveu sob domínio espanhol. Muitos portugueses, sobretudo da nobreza, não viam nisso inconveniente, bem pelo contrário já que esse estado de coisas lhes era conveniente. Mas outros, apesar de impotentes, nunca o aceitaram. E eis que em 1638 o cônsul francês em Lisboa prometeu ajuda aos portugueses em caso de insurreição contra os espanhóis.

Miguel de Vasconcelos – um esbirro diligente dos espanhóis, que simbolizava aos olhos de todos a infâmia da traição – governava como ministro absoluto, na qualidade de Secretário de Estado da vice-rainha, a Duquesa de Mântua.

Depois de uma violenta revolta em Évora, rebentou uma série de levantamentos que acabou com a inesperada tomada do poder por um grupo de nobres, em Lisboa, no dia 1 de Dezembro de 1640.

Nesse dia, de manhã cedo, oito nobres chegaram ao Palácio Real e, abrindo fogo com as suas pistolas, ultrapassaram a guarda e subiram aos salões. Dirigiram-se ao escritório de Miguel de Vasconcelos; um guarda foi morto, dois outros feridos mas, para sua surpresa, não encontraram aí o Secretário.

Descobriram-no enfim, escondido num cofre!... “Tiraram-no do cofre, deram-lhe uns tiros de pistola e mataram-no sem lhe dar tempo de pedir um confessor”, no dizer de um padre da Companhia de Jesus que narrou estes acontecimentos. O corpo foi atirado “pela janela que dá para o Terreiro do Paço”, onde terminou ultrajado pela raiva popular devida a um traidor.

Foi a “Restauração da Independência”: o resto do país seguiu os acontecimentos, os contra-revolucionários fugiram ou foram eliminados sem demora e o jovem Duque de Bragança foi rapidamente aclamado rei, com o título de D. João IV.

Era a época da Guerra dos Trinta Anos, que espalhou tanta miséria e sofrimento pela Europa. Portugal conseguiu obter o apoio da França e da Inglaterra, o que permitiu a reorganização do exército e a defesa contra as invasões dos espanhóis, vencidos em várias batalhas na fronteira durante uma guerra que durou 28 anos!”

Texto de Luís Diferr

Excerto traduzido do livro «Les Voyages de Loïs – Le Portugal», de Luís Diferr e Jacques Martin, a ser publicado em Março de 2010 pelas Éditions Casterman, Bruxelas.

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